Criaturas de sombras e luzes, sonhos tridimensionais

Estreou no final de semana, em 4 e 5 de outubro, o espetáculo Criaturas da Literatura – mais uma obra da Cia Teatro Lumbra. Um trabalho que traz 6 histórias que – se não todas – em grande parte povoaram a imaginação de hoje avós, antes pais e agora, por que não, filhos. Em imagens de sombra-e-luz, é possível ver – e tocar! – em Alice, aquela do país das maravilhas, Pinóquio, um pequeno Príncipe, Moby Dick(!), Dom Quixote e o temível Drácula. São 6 narrativas muito bem amarradas, que pincelam histórias clássicas e que estimulam àqueles que as conhecem a revisitar seus empoeirados livros antigos, mas, principalmente, causam euforia em crianças que já viram ou ouviram essas histórias e que ficam literalmente loucas para entender como a peça acontece.

Uma técnica totalmente artesanal engloba a plateia, faz sair do pano as sombras, tridimensionalizando as ações – agora, não são apenas operadores de bonecos que fazem as sombras, mas Alexandre Fávero e Têmis Nicolaidis, os protagonistas, também são atores. Eles jogam as sombras e as luzes nas paredes, no teto e, em um determinado momento, estes personagens agarram um pano em que se projeta uma imagem e a fazem voar por sobre a plateia, que timidamente levanta as mãos para tocar naquela criatura como se tocasse nas páginas do livro em seu colo, imaginando fazer parte daquele sonho…

E isso não se torna somente no estímulo a todos conhecerem histórias fantásticas, revisitarem seus livros, adquirirem novos, a Lumbra faz com que o aparelho celular altamente tecnológico, talvez conectado a óculos de realidade virtual, se torne obsoleto. Uma boa dose de criatividade e um talento coletivo simples – mas muito bem pensando – fez com que se tridimensionalizassem sonhos e personagens fantásticos!

Criaturas da Literatura segue em cartaz no teatro do Instituto Ling (Rua João Caetano, 440), em Porto Alegre, nos dias 18 (14h), 19 (16h), 25 (14h) e 26 (16h) de outubro. Para ingressos e outras informações, acesse www.institutoling.org.br.

Sobre a Cia Lumbra, acesse www.clubedasombra.com.br.

*fotos da divulgação

Negra Jaque lança álbum Diário de Obá

Ouça o disco completo no Spotfy – aqui.

Um lugar no mundo. É isso que Negra Jaque canta.

Um lugar onde a mulher negra possa caminhar lado a lado com todas as outras, que possa, por mérito, por dedicação, mas mais ainda por oportunidade, ver sua vida andar pra frente, ser reconhecida e ter sua voz e seu lugar de fala respeitado.

Em seu novo trabalho, DIÁRIO DE OBÁ, Jaque traça essa trajetória e apresenta Obá, mulher orixá ancestral símbolo da mulher brasileira com toda sua força resistência e beleza.

*texto retirado da divulgação do lançamento em show dia 04/10 – infos aqui.

Inimigo Eu: A Carta

A banda Inimigo Eu, da cidade de Esteio/RS, acaba de  lançar seu mais novo Videoclipe da música “A Carta”, faixa integrante do E.P Queda e Ascensão.

A mensagem forte contida na letra da música deu origem a uma narrativa que aborda uma questão bem atual: a ganância por dinheiro e corrupção sistêmica em cima do meio ambiente. A história se desenvolve em torno de um escritório de engenharia ambiental em que um engenheiro recebe uma proposta para fraudar uma licença para uma barragem. O personagem se confronta com vários sentimentos e vai decidir qual o caminho a tomar entre muita grana e seus ideiais e convicções.

O roteiro foi escrito por Guilherme Barcelos, filmagens da banda por Lucas Machado, produção, filmagens, direção e edição por Billy Valdez, do Coletivo Catarse.

Banda: Inimigo Eu
Música: A Carta
Álbum: Queda e Ascensão
Produção: Coletivo Catarse
Lançamento: Estrondo Records

Livro lançado em Porto Alegre reflete a experiência de autogoverno Zapatista

Na tarde dessa segunda-feira 30 de setembro, o sociólogo e professor da Universidade Federal Fronteira Sul Cássio Brancaleone lançou a segunda edição do seu livro “Teoria Social, Democracia e Autonomia: Uma interpretação da experiência de autogoverno Zapatista”.

Fruto de uma etnografia entre os Zapatistas (Chiapas – México) principalmente durante o ano 2008, o livro aborda a organização social e política dos Zapatistas. Entre as expressões de autogoverno estão Caracóis, Juntas de Buen Gobierno e dos Municípios Autônomos.

A análise é feita pelo autor a partir da teoria anarquista e desde um olhar e uma sensibilidade libertária.

Nas suas palavras:

“Tributário das heranças ideológicas e organizativas das lutas de libertação nacional dos anos 1960, do marxismo maoísta e guevarista, do catolicismo progressista e do ativismo intercomunitário indígena, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) veio a público no levantamento armado de 1994 em Chiapas, no sudeste mexicano, como uma força política capaz de expressar o sintomático aparecimento de um novo conjunto de movimentos sociais antissistêmicos, cujos discursos e práticas se nutrem de dimensões pouco convencionais do uso do direito e da luta política não-estatal, corroborando uma perspectiva de emancipação que encontra ancoragem normativa na articulação entre uma certa ideia de dignidade humana e de autonomia.”

O livro se encontra disponível na livraria Cirkula (Osvaldo Aranha 522 – Bom Fim, Porto Alegre).

Para saber mais, ouça o Heavy Hour n 59 sobre Autonomia e Movimentos Indígenas:

Heavy Hour 59 – 30.09.19 – Autonomia, Autogestão e Autogoverno contra o capital e o Estado!

Para a estreia do Heavy Hour em Alvorada, nosso time – que ainda está sem seu âncora oficial – recebe, no Estúdio Monstro, Cássio Brancaleone, sociólogo, professor e membro do Sindicato dos Docentes da UFFS, que compartilha conosco sua experiência entre os Zapatistas de Chiapas, no sudeste mexicano. Também conosco está o indigenista que trabalhou 8 anos na FUNAI, cientista social e mestre em psicologia social, João Mauricio Farías, que se autodeclara “pacifista”, mas que não deixa de ressaltar que o direito à vida dos oprimidos passa pela autodefesa (inclusive com “violência”) frente ao terrorismo colonial-capitalista-estatal! Em pé de guerra desde o Wallmapu (Território Mapuche), temos ainda contribuição do camarada Ale Kim Layal, que forma parte da organização Mapuche urbana inchiñ kai che (Nós também somos gente). O diálogo entre essas diversas experiências e formas de praticar a autonomia deixa um bate-papo quente no estúdio com os jornalistas questionando a tutela e a burocracia indigenista como entrave à mudança social verdadeira… De todas formas, este programa é mais uma ocasião de ressaltar nossa profunda admiração e solidariedade com os povos originários, que há mais de 500 anos, incansavelmente, lutam para viver!

Na playlist:
Manu Chao – EZLN… Para Todos Todo…
Rage Against The Machine – Zapata´s blood
Pukutriñuke – Marrichiweu
Subverso + Portavoz – Lo que no voy a decir
O Rappa – Me Deixa
Fusion Bomb – You´re a Cancer To This World
Wechekeche ñi Trawün – Mapudugufinge