Juarez Negrão é um artista plástico, poeta, vivente das artes e da cultura popular. Um cidadão que circula bastante entre Novo Hamburgo e Porto Alegre, trafegando pelos trilhos do trem, viajando para além dos limites municipais, tem encontrado ancoragem neste grande espaço de acolhimento que é a Comuna do Arvoredo, especificamente nos empreendimentos que ali habitam – o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e a Maria Maria Espaço Cultural. Nessa trajetória, entre conversas, mostruários de xilogravuras e esculturas para a venda e subsistência do artista, rolou a conexão entre o Coletivo e a arte de Juarez, de formas e cores que traduzem as influências de matriz africana em meio à urbanidade da Grande POA.

“A temática presente na produção do artista se aproxima das coisas que são tratadas desde cedo pelo Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, que já teve como artista residente o grande Paulo Montiel, pintor dos orixás, e que temos telas de seu acervo sob nossa responsabilidade. Dessa forma, foi feito e aceito o convite para que ele, Juarez, seja nosso parceiro nessas e outras empreitadas. Estamos comemorando isso e também o fato de que, para melhor atender as necessidades da vida burocrática que envolvem também o ofício da arte, conseguimos auxiliar ele a concluir a etapa de sua formalização como um MEI. Parece pouco, mas isso ajuda o artista a receber diretamente de projetos culturais, fazer os seus próprios projetos, receber de contratos com entes públicos, vendas de seu trabalho, entre várias outras coisas. De pão, vinho e muito mais vive o homem e o artista. Que daqui pra frente seja sempre mais!” – é o que reflete Marcelo Cougo, um dos historicamente responsáveis pelo Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre no Coletivo Catarse.

Marcelo Cougo (esquerda) fez parte de roda de conversa na inauguração de exposição de Juarez Negrão no Ponto de Cultura Casa da Praça, em Novo Hamburgo. Presentes também Gil Neves, Janaina Antunes Alves e Toni Rabello.

Desde o dia 14 de setembro, está acontecendo a Exposição Diáspora, de Juarez Negrão, no Ponto de Cultura Casa da Praça, que fica na Rua Cacequi, 19, bairro Boa Vista, em Novo Hamburgo – com entrada gratuita. A exposição fica aberta até o dia 14 de outubro, nas quartas-feiras, das 18h30 às 22h, e, nas quintas-feiras, das 9h às 12h e 13h às 18h. Também é possível agendar visitação em outros horários pelo telefone (51) 99243.7730.

A Galeria Casa da Praça apresenta o trabalho autoral do artista plástico Juarez Negrão, morador de Novo Hamburgo, residente da Casa da Praça e aluno da Escola Municipal de Artes Carlos Alberto de Oliveira. Na exposição “Diáspora”, através da história, ancestralidade e cultura afro-brasileira, Juarez apresenta um universo negro, de rica cultura e resistência, com técnicas como pintura, escultura e xilogravura.

A seguir, algumas fotos da exposição realizadas por Billy Valdez, quando da inauguração em 14 de setembro.

O apoio ao artista plástico Juarez Negrão é também parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Estão previstas a produção de telas e exposição dos trabalhos de Juarez na sede do Ponto.

3 Comentários

  1. Essa notícia me deixa muito contente! É incrível ver como espaços como o Ventre Livre e o Catarse realmente acolhem artistas e ajudam no dia a dia, até na burocracia da formalização como MEI. A exposição de Juarez Negrão é uma prova de que a cultura popular tem muito valor, com suas cores vibrantes e referências africanas. A forma como ele se conecta com o Ponto de Cultura mostra que essas iniciativas são fundamentais, não só para exibir a arte, mas para sustentar quem cria. Espero que isso sirva de inspiração para outros espaços e artistas. Muito importante!

  2. É lindo ver a Juarez Negrão pulando para o conteúdo artístico, com sua exposição Diáspora no Catarse! Pena que o Ponto de Cultura Ventre Livre já tenha tido o Paulo Montiel, mas que cada artista tenha seu espaço, mesmo que o Juarez precise de ajuda com a burocracia do MEI. Fica a dica: na próxima vez, talvez possa vender o pão junto com o vinho e a arte, já que o Cougo falou que vive o homem e o artista. Que a diáspora cultural continue a se espalhar por Novo Hamburgo e Porto Alegre, com mais artistas como o Juarez encontrando a ancoragem que merecem!watermark ai remover

    • Olá. Agradecemos o comentário, mas não compreendi porque é uma pena o Ventre Livre já ter tido Paulo Montiel… Podes esclarecer? Juarez não ocupa espaço do Montiel, ele cria seu próprio espaço, e nós apenas vamos de apoio à sua arte, ao seu fazer, que é, inclusive, um dos objetivos da Lei Cultura Viva – a qual fazemos uso e parte.
      Outra questão importante e complementar é que Juarez tem residência também em outro Ponto de Cultura, o Casa da Praça. O trabalha em rede é fundamental para potencializar ainda mais a produção cultural de matriz comunitária e popular… A exposição Diáspora está lá, em Novo Hamburgo.
      Um abraço reflexivo!

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