Carijada Kaatártica histórica ocorre no final de fevereiro na Floresta Nacional de Canela

A Floresta Nacional de Canela (FLONA) recebe nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1° de março a II Carijada Kaatártica. O método artesanal de processamento da erva-mate é uma realização do Coletivo Catarse com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e das retomadas kaingang Gah Ré, de Porto Alegre, e Kógünh Mág, de Canela. O evento representa um resgate de uma cultura original de produção em contraste com a industrialização da planta, que é base de bebidas tradicionais como o chimarrão, o tererê e o chá mate.

A FLONA é uma Unidade de Conservação (UC) pública voltada à preservação da natureza por meio do uso sustentável da floresta, através da pesquisa e da educação ambiental, estando dedicada à proteção da Mata Atlântica, com mais de 500 hectares de área. Diferente dos parques, tem como foco estudar e aplicar formas responsáveis de se cuidar da natureza, mantendo os ecossistemas e recursos naturais resguardados.

A unidade permitiu a realização do evento justamente pelo caráter sustentável do manejo, pois a poda das árvores de erva-mate não prejudica as plantas, ao contrário, auxilia no seu desenvolvimento. Ao longo da carijada, serão manejados diversos pés que se encontram dentro da área de mata nativa da UC.  

A II Carijada Kaatártica ocorrerá no estilo vivência, detalhando cada etapa do processo, com duração de três dias (veja programação abaixo), culminando na manhã do domingo com a moagem e degustação de um mate puro, nativo, forte e originário.

Esta é a 12ª segunda carijada que o Coletivo Catarse promove ou co-organiza, tendo também os cooperados do coletivo já participado de mais de 30 encontros do gênero. Com mais de uma década de trabalho no registro, divulgação e manutenção desta cultura, a cooperativa tem diversos materiais informativos sobre o tema. Vale destacar o Projeto Carijo: Herança do Conhecimento Ancestral na Fabricação Artesanal da Erva-Mate, realizado com o IPHAN em parceria com o biólogo Moisés da Luz. Por meio deste projeto, foram produzidos o documentário Carijo, o filme,  o livro Carijo, saber cultural do Rio Grande do Sul, símbolo de resistência e conhecimento indígena e camponês na fabricação artesanal de erva mate e a cartilha contendo o passo a passo para a produção artesanal no Carijo. Essa foi uma iniciativa que tornou possível a sistematização e registro daquilo que é um patrimônio imaterial da cultura brasileira e que corria risco de extinção.

Carijada: patrimônio cultural vivo

Carijada é um método tradicional indígena e importante patrimônio cultural vivo de secagem e processamento de erva-mate (Ilex paraguariensis) feito com o calor de um braseiro. A erva podada é colocada em uma estrutura chamada carijo, um estrado de taquara ou madeira, e recebe o calor de um fogo de chão, processo que dura um mínimo de 12 horas.

Serviço

O quê: II Carijada Kaatártica
Quando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira a domingo
Onde: Floresta Nacional de Canela (FLONA), R. Otaviano Amaral Píres, N° 518, Canela/RS.
Dúvidas por whats: (51) 99298.7293 (Têmis)

Inscrições: neste formulário.

O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar.

Programação:

27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco  
13h – Receptivo
14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados
17h – Montagem do cancheador

28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda 
9h – Manejo dos ervais nativos da Flona
13h – Sapeco 
17h – Encarijamento e ronda

01/03 – Domingo – Moagem e distribuição 
9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque
14h – Partilha da erva e despedida

A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre.

Texto: Bruno Pedrotti
Edição: Anahi Fros

2 Comentários

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