No sábado 25 de julho, a comunidade kaingang da Retomada Gãh Ré, Zona Leste de Porto Alegre, articulou mais um pequeno encontro de reflorestamento do território. Um grupo diverso que contou com crianças de dois e treze anos até a sexagenária mestra Gãh Té subiu na trilha pela mata realizando plantios até chegar na área de manejo perto do topo do Morro Santana.
Ao longo da trilha, plantaram duas araucárias e, ao chegar no local em que a mata se torna campo, plantaram alguns butiazeiros. A equipe também limpou as mudas plantadas no ano passado e seguiu o controle da invasão de Pinus Ellioti, arrancando manualmente as mudas do pinheiro invasor que já começavam a surgir.
Ao longo da área em que foram manejados os pinus no ano passado, foi possível perceber uma forte reação da vegetação nativa, tanto florestal, no caso dos Maricás – árvores que dobraram de tamanho em um ano com a entrada maior de luz no que antes era um bosque sombreado pelos pinus -, quanto de ervas, gramíneas e outras plantas de pequeno porte. Junto aos plantios de árvores, a cacica Gãh Té semeou também feijões em alguns locais, realizando testes para uma possível roça na primavera. Avaliando o solo, encontrou ainda um local para um plantio de milho e, com a fome do almoço se aproximando, colheu algumas folhas de almeirão roxo – PANC nativa das américas com diversos benefícios nutricionais e medicinais.







Depois de um almoço comunitário, dividiram-se as equipes. Os kaingangs acolheram os visitantes que chegavam para a oficina de artesanato. O encontro de compartilhamento de saberes tradicionais foi uma das atividades realizadas dentro do edital de Agentes Cultura Viva da Ancestralidade em Porto Alegre do Pontão de Cultura AxéMirê – no qual Gãh Té é mestra indicada pelo Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre/Coletivo Catarse.
Enquanto isso, os fóg apoiadores seguiram para o erval da aldeia. Na tarde ensolarada, capinaram a capoeira e abriram entradas de luz para seis pés de erva-mate e uma araúcária plantada no ano passado, replantando 4 novas mudas de mate e mantendo também no sistema um maricá e uma amoreira. Nas entrelinhas do erval foi semeado um mix de sementes para cobertura de solos no inverno.


Este pequeno encontro de trabalho fez parte do Projeto Reflorestamento, Resiliência e Continuidade, aprovado na Chamada Reconstruir RS 2025 do Fundo Casa Socioambiental, o projeto é uma continuação do realizado no ano anterior. O “mutirinho” de plantio não foi a primeira ação, já que este projeto tem como um dos objetivos a manutenção dos espaços da comunidade, já vinham sendo realizadas também ao longo do ano ações de manejo do chiqueiro, a reforma das casas e toda a rede hidraúlica nas moradias mais novas.
Este encontro, de outra forma, marcou o início das atividades abertas do projeto. Felizmente, não é o último – em breve devem ser convocadas novas ações. Para participar, acompanhe as redes da Retomada Gãh Ré e do Coletivo Catarse.

Apoio:

Projeto contemplado na chamada Reconstruir RS 2025, tendo o Coletivo Catarse como organização parceira.
Texto: Bruno Pedrotti
Fotos: Giulia Sichelero

