O vermelho e o negro pintaram a Maria Maria Espaço Cultural, junto à Comuna do Arvoredo, no Centro Histórico de Porto Alegre, no sábado, 23 de novembro. O espaço, que tem as lutas feministas e antirracistas como pilares, acolheu a celebração memorável das três décadas da Federação Anarquista Gaúcha (FAG).
Ao entardecer, a militância libertária se reuniu nas calçadas em frente à Maria Maria, com banquinha de livros e camisetas, faixas, bandeiras e cartazes que estampavam o lema: “30 ANOS SEMEANDO SOCIALISMO LIBERTÁRIO”.


Um jogral construído a muitas vozes marcou o início da atividade, ecoando pelas calçadas e atraindo o olhar dos passantes. Dentro da garajona, como também é chamado o espaço, seguiu o ato político com falas de Lorena e Carmen. As manifestações das companheiras da FAG navegaram pela história da organização, relembrando marcos e conquistas das últimas três décadas:
“Nossa memória é instrumento de luta. Quando olhamos para trás, para a história do que nos moldou, vemos a face calejada de lutadores e lutadoras do povo oprimido. (…) Somos frutos desses fragmentos de memória, das resistências populares na América Latina e no Brasil, das greves gerais, das insurreições populares, das lutas dos povos originários, camponeses, quilombolas, das favelas e periferias, dos lombos que não se curvaram à dominação.”
Federação Anarquista Gaúcha

Palmas, vivas e o lema “Lutar, criar poder popular!” encerraram o discurso carregado de convicção. Em seguida, a palavra foi passada para os anfitriões da casa: Nat, representando a Comuna do Arvoredo, Márcia, do Maria Maria Espaço Cultural, e Ruwer, pelo Coletivo Catarse. Pepe, militante da Federação Anarquista Uruguaia, encerrou o momento das falas trazendo saudações libertárias diretamente de Montevidéu.
Abriu-se a programação cultural, com os artistas Drosa, Persona e Insano, do grupo de rap e poesia Noiarte da Região Metropolitana de Porto Alegre, seguido pela cantora Nanci Araújo, do Utopia e Luta. A dupla “Duas Guitarras”, formada por Julio Cruz, do Morro Santana, e o chileno Elias, trouxe um vasto repertório cancionerio latinoamericano. Em seguida foi a vez do pelotense Pedro Kowa apresentar canções autorais.
Na sequência, o palco foi aberto e apareceram algumas surpresas: Marcelo, vocalista da La Digna Rabia, e Lalo, músico uruguaio, morador da Comuna, apresentaram alguns clássicos da banda, que se apresentou pela primeira vez numa festa de 15 anos da FAG. E, para fechar a noite, algumas compas anarquistas ocuparam os microfones e apresentaram um canto feminista.

A SABER
Fundada em 18 de novembro de 1995, a FAG celebra uma trajetória dedicada à construção do anarquismo especifista, vertente do socialismo libertário e germinada no sul global. Sob forte influência da Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e alimentada pelas lutas populares da América Latina, no Brasil, a ideologia é levada adiante pela Coordenação Anarquista Brasileira (CAB).
A celebração dos 30 anos da FAG é um lembrete de que a revolução também é feita de afeto, como diria Emma Goldman “se eu não puder dançar, não é minha revolução”.





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As atividades desenvolvidas no Maria Maria Espaço Cultural fazem parte da programação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)” contemplado no Edital Sedac nº 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.

