Arquivo da tag: Questão Quilombola

Oficina no Quilombo dos Alpes: árvore genealógica

No ano de 2018, o Coletivo Catarse foi convidado para filmar uma série de oficinas realizada no Quilombo dos Alpes. As atividades foram desenvolvidas pelo  Núcleo de Estudos Geografia e Ambiente da UFRGS (NEGA/UFRGS) em parceria com a Associação Quilombo dos Alpes D. Edwirges para atender as crianças e jovens da comunidade.

Registramos quatro oficinas: árvore genealógica, horta, mankala e territórios negros. Os vídeos resultantes deste acompanhamentos serão divulgados semanalmente nos canais do Coletivo Catarse e na página do Quilombo dos Alpes no Facebook.

Na oficina Árvore genealógica, quarto vídeo da série,  é feito um resgate da ancestralidade da comunidade.  O ponto de partida é a lembrança de vó Edwirges, uma escrava fugida que se instalou no morro dos alpes com sua família, dando origem ao quilombo.

Durante a atividade, os jovens fizeram autorretratos. Depois- com ajuda dos extensionistas do curso de graduação e pós-graduação da UFRGS- montaram uma árvore mostrando qual a relação de parentesco de cada família com a matriarca Edwirges.

Além de fazer um resgate histórico da trajetória da comunidade, a atividade também incentivou a juventude a pensar sobre as origens e relações de parentesco presentes no quilombo. Durante o registro audiovisual, alguns jovens mostraram interesse em filmar, tirar fotos e até mesmo se colocaram a disposição para conduzir entrevistas.

A partir da boa recepção por parte da comunidade e do interesse nas atividades e na produção audiovisual, percebemos um potencial para novas ações conjuntas. De nossa parte, agradecemos ao Quilombo dos Alpes e ao NEGA. Seguimos juntos nesta luta, fortalecendo as comunidades tradicionais e compartilhando conhecimentos.

Oficina no Quilombo dos Alpes: Territórios Negros

No ano de 2018, o Coletivo Catarse foi convidado para filmar uma série de oficinas realizada no Quilombo dos Alpes. As atividades foram desenvolvidas pelo  Núcleo de Estudos Geografia e Ambiente da UFRGS (NEGA/UFRGS) em parceria com a Associação Quilombo dos Alpes D. Edwirges para atender as crianças e jovens da comunidade.

Registramos quatro oficinas: árvore genealógica, horta, mankala e territórios negros. Os vídeos resultantes deste acompanhamentos serão divulgados semanalmente nos canais do Coletivo Catarse e na página do Quilombo dos Alpes no Facebook.

No terceiro vídeo, a educadora social Clarice Moraes guiou os jovens da comunidade no percurso territórios negros. A atividade resgatou as trajetórias histórico geográficas da população negra de Porto Alegre.

A partir da perspectiva afro centrada, pontos turísticos da região central foram sendo escurecidos. A Praça do Tambor, O Mercado Público, a Igreja Nossa Senhora das Dores e o Parque da Redenção são alguns exemplos de locais em que se resgatou a presença e o protagonismo negro, invisibilizados pela história oficial.

Quilombo dos Machado batalha pelo seu território na justiça

Na tarde desta quarta feira (28 de agosto de 2019), moradores do Quilombo dos Machado participaram de um julgamento no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, TRF4. Os três relatores do processo julgaram o agravo da reintegração de posse movida contra a comunidade pela Real Empreendimentos.

A relatora  votou contra a reintegração de posse. O presidente da sessão pediu vistas para analisar o processo com mais calma, adiando a decisão para nova data a ser definida. Comparando com uma partida de futebol, Onir Araújo- advogado do quilombo- explicou que com este voto a comunidade está vencendo por um a zero. Porém Onir destacou que ainda existem riscos, já que faltam dois votos para a decisão final.

Em entrevista, Jamaica- liderança da comunidade- contou um pouco sobre esta batalha na justiça pela permanência no território.

Durante a tarde, quilombolas e apoiadores fizeram uma vigília em frente ao tribunal. As manifestações de cultura popular presentes na comunidade-capoeira, samba e afoxé- se fizeram ecoar e fortaleceram a batalha. Mestre Ratinho, do grupo Accara Capoeira de Angola comandou as rodas, danças e cantos.

Fortalecidos pela sua cultura, os quilombolas incentivaram os presentes a seguirem mobilizados na luta contra a opressão, na defesa dos territórios e comunidades tradicionais. Além disso, também convidaram a todos e todas para uma roda de conversa sobre territorialidade negra e quilombola com o Professor e Geógrafo Rafael Sanzio de Araújo, na quinta feira ás 19h (29/08) no ponto de cultura Bar da Carla; e para o Ativo da Assembléia dos Povos, no Quilombo dos Machado a partir das 9h da manhã de sábado (31/08).

Oficina no Quilombo dos Alpes: mankala

No ano de 2018, o Coletivo Catarse foi convidado para filmar uma série de oficinas realizada no Quilombo dos Alpes. As atividades foram desenvolvidas pelo  Núcleo de Estudos Geografia e Ambiente da UFRGS (NEGA/UFRGS) em parceria com a Associação Quilombo dos Alpes D. Edwirges para atender as crianças e jovens da comunidade.

Registramos quatro oficinas: árvore genealógica, horta, mankala e territórios negros. Os vídeos resultantes deste acompanhamentos serão divulgados semanalmente nos canais do Coletivo Catarse e na página do Quilombo dos Alpes no Facebook.

O segundo vídeo, mankala mostra um dos jogos mais antigos da humanidade sendo repassado aos moradores do quilombo. Ernani Freitas, do  Núcleo de Estudos Geografia e Ambiente da UFRGS (NEGA/UFRGS), conduziu a oficina.

Por meio do jogo da mankala,  os jovens foram incentivados a exercitar o raciocínio lógico de maneira lúdica. Depois de algumas rodadas, foram convidados a refletir sobre como os valores afro civilizatórios se apresentavam na atividade.

Os jovens encontraram todos os valores e também se envolveram com o jogo. Observando diversas partidas, notamos que o placar nunca variavam muito: empates ou vitórias por um ou dois pontos eram comuns, enquanto vitórias por mais de quatro pontos eram raras. Mais do que um jogo competitivo, percebemos a mankala como um jogo colaborativo.

Quando se começava com tipos diferentes de sementes, como feijão e milho, era comum que os dois jogadores terminassem a partida com as sementes misturadas. Ficamos imaginando se, nos primórdios da humanidade, o jogo também não era uma maneira de diferentes pessoas e grupos trocarem sementes.

Nesta oficina, diversos conhecimentos foram exercitados. Não arrisco dizer o que vai ou não florescer, mas o certo é que as sementes foram plantadas.

Oficina no Quilombo dos Alpes: horta

No ano de 2018, o Coletivo Catarse foi convidado para filmar uma série de oficinas realizada no Quilombo dos Alpes. As atividades foram desenvolvidas pelo  Núcleo de Estudos Geografia e Ambiente da UFRGS (NEGA/UFRGS) em parceria com a Associação Quilombo dos Alpes D. Edwirges para atender as crianças e jovens da comunidade.

Registramos quatro oficinas: árvore genealógica, horta, mankala e territórios negros. Os vídeos resultantes deste acompanhamentos serão divulgados semanalmente nos canais do Coletivo Catarse e na página do Quilombo dos Alpes no Facebook.

O primeiro vídeo, oficina de horta, teve a participação da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (SMAM) sob a orientação do geógrafo Carlos Henrique de Oliveira Aigner. O objetivo da oficina registrada foi contribuir para uma alimentação saudável na comunidade e resgatar os conhecimentos dos mais velhos sobre agricultura.

Sobre a Comunidade

O Quilombo dos Alpes é o maior quilombo urbano de Porto Alegre, com cerca de 58 hectares. Fica no morro da Glória, entre os bairros Cascata e Teresópolis.  Lá vivem cerca de oitenta famílias descendentes da vó Edwirges, uma escrava fugida que encontrou no morro dos Alpes um local seguro para viver e criar sua família.

Apesar de ter mais de um século, a comunidade só começou a se reconhecer como remanescente de Quilombo há 14 anos. Rosângela de Oliveira, conhecida como Janja, e sua filha Karina são lideranças centrais neste processo de busca por direitos e defesa do território.

Lá em cima, a impressão e de não estar em uma metrópole. A maioria das casas não tem grades ou cercas, as crianças sobem em árvores, as pessoas caminham pelos morros pelados ou pelos trechos de mata— nos quais vivem diversos animais, como preás e macacos pregos—, ouve-se pouco barulho de carros e é possível enxergar um vasto horizonte.

Com esta oficina, as diferentes organizações tiveram uma chance de aprender com a comunidade e contribuir para a preservação dos ambientes naturais do morro dos Alpes. É importante notar que este serviço ambiental já é realizado pelos moradores do local a pelo menos cem anos. Porém, o auxílio de entidades governamentais e a disponibilização de recursos e ferramentas de trabalho amplifica as ações dos quilombolas.