19 DE JULHO NO MEMORIAL DO RIO GRANDE DO SUL, DEBATE COM LUIS SALVADOR, CACIQUE SACI DA TERRA INDÍGENA KANHGÁG AG GOJ (RIO DOS ÍNDIOS)

O Núcleo de Antropologia das Sociedades Indígenas e Tradicionais (NIT/PPGAS-UFRGS) e Museu Antropológico do Rio Grande do Sul convidam para o 2º encontro do I Ciclo de Encontros do Observatório Social das Populações Indígenas da Região Sul.

Luís Salvador, mais conhecido como “Saci”, é cacique da Terra Indígena Kanhgág ag Goj (Rio dos Índios, Vicente Dutra – RS), e coordenador do Movimento Indígena do estado do Rio Grande do Sul, na luta pela demarcação das Terras Indígenas.
Hoje, Luis Salvador encontra-se preocupado com a política do governo brasileiro, que avança contra os povos originários, a fim de continuar favorecendo um modelo econômico que, segundo o cacique, “não serve para nenhuma sociedade”.

17h no auditório do Memorial do Rio Grande do Sul: Rua 7 de Setembro, 1020 – Centro Histórico, Porto Alegre.

Rede de Artistas faz vigília pela vida dos espaços culturais públicos de Porto Alegre

Leia o Manifesto da Rede MOVE:

LUTO PELO TEATRO!

Em DEFESA DA VIDA dos Espaços Culturais!

Porto Alegre, cidade que se orgulha de sua variada produção cultural, tem testemunhado o fechamento de teatros tradicionais e o sucateamento de espaços culturais. O Teatro de Câmara Túlio Piva, o Centro Cenotécnico e a Usina do Gasômetro encontram-se fechados e sem previsão de abertura; a construção da Terreira da Tribo e do Teatro Elis Regina permanecem só na promessa. O Auditório Araújo Vianna foi entregue à iniciativa privada e se tornou um espaço inacessível aos artistas locais.

Arte e cultura são fundamentais para toda a sociedade. Criam diálogos, confrontam ideias, produzem experiências de encontro com o outro. Ajudam a diminuir o índice de violência e colaboram na promoção da SAÚDE e o BEM-ESTAR SOCIAL. A cultura também faz parte da ECONOMIA das cidades, com geração de empregos e receita, incluindo diversos setores como técnicos, restaurantes, serviços de segurança, limpeza, turismo, entre outros.

MOVE – Rede de Artistas de Teatro de Porto Alegre

Se a cultura perde, perdemos todos e todas.
Apoie esta causa, ela também é sua!

Acompanhe a programação dos espetáculos ligados a MOVE pelo site: https://www.redemove.com.br
#redemove #movepoa #moveteatro

MOVE – Rede de Artistas de Teatro de Porto Alegre

MAIS QUE UM JOGO | Renato não entende porque gays no futebol viram notícia

No último final de semana, um grande jornal brasileiro publicou uma entrevista com Renato Portaluppi. A manchete diz que Renato não entende porque gay no futebol é notícia.

Renato frequenta o ambiente do futebol há mais de 3 décadas. Além de excelente jogador, sua marca registrada sempre foi o jeito de “machão pegador”, personagem este indissociável do machismo. O tal do machismo, sempre presente no futebol. O tal do machismo que acha que “o que as meninas, com todo respeito, não podem fazer de maneira alguma, é se comparar aos homens. Isso nem daqui a dois séculos”. Nosso treinador acha isso, com todo o respeito.

Renato, esse homem cis, hétero, branco e com um salário de muitos dígitos, o que colocaria ele na tal “Classe A1′ do IBGE, diz que a coisa está melhorando com Witzel no governo do Rio de Janeiro. Wilson Witzel é aquele governador que comandou pessoalmente, de dentro de um helicóptero blindado, uma operação onde agentes de segurança pública atiram de cima para baixo, a esmo, em uma favela. O estado governado por ele, de janeiro a abril de 2019, teve 538 pessoas mortas pela polícia (levantamento feito pelo Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro). É uma média de 5 mortos por dia, mas nosso treinador acha que a coisa está melhorando.

Renato apoia o atual presidente e o atual ministro da justiça. Disse que são pessoas do bem, e que “quem é contra esses caras é contra o crescimento do Brasil.” Avisem Renato que vai ser difícil crescer em um país cuja educação teve um contingenciamento de 25% no seu orçamento, mas a liberação de agrotóxicos cresceu 42%.

Renato não entende porque gays no futebol viram notícia. Ele disse que não pode “entrar no vestiário de sacanagem por ser gay e levar mais para o lado gay do que para o trabalho.” Talvez nosso treinador não saiba, mas não existem profissões exclusivas para determinada orientação sexual, ou seja, não tem como “levar para o lado gay”. Mas se Renato quiser muito misturar orientação com desempenho no trabalho, alguém avisa pra ele que a artilheira da Copa do Mundo feminina, a estadunidense Megan Rapinoe, é homossexual. Aliás, a maior artilheira de todos os tempos, a nossa Marta, também é.

Renato não entende, afinal de contas, é difícil sentir empatia por algo que não conhecemos. Ele não entende pois não foram 4422 homens héteros – como ele – mortos entre 2011 e 2018. Não foram 552 mortes de héteros por ano, e nem mesmo existe uma heterofobia, que vitimaria uma pessoa a cada 16 horas.

Se atletas homossexuais viram notícia é porque existem 11 países no mundo onde a relação consentida entre dois adultos do mesmo sexo é punida com morte, e um em cada três países do mundo condena a homossexualidade. É preciso ter muita, mas muita coragem pra se assumir neste planeta, e mais ainda quando ambiente de trabalho é conhecido por sua homofobia, como no caso do futebol. Renato não entende. Talvez ele não saiba, ou talvez ele simplesmente não queira entender, pois não se importa.

Ficamos com o ídolo, rejeitamos a pessoa.

Movimento Grêmio Antifascista

Heavy Hour 47 – 09.07.19 – LGBTudo!

Recebemos no Estúdio Monstro, na sede do Coletivo Catarse, o ativista do Nuances – Grupo Pela Livre Expressão Sexual, Célio Golin, para um bate-papo sobre questões de homofobia e muito mais! Teve Grêmio, Renato Gaúcho e Coligay na conversa também. Destaque para a sonolenta contribuição de Billy Valdez, correspondente do Heavy Hour direto na Nova Zelândia, o lugar onde os patetas malucos dirigem seus carros, mas que são gentis nas calçadas… Power trio do coletivo nesta edição completado com Clémentine, a antropóloga.

E teve música boa! Confere nossa setlist:
Megadeth – Dystopia
Cake – I Will Survive
Chico Buarque – Construção
Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede – Noite Severina
The Datsuns – Gods are bored
Judas Priest – Electric Eye

Não foi o frio que matou o mendigo

Por Fabio Poletto Franco, professor da Rede Municipal de Porto Alegre

Foto: Ana Carolina Pinheiro

Escuto pela janela o barulho do vento rasgando a rua Duque de Caxias nessa noite de quase zero grau. Enquanto eu dormia, um morador de rua morreu de frio na madrugada do dia 6 de Julho em Porto Alegre. Há menos de 200 metros do Palácio Piratini, casa do governador, há meio-quilômetro do Paço Municipal, casa do prefeito. Ignoram os desabrigados e deixam morrer por negligência.
Na madrugada seguinte, o Inter abre as portas do Gigantinho para os desabrigados terem onde dormir. O Grêmio envia 300 colchões e cobertores para o abrigo improvisado no ônibus oficial. Os torcedores se orgulham de seus clubes e dão trégua à rivalidade. Os gestos rendem notícias, reportagens e posts no facebook, incluindo até vídeo de torcida organizada cantando o hino do clube.
Parabéns ao Inter, que tomou a iniciativa, e parabéns ao Grêmio, que apoiou o rival na causa. Mas os mais de 2 mil moradores de rua da cidade terão que esperar frio intenso e favor de clube de futebol para diminuir a chance de morrer?
Faz 2 anos que ambos fizeram força para continuar isentos de IPTU e outros impostos. Alegam que fazem parte das entidades culturais, recreativas e esportivas sem fins lucrativos, portanto contribuem com a sociedade gaúcha. Porém, somando o faturamento de Inter e Grêmio de um ano, chegamos a 300 milhões de reais. Dúzias de imóveis dos clubes não pagam IPTU, incluindo os seus estádios de futebol (o morador do barraco do Mário Quintana paga IPTU, mas o Beira Rio e a Arena não).
Talvez o dinheiro não cobrado desse imposto daria para construir e fazer a manutenção de albergues para todos os mais de 2 mil moradores de rua da cidade. Portanto abrigar gente do frio é quase um pedido de desculpas, é uma contrapartida de empresas milionárias que são isentas de impostos. Por outro lado, o governador e o prefeito agradecem aos clubes, que estão fazendo os papeis de gestores das necessidades sociais.
O governo cobra imposto do barraco do pobre e isenta os clubes, mas diz que não tem grana pra abrir albergues. Diz que o caixa tá quebrado, mas a brigada militar tem um custo aproximado de 7 milhões por ano para fazer a segurança de estádios de futebol no estado. Grande parte desse dinheiro é gasto em jogos da dupla grenal, tanto que a Brigada queria cobrar 100 mil reais por jogo. Os clubes não gostaram da ideia, embora adoram a isenção de impostos.
É a política do Pão e Circo? Não: pois o bandejão foi fechado, a coreia não existe mais, a popular foi pro fosso e o jogo quente só por pay-per-view. O que mata é a política da isenção de impostos pra quem tem dinheiro e isenção das responsabilidades dos governos com os pobres.

Referências:

https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2017/08/23-vereadores-assinam-emenda-que-mantem-isencao-de-iptu-a-clubes-de-porto-alegre-9877892.html

https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2017/08/especialista-sugere-que-isencao-de-iptu-a-clubes-esteja-relacionada-a-contrapartida-social-9878024.html

https://www.jornaldocomercio.com/site/noticia.php?codn=134249

https://www.foxsports.com.br/news/123158-brigada-militar-quer–mil-reais-mensais-pela-seguranca-nos-jogos-da-dupla-gremio-internacional