Multidão na rua em Porto Alegre pela educação e contra Bolsonaro

Na noite de quarta feira (15/05) soaram os tambores da revolta popular em Porto Alegre e em todo o Brasil.  Na capital do Rio Grande do Sul, cerca de 30 mil pessoas participaram do grande ato noturno que foi da Esquina Democrática até o Largo Zumbi dos Palmares, no centro da cidade . Ao longo do dia também ocorreram diversas mobilizações na Faculdade de Educação (FACED UFRGS).

Manifestação passando pela Avenida Borges de Medeiros.

O movimento fez oposição aos cortes das verbas para as Universidades Federais e para o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) anunciadas por Jair Bolsonaro e pelo ministro da educação Abraham Weintraub . Além disso, também se posicionou contra os ataques feitos pelo presidente à política de cotas e contra as ciências e universidades.

“Revolte-se. Salve a Educação do Bozo. Rebele-se”. Cartaz de Manifestante.

Os manifestantes também questionaram a prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e a reforma da previdência. Diversos movimentos sociais contrários a Jair Bolsonaro e suas políticas de governo estiveram presentes. Grupos anarquistas, sindicalistas,coletivos LGBTQ+, feministas, partidos de esquerda, movimentos negros, estudantes e professores universitários e secundaristas construíram o espaço de lutas coletivas.

Esta união de diversos segmentos deu corpo ao movimento e unificou diversos discursos contrários aos retrocessos da gestão do presidente.

“Uma só Luta! Contra a Reforma da Previdência e os cortes de Bolsonaro”. Cartaz de Manifestante

Resta saber como a pressão popular terá efeito no governo. Espera-se que, caso os grupos sigam mobilizados, se consiga reverter ou impedir decisões deste (des)governo ultra conservador.

Imagens: Billy Valdez
Texto: Bruno Pedrotti

13º ENCONTRO GAÚCHO DE ASSISTENTES SOCIAIS

Com o slogan “Se cortam direitos, quem é preta e pobre sente primeiro. A gente enfrenta o racismo no cotidiano!”, o 13º Encontro Gaúcho de Assistentes Sociais (EGAS) será realizado nos dias 17 e 18 de maio, no Ritter Hotel, em Porto Alegre (Largo Vespasiano Júlio Veppo, nº 55). O tema, alusivo ao Dia do/a Assistente Social 2019, foi definido no ano de 2018 durante o 47º Encontro Nacional do Conjunto CFESS-CRESS, realizado em Porto Alegre/RS.

As inscrições serão realizadas gratuitamente, no local, e as vagas disponibilizadas conforme a capacidade do espaço físico. Mais informações podem ser obtidas no hotsite do evento. No sítio virtual também está disponível a Carta Convite do 13º EGAS, documento que traz os detalhes do encontro e pode ser apresentado para pedidos de liberação junto aos espaços de trabalho.

Clique aqui para acessar e conferir toda a programação do evento, que terá diversos momentos com transmissão ao vivo pelo canal do CRESSRS no Facebook.

Ocupação Baronesa busca apoio para seguir lutando

“A ocupação Baronesa é um movimento autônomo, que surge quando sete famílias decidem ocupar este espaço e fazer a luta pela moradia”, explica Alice Martins, moradora da ocupação.

No dia 28 de março de 2019, depois de estudar imóveis públicos abandonados, o grupo escolheu ocupar o casarão que fica na esquina da rua Baronesa do Gravataí com a 17 de junho. Cerca de 20 adultos e 13 crianças estão ocupando o imóvel da prefeitura de Porto Alegre.

Fábio Luiz da Silva Polycarpo, um dos primeiros moradores da ocupação conta sobre o processo de limpeza do prédio, que havia passado por um incêndio pouco antes da ocupação: “Isso tava virado em um matagal. Cheio de sujeira, lixo e ratos dentro das casas. Fomos fazendo as limpezas e organizando as famílias para entrarem aqui dentro”.

A moradora Alice Martins reforça que o prédio é seguro e que um arquiteto foi consultado antes da entrada das famílias. “Ele nos mostrou os locais sem risco para ocupar. Reforçamos a estrutura, colocamos telhas novas. Está completamente seguro”, completa.

Alice explica ainda que o movimento luta pelo direito de viver em uma região central de Porto Alegre: “Reivindicamos melhores condições de se ocupar. Estamos disputando um território no centro De Porto Alegre, que inclusive é um território ancestral, porque a maioria das pessoas que tem aqui são negros ou indígenas”.

Fábio complementa: “Nossos filhos estudam nos colégios e creches próximos,eu trabalho aqui perto também. Me criei aqui nesta rua, conheço todo mundo por aqui”. Em sua opinião, todos os cidadãos tem o direito de viver em locais que tenham acesso à  educação, segurança e saúde de qualidade.

No entanto, desde o dia 06 de maio, o grupo vem passando por tensões com a Brigada Militar. O órgão, que já teve o imóvel cedido para uso e o devolveu para a prefeitura, tem um batalhão na frente da ocupação.

As denuncias vão desde intimidações até tentativas de expulsar as famílias sem nenhum tipo de ordem judicial.

Assim, os moradores buscam apoio para permanecer no local e continuar revitalizando o espaço. É possível ajudar entrando em contato com a página no facebook ou visitando a ocupação, na esquina da rua Baronesa do Gravataí com a 17 de junho.

Videoativistas mobilizados pelo direito de filmar

Entre os dias 3 e 6 de maio, ativistas, comunicadores e jornalistas de todas as regiões do Brasil se reuniram em Niterói RJ para o encontro R2R- pelo direito de filmar, produzido pela Witness Brasil.

Além de refletir sobre o direito de filmar e como os diferentes coletivos usam este direito para ajudar suas comunidades, o grupo também compartilhou suas vivências e desafios enfrentados.

(Foto: Mayara Donaria)

No primeiro dia, sábado (4/05/2019) os coletivos Craco ResisteTulipa Negra falaram sobre suas experiências de atuação denunciando a violência policial na cracolândia, em São Paulo. Na sequencia, os coletivos das favelas do Rio de Janeiro (Coletivo Papo Reto, Redes da Maré, Datalabe) apresentaram seus projetos e de resistência e comunicação popular contra a guerra aos pobres.

No segundo dia (domingo 5/05/2019), o protagonismo foi transferido para as regiões norte e nordeste. O jornalista Raphael Castro, de Belém do Pará, denunciou o extermínio da juventude negra e periférica em sua cidade e a contaminação causada pela mineradora norueguesa Hydro Alunorte na cidade de Barcarena. A Agência de Notícias Jovens Comunicadores da Amazônia e o Coletivo Jovem Tapajônico destacaram a importância de uma comunicação sobre a amazônia feita pelas pessoas que vivem na região, além de de denunciarem a violência contra as mulheres e os danos ambientais causados por agrotóxicos usados em monoculturas para exportação.

(Naiane Queiroz da  Agência de Notícias Jovens Comunicadores da Amazônia. Foto: Mayara Donaria)

Ainda no segundo dia, a Rede Rocheda deu um exemplo de união de coletivos. Coletivo Motim, Coletivo Nigéria e Coletivo Zóio apresentaram uma Fortaleza que, apesar da violência policial, consegue mobilizar cultura e arte em suas periferias.

Nos dois dias, no período da tarde, os participantes do evento se reuniram em quatro grupos de trabalho temáticos: vídeo como prova, arquivamento, mídias sociais e fake news. Assim, com a ajuda de materiais de apoio da Witness Brasil, os grupos conseguiram refletir coletivamente e estudar formas práticas de capacitar ainda mais suas atuações locais.

(Grupo de trabalho em atividade. Foto: Mayara Donaria.)

Por fim, no último dia de evento (segunda feira, 6/05/2019), os coletivos se dividiram em três grupos para conhecer diferentes locais no Rio de janeiro: Complexo do Alemão, Aldeia Maracanã e Morro da Providência. A equipe do Coletivo Catarse visitou o Morro do Alemão, no Complexo do Alemão.

Guiados por David Amen, do Instituto Raízes em Movimento, subimos escadarias e andamos por becos e vielas. Escutamos a perspectiva local desta comunidade (uma das 15 favelas que compõe o complexo) e soubemos de outras violações de direitos que acontecem na comunidade (além da violência do Estado), como remoções, falta de saneamento básico e construção sem consulta de obras como o teleférico do Alemão- que não funciona desde 2016.

(Vista do Morro do Alemão, Complexo do Alemão/RJ. Foto: Bruno Pedrotti.)

A partir do evento, os diferentes coletivos puderam trocar experiências criar e fortalecer redes e laços de amizade e trabalho.  Percebemos que, apesar de todas as diferenças regionais, enfrentamos problemas muito semelhantes (mineração, agrotóxicos, violência do Estado…).Nós da Catarse esperamos poder contribuir na construção de parcerias, difundindo as diversas perspectivas de cada local e construindo coletivamente conteúdos capazes de conectar as narrativas contra hegemônicas das cinco regiões do país.

Texto: Bruno Pedrotti

Imagens: Mayara Donaria e Bruno Pedrotti

 

Heavy Hour 38 – 06.05.19 – Colonialismo… na Venezuela!

Para falar das patacoadas do império na Venezuela, neste programa, recebemos uma grande atualização do professor venezuelano Pablo Quintero, presença constante quando o assunto é o seu país. Pra comentar, no estúdio, livreiro Bolívar não passa sua dica de livro, mas dá a sua letra, além da antropóloga Clémentine Maréchal, que não necessariamente fala sobre o país em ataque em questão, mas traz um ponto de vista acerca do colonialismo.

Tirem as mãos da Venezuela! Aí, depois, seguros de seu país, resolvam, os venezuelanos, a questão que cai hoje de maduro, né…

*arte feita sob cartum de Latuff

Setlist:
Rage Against the Machine – Gerrilla Radio
Os Paralamas do Sucesso – Pólvora
Death Angel – The Pack
Legião Urbana – Índios
Death – Bite the Pain
Rickman G Crew ft Wayana Boy & Mr Den – Amazonie
Fúria Rockpauleira – Mata-se