O grupo de teatro Trupi di Trapu está em cartaz com o espetáculo Trapos e Farrapos – Negrinho dentro das celebrações de seus 17 anos de trajetória. A peça infantojuvenil conta a lenda de Negrinho do Pastoreiro, bastante popular no folclore da Região Sul do Brasil – um conto clássico da oralidade cuja origem se dá no século XIX e é associada ao fim do período de escravidão no país. Esta é uma história sobre um menino escravizado que, após ser duramente castigado por seu patrão, recebe um milagre e passa a ser um protetor de objetos perdidos. Uma obra construída e contada de forma lúdica, em alguns momentos divertida, mesclando elementos e técnicas de teatro de sombras, bonecos, danças e cantos, com muito dinamismo, cores e figurinos bem trabalhados e detalhados.
Ao mesmo tempo em que conta sobre a escravidão e a crueldade dos senhores de engenho, o espetáculo traz falas contemporâneas, trazendo reflexões sobre o racismo, a exploração do trabalho e abusos de poder por quem o detém – assuntos infelizmente muito presentes na sociedade atual.
Outro ponto que chama atenção é que o espetáculo traz elementos da cultura afro para um papel de destaque, de grande presença na história, com o Negrinho seguidamente interagindo com Mãe Oxum – e ela atendendo a seus chamados, ou seja, uma quebra com a visão comumente explorada de pedidos de auxílio à Virgem Maria, por exemplo, claramente descolando-se, portanto, o enredo que envolve o menino da religião católica.
Trapos e Farrapos – Negrinho prende a atenção de crianças e adultos, uma imersão cultural rica e divertida que segue em cartaz nos dias 9 e 10, 16 e 17 de agosto, aos sábados e domingos, na Sala Álvaro Moreyra, em Porto Alegre. Após, a peça segue para o Teatro Carlos Carvalho, na Casa de Cultura Mario Quintana, com apresentações marcadas para os dias 22, 23 e 24 de agosto.
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Te programa e vai prestigiar! A Trupi di Trapu e a cultura popular agradecem.
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A cobertura deste evento integra o histórico apoio do Coletivo Catarse / Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre a este tipo de iniciativa cultural. Grande parte dos ensaios da peça ocorreram na Comuna do Arvoredo, na sede do Ponto.
Texto e fotos: Billy Valdez
Edição: Anahi Fros

















FICHA TÉCNICA:
Autor: Anderson Gonçalves
Encenação: Ajeff Ghenes, Alessandra Souza e Yannikson
Direção Artística: Anderson Gonçalves
Direção de sombras e figuras: Têmis Nicolaidis
Direção musical e trilha sonora: Alan Barcelos
Música “Viajante dos Pampas”: letra de Lorena Sanchez
Voz em “Pastoreio de Oxum”: Marietti Fialho
Bonecos, cenário e adereços: Anderson Gonçalves, Mari Falcão e Ajeff Ghenes
Máscaras: Atelier Lu Antunes
Figurinos: Mari Falcão e Ajeff Ghenes
Iluminação: Vigo Cigolini
Produção: Trupi di Trapu – Teatro de Bonecos

