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MAIS QUE UM JOGO – As torcidas e seu Algoz

O tema é política, não poderia ser diferente. No momento em que se decide os rumos do país, uma eleição que nos coloca em frente ao desafio de escolha entre um modelo já testado – e para muitos, superado – e outro que representa a barbárie e o fim da civilidade, não parece ser possível ficar em cima do muro. Por mais críticas que possamos fazer ao modelo democrático vigente, dessa vez a coisa parece ter assumido ares de uma tragédia mitológica.

Como os torcedores organizados em tradicionais TOs (torcidas organizadas) e as mais recentes Barras podem fazer a diferença nesse pleito e na política como um todo? Por ser esse um seguimento, o das TOs, constituído por uma parcela de jovens das periferias, ele acaba sendo sensível à abordagem do candidato fascista, que vitima a toda gente com sua tática de guerra híbrida, fakenews (notícias falsas) e truculência, bem ao gosto da CIA e do capital-imperialismo. Por sua vez, os componentes de Barras, que no Inter possuem um caráter mais amplo em relação às classes sociais e em outros clubes do país possuem um perfil composto por jovens de classe média, na sua maioria sócios dos Clubes, também caem na esparrela mitológica, pelas mesmas estratégias, apesar de ter a possibilidade de mais educação e informação.

O foco para atingir a ambos os públicos tem sido a disseminação de preconceitos rasos, trabalhando com sentimentos que foram amalgamados nas mentes dos brasileiros ao longo de muito tempo, como o racismo, o machismo e a lgbtfobia, buscando gerar divisão na classe trabalhadora, fazendo assim com que os trabalhadores e trabalhadoras não mais se reconheçam como iguais. Além disso, com efeito de frases feitas, constrói uma agenda anti-povo no campo econômico e social, atentando tanto contra direitos historicamente conquistados por toda a população quanto à própria soberania nacional. Desse modo, vemos muitos desses torcedores fazendo campanha para seu algoz, pois se trata disso mesmo, um perseguidor dos mais pobres, um opressor da rebeldia, um racista e um entreguista. Disso já sabemos. Claro que há exceções, como vimos no grande evento #elenão, que agregou, junto à Frente Inter Antifascista, muitos torcedores organizados.

Isso mostra a importância de nos organizarmos coletivamente para enfrentar as batalhas que estão por vir.

Buscar o diálogo constante é fundamental. Expor as ideias, incluindo o projeto do Major Olímpio, apoiador e braço direito de Bolsonaro, que prevê a extinção e a proibição de torcidas organizadas no Brasil é um passo para que nós, torcedores, percebamos o brete em que estamos nos metendo. Mostrar as questões econômicas e de segurança também é fundamental, haja visto o parco desempenho do deputado e atual candidato nessas áreas durante seus 7 (sete!) mandatos. Tudo isso é cansativo, mas necessário. O Futebol é um campo aberto para a politização e o debate entre as pessoas, é um espaço popular e coletivo, logo, político. Se nós que fazemos parte de uma Frente Antifascista não fizermos nossa parte, certamente esse vácuo será preenchido pelo outro lá.

O recado da Frente Inter antifascista já foi dado nas ruas e no Beira-Rio, mas é certo que teremos de fazer muito, muito mais. Quem é do Clube do Povo do Rio Grande do Sul tem a obrigação de seguir essa luta, até o fim!

Frente Inter Antifascista

O Repórter Popular, em parceria com o Movimento Grêmio Antifascista e a Frente Inter Antifascista, lança esta coluna para falarmos de futebol e política, desde uma perspectiva mais progressista/à esquerda. Toda semana, um texto assinado pelas próprios coletivos, alternando uma semana entre colorados e gremistas. Texto publicado originalmente AQUI.

Mulheres Mirabal resistem

Na madrugada de sexta-feira, 7 de setembro, o Movimento de Mulheres Olga Benário realizou uma ocupação na cidade de Porto Alegre. A ocupação se deu como forma de exigir que o município de Porto Alegre cumpra o acordo a respeito do imóvel destinado pelo GT (Estado, Município, PGM, PGE, FASC, BM, DPE, MP e a Ocupação) para serviço que a casa presta às mulheres. “Viemos tomar posse do imóvel repassado do estado para o município para esta finalidade, garantido por estes mais de seis meses pelo GT, com a perspectiva de garantir um espaço de política publica para mulheres. Viemos para barrar a manobra da prefeitura em impedir que o movimento siga suprindo a lacuna deixada pelo poder publico. Queremos um lugar para esta finalidade de forma definitiva. A nova casa fica na rua Souza Reis, 132, bairro São João. Na antiga Escola Benjamin Constant de Porto Alegre”.

MAIS QUE UM JOGO – Respeito aos adversários no futebol para combater o fascismo

O Repórter Popular, em parceria com o Movimento Grêmio Antifascista e a Frente Inter Antifascista, lança esta coluna para falarmos de futebol e política, desde uma perspectiva mais progressista/à esquerda. Toda semana, um texto assinado pelas próprios coletivos, alternando uma semana entre colorados e gremistas. Que a bola comece a rolar!

Respeito aos adversários no futebol para combater o fascismo

Recentemente, o DCE da UFRGS promoveu um encontro entre Grêmio Antifascista, Tribuna 77, Inter Antifascista e O Povo do Clube. O tema da conversa e troca de experiência foi a mercantilização do futebol e como resistir, em meio à dominante lógica do capitalismo sob o neoliberalismo que propõe gerir todos âmbitos da vida, da família ao estado, perante a perspectiva empresarial do superávit e extração de valor de todas relações.

Há um âmbito ético-simbólico neste encontro que ressaltaremos neste nosso debut na coluna: o rival enquanto adversário e não inimigo. Encontrarmo-nos novamente com coletivos do Internacional é uma afirmação ética de todas as partes nas quais não renunciamos nossa rivalidade, mas sim nos recusamos a odiar um ao outro.

Reunião entre torcidas da dupla GRENAL no DCE da UFRGS

Em tempos de conservadorismo crescente e grande projeção de determinado candidato neofascista à presidência da República, conviver e tratar o outro com respeito em sua diferença é um ato político e neste sentido afirmamos nossa percepção do que é fascismo.

Para além do fascismo institucionalizado por estados autoritários, acreditamos que há dispositivos fascistas no plano micro, ou seja, fascismos que dizem respeito à formação de valores e perspectivas subjetivas em cada sujeito (algo que o filósofo Gilles Deleuze e o psicanalista/esquizoanalista Félix Guattari denominaram microfascismo). Os microfascismos são processos que tornam a diferença algo a ser negada: no plano do futebol, o rival deixa de ser visto como adversário – estímulo para o crescimento de si – para tornar-se inimigo a ser eliminado.

Microfascismos operam na criação de relações binárias do tipo nós x eles, onde cada grupo possui características essenciais e universais, por exemplo: “todos os gremistas são racistas” e “todos colorados são homofóbicos”. Estes exemplos não buscam negar que essas práticas tristemente aconteçam entre torcedores de ambos os clubes, o que negamos é que seja característica universal e comum a todos gremistas e colorados serem respectivamente racistas e homofóbicos.

Afirmamos que o antifascismo é uma pauta acima de clubismos, e encontrarmos os rivais para trocar experiências e construir ideias e perspectivas já é em si um modo de combater o fascismo em sua modulação clubista. Por isso, saudamos todas e todos que compreendem que o inimigo não está só nas estruturas do estado e seus autoritarismos, mas também dentro de nós.

Antifascistas do mundo, uni-vos!

Movimento Grêmio Antifascista

*originalmente publicado no site Repórter Popular, link

Carta assinada por personalidades de Porto Alegre pede negociação entre Marchezan e municipários

Em apoio aos municipários e à busca pelo diálogo com o prefeito Nelson Marchezan para o estabelecimento de mesa de negociação para a data-base da categoria, ex-prefeitos, ex-governadores, artistas, intelectuais, representantes dos movimentos sociais e educadores assinaram carta intitulada “Porto Alegre pelo diálogo”.

Entre os que assinam a carta estão Olívio Dutra, Tarso Genro, João Dib, Raul Pont e José Fortunati, o chargista Carlos Latuff, o músico Nei Lisboa, a professora Jaqueline Moll e a ex-secretária de Educação, Cleci Jurach.

A carta diz que “A negociação é um dos princípios fundamentais da democracia. Buscar o diálogo sobre os problemas que devem ser enfrentados é imprescindível para a construção de uma sociedade ampla e igualitária, além de uma importante demonstração de boa vontade. Para que Porto Alegre volte a crescer, e reconheça-se em seu nome, é preciso soluções construtivas que incluam as diversas expressões. Tais soluções não se constroem de maneira simples, reducionista e desqualificando a trajetória do município”.

Também coloca que “Nós, que subscrevemos essa “Carta de Porto Alegre pelo Diálogo”, entendemos que a categoria municipária quer dialogar, e solicitamos essa disposição de ambas as partes, pelo bem maior da cidade e para fazer o que precisa ser feito. E isso, precisamos fazer juntos”.

– íntegra da carta no anexo ou no endereço https://bit.ly/2OWyLV2