Três anos de “Marias”

O sábado, 7 de março, que antecedeu o importantíssimo e necessário 8M, marcou o aniversário de três anos de existência da Maria Maria Espaço Cultural, que reside de quinta a sábado na Garajona da Comuna do Arvoredo, na Rua Fernando Machado, Centro Histórico de Porto Alegre. A agenda é conduzida pelas irmãs “Tolfo”, Marcia e Daniela, e conta com uma rede de apoio de diversas amigas, incluindo Tiane, irmã das gurias. A Maria Maria é pensada para todes, visando a apoiar e fomentar a cultura, diversidades sonoras e artisticas, desde jantares temáticos, passando por reuniões, grupos de conversa, lançamentos de livros, filmes, trasmissões ao vivo e diversas formas de trabalhos ligados à cultura e aos movimentos sociais. E, na festa de aniversário, não foi diferente. A celebração contou com os brechós O Cata Roupas e Victória brecho e floricultura, junto aos artesanatos da FESPOPE. Entre as atrações artísticas, esteve o rap e a poesia falada de Kainã, além do grupo Versão Brasileira. Na cozinha, além das clássicas pizzas das Marias, foi preparado um saboroso cuscuz pelas mãos da cozinheira Kyzzzy Rodrigues, que sempre se faz presente no já conhecido Jantar Afro. O terceiro ano das Marias também marca um ano de muita programação cultural sendo realizada no espaço, dentro do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Foi uma noite de celebração e fortalecimento da luta e da cultura de rua. Maria Maria, sempre de portas abertas! Fotos e texto: Billy ValdezEdição: Anahi Fros

Mateando vivências: Carijada Kaatártica na FLONA celebra o encontro e a tradição ancestral

Domingo, 1º de março e última Lua Cheia do Verão. Ao amanhecer, sigo rumo ao carijo. A brasa aquece a estrutura onde estão dispostos os cerca de 80 quilos de ramos da erva-mate, colhidos no dia anterior, e uma chaleira já chiando a água para matear. Dou bom dia aos viventes que resistiram à madrugada, de olho na secagem lenta sobre o calor brando do fogo, que não pode apagar. O colega cuidando da lenha me entrega, de pronto, uma pequena, mas gigante, tarefa: “Faz um mate pra nós? Naquele canto ali já tem umas folhas secas”. Não é qualquer um, mas o primeiro da carijada, iniciada na sexta-feira dia 27 de fevereiro. O evento – em sua segunda edição, esta possível graças ao apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da comunidade kaingang local – também é o primeiro realizado em uma unidade de conservação e, ainda por cima, dentro de uma aldeia kaingang, a Retomada Kógünh Mág (“erva grande“, em português). Busco as folhas que já se quebram ao tocar e as coloco no pilão da Nilda – uma das indígenas que plantou a semente da aldeia em que estamos e, quando ancestralizou, deixou a peça de herança para os filhos e netos. Entalhado com as duas metades kaingang, Kamé (Sol) e Kairu (Lua), o pilão é uma entidade em si. Peço a permissão para a cacica Iracema Gah Té, da Retomada Gãh Ré – localizada no Morro Santana, em Porto Alegre –, que, então, acena com a cabeça. Pilo um pouco e, por conta da mistura do cansaço acumulado com a curiosa expectativa que toma conta do ambiente, me contento com a moída grossa. Cevo, provo para aquecer a erva e passo adiante. Por suposto, o primeiro é da Kujá (xamã), que o saboreia, e segue a roda. Conforme passa de mão em mão, vai tornando-se unânime o veredito: a erva está excelente, com um amargor moderado e um defumado marcante. A impressão vai se reafirmando à medida que surgem novas possibilidades: outra cuia com uma moída fina, seguida de uma pura folha para, depois, seguir pela moídas mecânicas de dois soques distintos, uma fina e outra grossa, com mais galhos. O processo de feitio artesanal começou no dia anterior. Na manhã de sábado, foram podadas cerca de 20 árvores de erva-mate em meio à mata nativa. Já no início da tarde, as equipes finalizaram o manejo de dois pés plantados no pátio do professor Léo e recolheram grimpas de araucária e lenha. Na sequência, seguiu-se o processo de sapeco e encarijamento. Estas duas últimas etapas ocorreram com a adesão massiva da comunidade kaingang, movimento que contagiou os participantes da atividade – afinal, a carijada é um método tradicional de origem indígena, e o interesse da aldeia acabou por demonstrar a potência da ação. A erva foi, em fim, colocada no carijo para receber o calor de um fogo de brasa até próximo das 12h do dia seguinte. Após, foi cancheada, pilada, moída e distribuída. No total, o evento recebeu cerca de 20 inscritos, além de dez pessoas da equipe de produção, bem como a participação da comunidade kaingang e dos servidores do ICMBio, totalizando cerca de 50 participantes. Participaram desde bebês de colo e crianças até anciãs e anciões, cada um contribuindo segundo as suas possibilidades. Graças ao trabalho coletivo, o resultado foi uma carijada histórica. A estrutura do carijo foi mantida na FLONA para fins de educação sociambiental pelo ICMBio. Os galhos mais grossos foram encaminhados para famílias da Kógünh Mág e serão aproveitados como lenha. Os galhos mais finos, que sairam no cancheamento, seguiram a diversas mãos para serem aproveitados ou como chá-mate ou curtidos com cachaça. Os viventes voltaram, então, felizes para suas cidades: Porto Alegre, São Lourenço do Sul, São Francisco de Paula, Passo de Torres e Panambi. Outros permaneceram em Canela. Destes, é provável que alguns devam estar estranhando a calmaria na aldeia e na floresta, mas gerando um certo alívio da equipe da produção, que constantemente pedia por taquaras ou eucaliptos a serem manejados, ou por ferramentas a serem emprestadas. Também, certamente, ficou a saudade dos encontros, das prosas, das reflexões, do alimento compartilhado, feito sobre um fogão campeiro construído em uma clareira, das novas amizades ou reencontros inesperados. Estamos, desde então, relembrando dos bons momentos e saboreando o doce amargo de uma erva carregada de tantas histórias. Fica difícil não se perguntar: quando será a próxima? (em breve!) A atividade integra o Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi FrosFotos:@coletivocatarseAmallia Brandolff – @amalliabrandolffBilly Valdez – @billy.valdezFuá – @marcielysalvadorKokoj (Roberta)Luís Gustavo – @libredasilva

Mapeando ervais nativos da FLONA

Dentro dos preparativos para a II Carijada Kaatártica, que será realizada nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1° de março, uma equipe do Coletivo Catarse visitou a Floresta Nacional de Canela (FLONA) no último dia 10. Com profissionais das áreas da Geografia e Comunicação e acompanhamento técnico do ICMBio, a equipe percorreu os 3 km da trilha da mata nativa buscando identificar e mapear os pés de erva-mate (Ilex paraguariensis) a serem podados durante a atividade na Unidade de Conservação (UC) federal de uso sustentável. Apenas nesse trecho, foram identificadas e georreferenciadas mais de 40 plantas.  Entre mudas e plantas jovens, características da mata em processo de regeneração, foram encontradas também plantas adultas, inclusive matrizes já com “filhotes” próximas. A matriarca do local, já conhecida do ICMBio, possui 12,7 metros de altura. Para efeito de comparação, as plantas em ervais cultivados tem uma média de 3 metros.  Ao longo da carijada, algumas serão podadas para a produção artesanal da erva-mate. O manejo não prejudicará as plantas, que são extremamente resistentes a podas. Ao contráro, a prática acaba sendo uma forma de renovação benéfica aos indivíduos. Para ajudar na recuperação posterior, será feita uma poda não tão radical, deixando algumas folhas e galhos para que possam seguir captando a luz solar neste final de verão, encaminhamento definido juntamente com Lisandro Signori, chefe da UC.   Estes cuidados extras estão sendo pensados justamente porque a FLONA é um espaço de cuidado com a natureza. Seu diferencial em relação a outras categorias de UCs – que permite que uma atividade como a carijada seja realizada – é justamente o incentivo para o manejo sustentável da biodiversidade nativa. Neste ano, a unidade completa 80 anos. Sua origem está ligada a uma iniciativa governamental de plantio de araucárias buscando incentivar a pesquisa e produção florestal relacionados à espécie, símbolo do planalto sul brasileiro. Presença Kaingang e a Kógünh Desde o ano de 2020, a FLONA é também o lar da comunidade kaingang da Retomada Kógünh Mág, de Canela. O próprio nome da aldeia, que em português significa erva grande, já demonstra a relação deste povo originário com a ilex. De fato, a planta é considerada sagrada pelos kaingang, que cultivam o hábito do chimarrão e também a utilizam para fins medicinais, espirituais e no batismo de pessoas e locais.  A comunidade, juntamente com a Retomada Kaingang Gah Ré, do Morro Santana em Porto Alegre, está apoiando o evento e irá compartilhar com os participantes um pouco da cultura kaingang e da relação deste povo originário com a erva-mate. Além disso, a aldeia também irá oferecer algumas comidas típicas kaingang e uma apresentação do grupo de dança tradicional da comunidade. A vivência está com as últimas inscrições abertas até quarta-feira (25/02). Inscreva-se neste formulário. Serviço O quê: II Carijada KaatárticaQuando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira a domingoOnde: Floresta Nacional de Canela (FLONA) – R. Otaviano Amaral Píres, n° 518, Canela/RS.Dúvidas: (51) 99298.7293 (WhatsApp, com Têmis) Inscrições: neste formulário. O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar. Programação: 27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco13h – Receptivo14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados17h – Montagem do cancheador 28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda9h – Manejo dos ervais nativos da Flona13h – Sapeco17h – Encarijamento e ronda 01/03 – Domingo – Moagem e distribuição9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque14h – Partilha da erva e despedida A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi FrosFotos: Billy Valdez

O soque se prepara para mais uma carijada

Na última quinta feira, 5 de fevereiro, uma equipe do Coletivo Catarse esteve em Triunfo, na propriedade do médico veterinário Fábio Haussen – parceiro de longa data, ele tem sido guardião do soque do Coletivo nos últimos anos. Adqurido em 2015 ao longo do Projeto Roda Carijo – que circulou realizando carijadas pelo interior do RS e exibindo o filme Carijo – o soque é um equipamento que facilita muito a produção artesanal de erva-mate. Suas 8 mãos de pilão e motor elétrico são de grande ajuda na moagem, última etapa da produção. Com a II Carijada Kaatártica marcada, a equipe encaminhou o soque ao marceneiro Juca Rocha para mais uma rodada de manutenção e ajustes. No caso do soque do coletivo, além de mais de uma década de uso, o equipamento também sofreu com a grande enchente de 2024. Com a cheia histórica no Rio Taquari, do qual a propriedade é vizinha, o soque ficou debaixo da água, juntamente com boa parte de Triunfo e do estado. Ainda em 2024, Juca conseguiu fazer uma primeira manutenção no equipamento, que participou no final de julho daquele ano da II Carijada Serrana no Caconde. Passados quase dois anos, o soque retornou na semana passada à oficina para novos reparos. Até porque a próxima carijada já tem data marcada. No último final de semana de fevereiro, dias 27 e 28 e 1° de março, será realizada a II Carijada Kaatártica. Esta edição se apresenta como uma oportunidade única, pois acontecerá na Floresta Nacional de Canela (FLONA), uma unidade de conservação voltada ao manejo sustentável dos ecossistemas florestais. Também estão apoiando o evento as retomadas Gah Ré e Kognhun Mag do povo Kaingang, respectivamente do Morro Santana, Porto Alegre, e Canela. Será um bom momento de se desfrutar os 500 hectares de belas paisagens do bioma Mata Atlântica da FLONA e vivenciar um pouco da cultura originária de povos originários como o Kaingang. Além, é claro da possibilidade de se produzir artesanalmente uma erva-mate pura e sem agrotóxicos. Serviço O quê: II Carijada KaatárticaQuando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira, sábado e domingoOnde: Floresta Nacional de Canela (FLONA), R. Otaviano Amaral Píres, N° 518, Canela/RS.Dúvidas por whats: (51) 99298.7293 (Têmis) Inscrições: neste formulário. O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar. Programação: 27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco  13h – Receptivo14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados. 17h – montagem do cancheador 28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda 9h – Manejo dos ervais nativos da Flona13h – Sapeco 17h – Encarijamento e ronda 01/03 – Domingo – Moagem e distribuição 9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque14h – Partilha da erva e despedida A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno Pedrotti

Visita do Jardim

Nesta semana, o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre recebeu a visita da Raíssa. Esta menina – agora uma mulher de 26 anos – tem uma história incrível com o Ponto. Sua família era vizinha da primeira sede do projeto, numa das ruas da Vila Jardim. Lá pelos anos de 2008 e 2010, esteve presente em várias atividades realizadas no Ventre – brincadeiras, oficinas e um projeto de residência artística chamado “Famílias do Jardim“. Realizado com a fotógrafa Fernanda Rechemberg, o projeto idealizou retratar as famílias daquela vila com fotografias como se fossem – já naquela época – de caixas e álbuns antigos. Essas fotos foram distribuídas aos detentores de suas histórias, mas também virou livro, filme e exposição. Raíssa, mais de 15 anos depois, veio ao Centro Histórico visitar o Ventre Livre e “atualizou” a memória registrada naqueles cliques: “Este está com filhos. Esta família triplicou. Esta era atleta…”. Mas a menina Raíssa tinha outra história a contar, que a mulher Raíssa veio agora a buscar. Seu pai é Paulo Montiel – artista plástico, que, “ao acaso”, veio a realizar uma espécie de residência artístico-terapêutica para a sua saúde com o Ponto. Durante anos, a equipe do Ventre Livre o esteve auxiliando a guardar o seu acervo de pinturas a óleo e outros trabalhos, mas, à medida que o tempo ia passando e Montiel ia traçando seus novos caminhos, sua obra de cosmovisão dos orixás o acompanhava e se esvaía devagarinho nas quebradas da realidade concreta que vivia. Até que o Paulo deixou de existir neste plano – e Raíssa e sua mãe ficaram com o que conseguiram recuperar de quadros e cadernos de estudo de Montiel. Foi aí que o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre retomou a relação com a família e – até hoje – é responsável pelo resguardo deste acervo. Já são 5 ou 6 anos em que Iemanjá, Iansã, Oxum e demais personagens do panteão descansam nas paredes e armários do hall e da sede do Coletivo Catarse, na Comuna do Arvoredo. Raíssa veio, então, rememorar e reforçar vínculos. É uma história que não acabou e que terá novos capítulos e registros – como é este de um belo sorriso da menina do Jardim. *Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – hoje incorporado no Coletivo Catarse – é projeto implementado em 3 conveniamentos públicos, um com o Grupo Hospitalar Conceição e dois com a SEDAC-RS**”Famílias do Jardim” integrou o Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura do MinC/FUNARTE***tudo isso somente foi – e segue sendo – possível por causa da Política Nacional Cultura Viva

A Garajona pronta para encarar 2026!

Ao longo do ano de 2025 o Coletivo Catarse – @coletivocatarse – vem desenvolvendo o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Até então, foram 3 talk shows – Talk Exu, 2 oficinas de teatro – para crianças e adultos, 1 oficina de Hip Hop, mais de 40 atrações culturais na Maria Maria Espaço Cultural – @mariamariaespacocultural – parceira do Coletivo, todas as atividades abertas e gratuitas. Nesta virada de ano, a Maria Maria, situada na chamada garajona da Comuna do Arvoredo – @comuna_do_arvoredo (complexo residencial e cultural no Centro Histórico de Porto Alegre) abre suas portas para 2026, celebrando melhorias na estrutura física e técnica do espaço. As paredes foram revitalizadas, a acessibilidade melhorada e equipamentos de sonorização pensados e instalados especialmente para o espaço que recebe cerca de 2 atrações culturais por semana. Tudo isso visando o maior conforto do público e a melhor qualidade acústica possível, para que os artistas sejam valorizados e atendidos da melhor forma possível. Isso só se torna possível por conta de políticas públicas que enxergam artistas e produtores independentes, descentralizando recursos e buscando diversidades de fazeres. Ainda este ano, teremos ainda 2 edições do Talk Exu, uma oficina de produção audiovisual para crianças e uma Carijada, fabricação artesanal e ancestral de erva-mate que acontecerá na Floresta Nacional de Canela.Por isso, acompanhe o Coletivo Catarse no site e nas redes sociais para saber das programações e venha conhecer a Maria Maria Espaço Cultural, pois o movimento tá bonito!

Oficinas de Inclusão Digital com ênfase em Produção Audiovisual já tiveram 3 ciclos em Mostardas

Ao longo de 2025 – e ainda neste 2026 que se inicia -, o Ponto de Cultura STR Mostardas vem desenvolvendo o projeto Festejos e Encontros da Cultura da Tradição Popular das Comunidades Quilombolas da Península do Litoral Norte (Edital SEDAC nº25/2024 PNAB RS – Cultural Viva). São diversas oficinas oferecidas: de música (capacitação de linguagem artística), capoeira, brincadeiras populares, inclusão digital e ações de salvaguarda da cultura tradicional mostardense expressa pelos festejos de Pagamento de Promessas, Terno de Reis, além de outros conhecimentos tradicionais. O Coletivo Catarse, parceiro neste projeto, vem desde outubro ministrando oficinas de inclusão digital, com ênfase na produção audiovisual, nas escolas de ensino fundamental Marcílio Dias e Nossa Senhora Aparecida. Foram encontros de leitura audiovisual, reflexão sobre ferramentas digitais e seus usos além de exercícios práticos de produção que geraram por enquanto 3 curtas-metragens de ficção e 2 curtas-documentários. A região de Mostardas é geograficamente muito interessante, pois fica entre o Oceano Atlântico e a Lagoa dos Patos, e, apesar de ser muito desgastada pelo agronegócio, é riquíssima em recursos naturais com uma fauna abundante, parte preservada por conta do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, localizado há 20 km do centro de Mostardas. Além disso, é uma região muito antiga, e os resquícios do período da escravidão são notados a olhos vistos (pelo menos pelos olhos mais sensíveis), atribuindo-se uma atmosfera mística, por conter histórias de um passado ainda recente em suas ruas, construções e práticas culturais. São três as principais comunidades quilombolas no município: Comunidades Quilombolas dos Teixeiras, Beco dos Colodianos e Casca, sendo esta última a única titulada, embora as outras duas também já estejam organizadas a partir de associações e tenham este objetivo de formalização. O Terno de Reis, o Ensaio de Pagamento de Promessa, o arroz quilombola, o feijão sopinha, o cobertor mostardense, entre tantas outras referências, fazem da região de Mostardas – com São Simão, Solidão e Bacopari – e Tavares lugares de uma potência cultural incrível, mas, muitas vezes, ignorada por grande parte da própria população que ali vive. Nota-se muito rapidamente que os mais jovens já estão um tanto desconectados dessas raízes, demonstrando-se, às vezes, até mesmo uma autoestima fragilizada. Por isso a importância de projetos culturais como este promovido pelo Ponto de Cultura STR Mostardas, que coloca luz e fomenta essas manifestações para que não sejam esquecidas. É como pondera Luiza Lemos, funcionária da Casa da Cultura do município: “Conhecer a cultura, né? É como eu sempre digo, a cultura tá ficando pra trás. Um povo sem história é um povo sem cultura. E a história… não podemos deixar morrer. A história de onde veio? De onde veio o povo? De onde veio o negro? A gente tem que saber isso aí. Como é que o negro chegou até aqui. Ele veio como escravo, trabalhar para o seu senhor. Muitos não conseguiram, muitos morreram pelo caminho. Mas a gente tem que saber de onde veio. Mostardas, afroaçoriana. Não é a cor, quem manda é a pessoa, o caráter”. Até abril do ano que vem, o Coletivo Catarse voltará a Mostardas com o objetico de produzir outros audiovisuais através de oficinas, uma delas a ser desenvolvida em uma das comunidades totalmente focada no registro de memória e patrimônio das expressões culturais tradicionais locais. Enquanto isso, assista alguns filmes produzidos nas oficinas:

2025 foi ano de Talk Exu!

Este ano foi de consolidação de uma proposta de talk show do Coletivo Catarse. Ainda com bastante espaçamento entre os episódios, estudos estéticos e da técnica a ser utilizada – além de investimentos no espaço onde se grava e transmite ao vivo -, se possibilitou a produção de conteúdos interessantes com os envolvimentos de parceiros e o apoio organizacional de um projeto contemplado nos editais PNAB/SEDAC-RS, na linha Cultura Viva. Foram 3 edições que movimentaram a Comuna do Arvoredo, em dias de Maria Maria Espaço Cultural, sob realização do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, versando sobre cinema de ativismo e produções audiovisuais com diálogo entre as artes; sobre teatro, economia solidária e autonomia; e destacando a cultura do povo negro no Rio Grande do Sul. Todos entremeados com apresentações musicais diversas, que divertiram os presentes e o público online, e finalizando sempre com um filme produzido pelo próprio Coletivo Catarse. A seguir, assista à última edição e às outras duas de 2025: Talk Exu #04 – Cultura Negra em DestaqueTambor de Sopapo, poesias e carnaval. Com Lilian Rocha, Edu do Nascimento e Paulinho do Areal. Atração musical “Meu Black É Rock”, de Matheu Corrêa. Ao final, uma versão reduzida do documentário “O Grande Tambor”. Talk Exu #03 – nós na economia solidária e NÓS em cia de teatroEconomia solidária e autonomia, com Gil Neves e Lisbet dos Santos, e os 18 anos da NÓS CIA DE TEATRO, com Everson Silva e Letícia Virtuoso, intercalado por intervenções musicais do artista Luís Valério e exibição ao final do curta-metragem P A R A L E L O. Talk Exu #02 – os filmes que lançamos no outono passadoAs três últimas produções audiovisuais do Coletivo, todas lançadas na segunda quinzena de junho: os documentários “Nóg kirĩg ãg tĩ / Nós, Guardiões da Mata”, sobre a retomada Kaingang no Morro Santana, e “Cooperar é Resistir”, contando a história da PedalExpress, um coletivo de entregas que se utiliza de bicicletas em Porto Alegre; finalizando com o curta-metragem de ficção “Enquanto a Luz Não Chega”, com bate-papo sobre os desafios de uma produção que mescla o audiovisual e o teatro de sombras, com exibição completa do filme ao final – também como parte do circuito de lançamento do mesmo. As entrevistas sobre as produções foram intercaladas por intervenções musicais da banda “Expresso Livre”, com Jéssica Nucci no vocal, acompanhada dos violões de Vicente Guindani e Nil Tavares. O Talk Exu, uma iniciativa autônoma do Coletivo Catarse, é parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Planta Somos e A Escola Assombrosa das Artes do Medo encerram as oficinas de Teatro do Ventre Livre

O dia 16/12, no Teatro Carlos Carvalho, Casa de Cultura Mário Quintana marcou o encerramento das Oficinas de Teatro Infantil do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre com a apresentação do espetáculo: A Escola Assombrosa das Artes do Medo. A abertura da noite foi marcada pela performance “Plantas Somos”, construída a partir da Oficina de Jogos Teatrais para Adultos do Ponto. Foram 6 meses de encontros que culminaram neste encontro final, onde os oficinandos puderam compartilhar com as famílias suas expressões artísticas e histórias criadas ao longo de todos estes meses. “Durante o primeiro semestre de Oficina, criamos um vinculo entre a pequena turma e começamos a abordar, além de princípios e fundamentos do teatro, a desinibição, a expressão corporal e emocional, a projeção vocal e nossa conexão em cena. Abordando temas sensíveis e extremamente importantes como questões de gênero. A apresentação foi impactante e muito comovente.”, Rê Amorim, oficineiro da turma das adultas. “A oficina, mais do que um resultado final, este trabalho foi a celebração de um processo: semanas de jogos teatrais, criação coletiva, improvisações, experimentações com corpo, voz, objetos e sucatarias, onde cada criança foi protagonista da sua própria invenção cênica.O palco foi ocupado por imaginação, trabalho compartilhado e muitas risadas.”, Lorena Sánchez, oficineira da turma das crianças. Agradecimento especial à Comuna do Arvoredo, pelo espaço, parceria e acolhimento, à Casa de Cultura Mário Quintana, e a todas as famílias que confiaram e caminharam junto nesse processo. Ficha técnica: Artistas (adultas): Anahi Fros, Cristina Pinheiro, Gislaine Almeida, Joana Braun e Temis Nicolaidis. Artistas (crianças): Vicente Maranhão de Oliveira, Alice Tabarkiewicz Machioli, Nina Bueno Noguez, Karim Zortea portaluppi, Bento Finstag Rosa Oliveira, Caetano de Brito Louzada, Ana Líbera Scarrone Neves, Mainô Türck, Nauê Bassi da Silva Fabrício Fros Fortes e Lúcia Miele Professora da oficina, direção do espetáculo e sonoplastia: @loresanchez_apaProfessor da oficina e direção da performance: Rê AmorimAssistência de produção: @temis.nicolaidisFotografia: @billy.valdezTrilha sonora original: Marcelo CougoIluminação: @lua_pasquiEquipe de apoio:@alexxandre_malta , Rê Amorim e @gugaturcknacatarsedalua e @mainoturck Realização: NIA – Núcleo de Investigação Artística do Coletivo Catarse / Ponto de Cultura e Saúde Ventre LivreProdução: Coletivo Catarse 𝘈 𝘢𝘵𝘪𝘷𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘨𝘳𝘢 𝘰 𝘱𝘳𝘰𝘫𝘦𝘵𝘰 “𝘗𝘰𝘯𝘵𝘰 𝘥𝘦 𝘊𝘶𝘭𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘦 Saúde 𝘝𝘦𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘓𝘪𝘷𝘳𝘦 – 𝘜𝘮 𝘢𝘯𝘰 𝘥𝘦 Programação 𝘯𝘢 𝘊𝘰𝘮𝘶𝘯𝘢 𝘥𝘰 𝘈𝘳𝘷𝘰𝘳𝘦𝘥𝘰 (𝘦 𝘮𝘢𝘪𝘴)”, 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘦𝘮𝘱𝘭𝘢𝘥𝘰 𝘱𝘦𝘭𝘰 𝘌𝘥𝘪𝘵𝘢𝘭 𝘚𝘦𝘥𝘢𝘤 𝘯° 25/2024 Política 𝘕𝘢𝘤𝘪𝘰𝘯𝘢𝘭 𝘈𝘭𝘥𝘪𝘳 𝘉𝘭𝘢𝘯𝘤 (𝘗𝘕𝘈𝘉) – 𝘙𝘚

Talk Exu #4 coloca a cultura negra em destaque

Tambor de sopapo, poesias e Carnaval são foco do programa, que ocorre ao vivo no Centro Histórico de Porto Alegre O projeto Talk Exu, do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, chega ao seu quarto episódio com a pauta “Tambor de sopapo, poesias e Carnaval: a cultura negra em destaque”. O programa ocorre no dia 19 de dezembro, sexta-feira, a partir das 20h, na Maria Maria Espaço Cultural, junto à Comuna do Arvoredo, no Centro Histórico de Porto Alegre. O local será adaptado para servir de estúdio e receber convidados e público. O talk show é aberto e com acesso gratuito desde às 19h e será transmitido ao vivo pelo canal no YouTube do Coletivo Catarse. O Talk Exu, uma iniciativa autônoma do Coletivo Catarse, é parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. No âmbito da proposta, também estão previstas e já em execução pelo menos 40 atividades culturais diversas na Comuna do Arvoredo, em coprodução com a Maria Maria Espaço Cultural, até maio de 2026. Serão contemplados cerca de 100 artistas locais, além da realização de oficinas de teatro para crianças e adultas – com espetáculos ocorrendo no dia 16 de dezembro, no Teatro Carlos Carvalho, da Casa de Cultura Mario Quintana –, uma atividade de carijada – produção artesanal de erva-mate –, entre outras ações. Talk Exu #4 | Convidados Lilian RochaNatural de Porto Alegre, Lilian é analista clínica e musicista. Nasceu poeta e tem sete livros autorais, sendo o mais recente lançamento Úmida (2025). Integrante da Coordenação do Sarau Sopapo Poético – Ponto Negro da Poesia, vice-presidente da Academia de Letras do Brasil – Seccional RS (AJEB RS), vice-presidente Social da Associação Gaúcha de Escritores, vice-presidente da Sociedade Partenon Literário, Conselheira Fiscal da AJEB RS (2024/2026) e integrante de inúmeras agremiações literárias nacionais e internacionais. Foi patrona da Feira do Livro de Canoas/RS em 2021 e curadora da Feira do Livro de Porto Alegre (2024/2025). Paulinho do ArealNascido na Travessa dos Venezianos, Paulinho é referência Quilombola e pesquisador da cultura popular, estando envolvido com o Carnaval desde criança. Entrou oficialmente na bateria da Imperadores do Samba em 1986, saindo todos os anos nos desfiles carnavalescos da escola. Foi ensaiador da escola Integração Areal da Baronesa Filhos da Candinha e Acadêmicos da Orgia. Em 2003, fundou o projeto Areal do Futuro e o migrou para dentro do quilombo Areal da Baronesa como uma escola de samba e um projeto cultural formado por crianças, jovens e adultos da comunidade. Atualmente, integra a Comissão de Carnaval de Rua de POA e é mestre da bateria do Areal do Futuro. Edu do NascimentoProdutor cultural, músico, ator, escritor, tocador de Sopapo, fundador do Ponto de Cultura Cabobu e educador social. Tocou com diversos músicos brasileiros, destacando-se o Mestre Giba Giba. Fundou a Banda Lugarejo, que homenageia seu pai (Giba Giba) levando seu legado e historicidade. Fundou o grupo SOPAPARIA junto com o Mestre Paulo Romeu, do Afro Sul, e o bloco de rua Cuidado Que já nos Viram. Tocou no Serrote Preto, Banda Anos Blues, Gerônimo Jardim, Toneco da Costa, Fernando do Ó, Jorginho do Trompete, Marcos Farias e Bloco Areal do Futuro, entre outros. ATRAÇÃO MUSICAL | Meu Black É Rock, com Matheu CorrêaNascido em Porto Alegre e radicado em Viamão, Matheu Corrêa venceu o Prêmio Açorianos nas categorias Revelação e Instrumentista de 2020 com seu álbum de estreia, Meu Black É Rock (2019). Com referências dos afro-gaúchos Luis Vagner, Giba Giba, Matheu constrói sua sonoridade que funde rock, soul funk, blues e a africanidade do tambor. Assessoria de Imprensa Coletivo Catarse: Anahi Fros