Encontro reforça alternativas de trabalho livre

Uma cooperativa de trabalho com 22 anos e outra recém fundada se reúnem para refletir sobre caminhos futuros e possíveis. No último sábado, 30/05, em noite de Maria Maria Espaço Cultural, na sede do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre/Coletivo Catarse, foi recebido um grupo de Alvorada – o coletivo Vira Cena – para um bate-papo sobre cooperativismo e sutentabilidade. Fundado também como uma cooperativa de trabalho, de produção audiovisual, o coletivo visitou os espaços de trabalho dos profissionais do Catarse e as áreas comuns da Comuna do Arvoredo, situada no Centro Histórico de Porto Alegre. Foi uma noite de troca de saberes e de formação, quando profissionais que há anos seguem suas carreiras em uma iniciativa como uma cooperativa deram seus depoimentos, contando suas histórias de como a organização coletiva acontece numa rotina de formalização e de trabalho e renda – nas artes, na comunicação e na produçao cultural e audiovisual. A cooperativa Vira Cena foi idealizada em projeto pedagógico pelo Professor Adailton Moreira, no Centro de Educação Profissional Adelino Ferreira Borba de Alvorada, a iniciativa nasceu das experiências vividas nas aulas do Curso de Produção Audiovisual e se consolidou como um movimento de coletivos que une educação, arte, trabalho e compromisso social. Ainda em abril deste ano, o Coletivo Catarse esteve em atividade no curso, expondo sua trajetória e realizando um primeiro contato que veio a culminar exatamente com o encontro em Porto Alegre, numa visita presencial que serviu para motivar os novos cooperativistas. “Sou a cooperada do Vira Cena e participei do evento no Catarse. Eu me apaixonei em cada detalhe, conheci a história de como esse coletivo nasceu do chão, cresceu na teimosia e virou casa para artistas e espetáculo para o público. Vi de perto o trabalho que leva a arte até quem cria e devolve essa arte para o mundo em forma de cena. Um coletivo que tem sido de grande apoio para o início da cooperativa Vira Cena. Eu saí de lá com uma bomba de inspiração no peito e uma vontade absurda de aprender, construir e fazer parte disso. Eu amei, foi maravilhoso e eu quero continuar trabalhando com a Cartase.“ “Faço parte da cooperativa Vira Cena e participei no sábado ali na Catarse. Foi bem legal a interação com o pessoal, de ser bem recebido, conhecer o espaço deles ali. É muito importante a gente saber que tem esse apoio e o que realmente as pessoas fazem num coletivo – uma pessoa ajuda a outra, e, se precisar, eles vão estar ali, assim como a gente também. É muito legal essa parte de um poder contar com o outro, e não ser uma competição, todo mundo se erguer para todo mundo crescer. Isso é muito massa! Vi muito isso no sábado, pelas coisas que eles falaram, a vivência, o compartilhar de experiências… Muitas vezes quem é novo não tem noção, e o pessoal que já passou por isso está ali para dar uma luz, para orientar… Isso é muito importante, foi muito bacana.“ Ao longo da noite de lua cheia, com um clima agradável e convidativo à música ao vivo e ao bate-papo, foi se apresentando também um pouco mais da estrutura da Maria Maria Espaço Cultural, fruto da iniciativa das “irmãs Tolfo”, que são “as Marias” Daniela e Márcia, em parceria com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, que, ao longo de 3 anos, se fez com investimentos próprios no local e através de projetos conquistados em linhas da Funarte/MinC e secretarias de cultura do estado e do município. Sobrou tempo ainda para uma visita à sede/escritório do Coletivo Catarse e aos fundos da Comuna do Arvoredo, destacando-se na conversa a história de como se constituiu e como se gere todo este espaço – uma complementação para a reflexão sobre as possibilidades de sustentabilidade a coletivos como os ali presentes. “Também sou cooperado da Vira Cena. Não tem como não falar daquele espaço! Eu acho que tudo o que encontramos, cada pessoa, o espaço e a atividade em geral, foi um pedacinho de tudo que teve. Achei aquele espaço perfeito para qualquer cooperativa que queira existir. É um lugar que passa calma, dá pra sentir que se pode trabalhar sem precisar se apressar, sem precisar ficar sob pressão. Eu acho que em geral toda a atividade foi perfeita. Eu não teria problema de fazer ela de novo um milhão de vezes! Seria ótimo para mim passar o máximo de tempo possível em qualquer lugar que seja calmo daquele jeito.“ Ao final da visita, a banda Mr. Fool, que é formada por alguns integrantes do Vira Cena, perfomou brilhantemente seu rock garage na garajona da Comuna do Arvoredo. Porque celebrar também faz parte… Fotos: Douglas Martins (Vira Cena)

Reexistência Rutz

O Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e o Coletivo Catarse tem uma longa trajetória de parceria com a Kuja Gãh Té, liderança espiritual e política do povo Kaingang e da Retomada Gãh Ré, no Morro Santana. Legitimados por essa trajetória Gãh Té e o Ventre Livre foram contemplados na Chamada Pública Agentes Culturais da Ancestralidade, promovida pelo Pontão de Cultura Axêmiré.Desse modo as atividades que são realizadas de forma rotineira pela Mestra passam a ser reconhecidas com uma bolsa que ajudará a manter e ampliar essa atividades.Dentro dessa lógica, de troca de conhecimentos e integração com a comunidade, a Retomada Gãh Ré e a Mestra Gãh Té, junto com o coletivo Preserve Morro Santana, receberam a atividade sobre a importância socioambiental e histórica do Morro Santana, incluindo as dimensões geomorfológicas do morro e sua ocupação pelo povo Kaingang. Realizada nos dias 16 e 17 de maio, a atividade teve a participação da comunidade, de estudantes e professores da UFRGS, e serviu de formação para condutores nas ecotrilhas realizadas no Morro Santana.A saída de campo – Mestrado de desenvolvimento rural na retomada indígena Kaingang Gãh Ré, no Morro Santana, foi uma experiência importante de aprendizado e reflexão. Através das falas da Mestra Iracema Gãh te Nascimento, foi possível compreender a relação do povo Kaingang com o território, a ancestralidade e a resistência cultural. A atividade aproximou os conteúdos estudados na universidade da realidade vivida pelas comunidades indígenas, mostrando a importância do respeito aos saberes tradicionais, da memória coletiva e dos direitos dos povos originários.Nesse dia também foi realizada uma cerimônia de plantio de uma muda de araucária, árvore sagrada para o povo indígena, simbolizando a permanência no território do querido Tio Rutz, ativista e morador da comunidade e que nos deixou recentemente. Gãh Té e Julinho, filho de Tio Rutz, celebraram a vida, a alegria e o cuidado que sempre guiou o nosso amigo, que agora está eternizado nas raízes, tronco e frutos da árvore símbolo da resistência Kaingang. Texto: Marcelo CougoFotos: Luis Gustavo Ruwer

Lançamento do livro “Fé e Política: ensaios de uma vida peregrina”, de Selvino Heck

Na quinta-feira, 21 de maio, a Maria Maria Espaço Cultural, em atividade com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre (Comuna do Arvoredo, Rua Cel. Fernando Machado, 464 – Centro Histórico de Porto Alegre), recebeu o lançamento desta publicação que reúne reflexões, artigos e escritos produzidos ao longo de mais de cinco décadas da vida de Selvino – com temas que abordam fé, política, justiça social e compromisso com o bem comum. Em tempos em que a religião muitas vezes é usada para justificar preconceitos, violências e exclusões, o livro propõe uma reflexão necessária sobre uma espiritualidade comprometida com a transformação social, a dignidade humana e a construção de uma sociedade mais justa e solidária. “A minha origem familiar tem muito a ver com o trabalho de comunidade, da ponta, na base. Desde sempre, na Linha Santa Emília, em Venâncio Aires, de onde eu sou natural, da minha família. Depois, eu fui para o seminário, fui Frei Franciscano grande parte da minha vida, e, na militância estudantil, especialmente na pastoral juventude, eu comecei a relacionar a fé com a política, a política com a fé. Não como instrumentalização, mas exatamente no sentido de fazer com que a fé esteja revestida de uma política e de uma causa comum, a solidariedade. E que a política esteja sempre junto com a ética. Não se faz política sem ética, muito menos se faz política sem mística. E como dizia o Papa Francisco, também a política tem que estar acompanhada de ternura. Portanto, esse meu livro tem tudo a ver com a minha vida, com a minha militância, com os meus sonhos, com o sonho de uma sociedade livre, justa, igualitária, uma sociedade do bem viver. Isso se faz tendo os valores da fé na linha de frente e a política com o sentido de comunidade, de abraço, de companheirismo, de estar junto, de lutar por um mundo melhor, um mundo justo, um mundo digno, de dignidade para todas e todos, especialmente nesses tempos em que estamos vivendo. E é o meu primeiro livro solo também, com meus textos desde os anos 1970. E fazer esse lançamento no Maria Maria foi importante. Eu já estive muitas vezes, é um lugar especial para mim, gosto muito de lá, muita afetividade, muito companheirismo, dá para ficar na rua, dá para conversar, dá para dançar, dá para cantar, dá para declamar poesias, é muito bom isso. Ainda mais com o Ponto de Cultura Ventre Livre, porque a fé e a política têm que ser animadas culturalmente, têm que estar vinculadas à mística, a uma forma de fazer política culturalmente, de abraço, de ninguém soltar a mão de ninguém. Por isso, o ponto de cultura, de liberdade, de justiça, de dignidade da pessoa humana, é algo fundamental.“ Natural de Venâncio Aires (RS), Selvino Heck tem uma trajetória marcada pela militância social, pela educação popular inspirada em Paulo Freire e pela atuação junto aos movimentos sociais. Foi deputado estadual constituinte no Rio Grande do Sul, participou da fundação do CAMP, da CUT e do MST, além de atuar como assessor da Presidência da República nos governos Lula e Dilma. Para mais imagens do dia do lançamento, clique aqui. O livro ainda está em circuito de lançamentos, mas, para adquirir, entre em contato com Loiva (+55 51 99810.1034). Fotos: Daniela Tolfo (Maria Maria) * O lançamento é parte da programação do eixo Maria Maria Espaço Cultural, sendo ação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Documentário sobre ASSOBECATY tem lançamento no Ventre Livre dia 29/05

Um filme sobre os 90 anos do ilê que hoje é o Ponto e Pontão de Cultura Ilê Axé Cultural – ASSOBECATY. Uma história de ancestralidade, identidade e continuidade. Foram nove décadas de caminhada e resistência, mesmo quando as águas da enchente tentaram apagar a sua história, a força do coletivo se fez mais forte. Esta é uma obra que retrata toda essa superação, uma produção que contou com participação do Coletivo Catarse e que agora ganha seu espaço para uma sessão de lançamento no Ponto de Cultural e Saúde Ventre Livre. Assista ao trailer, clique aqui. Sessão no dia 29 de maio, a partir das 19h30 – Comuna do Arvoredo, Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, Rua Fernando Machado, 464, Centro Histórico de Porto Alegre. *o longa-metragem “ASSOBECATY 90 anos” é um projeto contemplado pelo Edital Lei Paulo Gustavo Guaíba nº 01/2023, Art. 6º, Inciso I. **a sessão é parte da programação do eixo Maria Maria Espaço Cultural, sendo ação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

As múltiplas dimensões de ser uma criança realizadora audiovisual

Ao longo dos meses de março e abril de 2026, esteve em curso a oficina ‘Vamos fazer um filme?’, uma das atividades do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Nesses 10 encontros, totalizando 20 horas-aula de atividades, foi trabalhado com um grupo de 12 pré-adolescentes um pouco das diversas facetas de uma produção audiovisual. Um realizador necessita, além de pegar uma câmera, ter o domínio de multi-habilidades – começando por perceber que um filme não se faz sozinho. Talvez essa seja a aptidão trabalhada mais desafiadora num momento histórico em que as pessoas se encerram em bolhas e telas. Nos encontros desta oficina, olhamos nos olhos e nos servimos da linguagem teatral como ferramenta pedagógica, incrementando a arte de criar e contar histórias. Passamos por analisar filmes, porque, para ser um bom realizador, é preciso saber ler a produção de outros e pensar argumentos realizáveis com os recursos de infra-estrutura e tempo que se dispõem. Também produzimos figurinos, escalamos elenco, ensaiamos e entendemos o roteiro que havíamos criado de forma coletiva. Foi um exercício de entrega e, ao mesmo tempo, de desapego, pois realizar também é aprender a deixar nossas partes pelo caminho. No fim, reunindo nossos pedaços, produzimos um filme o qual nos orgulhamos e compartilhamos com todas as famílias numa noite cheia de afeto da Maria Maria Espaço Cultural, com os pequenos grandes realizadores na plateia, fazendo planos para a sequência do filme que acabaram de ver. Saímos, as facilitadoras, assim como as crianças, emocionadas e revigoradas desta experiência trabalhosa, mas transformadora, que atingiu o objetivo de trazer perspectivas na utilização dos aparatos tecnológicos – eles podem ser meios potentes de expressão e criatividade na invenção de novos mundos. As 3 DimensõesUma festa do pijama, numa noite qualquer, se transforma numa aventura inesperada por três dimensões misteriosas. Entre rituais, festas malucas e estranhos seres do submundo, as crianças vão descobrir que algumas histórias sombrias podem ser mais reais do que parecem. Facilitadoras:Lorena SánchezTêmis Nicolaidis Oficinandos realizadores:Alice Milani SandrinBento Fingstag Rosa OliveiraFabrício Fros FortesFrancisco Pedro Nascimento de Oliveira CardosoGiovana Schultz de BorbaJoaquín FarinaLúcia Miele GarciaMainô TürckManoela Bagiotto GallettiMartim Rodrigues EscobarNauê Bassi da SilvaSidarta Crescencio Bettanzos Roteiro:Criação Coletiva Operação de câmera:Billy ValdezGustavo Türck Edição:Têmis Nicolaidis Tratamento de áudio:Gustavo Türck Produção:Lorena SánchezTêmis Nicolaidis Trilha Sonora:Monstres e Ufo(Boris Morozoff) Underground Techno Party(Splashkabona) Assobio:Sidarta Parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

AWO (Mistério Sagrado), por Juarez Negrão

No dia 23 de abril, o artista plástico Juarez Negrão, em parceria com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, apresentou sua exposição AWO em noite de Maria Maria Espaço Cultural na Comuna do Arvoredo. Foram dispostas no espaço da Garajona diversas obras em tela, cerâmica e outros materiais: Através da história, ancestralidade e cultura afrobrasileira, Juarez apresenta um universo negro, de rica cultura e resistência, com técnicas como pintura, escultura e xilogravura. O trabalho consiste em pequenos fragmentos de duas exposições apresentadas pelo mesmo nos anos de 2024 e 2025 (Quilombo e Diáspora) e se completa com novas peças. “Awo” se faz a terceira e última parte dessa triologia, inspirada nas crenças, religiões, lendas e tradições dos povos originários. A atração musical da noite ficou por conta de Alex Gaúcho, cigano, espiritualista, músico, poeta, ator, compositor, cantador, atualmente trabalhando na gravação do seu primeiro álbum autoral “Rezo”. AWO (Mistério Sagrado) *fotos por Billy Valdez A atividade integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.

O chimarrão com erva de carijo roda

Em fins de fevereiro, início de março deste ano, ocorreu um evento de produção artesanal de erva-mate na Floresta Nacional de Canela. Foram produzidos cerca de 80 kg em método de carijo, que foram amplamente distribuídos entre os participantes e com a comunidade Kaingang que mora no local. Como é o costume, esta erva cevou já diversos mates – direto ao lado do carijo, durante o processo de moagem e, claro, nas casas e locais de trabalho de cada um que levou os seus “quilinhos”. E a erva de carijo nunca vai sozinha – ela carrega história, e cada cuia servida carrega um trago de prosa que acompanha a surpresa do “novo” sabor e o descobrir dos processos, do significado daquela produção ancestral. Nesse mês que se passou, então, o mate de carijo circulou por diversas mãos. * * * * ,A atividade da carijada integra o Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre.

Um sábado especial em março de 2026

Não são poucas as atividades que realizamos. Não são poucos os lugares que visitamos. Não são poucas as pessoas que conhecemos. O cansaço e o suor do nosso trabalho também não têm sido pouco ao longo desses quase 22 anos de existência. E, como o Coletivo Catarse não é apenas uma pessoa, consegue ocupar dois lugares no espaço ao mesmo tempo – até 3 ou 4, inclusive. E foi isso que ocorreu no sábado, 21 de março de 2026. Em Porto Algre, atividade que marcou a divulgação de um documentário sobre o êxodo e a luta palestina lotou a Garajona da Comuna do Arvoredo, numa programação do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre em noite de Maria Maria Espaço Cultural. Em Imbé, o NIA (Núcleo de Investigação Artística do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre) realizou um intercâmbio artístico com o Ponto de Cultura Território das Artes, contando com apresentação do espetáculo “Vasaliza, a sabida”. E, em Mostardas, mais ao sul, também no litoral, mais uma equipe do Coletivo, naquele momento em oficina, em projeto do Ponto de Cultura STR Mostardas, trabalhava a inclusão digital e a salvaguarda do patrimônio cultural, cobrindo o II Encontro Regional de Cantadores de Terno. Não menos importante – e quase simultâneo, pois ocorreu na noite anterior -, em frente de trabalho de apoio técnico no Ponto de Cultura Cirandar, também no Centro Histórico de Porto Alegre, acontecia o Espetáculo Menina de Tranças e Cabelos Brancos com @lilikamarques24 e @deborahfinocchiaro. O Coletivo atua e sempre atuou assim, por isso o fazer é tão multifacetado. Tanto que, por vezes, é desafiador explicar e até mesmo divulgar. São assuntos centrais e transversais tratados pela Catarse com o mesmo intuito: comunicação para transformar. Circulamos múltiplos e vamos chegando perto de distintas realidades, onde alcançamos e é possível uma pequena (que pode reverberar como importante) transformação, através da política, da arte e da cultura. Siga as nossas redes, confira seguidamente nosso site – sempre tem alguma coisa acontecendo!

Oficinas de inclusão digital trabalham com a salvaguarda de patrimônios culturais de Mostardas

De 19 a 24 de março, o município do litoral médio recebeu encontros de formação para jovens e adultos. As atividades incluíram ainda o registro do II Encontro Regional de Cantadores de Terno, contemplando aos oficinandos uma prática com noções básicas de fotografia e produção audiovisual. Também foi trabalhado o uso de ferramentas digitais como e-mail, “nuvem” de armazenamento e montagem de site para auxiliar na exposição de registros e segurança de dados como uma prática de salvaguarda de expressões culturais e até mesmo de arquivos pessoais. As aulas teóricas tiveram suas atividades na Escola Municipal Marcelo Gama na quinta (19), sexta (20), segunda (23) e terça-feira (24) durante a noite. Já a atividade prática foi a cobertura do II Encontro de Cantadores de Terno realizado no salão da Paróquia São Luiz Rei. O encontro reuniu cerca de 150 pessoas e teve apresentações de 5 grupos: o Resgatando a Tradição e o Grupo Amigos, de Mostardas, o Família Talibio, de Tavares, o Netos do Zé Pulim, de Capivari do Sul e o O de Casa, de Guaíba. O Terno de Reis é um festejo religioso de origem açoriana e com contribuição afrodescendente. No Rio Grande do Sul, a tradição é mantida principalmente pelas comunidades quilombolas, agricultores e pecuaristas familiares. Os festejos se organizam em torno de datas ligadas ao dia de reis e dos santos padroeiros. Composto por cantadores, tocadores e participantes, o cortejo vai passando de casa em casa, reunindo as famílias em um grande momento de celebração com comidas típicas de cada região. Ao longo do encontro na noite de sábado, a culinária também resgatou fazeres e saberes locais. O cardápio teve ingredientes provenientes da agricultura familiar e da pesca da Lagoa do Peixe, como o feijão sopinha com siri, camarão, polenta com milho catete, entre outros pratos. Além dos registros do próprio Coletivo Catarse, a cobertura em foto e vídeo do evento foi feita principalmente pelos oficinandos, pessoas da própria região. A maioria já tinha relações com os Ternos, tanto de forma direta, cantando e tocando em um grupo, quanto indireta por meio de lembranças ou histórias de familiares que vivenciaram esta tradição em suas comunidades. Terminado o encontro, os oficineiros e oficinando seguem organizando os materiais produzidos para divulgação e preservação dos registros. Em breve, os materiais produzidos estarão disponíveis em um site próprio, com fotos, vídeos das apresentações e um documentário. Tudo isso buscando divulgar e preservar a memória destas manifestações tão presentes no município de Mostardas Estas atividades e outros ciclos de oficinas realizados ao longo de 2025 e 2026 fazem parte do projeto Festejos e Encontros da Cultura da Tradição Popular das Comunidades Quilombolas da Península do Litoral Norte (Edital SEDAC nº25/2024 PNAB RS – Cultural Viva). O Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre vem atuando junto ao projeto desde outubro do ano passado (confira aqui e aqui). Oficineiros: Gustavo Türck e Bruno PedrottiTexto: Bruno PedrottiFotos: Bruno Pedrotti, Daniel Machado da Silva, Gislaine Souza da Rosa, Laé Terezinha MachadoRevisão: Gustavo Türck

‘Trazer de volta ao coração’ reúne público em torno da memória e cultura palestinas

No dia 21 de março, em uma noite em que a Garajona da Comuna do Arvoredo é ocupada pela Maria Maria Espaço Cultural, no Centro Histórico de Porto Alegre, aconteceu o evento de apresentação do projeto documental ‘Trazer de Volta ao Coração’, filme que apresentará a história de Abder Rahim Jbara Hussein El Jundi, um palestino nascido em 1937 na aldeia de Al-Mansi, expulso de sua terra em 1948, durante a Nakba – a “catástrofe” palestina. Organizada pelos diretores Najla El Jundi e Luís Gustavo Ruwer, pelo Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, em parceria com o Grupo Folclórico Palestino Terra e as famílias palestinas El Jundi e Baja, a atividade foi concebida como uma celebração da memória, da cultura e da resistência palestinas. A programação iniciou ao entardecer com uma emocionante apresentação da Dabke, dança folclórica tradicional do território. A calçada em frente à Comuna estava ocupada por dezenas de pessoas, atraindo vizinhos às janelas e fazendo o trânsito parar momentaneamente para acompanhar a performance do Grupo Terra. Fizeram-se presentes familiares, amigos e apoiadores da causa, incluindo a Frente Gaúcha em Solidariedade ao Povo Palestino.  No intervalo, formou-se uma longa fila para experimentar os pratos típicos árabes preparados pela família Baja. Esfiha, falafel, homus e tabule foram algumas das saborosas opções oferecidas. Ao fundo, uma trilha sonora árabe contribuia para a atmosfera, aproximando o público do universo cultural  retratado no documentário. Em seguida, todos sentaram, para assistir ao teaser e à apresentação do projeto, conduzida pelos diretores. Apesar do calor intenso e da chuva ao longo da noite, a garagem da Comuna permaneceu lotada. Mais de 50 pessoas acompanharam atentamente cada momento da programação, do acolhimento inicial ao debate com os protagonistas do documentário: Abder, Sami e Najla El Jundi. O clima era de intimidade e curiosidade. Ao longo da programação, o público alternou entre momentos de silêncio atento, reações emocionadas e manifestações de apoio à causa palestina. A atividade se configurou como um espaço de encontro entre a história retratada na obra e o público, marcado pela partilha de experiências, referências culturais e solidariedade à causa palestina. ‘Trazer de volta ao coração’ entrou em circuito de festivais e, em breve, estará disponível ao público. Acompanhe o Instagram @trazerdevolta para atualizações. Texto: Luís Gustavo Ruwer e Najla El JundiEdição: Anahi FrosFotos: Billy Valdez ASSISTA AO TEASER * O evento de divulgação deste projeto é parte da programação do eixo Maria Maria Espaço Cultural, sendo parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.