Agressão policial na 1ª Feira do Livro Feminista

Denúncia publicada no site da 1ª Feira do Livro Feminista e Autônoma de Porto Alegre e divulgada por suas organizadoras. Em matéria publicada pelo Sul 21, há um link para um vídeo gravado sobre a ação da polícia por uma vizinha à praça onde a Feira acontecia. Aqui o relato de outra vizinha que presenciou as agressões.

“AGRESSÃO POLICIAL NA 1a FEIRA DO LIVRO FEMINISTA E AUTÔNOMA DE PORTO ALEGRE
Desde o início da FLIFEA sofremos perseguições e agressões machistas e fascistas, com ameaças, provocações e presenças hostis, que foram constatadas e enfrentadas em cada momento. Mas o que aconteceu nesta noite de domingo (01/11/15) merece uma denúncia específica para apontar a violência estatal que expressa a misoginia institucional que violenta mulheres sistematicamente.

Na noite de domingo estava acontecendo um ensaio artístico, com a presença de em torno de 20 mulheres, e uma viatura chegou com dois policiais que vieram supostamente devido ao barulho. Eles filmaram e intimidaram as mulheres presentes que estavam falando com eles, o que gerou reações de proteção entre as mulheres, como se organizar para ir embora e filmar a situação. Em seguida chegaram outras viaturas com mais policiais que foram extremamente agressivos e marcadamente racista desde o início e tentaram deter uma de nós de maneira violenta, o que desencadeou uma série de agressões físicas por parte da polícia das quais nove mulheres ficaram feridas, sendo que quatro gravemente e precisaram de atendimento médico.

Muitas agressões aconteceram de maneira simultânea, havendo inclusive policiais que sacaram armas de fogo – um deles sacou uma arma e ameaçou várias de nós dizendo “eu vou queimar você”. Entre as ameaçadas nessa situação, uma das mulheres inclusive avisou que estava grávida, o que não foi relevante para os policiais. Dois moradores que estavam na praça no momento do ocorrido também foram agredido com cacetetes pela polícia. As mulheres que estavam com celulares foram alvo específico de agressões, e dois celulares foram roubados pelos policiais. Algumas das mulheres que tentavam fugir eram perseguidas e derrubadas e não conseguiam sair das agressões dos policiais, caídas no chão apanhavam com cacetetes e chutes, enquanto outras voltavam pra colocar seus corpos como escudos para tentar protegê-las e tirá-las dali. Essa cena se repetiu sucessivamente, e em meio a espancamentos com cacetetes as mulheres conseguiram chegar até as proximidades do Hospital de Clínicas, quando os policiais finalmente dispersaram.
Em nenhum momento companheiras ficaram para trás, conseguimos nos reunir em segurança para escrever este relato e para chamar a solidariedade de todas as pessoas que possam nos apoiar neste momento. A feira está programada para continuar suas atividades na segunda feira (02/11/15), no mesmo local onde ocorreram essas agressões. Considerando que mulheres chegarão desavisadas do ocorrido, temos que nos fazer presentes e precisaremos de todo o apoio possível. Começaremos o dia com uma roda de conversa sobre essa situação. Precisamos da presença da maior quantidade de pessoas possível para garantir a continuidade da feira nesse último dia. É assim que a gente revida, não nos calando e resistindo juntas não apenas na disputa pela rua e o espaço público mas também contra um sistema que não admite a auto-organização de mulheres e que se sente ameaçado pela nossa existência insubmissa. Foi escancarado o acréscimo de ódio que a misoginia teve nesse episódio e sentimos que isso precisa ser enfrentado pela nossa sobrevivência, por todas nós que vivemos na guerra desse mundo contra as mulheres.”

feira feminista

21 thoughts on “Agressão policial na 1ª Feira do Livro Feminista”

  1. Não posso esconder o ódio contra o não estado de direito. A nossa presidente trocou nós mulheres de suas pastas pelos falus que sempre nos opriram, em nome de que governabilidade? Dal Bezerra

  2. Não acredito em nenhuma palavra delas…
    E com bom motivo, fui agredido pelas mesmas feministas que fizeram parte da Feira do Livro Feminista de Porto Alegre.

    E tenho tanto o BO quanto a FILMAGEM para comprovar o que digo!
    Se elas afirmam que foram atacadas, então tenho absoluta certeza que ELAS ATACARAM A POLICIA!

  3. Bah o pessoal de movimento sociais PRECISA aprender a se comunicar de maneira NORMAL e COMUM, ANTES de organizar esse tipo de evento.

    Já é a segunda notícia que leio e NÃO ENTENDO NADA.

    Tem que explicar do básico ao avançado, de forma linear.
    Título :

    “Participantes de feira do livro são agredidas pela brigada militar”

    Subtítulo :

    “Durante a 1º Feira do Livro Feminista de Porto Alegre, participantes do evento foram agredidas pelo (NÚMERO DO BATALHÃO DA BM) da Brigada Militar”

    FOTO / VÍDEO DO ESPANCAMENTO

    Durante a realização da 1º Feira do Livro Feminista de Porto Alegre participantes do evento foram agredidas pela BM, conforme mostram as fotos e vídeos. Testemunhas F.B.L, 31 anos, que tem medo de se identificar, afirma que os presentes estavam desarmados e foram agredidos nas proximidades da RUA TAL, BAIRRO TAL, onde se realizava o evento.

    A entidade/coletivo/organização repudia ação da brigada militar e registrou ocorrência na delegacia tal, na ouvidoria da BM sob número tal, buscou a comissão de direitos humanos da AL/RS”

    E envia isso como release pro sul 21, balanço geral, PELO MENOS.

    Dessa forma que está não tem como ENTENDER o que passou!

  4. Mulheres, não desanimem. Isso só serve como estímulo para continuar vossa luta. Essa transformação da sociedade ocorrerá em décadas. Essas décadas não serão tantas graças às lutas travadas hoje. Graças à mulheres como vocês. Força!

  5. Isso lamentável mais uma situação para mostrar que nossos policiais não estão preparado para dar segurança para população.O Estado tem de treinar muito melhor a policia.Esses ¨trabalhadores¨ não estão se relacionando com bichos, nem eles merecem ser agredidos.¨Quanto mais conheço os homens mais admiram os animais

  6. Que Absurdo! Que despreparo desses servidores públicos “Policiais” é de estarrecer o fato corrido. Essas mulheres deveriam registrar B.O. Para que fossem identificados os agressores e apurado o abuso e Processar os agressores e o estado a fim de obter reparação.

  7. Lamento pelo acontecido; a violência contra a mulher cresce de forma assustadora. Lei Maria da Penha parece insuficiente, pois, a sociedade é machista e trata a mulher de forma muito desumana. Eu, particularmente,sempre vivi em ambiente masculino, devido a profissão escolhida, procuro aperfeiçoar-me profissionalmente o máximo que posso, não deixo escapar uma oportunidade sequer e a maneira que escolhi para protestar e combater este tratamento que nos é dado foi não ter tido filhos.Se dependesse de mim não nasceria um ser sequer. Penso que as mulheres deveriam optar por não ter filhos e ponto final, aí queria ver como iria ficar o mundo!

  8. Moro em frente à praça e estive no sábado onde vi , com satisfação que a nossa praça está sendo ocupada por jovens. Comprei um livro, uns temperos e um adesivo . Hoje vi que novamente há jovens mulheres . Obtem notei que havia uma roda de debates . Fiquei até com vontade de participar.

  9. Nós da Marcha Mundial das Mulheres do RS nos solidarizamos com as feministas agredidas pela Brigada Militar do Governo do RS na pessoa do Governador Ivo Sartori (PMDB). Mais uma vez tal governo se mostra machista e misógino frente às mulheres gaúchas. Não temos mais Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, aumentaram os índices de violência contra mulheres no RS e mais, estamos sendo criminalizadas por não calarmos! Ocupar e dar vida aos espaços públicos, muitas vezes largados ao descaso pelo poder público (leia-se prefeitura municipal), deveria estar no ordem do dia! No entanto, quando são as mulheres que ocupam tais espaços, promovendo a I Feira do Livro Feminista e Autônoma de Porto Alegre, o Estado responde com truculência machista e misógina, agredindo e punindo as mulheres que ousam ocupar espaços públicos! Machistas não passarão! Botamos fé na desmilitarização da polícia! Basta de violência contra as mulheres!

  10. O mundo evolui, mas em contrapartida, algumas instituições ainda não conseguem acompanhar a evolução da sociedade e resistem a mudanças de mentalidades!

  11. Isso é um absurdo esses policiais fizeram o que fizeram e vai ficar por isso mesmo não vai acontecer nada com eles que absurdo por isso que o Brasil não vai pra frente só por que são autoridade não vão pagar

  12. Essa noticia dá nojo e revolta. Esse machismo já chega ao extremo. E,a inda abusam do poder. Isso não pode ficar assim. Devemos, enviar moções de repúdio para quem fez as agressões, ao Estado que permite condutas de seus quadros de polícia agirem com tamanha barbárie.

  13. A lei Maria da Penha não vale para os maus tratos dos policiais que se valem da sua farda, para maltratar e machucar principalmente as mulheres?

  14. “misoginia não!!!autoridades?!não;não são “autoridades” e nem tão pouco “representam a sociedade” no quesito “segurança”.o bom senso e a liberdade de expressão foram no entanto descartadas e extintas nessa ocasião um tanto quanto infortuna as mesmas que se encontravam em um momento de confraternização e união informativa aos demais.quem merece ser queimado igual as bruxas são eles,e se bem cabível,deveriam morrer dignamente sob juras de empalamento para que outros vejam quão homens são estes “senhores”.APOIO TOTAL AO FEMINISMO!!!!

  15. Nao se ve nenhum movimento das autoridades para criminalizar a altura e rigorasamente a misogenia,o femicidio. A violencia contra a mulher vem sendo institucionalizada pela omissao,a negligencia do Estado e a forma complacente com que o assunto vem sendo tratado,contrariamente com o que ocorre com a homofobia.
    N e’ mais possivel ser tolerado este crime continuado senao, com penas que demonstre e desestimule os agressores e os ponha sob os rigores da lei. Alguma coisa tem q ser feita para por um termo a esta pratica primitiva,medieval e inadimissivel no mundo contemporaneo onde os trans recebem muito maior atenc’ao porquanto sao seres apesar d td nascidos homens. O dedo tem que ser colocado profundamente nesta ferida social que vitimiza a mulher, luz da vida e nutriz de todos os demais seguimentos genericos.Toda for’ca Estatal ha q ser movida para por termo a tal estado de coisas intoleravel e por ja’ haver atingido pandemia nacional. A familia e a sociedade esta em risco.SOS vida mulher ja!Aglaete.-Adv. Pos graduata em Terapia da Familia/UCAM-

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