Numa dessas andanças pela cidade de Porto Alegre, encontramos o Seu Ramão. Amante de uma boa prosa e dos bichos, ele nos contou de seu refúgio na natureza, onde cuida de um cavalo, algumas galinhas e pavões, um pequeno sítio em Glorinha.

Se interessou pela história do Coletivo Catarse com a Palmeira Juçara (Euterpe edulis) e levou para o sítio dois pés dessa espécie fundamental para o ecossistema da Mata Atlântica.

Vale dizer que o Coletivo Catarse acompanha há quase 15 anos a luta contra a extinção desta planta nativa tão apreciada por pessoas e animais da floresta. Nesse intervalo de tempo, já foram produzidos mais de 50 vídeos sobre a juçara, desde reportagens curtas até o documentário seriado “O ser Juçara”. Integrantes do Coletivo já atravessaram grande parte do território da Mata Atlântica, do Rio Grande do Sul até Rio de Janeiro e Minas Gerais, conhecendo e registrando as histórias dos povos que se relacionam com a palmeira.

Mais do que apenas comunicar, nos tornamos um elo nesta rede, espalhando também sementes e mudas da juçara. Tudo começou quando, acompanhando a produção de polpa dos frutos da juçara no Litoral Norte gaúcho, recebemos dos produtores alguns sacos com sementes recém despolpadas. Ao longo de um dos planejamentos estratégicos do Coletivo, há oito anos, no sítio da família de uma das colegas, as mudas foram semeadas em meio a uma nesga de mata nativa remanescente em meio a lavouras de monocultivo. Na primavera de 2023, então, voltamos ao local e percebemos que as plantas haviam atingido um estágio de crescimento avançado e se encontravam muito próximas, necessitando de mais espaço para crescer de maneira saudável. Começou, então, um trabalho em várias etapas, retirando-se o excesso de mudas e distribuindo-as entre os parceiros – e verificando que aquelas mudas que foram deixadas na mata agora com espaço passaram a se desenvolver melhor em relação às que estavam no juçaral adensado.

Ao longo dos dois últimos anos, foram entregues mudas para a FAUPOA, Retomada Gah Ré, Ponto de Cultura Vale do Arvoredo e tantos outros que fica até dificil recordar de todos. Sem falar no Seu Ramão, que, além de nos cativar com sua prosa boa, também nos inspirou a atualizar este histórico. A gente espera, em breve, ver os bichos e as plantas bem criados, Seu Ramão! Obrigado pela camaradagem!

*Nas fotos, Ramão em frente à @comunadoarvoredo e seus pavões, em Glorinha. Também nossas mudas plantadas no Centro Histórico, na Zona Norte e Morro Santana, além do nosso viveiro de juçaras, nos fundos da sede.

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