No sábado 12 de julho, o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre recebeu na garajona da Comuna do Arvoredo a vivência de Samba de Roda SAMBAÊA, com Treinela Jane Oliveira e Treinel Maskote, respectivamente das escolas Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro (ACANNE) e Africanamente Escola de Capoeira Angola.
A vivência foi aberta e gratuita, recebendo 20 pessoas. Maskote e Jane explicaram que o Samba de Roda é uma manifestação cultural do Recôncavo Baiano, que tem uma forte ligação com a Capoeira e com o Samba de Caboclo feito nos Candomblés da Bahia.
Apesar de partilhar esta raiz Bantu – grande grupo linguístico e cultural que reúne mais de 400 povos africanos nas regiões de Congo, Angola, Gabão, Zâmbia, Namíbia, Zimbábue – o samba de roda é diferente dos outros sambas de maior presença no Rio Grande do Sul. O ritmo afrobaiano usa principalmente instumentos de percussão, como atabaques e pandeiros. As palmas e as canções de pergunta e resposta completam a manifestação cultural, que também costuma ser dançado por duas pessoas no centro da roda, balançando os quadris e sem tirar os pés do chão – parecido com a forma de “amassar o barro” no feitio de casas de pau a pique – diferente do Samba Carioca, por exemplo.
Jane contou que uma das primeiras referências que teve nesta cultura foi sua avó, que fazia parte do Candomblé. Falou também de importância de Mestre Renê Bittencourt da ACANNE. Maskote por sua vez lembrou do Mestre Renato Beabá, da Malta dos Guris e Gurias de Rua, como uma importância referência do samba de roda em Porto Alegre, que inclusive fazia sambas de roda e rodas de capoeira na Comuna do Arvoredo no final dos anos dois mil.



Por ser uma manifestação nova para alguns, o foco da vivência foi apresentar os fundamentos básicos, a começar pelas palmas. Maskote reforçou sua importância no samba de roda, explicando que, quando batidas fora do tempo, podem atrapalhar os demais instrumentos. Na sequência, Jane compartilhou dinâmicas para soltar os corpos e dar os primeiros passos do samba. Em roda, os oficineiros explicaram alguns fundamentos de entrada e saída, reforçando sempre a reverência aos atabaques e a relação entre os seus toques o que é dançado.
Por fim, encerraram com o ritual do samba de roda. Os atabaques e pandeiros ecoaram na garajona da Comuna do Arvoredo e colocaram os corpos em movimento. As palmas marcaram o compasso e as cantigas repetiram aquilo que antes fora cantado pelos mais velhos e os ancestrais. O frio e umidade deram lugar momentaneamente ao calor humano e alegria típicos da cultura popular afro nordestina, deixando no final aquele gostinho de quero mais.


Felizmente, para quem participou ou ficou com vontade de chegar nas próximas, haverá muito mais, já que o projeto “SAMBAÊA – Fortalecendo a cultura afro baiana em POA” foi contemplado no Edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento a Cultura PNAB POA e estará desenvolvendo diversas atividades ao longo do ano. Para saber das próximas vivências e encontros de samba de roda, acompanhe as páginas do Africanamente Treinel Maskote e Treinela Jane e da Treinela Jane e Treinel Maskote.


