Primeiras obras retratando ações continuadas no Ventre Livre/Maria Maria são entregues

Nesta segunda-feira, 26 de novembro, o artista plástico Juarez Negrão fez chegar suas primeiras produções retratando as ações que estão sendo realizadas no Maria Maria Espaço Cultural, em coprodução com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, com apoio do Programa Retomada Cultural RS – Bolsa Funarte de Apoio a Ações Artísticas Continuadas 2024. São duas peças em cerâmica, expressando a leitura do artista dos signos e significados presentes na programação cultural que está em permanente atividade todas as semanas na Comuna do Arvoredo, no Centro Histórico de Porto Alegre (Rua Fernando Machado, 464). “Uma é uma escultura da mulher negra em expressão, numa crítica ao feminicídio, inspirado muito no que já presenciei aqui no Maria Maria, saraus, slams, muitas mulheres fortes passando por aqui. Já a outra se chama ‘Inspiração’, é uma antítese a um certo conceito de perfeição de algumas artes alemãs, e aqui representa a expressão em música, também uma essência deste espaço” – explicou Juarez (na foto com a presidenta do Coletivo Catarse, Têmis Nicolaidis). Essas obras, agora, ficarão expostas no espaço ou em outros locais que o Coletivo Catarse venha a realizar ações que encaixem este tipo de arte – vale lembrar que o Ventre Livre é também o responsável pelo acervo de telas pintadas com motivos dos Orixás do também artista plástico Paulo Montiel, e estas seguidamente compõem cenários nessas atividades no Maria Maria. Este final de 2024 está a pleno na programação, com atividades previstas até fins de dezembro antes das datas festivas – acompanhe no Instagram das Marias (@mariamariaespacocultural). E 2025 já deve iniciar também com boas perspectivas, com apoios diretos de projetos públicos, como os dos editais do Programa Nacional Aldir Blanc, ou com a própria força do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e sua rede de parceiros, impulsionando cada vez mais em ações continuadas as atividades com artistas como Juarez Negrão e outros do cenário da cultura popular de Porto Alegre e região.

Resistindo e Incluindo – 45 anos de capoeira do Mestre Delmar

Em agosto de 1979, o jovem Delmar Perroni, que na época tinha 13 anos, começou a prática da Capoeira. Passados 45 anos de dedicação a esta cultura popular afrobrasileira, Mestre Delmar reflete sobre sua trajetória no longa metragem “Mestre Delmar – Resistindo e Incluindo”, que será lançado na cinemateca Capitólio na quinta feira dia 28/11/24 às 9H.

16 anos de Comuna do Arvoredo!

O último sábado foi de comemoração no Centro Histórico de Porto Alegre – nos fundos de 3 casarões da Fernando Machado, se comemorou mais um ano de um espaço de resistência consolidado na cidade. A Comuna do Arvoredo é um grupamento de pessoas, sede de coletivos (Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, Maria Maria Espaço Cultural, Fespope, Antiquário Ao Belchior) e iniciativas que, ao longo dessa década e (mais que) meia, segue ininterruptamente promovendo e realizando diversos tipos de ações, de educação ambiental, de reflexão sobre a cidade, de produção cultural, entre tantas outras atividades. Foi uma data também especial, porque se decidiu realizar uma homenagem a um grande amigo, frequentador da Comuna, que, infelizmente, fez sua passagem há um ano: Zé da Terreira. Zezão, como era conhecido nas internas comunais, vai ter o seu nome, agora, como denominação de um espaço de ensaios e expressões culturais na Casarona, o salão, onde está se produzindo teatro, música, cinema, etc. Exatamente numa inquietude de realização cultural assim como é o seu espírito. Na parede da memória, agora, a lembrança – que dói demais pela ausência, mas que se supera pela permanência – fica com os quadros da versão original de sua já clássica canção para a Comuna… *vídeo de Adriana Hiller

Ao Vivo no Maria Maria #06 – SintropSons

Cantando agroecologia com Jéssica Nucci, Vicente Guindani e Nilton Filho. AO VIVO no MARIA MARIA é uma produção do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, em realização junto ao Maria Maria Espaço Cultural, ambos com sede na Comuna do Arvoredo (Porto Alegre, Rua Fernando Machado, 464). Gravado em Porto Alegre, 19/10/2024. Imagens e edição: Billy Valdez Esta proposta foi fomentada pelo PROGRAMA RETOMADA CULTURAL RS – BOLSA FUNARTE DE APOIO A AÇÕES ARTÍSTICAS CONTINUADAS 2024.

Ao Vivo no Maria Maria #05 – Vladimir Rodrigues e Fábio Fernandes com Renato Borba

Duo instrumental de Vladimir Rodrigues e Fábio Fernandes, com participação especial de Renato Borba, cantando Rainha Negra, samba de sua autoria. AO VIVO no MARIA MARIA é uma produção do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, em realização junto ao Maria Maria Espaço Cultural, ambos com sede na Comuna do Arvoredo (Porto Alegre, Rua Fernando Machado, 464). Gravado em Porto Alegre, 12/10/2024. Imagens e edição: Gustavo Türck Esta proposta foi fomentada pelo PROGRAMA RETOMADA CULTURAL RS – BOLSA FUNARTE DE APOIO A AÇÕES ARTÍSTICAS CONTINUADAS 2024.

1° Encontro de Cineastas Indígenas CORAL Porto Alegre

Entre os dias 10 e 13 de outubro, aconteceu em Porto Alegre o 1° Encontro de Cineastas Indígenas. Sediado na Retomada Gãh Ré do Morro Santana, o encontro foi promovido por diversas organizações, incluindo o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, o fotógrafo e cineasta guarani Vhera Xunú, além dos Pontos de Cultura Africanamente e Quilombo do Sopapo, com apoio da Witness Brasil e do Preserve Morro Santana. O projeto “CORAL Porto Alegre – Escola de Audiovisual Multicultural” foi contemplado no Edital de Apoio a Redes e Projetos de Trabalho Colaborativo do IBERCULTURAVIVA, Programa de Cooperação Intergovernamental.Além disso, também faz parte da Rede CORAL, articulação que reune quase 30 coletivos de mais de 10 países de Abya Yala que fazem uso do audiovisual para acompanhar lutas pela defesa da terra, dos territórios e bens comuns. Sim, é uma introdução grande e cheia de nomes e agentes. Mas, só através dessas redes de apoios e produção que tal encontro foi possível. E a lista ainda não está completa pois muitas outras pessoas e organizações deram seu suporte e participaram das atividades propostas. Essas serão nomeadas a seu tempo, conforme forem se assentando as ideias, informações e vivências.

Eu posso ser atriz aos 81 anos!

Sim, você pode. A frase-título, aqui, foi proferida em tom de espanto, de descoberta. A mãe de um coreógrafo, de quem vive da arte, dos palcos, ao perceber outras mulheres (50+) expressando em palco as suas vidas, que permaneciam por trás das coxias dos seus seres, se entusiasmou e finalmente… despertou! Na sexta-feira, 11 de outubro, o Maria Maria Espaço Cultural, Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, na Comuna do Arvoredo, recebeu excertos de uma parte de um projeto que chacoalha corpos e sensações – “…Foi então que, brincando comigo mesma, descobri o prazer. E, a partir de então, quando encontrava alguém que mexia comigo, já sabia o que dizer e fazer, sentir e dar prazer. Foi assim que me apresentei a mim mesma. Quando me entendi, já me sabia”. Assim se destaca Corpo Labareda, que teve sua primeira intervenção em rua, em teatro de chão, em espaço de porta aberta – como deveria ser a expressão das almas dessas mulheres que expõem em cenas e roteirizam em palimpsestos suas realidades. Com direção de Jacqueline Pinzon, textos originais orientados por Ana dos Santos e produção de La Lola Produtora/Lorena Sanchez, deve cumprir apresentações mais completas em outros espaços da cidade (acompanhe, clique aqui para mais imagens e maiores informações!) ainda em outubro. Também é parte do projeto Língua Lâmina – A Palavra Descentralizada, de artes integradas, com o apoio do Edital 11/2023 SMCEC/FUMPROARTE – Concurso de Projetos de Produção Artística.

20 anos completos, e um novo ciclo se inicia!

No dia 5 de outubro, na Comuna do Arvoredo, o Coletivo Catarse fez a festa de comemoração dos seus 20 anos de existência. Um evento contando com a discotecagem de DJ Piá, clássico das picapes, que foi integrante da também clássica Rádio Ipanema 94.9 FM. A junção rolou na garajona, em dia de Maria Maria Espaço Cultural, marcando o início de uma nova fase de programação continuada na parceria com “as gurias” e o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Passaram diversas turmas das 17h às 23h, bombando o “bailinho” com muito groove e músicas pra dançar. O Coletivo brindou com os amigos, parceiras e ex-cooperades, o bolo, feito pela Márcia “Maria”, foi partilhado e as homenagens foram feitas – além do desejo de pelo menos mais 20 anos de estrada. O que foi alimentado também pelo projeto “Ventre Livre e Maria Maria em catarse na Comuna do Arvoredo”, apresentado – e contemplado – no Edital BOLSA FUNARTE DE APOIO A AÇÕES ARTÍSTICAS CONTINUADAS 2024 – PROGRAMA RETOMADA CULTURAL RS, direcionado a propostas de grupos, coletivos, espaços e eventos artísticos calendarizados de 95 municípios do Rio Grande do Sul, em estado de calamidade pública – conforme o Decreto Legislativo nº 36, de 7 de maio de 2024, e a Portaria 1.802 do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, de 31 de maio de 2024. Uma ação do Governo Federal em apoio ao setor da cultura para mitigar os efeitos das enchentes de maio e que permitirá um fortalecimento de uma programação continuada no Espaço Cultural – que abre semanalmente de quinta a sábado desde janeiro de 2023. Serão diversas atividades a se consolidarem com este apoio em 6 meses: 3 sessões de talk show (Talk Exu), com música e outra apresentação cultural; uma sessão de teatro de rua; uma sessão de arte de sombras; a produção de telas por artista visual popular; 2 sessões comentadas de filmes (Sessão Bodoqe); e apoio a pelo menos 10 apresentações musicais de artistas populares, com assistência técnica de som e gravação de um clipe ao vivo de uma música de cada um. São movimentos que preveêm suporte na manutenção, memória, comunicação e divulgação, intercâmbios, produção cultural de coletivos e artistas multidiversos, não por si só, exclusivamente, mas pela rede que se incluem, numa proposta de auxílio na sustentabilidade e busca por estabilidade, de forma continuada, apresentando diversidade estética, artística e acessível, estimulando a formação de um público que vem crescendo, de geração de trabalho e renda, desenvolvendo uma rede produtiva de artes e seus agentes, estimulando, assim, a ampliação do acesso e a fruição de bens e serviços artístico-culturais. Será uma programação envolvendo trabalhadores da cultura, artistas visuais, músicos, produtores de teatro, do audiovisual, uma gama interessante que já se vê circulando pelo espaço nesses últimos anos. E a Festa dos 20 anos foi um momento marcante para este novo ciclo que se inicia agora, inclusive, DJ Piá, que apresentou seus scratchs, já está confirmado para uma Quinta do Vinil, dia 04/12, dentro desta programação, que vai sendo divulgada nos canais do Maria Maria Espaço Cultural, do próprio Coletivo Catarse e da Comuna do Arvoredo. Fotos: Billy Valdez

Ao vivo no Maria Maria #04 – Érick Feijó

Mais uma noite de quinta nas Marias. A cidade aguarda uma chuva que insiste em não cair. Está abafado, e o verão parece ter desistido de viajar. Dentro da Garajona, lugar na Comuna do Arvoredo que acolhe o Espaço Cultural Maria Maria, a alegria é moeda corrente, e o trabalho se mistura com a missão de abrir caminho para mais uma voz negra cantar suas influências, seu passado ancestral, nos colocando ao par, no presente, da existência de um jeito tão leve e encantador de cantar e tocar violão. Com um repertório que transita entre clássicos da MPB e do Samba – e alguns Lados B muito instigantes -, Érick Feijó nos trouxe a lembrança de Paulinho da Viola e João Gilberto. Sempre é bom referenciar um novo artista para que saibamos por onde ele anda, mas Érick vai além, emprestando à sua interpretação algo seu, tão familiar e potente quanto o nome que carrega. Andou também por Montevidéu, e isso traz um sotaque especial, não no seu jeito de cantar, mas no toque sincopado do violão que traduz negritudes no cone sul das Américas. Mais uma noite nas Marias, uma noite única e que, espero, se repita de outras maneiras, com a força e a sutileza da música de Erick Feijó. Texto de Macelo Cougo