Carijo nos fundos da forqueta

Era Lua Minguante, e o tempo estava bom em Maquiné:
nem muito frio nem muito quente, com pouca umidade. Saímos do Mato Dentro, espaço agroflorestal e de ensaios da banda ButiaDub, e cruzamos o rio algumas vezes até chegar na casa do “Cachorro”.

Luciano Corbellini, dono do apelido e da propriedade,
já nos recebeu carregando os ramos da erva podada. Sob a orientação do mestre Moisés da Luz, um dos grandes nomes do projetos carijo, e na companhia dos amigos começamos a preparar a erva.

Foi um carijo pequeno e aconchegante: instalamos lonas
ao redor do galpão para evitar os ventos da madrugada e num grupo de oito pessoas carijamos cerca de quinze quilos de erva. Apesar de quantidade pequena, a erva ficou com um sabor suave como as lembranças do churrasco, dos sambas e toques de capoeira que rolaram.

Confira abaixo alguns registros:

Carijo na floresta da Forqueta

Debate sobre “A Tragédia dos Comuns e a Gestão do Espaço Urbano” – Uergs

O Grupo de Pesquisa Políticas, Gestão Pública e Desenvolvimento Uergs/CNPq e o Mestrado em Ambiente e Sustentabilidade da Uergs estão promovendo um ciclo de palestras e debates sobre as influências da obra “A Tragédia dos Comuns”, de Garrett Hardin, nas diferentes áreas do conhecimento da Gestão Pública. A programação do ciclo “A Tragédia dos Comuns Hoje: Seu Legado no Desenvolvimento de Políticas Públicas” conta com seis encontros que ocorrerão ao longo do ano. Clique aqui (site da Uergs) para saber mais.

Serviço:
Ciclo de Debates “A Tragédia dos Comuns Hoje: Seu Legado no Desenvolvimento de Políticas Públicas”
Local: Auditório do Campus Central da Uergs (Av. Bento Gonçalves, 8855, Bairro Agronomia – Porto Alegre)
Hora: 14h30
Informações e Inscrições: https://doity.com.br/a-tragedia-dos-comuns-hoje
Contato: pgpduergs@gmail.com

Programação:
17/08/2018 – Sexta-feira
Debate sobre “A Tragédia dos Comuns e a Gestão do Espaço Urbano”
Debatedor: professor Francisco Milanez

https://youtu.be/ORZn0ShaUj8
https://anacarolinapontolivre.wordpress.com/2018/08/15/a-tragedia-dos-comuns-e-a-gestao-do-espaco-urbano-milanez-na-uergs/

Recebido por e-mail de
Ana Carolina Martins da Silva – Porto Alegre – RS
BLOG: http://anacarolinapontolivre.wordpress.com/
PERFIL: http://artistasgauchos.com.br/portal/?id=2051

Bataclã FC – Capitalismo & Esquizopoesia

Vídeo promocional do espetáculo Bataclã FC – Capitalismo e Esquizopoesia.

“Doc Cênico da Bataclã FC 2018 a partir de textos de Deleuze Guattari, Eduardo Galeano, Victoria Santa Cruz, Gioconda Belli, Mário Pirata e canções de Richard Serraria com performance de Lorena Sanchez. Gravado no Espaço Cultural 512 em Porto Alegre”.

Imagens: Gustavo Türck e Têmis Nicolaidis
Edição: Têmis Nicolaidis

www.bataclafc.com.br

Filmografia Social – The Handmaid’s Tale: um conto fascista

*pode conter spoilers

Todos os textos que acabei lendo sobre o seriado The Handmaid’s Tale acabam usando o termo “distopia”. Usa-se esta palavra para se associar à ideia contrária a uma utopia, para descrever que aquele universo retratado é um inferno, uma sociedade e um mundo em que não se quer viver. Mas durante um dos últimos episódios da segunda temporada, quando da epopeia do nascimento de mais um bebê – algo realmente importante na diegética da série -, sob a atonicidade que me colocava observando a jornada da mulher protagonista da série, eis que a epifania chega: esta série não retrata uma distopia, mas uma utopia – a utopia do fascismo judaico-cristão, que, hoje, poderia-se dizer, a utopia bolsonariana.

As regras e leis de Gilead – o nome da nova nação, uma ditadura teocrática (fascista), que se insurge de um Estados Unidos fraticionado – seguem à risca os ensinamentos bíblicos, mas à risca mesmo. E quem mais sofre com a nova e insurgente sociedade estamental posta são as mulheres e os chamados traidores de gênero – sim, gays, enforcadas(os) em praça pública. As mulheres ocupam setores-chave da sociedade, as que se vestem de azul, as esposas, cuidam da casa; as que vestem bege, as Marthas, ajudam as esposas a cuidar da casa, são as empregadas; as que vestem marrom, as Tias, ajudam as esposas a cuidar do lar, pois colocam as que vestem vermelho, as Handmaids, mulheres férteis, em suas casas, na feição para seus Commanders – “comandantes”, quem diria – inseminá-las em seções de estupro ritualísticos. Claro, para além dos rituais, os Commanders, homens heterossexuais, que controlam o “novo” Estado com braço forte sob a égide da lei bíblica, usam as Handmaids como bem entendem, nos seus covis de suas casas, longe dos olhos das esposas e outros membros da sociedade – oras, eles podem, né.

É o triunfo da família, tradição e propriedade. Por que os homens têm que criar novas leis se o perfeito regramento está escrito há milênios já – basta segui-lo. E é isso que os cidadãos de Gilead fazem de suas vidas. São enforcados porque gostam de pessoas do mesmo gênero, tomam tiro e coronhada porque desobedecem o espectro definido pela casta de cima, perdem dedos e olhos se são pegos lendo algum livro…

A visão de The Handmaid’s Tale é a materialização audiovisual do ideário pregado por bolsonaristas – é realmente incrível, como um quadro de Michelangelo. Mulheres subjugadas, sem serem donas de seu corpo ou vontades, submetidas às regras de homens heterossexuais, comandantes militarizados e religiosos, patriarcas da moral e costumes, garanhões responsáveis pela normalidade imposta. E gays? Enforcados. Só não é mais perfeito porque no seriado a questão da raça não parece ser preponderante, os seguidores de Bolsonaro e Janaína Paschoal fizeram este “upgrade” nas suas utopias…

NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: drama e suspense
Temática social: direitos humanos, direitos da mulher
Público-alvo: principalmente mulheres acima dos 16 anos, mas pessoas que se interessam em discutir estratificação social de maneira aprofundada podem achar incrivelmente útil independentemente de gênero (se bem que é possível que, por uma certa ignorância sarcástica, pessoas de ideologia de direita, fundamentalistas, possam achar o máximo Gilead e isso diverti-los)
Roteiro: 
(por vezes, as narrativas são longas demais, arrastadas, e soluções muito fáceis são encontradas para temas complexos, várias vezes também é possível perceber as saídas comuns empregadas também em outros seriados do gênero, há o apego numa figura heróica, estilo Rocky Balboa, que apanha, apanha e apanha, mas sempre triunfa ao final)
Dramaturgia: 
(perfeita, cenários, figurinos e atuações destacadíssimas, construção de imaginário figurativo completo, usa cenas fortes sem medo de parecer apelativo, usa a ternura sem medo de parecer piegas, as cenas de estupro ritualístico são sensacionais)
Aprofundamento da Questão Social: 
(assista para entender o que pensam os ideólogos teocratas de direita e para construir de maneira clara a metáfora da família baseada no patriarcado, na cultura machista e homofóbica)

Por Gustavo Türck.

– para ver a página do seriado no IMDb (Internet Movie Database), com trailer, clique aqui
– The Handmaid’s Tale é um seriado de um serviço de streaming estilo Netflix, chamado Hulu, mas é veiculado no Brasil pelo canal pago HBO, sendo fácil de encontrar em serviços de torrent como o Popcorn-Time com legendas em português
Filmografia Social é um conteúdo apoiado pela Graturck – perícia social, consultoria e cursos (www.graturck.com.br) e é publicado simultaneamente no site/redes do Coletivo Catarse e no site/redes da Graturck todas as quartas-feiras