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Que toda a corja queime!

Mais uma vez a Hempadura acerta a mão – acerta o grito, acerta o alvo. O clipe Queimem! faz jus ao belo album Artigo 331, recentemente lançado, fazendo bela seqüência ao petardo semiológico 5 Tiros (clique aqui). A montagem é milimétrica, traz referências visuais claras ao que se quer passar de mensagem, a fotografia escolhida segue na penumbra e na obscuridade quente que delineiam o momento atual do Brasil.

Os caras parecem que nasceram para o que vivemos hoje, crescem num ativismo hardcore que se apoia numa excelente música. Queimem! é muito bem produzida, a bateria não é mecânica, não vive de ciclos, tem muita quebrada e retomada, assim como a linha de baixo, mas o destaque fica para a guitarra, que de base passa para um alívio melódico que não deixa o som perder força. E sem comentários para os vocais e para a letra que rege o som – como que Kalleb consegue “gritar” daquele jeito e não soar um mero grito desesperado?! Porque eu, pelo que está acontecendo, estaria às lágrimas, esbagaçando minha voz: QUEIMEM BANDO DE FILHADAPUTAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!

Confira também o primeiro Heavy Hour do ano, falando do album Artigo 331:

Texto: Gustavo Türck

Ficha técnica
Produção: Hempadura e Coletivo Catarse
Imagens: Hempadura
Montagem e edição: Hempadura
Direção de fotografia/Finalização/cor: Billy Valdez

Porto Alegre Hardcore


A noite do dia 16 de junho era pra ser um encontro de alguns integrantes do Coletivo Catarse, responsáveis pelo Heavy Hour, no show coletivo no Go Brew, prestigiando a cena local e celebrando a Hempadura, banda do Billy Valdez (integrante mais calado e mais hardcore do power trio formado ainda por Gustavo Türck e Marcelo Cougo). Porém, o verdadeiro heavy hour está à solta nas ruas de Porto Alegre, e dois dos nossos colegas foram assaltados antes dos shows e não puderam comparecer. Coube a mim fazer a representação e a resenha do espetáculo. Claro que não estava numa boa e depois de remoer a merda que tinha acontecido com os amigos me fui para o local.

Cheguei no final da apresentação da Renascida e não pude curtir muita coisa. De qualquer forma, é bom dar um destaque pra gurizada de Canoas que está desde 2012 na estrada. Aqui um vídeo deles:

Antes ainda, teve a Outra Providência, dos extremos (Norte e Sul) de Porto Alegre, mandaram seu hardcore mais cruzão, que podemos sacar um pouco através do videoclipe de Ruas Vazias:

A banda Troll, formada pelos experientes Rodrigo Ruínas (vocal), Phil Barragan (guitarra), Cássio Quines (bateria) e Isaías Fussa (baixo), trouxe peso, velocidade, reflexões existenciais e alegria de estar no palco, ajudando a espantar os demônios do frio e do medo que assolavam minha alma naquela noite. Foi muito bom ouvir e ver a banda em ação. Muito bom bater um papo com o Rodrigo e ver que a música também ajudou a espantar os diabinhos que nele habitavam – e que a arte é um caminho pra expressão de vida. Vida longa pra Troll, e espero que em breve possamos ter registrados alguns dos petardos que foram detonados nesse show.

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Troca rápida de palco e chega a hora da Hempadura. Começando com Tradados como Gado e na cola, Cidadão de Bem, seguindo com uma sequência devastadora, como a vigorosa e necessária 5 tiros, que, ao vivo, impressiona ainda mais, além de alguns clássicos de outros registros fonográficos tipo Palanque de Mentiras, Proletariado e Mercado da Morte. A banda nos brindou com um momento especial, quando convidaram Átila Velasquez, mestre do rap freestyle, para reproduzir o clima de Sorria, RAP gravado no mais recente álbum Artigo 331. Mais uma letra fundamental nesses tempos de fake news (que de news nada têm, visto que a mentira e a manipulação sempre foram importantes armas usadas pela mídia a favor dos poderosos). Em cima do palco, uma gurizada nova e ligada nas mensagens diretas da Hempadura, banda cada vez mais madura. Na plateia, a resposta foi das melhores com muita empolgação e refrões cantados com vontade. Hempadura foi pro jogo com Billy Valdez, no baixo e backing vocals, Bodão Artenula, nas guitarras e vozes, Kalleb Sanches, nos vocais e cada vez melhor no palco, e o raçudo Ériton Castilhos, na bateria, que, mesmo lesionado, fez o hardcore correr pesado, no seu kit sem tons.

Depois dessa demonstração de arte engajada, vieram aqueles que eram a grande atração da noite, Ponto Nulo no Céu, direto de SC, fazendo seu som pesado e melodioso, muito bem tocado e com grande interação e interesse do público, que enchia a casa e certamente saiu muito satisfeito com tudo o que viveu aquela noite. Banda com estrada longa, trabalho consistente que se reflete no palco e deve servir de exemplo a quem segue esse caminho: perseverança e trabalho constante!

Parabéns para os envolvidos, o trabalho da The Warriors Prod, o pessoal do som, que só pecou um pouquinho no baixo, muito baixo, em meio ao caos sonoro que se instala nesses eventos. Parabéns também para a galera que compareceu e se portou muito bem, atenta ao que rolava no palco, dando aquela moral pra quem se esforça tanto na produção de cultura em Porto Alegre.

Pixote hardcore, a releitura da injustiça

O filme – e o caso – Pixote permeou quase duas décadas de discussões sobre a violência policial contra a pobreza. A imagem da criança correndo em frente a um camburão tomou contornos de capa internacional de revistas como a National Geographic. Quem adolesceu nas décadas de 80 e 90 com certeza lembra. Quem viveu as ruas daquela época, talvez não lembre do filme, mas a descrição da imagem é real.

Agora, em pleno século XXI, quem disse que isso ficou para trás?

Em tempos de intervenção militar, insegurança jurídica, golpe, ouvir – e assistir!!! – a 5 Tiros, da Hempadura é um petardo emocional.

A montagem do clipe, o desenho da música, o peso dos riffs e a letra simples, mas claríssima e verdadeira, não permitem interpretações e colocam essa rapaziada em um lado bem nítido: o da JUSTIÇA SOCIAL – não, cara, eles não são petralhas, não são esquerdopatas, não são mortadelas, muito menos base de apoio do Lula, não insiste!

5 Tiros cola quase 40 anos, dobra o espaço-tempo e nos faz lembrar que nada mudou. A polícia segue sendo a arma do Estado contra o seu povo…
(foto pixote e hempadura)

Texto: Gustavo Türck

Ficha técnica
Produção: Hempadura e Coletivo Catarse
Imagens: Hempadura
Montagem e edição: Hempadura
Direção de fotografia/Finalização/cor: Billy Valdez

Hempadura – Proletariado (Clipe)

Videoclipe – 2017 – 3’27”

Videoclipe da música Proletariado, faixa do 2° álbum da banda Hmpadura – MANIFESTO.

Do fato, de um emprego, ser um conceito.
Reação, de um animal preso sobre o efeito.
Força do habito falo como um vespeiro.
Catraca aponta cartão que bate fim do combate.
Sou invisível, aos olhos nus, luz que conduz tão flexível nada apaga a nossa luz.
Jato de sobra que solda fácil não me seduz.
É ato falho da folha ponto sem atestado.
Sou culpado, levanta a mão quem quer salário.
Bateu martelo tocou sirene erga o seu prato.
Acostumado a ter a sobra e ser barato Chegou palestra seu feedback foi descontado.
Andou na linha foi insistente não recusou.
So diz que sim, seu pensamento nunca mudou.
Repetitivo, alega estudo nunca deixou.
Ser promovido, crescer na vida fim do contrato.
(Fim do contrato) Sem aviso prévio.
(Fim do contrato) Acabou meu credito.
(Fim do contrato) Proletariado, proletariado PRO… Assina a folha, no fim com a caneta preta.
Foi o começo antes mesmo que cometa, o erro de recomeçar
Ja risca a carteira, aceita a sujeita, erga a cabeça.
Na rua a dor, que cura prevalece a amargura.
É a fissura que fixa a sua estrutura.
Foi na postura de padronizar.
A subsequência, aceita a existência de não aceitar.

Imagens: Kalleb Sanches Edição
Finalização: Billy Valdez
Produção: Coletivo Catarse – http://coletivocatarse.com.br
Billy Valdez | Videos& Fotos – https://www.facebook.com/independente…
Hempadura conta com o apoio de: Bode Preto Records – https://www.facebook.com/bodepretorecs
Coletivo Catarse – http://coletivocatarse.com.br

Billy Valdez | Videos& Fotos – https://www.facebook.com/independente… 100PRE Skateboards – https://www.facebook.com/100preskt ———————————————————————————————- Hempadura: Kalleb Sanches, Voz. Everton Bodão, Guitarra e voz. Billy Valdez, Baixo e voz. Ériton Castilhos, Bateria e voz. Contato: bandahempadura@gmail.com