Tchê agenda! Histórico carijo multiétnico na FLONA de Canela

Nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1° de março, o Coletivo Catarse e seus parceiros irão realizar mais uma Carijada Kaatártica, desta vez na Floresta Nacional (FLONA) de Canela/RS – juntos, apoiando a atividade, estão as retomadas kaingang Gah Ré, de Porto Alegre, e Konhum Mag, de Canela, além do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Esta atividade de produção artesanal de erva-mate é especial por se entender ser a primeira, que se tem notícia, a ser realizada dentro de uma Unidade de Conservação (UC), já que estes espaços costumam ter regras mais rígidas em relação ao manejo de espécies nativas. Dessa forma, as carijadas acabam sendo geralmente organizadas em espaços de aldeias, propriedades particulares da agricultura familiar e outros espaços agroecológicos. Neste caso de Canela, na autorização para a realização do evento, o ICMBio destaca que, ao contrário de outras categorias de UC mais restritivas, as FLONAs têm como objetivo “o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais”. Levando-se em conta, portanto, o já comprovado caráter sustentável do manejo tradicional das plantas de erva-mate, Lisandro Signori, chefe da unidade conclui: A colheita de folha da erva-mate, nos moldes propostos neste evento, é uma atividade perfeitamente compatível com o Plano de Manejo desta Unidade de Conservação e desejável pelos aspectos de divulgação, educação ambiental e lazer em contato com a natureza, difusão de prática de uso múltiplo dos recursos naturais, além de identificação com a cultura local, no caso o hábito de tomar chimarrão muito presente no Estado do Rio Grande do Sul. E essa cultura de tomar chimarrão tem sua origem justamente na cultura dos povos indígenas, originários desta terra. Por isso, a parceria das comunidades kaingang também acrescenta muito ao evento. Como tantos outros povos do cone sul, os kaingang já se relacionavam com a erva-mate, chamada de kógünh no seu idioma originário, muito antes da invasão do continente. A planta segue presente no cotidiano das aldeias, tanto no chimarrão quanto em outros usos como benzimento e até mesmo dando nome a pessoas, comunidades e localidades. Aliás, a ilex está cada vez mais presente nas comunidades indígenas com os processos de retomada de territórios com mata nativa, como é exatamente o caso da Konhun Mag na FLONA, ou mesmo com o replantio em territórios sem ervais nativos, como a Retomada Gah Ré vem fazendo. Para alinhar os detalhes logísticos do evento com os gestores do ICMBio e lideranças da Retomada Kaingang Konhun Mag, a equipe do Coletivo Catarse fez uma visita até a FLONA no dia 17 de dezembro de 2025 contando com a presença da kujá Gah Té, da Retomada Kaingang do Morro Santana. Foi um momento importante para se detalhar melhor a atividade tanto para os biólogos quanto para os indígenas. Gustavo Turck, diretor do filme Carijo (assista!), explicou como é realizado este processo e quais os materiais seriam importantes. Já a kujá (“curandeira/pajé”) Gah Té recordou aos seus parentes a importância da relação direta com a erva-mate, que vivenciou na sua juventude na aldeia de Mangueirinha-PR, onde os indígenas colhiam e faziam a própria erva. Ao lado do local em que se pensou em montar o acampamento, a liderança já identificou uma planta a ser podada na atividade, inclusive. E não faltam pés de erva-mate nas matas da FLONA. Com mais de 500 hectares de área protegidos pela Unidade de Conservação, o espaço público, aberto e gratuito ultrapassa 250 hectares de Mata Atlântica, com destaque para espécies como araucária, xaxim, taquaruçu e, claro, a Ilex paraguariensis. Entre as espécies exóticas e invasoras, que vêm sendo manejadas dentro da unidade, algumas já serão utilizadas na atividade, como o eucalipto para a lenha e estrutura do carijo. Neste contexto de Mata Atlântica exuberante, a atividade se apresenta como uma oportunidade de imersão na natureza e de vivenciar a relação ancestral com a erva-mate, árvore símbolo do RS. Graças ao apoio e participação da comunidade Kaingang, também será possível conhecer um pouco da cultura deste povo, um dos que mantém a memória viva da Kógünh. Por fim, o apoio do ICMBio faz desta uma carijada única, reforçando e reconhecendo oficialmente o caráter sustentável do manejo artesanal da erva-mate no método de carijo ao acolher a atividade neste local dedicado à conservação da natureza. A atividade acontecerá no estilo vivência, com inscrições dos participantes (aguarde!), em que será detalhado cada etapa do processo, de duração de três dias, culminando com uma manhã de domingo de moagem e degustção de um mate puro, nativo, forte e originário! Não dá pra perder essa chance né? Então, tchê agenda: O Que:Carijo na FLONAQuando: 27/02 a 01/03/2026Onde: Floresta Nacional de Canela, R. Otaviano Amaral Pires, N° 518, Canela/RS. Texto e fotos: Bruno Pedrotti – Esta atividade é parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Podcast do Coletivo Catarse: uma praça naturalizada em Santa Maria

Uma conversa com Gui Blauth – por Jefferson Pinheiro. @gui_blauth tem trabalhado para que as crianças permaneçam conectadas com a natureza. Ele faz isso através de diversas iniciativas e junto a outras e outros ativistas pela causa das infâncias saudáveis e pelo direito do livre brincar em ambientes naturais, como é o caso do @coletivo.taboa, que ele integra. Em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, Gui coordenou a construção de uma praça naturalizada no bairro Nova Santa Marta, em novembro de 2025. Um pouco antes havia passado por Porto Alegre e Estância Velha em projetos similares, embora já tenho ajudado a construir ambientes naturais para as infâncias em diversas cidades e regiões do país. Este podcast é resultado de duas breves conversas com ele enquanto trabalhava na construção da praça em Santa Maria. Ele fala sobre a proposta dos parques naturalizados, do processo e do envolvimento comunitário para a construção desses espaços públicos, das parcerias locais e do impacto que ambientes lúdicos naturais podem ter para o desenvolvimento das crianças, também em contraposição às praças e ambientes artificiais. Em pouco menos de 30 minutos Guilherme nos faz refletir sobre os espaços que oferecemos para as crianças brincarem no meio urbano, a partir também da escassez e da abundância. E, claro, a conversa não é apenas sobre as infâncias, mas também sobre a vida nas cidades para todas e todos nós. Agradeço a @gui.schneider por ter me colocado em contato com seu xará, Gui Blauth. Que todas as crianças possam expressar sua essência e potência, em ambientes naturais que a gente cuide e ofereça pra elas.

Curta Ecopedagogia do Cuidado estreia na Cinemateca Paulo Amorim

Sábado 13/12 a cinemateca Paulo Amorim recebeu a estreia do curta “Trilhas na Natureza: Ecopedagogia do Cuidado”. A partir do acompanhamento do grupo de trilheiros do CMET, a obra reflete sobre a valorização da natureza por meio da prática de trilhas. A sessão recebeu cerca de 70 pessoas e teve um debate ao final. Mais do que apenas caminhar no mato, o grupo propões que as trilhas podem ser poderosas ferramentas para a educação socioambiental, divulgando a diversidade de paisagens e seres vivos que nos rodeiam. Para isso, além dos depoimentos dos professores integrantes do grupo e de guias de turismo, conta ainda com a participação especial de Paulo Brack, professor do Departamemto de Botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ficha técnica: Patrocínio: Bandeira Tur – Empresa de Transporte | Carlos Alberto Steil – Guia de Turismo de Aventura – Morros Gaúchos | [email protected] | Celso Alegransi – Guia de Turismo de Aventura da “Viva teu Rumo ” | [email protected] | Iara Welle – Condutora | Pousada das Pirâmides – Grão-Pará – SC | Trilheiros do CMET Paulo Freire | Imagens: Bruno Pedrotti | Giulia Sichelero | Trilheiros do CMET | Roteiro e Direção: Bruno Pedrotti | Trilheiros do CMET | Edição: Bruno Pedrotti | Finalização/Edição Final: Bily Valdez | Trilhas Sonoras: Eloy Fritsch | Músicas: Mermaids | Gently touch the sky | Depoimentos: Carlos Alberto Steil – Guia de Turismo de Aventura | Celso Alegransi – Guia de Turismo de Aventura | Hilário Bichels – Professor Coop CrêSer e CMET | Lauren Veronese – Ex-Professora CMET | Linda Naura Macedo Silva – Professora CMET | Monica Vier Loss – Professora RME Salomão e Loureiro da Silva | Vanessa Silva de Castro – Professora CMET | Participação Especial: Paulo Brack – Prof Dr Depto Botânica da UFRGS | Trilheiros do CMET 2025: Adalberto Porto Alegre | Alexandre Ferreira de Freitas | Catia Cristina Almeida Ramos | Carlos Vagner Garcia Schaun | Celso Alegransi | Cintia Korbes Rocha | Cláudia Bicca Marzano | Claudia Blando Mainieri | Damião Ubirajara de Oliveira | Dilvo Antunes Nunes | Hairton Ariel Freitas Cezar | Hilário Bichels | Iara Welle | Inês Cristina de Barros | Isabel Cristina Dalenogare | Jacimara Heckler | Janice Lucero | Julia Trevisan | Lauren Betina Veronese | Linda Naura Macedo Silva | Lucio Wisnieswski | Marcelo Vieira | Marcia Regina Mota | Maria Carmen Sestren Bastos | Miriam Pereira Lemos | Miriam Loff | Monica Vier Loss | Nara Rejane Garcia da Silva | Paula Bandeira Licht | Paula Chaves Carvalho | Oscar Octávio Moya Pinto | Raquel Beatriz Callegari Pacheco | Ricardo Sigaud | Richard Kümmel Lipke | Rosane Salete Ribeiro Pereira | Samuel Mello Anchieta | Sandra Marisa de Araujo | Simara Penha Farias Martins | Sonia Marly Porciuncula Fernandes | Tiárlei Ferreira Anchieta | Vanessa da Silva de Castro | Vera Elisa Fayette | Agradecimentos: José Dilsione Zeferino – Motorista Parceiro | Familiares e amigos DEZEMBRO DE 2025

Trilhas na Natureza: Ecopedagogia do Cuidado estreia na CCMQ

Estreia às 11h deste sábado (13/12) o documentário “Trilhas na Natureza: Ecopedagogia do Cuidado”. A sessão ocorre na Sala Eduardo Hirtz, na Casa de Cultura Mário Quintana (CCMQ), em Porto Alegre. O curta acompanha o grupo de trilheiros do Centro Municipal de Educação dos Trabalhadores Paulo Freire (CMET). Durante os caminhos percorridos pelo grupo, formado principalmente por professores, são trazidos à tona temas como a valorização da natureza e das comunidades locais que a protegem, a riqueza de paisagens e ambientes da Região Metropolitana e do interior gaúcho e os benefícios da prática de trilhas. Os trilheiros, bem como o biólogo e doutor em Ecologia e Recursos Naturais Paulo Brack, professor do Departamemto de Botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – que tem uma participação especial no filme – reforçam ainda a necessidade de procurar conhecer a diversidade de seres vivos, rochas, rios e paisagens pelos quais se passa, acumulando não apenas quilômetros caminhados, mas também informações, aprendizados e vivências sobre os locais visitados. A obra destaca que não é necessário viajar para longe para fazer trilhas, lembrando que Porto Alegre tem mais de 40 morros, muitos dos quais possuem trilhas para mirantes do pôr do sol, cascatas, lagos. Resgata também as diversas praias da Orla do Guaíba, tanto na capital quanto na vizinha Viamão e outras cidades da Região Metropolitana. O documentário tem roteiro, direção e edição do jornalista e cooperado Bruno Pedrotti, além de imagens de Giulia Sichelero e finalização/edição final de Billy Valdez. A sessão é aberta e gratuita, mas é necessário fazer a inscrição prévia via formulário Google. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi Fros

Cine Kafuné Itinerante na Retomada Gah Ré

O Projeto Cine Kafuné Itinerante ganhou mais uma sessão, reunindo dezenas de pessoas da comunidade kaingang e dos dois Pontos de Cultura (Cine Kafuné e Coletivo Catarse). O cinema comunitário ocorreu no dia 13 de novembro, na Retomada Gah Ré. Entre tantas possibilidades de filmes a serem exibidos, foi escolhido justamente o documentário que conta a história da comunidade: Nóg kirìg ãg tì / Nós, Guardiões da Mata. Dirigido pela Cacica Iracema Gah Té em parceria com Luis Gustavo Ruwer, do Catarse, a obra acompanhou a trajetória de três anos de luta pelo território aos pés do Morro Santana, zona leste de Porto Alegre. Kapri e Karindé, lideranças comunitárias presentes, reforçaram a importância de assistir novamente o filme para lembrar, principalmente aos mais novos, de toda a mobilização que tem garantido a permanência no local. E, de fato, a juventude da comunidade esteve presente, desde as adolescentes até as crianças, que estão começando a dar seus primeiros passos pela aldeia. Além de atualizar a memória coletiva, recordando daquilo que a comunidade tem vivido ao longo do processo de luta pelo direito ao território, o encontro também foi importante para fortalecer novas parcerias. Da aproximação entre a comunidade indígena e o grupo de realizadores periféricos, infinitas possibilidades deram o indicativo de que podem vir a brotar, tanto no campo da cultura quanto politicamente. Afinal de contas, como dizia Antônio Bispo, liderança quilombola, o encontro entre aldeias, quilombos e favelas tem o poder de “derreter o asfalto”. O projeto é uma realização do Cine Kafuné, cineclube e ponto de cultura de Porto Alegre voltado para temáticas e realizadores periféricos, e que há mais de 20 anos promove a representatividade negra e a comunicação comunitária. Esta edição teve ainda o apoio do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e da Retomada Gah Ré. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi Fros

Quilombo Vila Nova lança Protocolo de Consulta no Fórum dos Quilombos do Litoral Médio

Na quinta, 16 de outubro, a comunidade quilombola Vila Nova, no distrito do Capão do Meio, São José do Norte/RS, promoveu o lançamento do seu Protocolo de Consulta Livre, Prévia e Informada. Realizado ao longo do Fórum dos Quilombos do Litoral Médio, o evento teve a presença de lideranças das comunidades que compõem o fórum. O documento busca garantir os direitos da comunidade frente aos megaempreendimentos que tentam se instalar no território. Entre as ameaças estão o projeto Atlântico Sul de mineração de titânio e os parques eólicos Ventos do Atlântico e Complexo Eólico Bojuru. Os quilombolas denunciam que não foram consultados em relação a nenhum destes empreendimentos. Destacam ainda que, de acordo com a Convenção 169 da Organização internacional do trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário, os povos e comunidades tradicionais precisam ser consultados sobre questões que afetem seus territórios.   Entre as mais de 100 pessoas presentes, estiveram também a  vice-prefeita de São José do Norte, Vanessa Oliveira (PP), Jorge Amaro, Vereador pelo município vizinho de Mostardas. A atividade teve a entrega do documento impresso e uma exibição da versão em vídeo, além de apresentações de manifestações culturais típicas da região como o Terno de Reis e o Ensaio de Pagamento de Promessas com Luis Faustino e o grupo cultural do quilombo Vovô Virgilino.  As oficinas, a pesquisa e a edição do audiovisual foram realizados com apoio do Fundo Casa Socioambiental. A versão impressa do documento recebeu apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos por meio do projeto Quilombo Vila Nova: Organização e Soberania na Defesa do Território contemplado na chamada Vozes por Direitos e Justiça pela associação da comunidade tendo o Coletivo Catarse como organização parceira. Já o evento de lancamento na comunidade fez parte do projeto Quilombo Vila Nova recebe o Fórum Quilombola do Litoral Médio contemplado na PNAB de São José do Norte na categoria Eventos Tradicionais. Texto: Bruno PedrottiFotos: Giulia Sichelero

Comunicar para transformar: 21 anos do Coletivo Catarse e muito mais

O Coletivo Catarse comemora 21 anos de existência, resistência e reinvenção em 2025. Dessas mais de 2 décadas, 11 anos foram assumindo-se, também, como Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Esse Coletivo, tão diverso nos seus fazeres, é um centro nervoso de relações, temáticas e formatos, que tem como espinha dorsal a comunicação. De cada um dos seus atuais 13 cooperados sai uma ramificação de atuações que conectam a outros atores e organizações, formando um rizoma forte e consistente, que garante toda essa longevidade. Este último ano foi marcado por muitas realizações, as quais são celebradas e assumidas pela cooperativa como sua identidade atual, pois esta está sempre em constante evolução. Abaixo listamos algumas das nossas realizações no último período (impossível colocar tudo!): Enquanto a Luz Não Chega. Curta-metragem de ficção, realizado através da Lei Paulo Gustavo (2023), SMC-POA. O filme propõe uma reflexão sobre o impacto da tecnologia nas relações humanas. Do encontro do teatro de sombras e do audiovisual, a história trata sobre desconexões e apatias e os caminhos que a escuridão aponta. PNAB – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais). Conjunto de ações que envolvem programação cultural da Maria Maria Espaço Cultural com música, teatro, sarau, entre outros; Oficinas de Teatro e de audiovisual voltados para a infância; Oficina de Hip Hop (História e Discotecagem); Carijada – encontro para a produção artesanal de erva-mate e o Talk Exu, talk show de variedades. Cheiro de Enchente – curta metragem – Documental (2025). A fetidez cessou conforme as estruturas que resistiram às chuvas foram secando e sendo limpas, mas as marcas do pé-d’água descomunal permanecem. Não apenas nas paredes ainda encardidas com as indicações da altura em que a inundação chegou, como também na memória de quem sofreu com a força da natureza. Essas recordações estão registradas em “Cheiro de Enchente”. Um documentário produzido em parceria com a banda Diokane que ao final o desfecho é em formato de videoclipe do single de mesmo nome “Cheiro de Enchente”. Cooperar é resistir. Filme documentário que trata de parte da trajetória de luta da Pedal Express, coletivo de entregadores de bicicleta que atua há 15 anos na cidade de Porto Alegre. Vasalisa, a Sabida. Primeiro espetáculo autoral realizado pelo Coletivo Catarse. Espetáculo cênico multilinguagem que parte do conto tradicional russo Vassilisa, a Bela, interpretado pela psicóloga junguiana e escritora Clarissa Pinkóla Estes, no livro Mulheres que correm com os lobos. Afim de recriar, em linguagem contemporânea, uma jornada simbólica de amadurecimento e empoderamento feminino, através da conscientização do poder da intuição. Nós, guardiões da mata. Filme documentário que conta, desde a primeira noite, a luta pelo território ancestral Kaingang aos pés do Morro Santana, Zona Leste de Porto Alegre. O filme mostra essa trajetória de uma família e seus apoiadores, centrado na figura da liderança política e espiritual Gãh Té e teve apoio da Witness Brasil. MET Audiovisual. O Coletivo Participa ativamente na gestão do projeto que visa criar um ecossistema de audiovisual envolvendo produtoras e agentes da Região Metropolitana, produzindo oficinas de formação, residências dentro das produtoras, circulação de conteúdos, etc. Encontro de cineastas indígenas. Promovido em parceria com a Rede Coral – Porto Alegre, Retomada Gãh Ré e muitos apoiadores, através de um edital do Ibercultura, o encontro possibilitou a troca de experiências entre indígenas Guarani, Kaingangs e Xoklengs. Rádio Voz do Morro. Apoio e participação nas atividades da Rádio Comunitária localizada no Morro Santana. A Rádio é uma articulação local que busca potencializar as atividades e lutas na região, com forte viés comunitário. O Despertar do Sol. Minidocumentário revela um olhar sobre a cosmopercepção Mbyá Guarani, registrando um pouco do modo de ser e viver na Tekoá Tavaí (Canelinha-SC). Os indígenas compartilham ao longo da obra um pouco da sua cultura, da maneira de se organizar e da sua relação de convivência harmoniosa com a natureza. Edição do Coletivo Catarse. Projeto Porto Novo. O Projeto Porto Novo é uma iniciativa de criação e difusão de conteúdos audiovisuais junto à comunidade do bairro Rubem Berta, em Porto Alegre/RS, com foco na identidade, autoestima e pertencimento ao território Porto Novo. Desenvolvido pelo Coletivo Catarse em parceria com a EMEF Porto Novo e a Unidade de Saúde Santíssima Trindade, o projeto promoveu oficinas com turmas de 9º ano da escola, possibilitando que estudantes se tornassem protagonistas da construção de narrativas sobre sua realidade. Juarez Negrão. Artista plástico, poeta, vivente das artes e da cultura popular. Um cidadão que circula bastante entre Novo Hamburgo e Porto Alegre, trafegando pelos trilhos do trem, viajando para além dos limites municipais, tem encontrado ancoragem neste grande espaço de acolhimento que é a Comuna do Arvoredo, especificamente nos empreendimentos que ali habitam – o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e a Maria Maria Espaço Cultural. Nessa trajetória, entre conversas, mostruários de xilogravuras e esculturas para a venda e subsistência do artista, rolou a conexão entre o Coletivo e a arte de Juarez, de formas e cores que traduzem as influências de matriz africana em meio à urbanidade da Grande POA Quilombo Vila Nova. Há três anos o coletivo vem fortalecendo a comunidade quilombola de São José do Norte. O trabalho continuado de pesquisa e comunicação já rendeu um documentário, um Protocolo de Consulta Livre Prévia e Informada, exposições de fotos, formalização da associação quilombola, uma dissertação de mestrado e atualmente ainda fortalece uma transição para o cultivo agroecológico de arroz. Projeto CASA na retomada. Como organização parceira da Retomada Kaingang Gah Ré junto da rede da Teia dos povos, participou da iniciativa de reflorestamento e resiliência climática da aldeia. Foram plantadas 400 mudas nativas, construído um viveiro e manejadas espécies invasoras como pinus e vassourinha. Capoeira no Ventre. Ao longo do ano o Ponto de Cultura tem recebido atividades dos parceiros da Áfricanamente Capoeira Angola. O núcleo coordenado pelo treinel (professor) Daniel Jamaica oferece aulas de capoeira semanais, e o núcleo dos treinéis Maskote e Jane tem realizado oficinas …

Gah Ré reflorestando o morro

Na noite em que nasceu a retomada kaingang do Morro Santana, zona leste de Porto Alegre, em outubro de 2022, a cacica Gah Té defendeu a entrada no território como uma forma de garantir um espaço de moradia para seus filhos e netos e também de proteger as matas e nascentes de água do local. Passados três anos, a comunidade e seus apoiadores conseguiram aprofundar ainda mais o trabalho de preservação. Ao longo de 2025, fizeram o plantio de 400 mudas de 16 espécies nativas diferentes, além de construir um viveiro para armazenar outras 800 mudas e manejar espécies invasoras do território como o pinus e a vassourinha. As ações foram articuladas por meio da rede da Teia dos Povos em Luta no RS. Por meio desta aliança, foi possível adquirir mudas do Assentamento Filhos de Sepé, do Movimento Sem Terra (MST), em Viamão (RS) e ainda do Viveiro Gasparetto, de de Erval Grande. Indicado pelos parceiros da Seiva Rebelde, o viveiro faz um trabalho de proteção das matrizes nativas de erva mate do Alto Uruguai, trabalhando com mais de 20 matrizes diferentes da ilex paraguariensis na região. Vale citar ainda a parceria do grupo de extensão da UFRGS Preserve Morro Santana, que mobilizou uma doção de 800 mudas da Cooperativa de Transporte Transpocred. A rede foi fundamental também para articular os mutirões, principal tecnologia ancestral para a realização do projeto. Porém, nos momentos em que chuvas persistentes aos finais de semana impediram a junção de um número maior de pessoas, a saída foi agilizar os “mutirinhos”. Esta adaptação foi necessária e permitiu seguir caminhando, mesmo que com menos gente. Em tardes de sol que antecederam as tormentas, grupos de quatro ou cinco pessoas saiam da aldeia com ferramentas, terra preta e um balaio repleto de mudas. Pais e filhas plantavam juntos e, entre uma enxadada e outra, proseavam, contavam piadas, riam e sonhavam com um Morro Santana mais biodiverso. Conforme as mudas iam retomando a terra, era reflorestado também o imaginário, com o resgate de um tempo em que a maior cordilheira granítica da cidade tinha mais animais nativos e menos prédios. Tinha muito bicho, até veado tinha aqui no morro! Lembrou Karindé, coordenador do plantio, que se relaciona com a região há mais de 30 anos. Em outra ocasião, enquanto plantava araçás, lembrou que os bugios gostavam de descer das matas e comer as frutas em uma parte do morro que, infelizmente, já foi destruída. Os primatas, aliás, que seguem vivendo na região, eram lembrados com frequência nos momentos de plantio: “Quando elas tiveram dando frutas, os bugios vão todos descer pra cá, pra os lados da aldeia” dizia Karindé. Não por acaso, a maioria das espécies escolhidas para o reflorestamento foram espécies frutíferas. Priorizar plantas que pudessem alimentar os animais do morro foi uma demanda de Gah Té desde o início. Além dos macacos, já foram avistados ouriços, tatus e uma diversidade de aves. As aracuãs – pássaros nativos parecidos com galinhas pretas que andam pelo topo das árvores – foram presença quase constante na comunidade ao longo dos encontros e mutirões. Além dos animais, os plantios foram pensados também nas pessoas. A pedido da cacica, uma das mais plantadas foi a erva-mate, com pelo menos cem mudas incorporadas na agrofloresta da aldeia, nas matas, e também em um erval implementado em um dos mutirões. A árvore símbolo do Rio Grande do Sul também é muito valorizada pelos kaingang, não apenas pelo consumo do chimarrão, mas também por seu uso medicinal e espiritual em batismos e benzeduras. O processo foi todo orientado pela sabedoria kaingang em diálogo com práticas agroecológicas. Os plantios foram realizados a partir do final de agosto, respeitando o “descanso” dos meses mais frios, nos quais segundo Gah Té, é melhor evitar mexer no solo. A partir deste encontro de saberes foram surgindo memórias adormecidas da aldeia grande. Quando a ilex foi incorporada numa parte da agrofloresta em que geralmente se cultiva o milho, a cacica sorriu e lembrou: “Não tem problema, as duas se dão bem, quando meu pai plantava erva-mate, pedia para plantarmos milho junto. Só não pode é plantar com a abóbora, que vai se espalhando por cima e não deixa a erva crescer”. Por sua vez, os apoiadores articulados pela rede da Teia dos Povos também tiveram a chance de compartilhar seus conhecimento ligados à agroecologia. O feijão Guandú, por exemplo, plantado nos espaços do reflorestamento, contribuirá não só com a alimentação, mas também na adubação verde. A espécie ajuda a fixar nitrogênio no solo (mineral importante para a maioria dos cultivos), além de manter a umidade, fornecer sombra temporária e impedir o avanço de espécies invasoras sobre as mudas nativas em adaptação. Outra novidade foi o viveiro, vital para armazenar as mudas até o próximo ano depois do final do tempo de plantio. Distribuir as espécies nativas entre os territórios parceiros e começar a dar os primeiros passos na produção própria de mudas para recuparar a aldeia, o morro e tantos outros territórios quanto possível é outro ponto importante do projeto para educação ambiental. A estrutura, construída utilizando também a madeira dos pinus manejados, tem ainda uma composteira, para que a comunidade possa produzir o próprio adubo orgânico a partir das sobras dos alimentos. A construção foi um dos grandes desafios enfrentados pelo projeto, ja que o local escolhido para dar uso a um local da aldeia era bem úmido e no qual o lixo por vezes acabava se acumulando. Assim, passaram mutirões de limpeza, aterro e organização de canais e caminhos para que a água do morro seguisse seu curso e fortalecesse outra área de banhado ao lado. Novamente, por meio de encontros coletivos, foi possível levantar a estrutura, contornando ciclones, chuvas e frio intensos e seguir avançando mesmo com a equipe reduzida, o que por vezes facilitou ainda o processo de coordenação da equipe de obra. “O ideal para uma obra são três pessoas, um pedreiro e dois auxiliares. Porque aí o pedreiro tem duas pessoas …

Quilombo Vila Nova reafirma sua soberania

Lideranças quilombolas lançaram seu Protocolo de Consulta Livre Prévia e Informada na Sala Redenção, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O documento, disponível nos formatos de vídeo e texto, busca fazer com que a vontade da comunidade seja respeitada em processos que possam afetar o território, garantindo o direito assegurado pela Convenção 169 da OIT, tratado internacional do qual o Brasil é signatário. O evento ocorreu na quarta-feira, 10 de setembro. A comunidade vem denunciando que seu direito à consulta, consentimento e mesmo de veto vem sendo sistemáticamente violado por 6 grandes empreendimentos. Entre as ameaças estão a mineração em larga escala de titânio por meio do Projeto Retiro – primeira fase do projeto Atlântico Sul, que visa minerar quase toda a área do município de São José do Norte – que recentemente recebeu a licença de instalação (LI). Além da mineração, os quilombolas do Litoral Médio (faixa que vai de Osório até a foz da Laguna dos Patos) também denunciam os megaparques eólicos que pretendem se instalar na região à revelia dos povos tradicionais. O complexo eólico Bojuru propõe 113 aerogeradores, segundo os estudos da empresa a menos de 10km da comunidade e já tem a Licenç Prévia (LP). Ainda mais ambicioso é o Complexo Eólico Ventos do Atlântico com 290 geradores. O megaprojeto também já tem a primeira das três licenças ambientais, mesmo que muitos dos seus 15 mil hectares disputados estejam sobrepostos ao território do Quilombo Vila Nova. Projetos altamente polêmicos entre pesquisadores e ambientalistas também completam a lista de ameaças enfrentadas. Outros dois parques eólicos ameaçam as águas que cercam a comunidade, intencionando implantar complexos eólicos dentro do mar e da laguna dos patos. Por fim, a comunidade vem sofrendo com as monoculturas de pinus, que vem invadindo o território nas últimas décadas, reduzindo áreas de cultivo e criação de animais. Para enfrentar estas ameaças e garantir seu direito de decidir sobre ações que impactam seu território, os quilombolas elaboraram junto de apoiadores um Protocolo de Consulta Livre, Prévia e Informada. O documento, produzido com apoio de uma equipe de pesquisa em geografia e biologia a partir de quatro oficinas na comunidade, traz cada um dos passos que deve ser tomado caso se deseje realizar algo que possa impactar o quilombo. Reforçando que empresas e empreendedores não tem o direito de entrar no território, o texto produzido coletivamente enfatiza: Só aceitamos que a consulta seja realizada pelo estado brasileiro por meio dos órgãos específicos para tal, como o Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) e a Fundação Cultural Palmares (FCP). Para garantir que os órgãos responsáveis tomassem ciência do documento, foram convidadas e estiveram presentes no evento representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Ministério Público Federal (MPF), Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH-RS), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH/RS). Após a exibição do protocolo audiovisual, foi feita a entrega das primeiras edições do documento impresso para as autoridades presentes. O evento de lançamento, que teve 120 participantes, fez parte do Ciclo Cineciência “Raízes Vivas e Horizontes Ancestrais: a terra é o coração do Corpo” e foi a última exibição da série de encontros realizados na Sala Redenção Campus Centro da UFRGS. O Museu da universidade está sediando a exposição homônima, com fotos do Vila Nova e outras comunidades tradicionais como o Quilombo do Morro Alto em Osório e aldeias guarani e kaingang. O protocolo foi o primeiro documento audiovisual do gênero lançado no estado do Rio Grande do Sul. Entre as comunidades quilombolas, outras duas já tinham protocolos escritos, o Quilombo Morada da Paz (Triunfo) e o Quilombo do Morro Alto (Osório). O documento impresso terá ainda um lançamento na própria comunidade ao longo do Fórum dos Quilombos do Litoral Médio, importante espaço de articulação que reúne as 10 comunidades da região. As oficinas de elaboração do documento bem como a produção do vídeo foram realizadas com apoio do Fundo Casa Socioambiental. As ilustrações, diagramação, impressão e os eventos de lançamento da obra impressa estão sendo realizados com apoio do Fundo Brasil de Direitos humanos por meio do projeto Quilombo Vila Nova: Organização e Soberania na Defesa do Território contemplado na chamada Vozes por Direitos e Justiça pela associação da comunidade tendo o Coletivo Catarse como organização parceira. Texto: Bruno PedrottiFotos: Beto RodriguesMapa: Giulia Sichelero e Júlia Ilha – NEGA/UFRGS

Cultura Carijeira viva e acesa no RS

Na contramão da mecanização da indústria ervateira, grupos, comunidades e coletivos seguem construindo carijos. No último final de semana de agosto, chegou ao Coletivo Catarse informações e convites da realização de pelo menos 5 carijadas diferentes no estado. Calculam-se cerca de 75 pessoas reunidas simultaneamente em 5 municípios diferentes no sul, centro, litoral norte e serra do Rio Grande do Sul – que, juntas, produziram mais de 150 kg de erva-mate artesanal. Mas por que a ocorrência de tantos eventos deste tipo ao mesmo tempo? Compreende-se que o fator ambiental possa ter uma contribuição fundamental para o timing desse final de semana de agosto – afinal, este é o período do ano que marca o final da dormência em plantas como a Ilex, uma época ideal para a poda. Mas, também, entende-se como uma obviedade que tantas atividades acontecendo simultaneamente fazem parte de um movimento espontâneo que reforça o fato de que a cultura carijeira está viva e extremamente ativa no estado, com um grande número de grupos se relacionando preiodicamente com este modelo de produção artesanal tanto por meio de vivências abertas quanto pela produção para autoconsumo e comercialização. Para Moisés da Luz, a quantidade grande de coletivos e grupos se relacionando com o carijo não é por acaso, mas é fruto de um processo de cerca de vinte anos de formação de multiplicadores dessa cultura. O biólogo explica que isso se iniciou em 2005 com a organização de encontros abertos de carijadas a partir da vivência que tinha com seus pais e avós. “Fomos gerando pessoas multiplicadoras da prática e motivando outras a retomar o saber-fazer de seus ancestrais”, reflete. Esse processo de formação de multiplicadores passa não só por vivências práticas, mas também pela sistematização deste modelo artesanal por meio de trabalhos acadêmicos, como a dissertação de mestrado Carijos e barbaquás no Rio Grande do Sul: resistência camponesa e conservação ambiental no âmbito da fabricação artesanal de erva-mate, de autoria de Moisés e editado também como livro e base de pesquisa para o documentário “Carijo, o filme”. Entre outros materiais, vale citar também o site, a cartilha passo a passo e o audiodocumentário em podcast “Kaárijo”. Entre os resultados desta ação continuada, o biológo cita a patrimonialização da erva-mate, considerando o saber fazer tradicional guarani; a retomada e releitura da história da erva-mate e o reconhecimento de que a erva-mate e seu processo de feitio é de origem indígena (mbyá guarani, kaingang, etc.); o questionamento do conceito de gaúcho da maneira como é trazido pelo tradicionalismo; o aprendizado e autonomia quanto a processar a erva-mate; e o incentivo para as pessoas conhecerem e valorizarem o mundo da agroecologia, das agroflorestas e do viver no campo e a proteção às florestas nativas. Moisés percebe também uma difusão maior de carijos pelo estado, principalmente, nas “regiões mais florestadas, onde os ecossistemas nativos estão mais preservados e entre públicos identificados com a agroecologia, o bem viver, os povos indígenas, autonomia camponesa e de coletivos”. Esta percepção se reforça quando olhamos as carijadas realizadas no último final de semana, tendo como protagonistas grupos e espaços agroecológicos e comunidades indígenas. Em Nova Petrópolis, serra gaúcha, 6 pessoas produziram aproximadamente 20 kg de erva. Foi a primeira carijada organizada pelo Sítio Grūnes Paradies, e as plantas podadas no preparo foram cultivadas no próprio local. Duas das organizadoras haviam participado do primeiro Carijo Serrano Caconde (realizado em São Francisco de Paula em 2022). Já na região sul do estado, em São Lourenço do Sul, 20 pessoas produziram entre 50 e 60 kg. A atividade foi a segunda carijada realizada pelos sítios Enlaçador de Mundos e Espinilho neste ano. As plantas vieram de um erval nativo do Sr. Elmo Blank, antigo produtor de erva-mate da região. Foram manejadas 5 plantas indicadas pelo produtor, que não eram podadas há dez anos. No Vale do Rio Pardo, em Santa Cruz do Sul, a Ecovila Karaguatá organizou a sua segunda carijada. Novamente a erva veio do sítio Cepa Cipó, de Amadeu Krebs, rebrotada depois da primeira carijada no final de 2023. Foram produzidos 13 kg durante a vivência, pela qual circularam 15 pessoas. Em Maquiné, litoral norte do estado, mais ou menos 20 kg de erva-mate foram produzidos, contando também uma pequena produção de chá mate. Foi o primeiro feitio com mudas plantadas no Vale do Rio Ligeiro, reunindo 14 pessoas, em sua maioria vizinhos da região. A iniciativa veio de Kátia Zanini (mobilizadora do Centro de Vivências Vale do Ligeiro, que tem ervas plantadas, mas ainda pequenas) em parceria com Leandro Umman, que tem um plantio de 260 pés de erva-mate no espaço Alma-Viva. Os organizadores também já fizeram uma carijada em Minas Gerais. A família de Kátia Zanini, inclusive, também foi a responsável pela primeira carijada em que integrantes do Coletivo Catarse se fizeram presentes, em Sertão Santana, na primeira década dos anos 2000. Por último, mas não menos importante, a rede do carijo da Amizade realizou sua quarta(!) carijada de 2025. Com organização do Sítio da Amizade e parceiros junto à comunidade mbyá guarani da Tekoá Yvyty Porã (Serra Bonita), em Riozinho. Cerca de 20 pessoas trabalharam coletivamente no feitio de 50 kg, manejando o erval nativo da comunidade indígena. Os povos orginários, aliás, vêm tendo um forte protagonismo no feitio de erva-mate no Carijo no RS. Além da Yvyty Porã, a Tekoá Kaamirindy – também do povo mbyá guarani e localizada no município de Camaquã – produz carijadas regularmente para venda da erva-mate, gerando trabalho e renda para as famílias a partir desta planta de grande importância cultural e espiritual para os guarani. Recentemente, também a comunidade guarani da Tekoá Anhatenguá, na Lomba do Pinheiro em Porto Alegre, realizou sua primeira carijada com apoio do IECAM. E no norte do estado, em Erval Grande, a aldeia Ponkry Chaig (Pinheiro Preto), do povo Dofurêm Guaianá, também vem fazendo a produção de erva de carijo. A Seiva Rebelde, além de uma prática de resgate do Congon Guainá, também abastece o autoconsumo das famílias e a …