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Heavy Hour 56 – 09.09.19 – Quando os ricos invadem as áreas dos pobres…

Os bacanas estão de olho na Bonja! E não é para auxiliar a comunidade, é para desalojar as pessoas de lá! Porto Alegre, como qualquer grande cidade, “sofre” com a especulação imobiliária. Sofre, assim, entre aspas, porque sua administração joga contra a população. Conversamos, portanto, com duas representantes da resistência na Bom Jesus, Cris Medeiros, moradora do local e conselheira tutelar, e com a advogada Rosa, também moradora, sobre as invasões – sim! – de corporações privadas que querem retirar mais de 80 famílias de um local onde moram há mais de 30 anos para seguir seu empreendimento imobiliário – vulgo condomínio de bacana. Falamos também sobre a Grécia, onde, em Atenas, a polícia se prepara para demolir com um bairro autogestionado, praticamente anarquista, que não segue o ordem burocrática das coisas – fascismo em seu mais puro estado. Contribuições de Roberto del Monte no assunto, lutador social e curioso, mais Sinistro Parrhesia, direto da Grécia. Clementine, a antropóloga, sugere ainda 4 filmes sobre o tema: Não vivamos mais como escravos; Eu luto, logo existo; O amor e a revolução; e A cidade era nossa. Todos tem no Youtube…

Setlist:
Roberto del Monte – Cotravi Tierra Liberada
Make Believe – Leave me alone
Killah P – I won’t cry, I won’t fear
Wolf Down – Flames of Discontent
Matheu Corrêa – Meu black é rock
Chico César – Pedrada
Negra Jaque – 80 Motivos
Jefferson Airplane – White Rabbit

Negra Jaque: 80 Motivos

Lyric video realizado em parceria com o Coletivo Catarse.

Letra:
Com mais de 80 motivos pra jogar bem na sua cara
Ando aqui de pés descalços sobre o fio da navalha
Não vim pra explicar nada
Vim pra confundir sua mente
Subestimar aqui é de costume
Eu vim pra quebra correntes
Não vou ficar nessa cota, botamos o pé na porta
Mesmo com alvo nas costas, mostro aqui que eu não to morta
A mídia alimenta o medo, desligue o aparelho
Vire erva daninha vem pra pista desde cedo
Na época do fake News, o que vale são teus views
Teu sangue, tua luta interna ninguém sabe nunca nem viu
O rap perdido no beat, procurando o melhor hit,
não sabem não querem saber ,pra se posicionar tem que ter convite
sou da geração de 80, nos manos me diz violenta
mas pega a visão na situação ele não me representa

disseram que era pra eu viver, me encontro aqui muito viva
minha rima tem nada a temer
chego no pique da Queen Latifha
demônios que moram em mim
querem me chamar mas não sabem
sou iansã brisa do amanhã
vento, raios e tempestades
quando tu não é alvo aqui
é fácil dizer Marielle
a execução juiz promotor
e o lema e a bala que fere
quantos vão ter que morrer
Aqui nossas mães não suportam,
Ta na hora de aprender, que vidas negras importam
O bonde ta em formação temos brilhos em nossos olhares
Pega visão,sente a pressão
E o Brasil vai virar palmares

Direção Criativa : Fabiana Menini
Mix/Master: @noturno records

+ INFOS
Edição por Coletivo Catarse sobre imagens de arquivo de materiais próprios produzidos em frentes de resistências desde 2013.

facebook.com/NegraJaqueOficial
Instagram : @negrajaqueoficial
OneRPM Negra Jaque

Heavy Hour 55 – 03.09.19 – O judiciário atenta contra a democracia!

A frase título deste programa não vem da boca dos esquerdopatas que comandam a atração, mas, sim, de um juiz, o convidado João Ricardo Costa, participante do Juízes pela Democracia, que, juntamente com o policial militar da reserva e ativista do Policiais Antifascismo, Airton Garcez, suportaram cerca de 2 horas na presença de uma rapaziada provocativa. Aliás, não só isso, deixaram o boquirroto do nosso âncora meio sem palavras e o poliana Marcelo Cougo meio desconcertado – só Billy Valdez mesmo que foi o que ele sempre é: lacônico. Mas o papo foi legal, regado a muita cachaça Caipora e os drinks fantásticos de Clementine, a antropóloga – fugitiva deste programa (medo da poliça?!) -, fomos desde a discussão do papel da polícia e da justiça na democracia até a reflexão de que é o poder coercitivo que mantém a merda existente hoje. João e Airton – sem essas de vossas excelências, inclusive – se dispuseram a nos ouvir e a serem de certa forma pressionados em suas funções, mas trouxeram suas perspectivas e não pipocaram em fazer a autocrítica de suas profissões e de darem as suas opiniões. Prova de que a arma do Estado não necessariamente é sempre contra o seu povo…

Setlist provocativo:
Hempadura – 5 Tiros
Ozzy Osbourne – Crazy Train
O Rappa – Ninguém regula a América
Allen Toussaint – Bright Mississippi
Motorcaveira – Idiocracia
Ratos de Porão – Farsa Nacionalista
The White Buffalo – The House of The Rising Sun

Heavy Hour 52 – 13.08.19 – Justiça para os povos da floresta? Pre$$ão de mineração e especulação imobiliária dobra qualquer lei…

Neste programa que temos mais apresentadores que convidados, que marca a volta de Billy Valdez depois de um mês na Nova Zelândia – e que ele não conta nada -, trouxemos pessoas pra conversar sobre as pressões que comunidades indígenas estão sofrendo com empreendimentos que apenas visam ao lucro. Guilherme Dal Sasso, cientista social e integrante da AEPIM (Associação de Estudos e Projetos com Povos Indígenas e Minoritários) e do Comitê contra Mineração, Julio Alt, advogado e representante do Conselho Estadual de Direitos Humanos, e simplesmente Juliano (sim, estamos num momento que é necessário esconder o nome de algumas pessoas em razão de perseguições), apoiador e ativista pela causa indígena, se complementam na reflexão de que empreendimentos e poder público não medem com qualquer juízo de valor as vidas indígenas. Simplesmente, aqui no Sul, Kaingangs e Guaranis não são sequer consultados quando se está falando em licenciamento para uma obra como a Mina Guaíba, que vai impactar diretamente em suas áreas. Mas resistir é necessário, em instituições falidas como a Justiça, que ainda persistem, e até mesmo fisicamente como em mobilizações da Ponta do Arado na zona sul de Porto Alegre. Contribui, ainda, com sua contextualização, Roberto Liebegott, do Conselho Indigenista Missionário, um lutador histórico pelos direitos dos povos originários no Brasil.

Setlist:
Katumirim – Aguyjevete
Atahualpa Yupanqui – Camino del Indio
Wolftrucker – Rock till you die
Tennessee Ernie Ford – Sixteen Tons
Inti-Illimani – En Libertad
Black Pumas – Colors
Sister Rosetta Tharpe – That’s All
Angelus Apatrida – You are next

Oficina no Quilombo dos Alpes: horta

No ano de 2018, o Coletivo Catarse foi convidado para filmar uma série de oficinas realizada no Quilombo dos Alpes. As atividades foram desenvolvidas pelo  Núcleo de Estudos Geografia e Ambiente da UFRGS (NEGA/UFRGS) em parceria com a Associação Quilombo dos Alpes D. Edwirges para atender as crianças e jovens da comunidade.

Registramos quatro oficinas: árvore genealógica, horta, mankala e territórios negros. Os vídeos resultantes deste acompanhamentos serão divulgados semanalmente nos canais do Coletivo Catarse e na página do Quilombo dos Alpes no Facebook.

O primeiro vídeo, oficina de horta, teve a participação da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (SMAM) sob a orientação do geógrafo Carlos Henrique de Oliveira Aigner. O objetivo da oficina registrada foi contribuir para uma alimentação saudável na comunidade e resgatar os conhecimentos dos mais velhos sobre agricultura.

Sobre a Comunidade

O Quilombo dos Alpes é o maior quilombo urbano de Porto Alegre, com cerca de 58 hectares. Fica no morro da Glória, entre os bairros Cascata e Teresópolis.  Lá vivem cerca de oitenta famílias descendentes da vó Edwirges, uma escrava fugida que encontrou no morro dos Alpes um local seguro para viver e criar sua família.

Apesar de ter mais de um século, a comunidade só começou a se reconhecer como remanescente de Quilombo há 14 anos. Rosângela de Oliveira, conhecida como Janja, e sua filha Karina são lideranças centrais neste processo de busca por direitos e defesa do território.

Lá em cima, a impressão e de não estar em uma metrópole. A maioria das casas não tem grades ou cercas, as crianças sobem em árvores, as pessoas caminham pelos morros pelados ou pelos trechos de mata— nos quais vivem diversos animais, como preás e macacos pregos—, ouve-se pouco barulho de carros e é possível enxergar um vasto horizonte.

Com esta oficina, as diferentes organizações tiveram uma chance de aprender com a comunidade e contribuir para a preservação dos ambientes naturais do morro dos Alpes. É importante notar que este serviço ambiental já é realizado pelos moradores do local a pelo menos cem anos. Porém, o auxílio de entidades governamentais e a disponibilização de recursos e ferramentas de trabalho amplifica as ações dos quilombolas.