Apresentação do Projeto Resistência Kaingang na UFRGS

Nessa terça-feira, 19 de novembro, a equipe do projeto Resistência Kaingang, do Coletivo Catarse, apresentou os três teasers realizados até o momento na Biblioteca da Faculdade de Psicologia da UFRGS. Contando com a presença da kujà e codiretora do projeto, Iracema Gãh Té Nascimento, foi possível trazer o profundo relato de uma luta pela terra, liderada por seu pai, em Mangueirinha-PR e Nonoai.

Foram abordadas ainda temáticas ligadas aos avanços do agronegócio na região norte do Rio Grande do Sul, às dinâmicas de perseguição, criminalização das lideranças Kaingang na região, além da destruição proposital do seu território e do apagamento da sua história como estratégia política por parte dos fazendeiros na região.

Porém, a resistência está presente nos passos e nos gritos da juventude Kaingang, que, com determinação e com a força dos seus antepassados, fazem frente a essas políticas genocidas. Seja dançando, homenageando a suas ancestrais, seja iniciando as futuras lideranças político-espirituais – o espírito e a voz da floresta ecoam num grande grito de esperança…

Acesse os links dos teasers do Resistência Kaingang:

Heavy Hour 66 – 18.11.19 – O Império contra-ataca!

Eles querem tudo, sempre, e, na realidade, na América Latina, o império nunca deixou de estar com a iniciativa para os assaltos em cima dos povos, territórios, riquezas naturais… Por algum tempo, parecia estar dormindo, mas Tio Sam tem paciência e, principalmente, muitos aliados e aliadas nessas terras de veias abertas. Depois de conversar sobre Venezuela, Chile, Bolívia e Brasil, precisávamos falar sobre o grande pai do norte, aquele que se arvora de polícia do mundo. No Estúdio Monstro, o time do Coletivo Catarse recebeu Guilherme Kranz, que é editor do Esquerda Diário, e, por áudio, mais uma contribuição do professor venezuelano Pablo Quintero, aumentando o nível de esquerdopatia e paranoia conspiratória de quem vive tão longe de deus e tão perto dos Estados Unidos.

Setlist:
America – A horse with no name
Neil Young – Rockin’ In The Free World
Hempadura – Liberdade
Paura – Gas Diplomacy
Molotov – Frijolero
Sakim de Kola – Vô Mito
David Bowie – This Is Not America
Malvina – The Anomie
Calle 13 – Latinoamerica

Resistência das comunidades do Rio Camaquã comemora três anos

No último final de semana foi realizada a comemoração de três anos da luta contra a mineração de Cobre, Chumbo e Zinco. A data remete ao lançamento do Manifesto das Palmas, em novembro de 2016, denunciando os riscos do projeto da empresa Votorantim Metais, hoje Nexa, que vem tentando se instalar na região das Guaritas – na divisa entre Bagé e Caçapava do Sul – nas margens do Rio Camaquã.

“Todo ano fazemos um ato para marcar, pois consideramos uma vitória: cada ano é uma vitória”, explicou Marcia Colares, da UPP Camaquã (União Pela Preservação do Rio Camaquã) e AGrUPa (Associação para Grandeza e União das Palmas).

Marcia contou que a preservação da região não é resultado de nenhum trabalho governamental ou de outras instituições, mas, sim, do cuidado dos próprios moradores. Assim, a luta contra a mineração busca garantir a preservação que já existe: “A gente sabe que, se instalar uma mineradora de chumbo, vai ser a morte dessa região. É uma região maravilhosa, preservada; os moradores zelam por isso”.

Essa preservação é resultado de uma maneira de viver e produzir baseada na pecuária rotativa nos pastos nativos da pampa. “Foi passada de pai para filho, essa forma de viver – que hoje é chamada de sustentável. Para nós, sempre foi normal”, destaca Marcia.

A desconfiança em empresas de mineração não é mera paranoia. Marcia Colares lembra de um episódio recente que ficou marcado na memória coletiva da região: “Em 1988, teve um vazamento de uma barragem nas minas do Camaquã, quando  a Companhia Brasileira do Cobre (CBC) explorava o cobre. O Camaquã sofreu um impacto violento, porque morreu muito peixe, praticamente todos os peixes que tinham no rio”.

Nos últimos anos, o rio vem se recuperando. Espécies de peixes como o Dourado, a Piava e o Pintado, que não eram avistadas há anos já estão se tornando comuns novamente.

Pensando em proteger o rio e o modo de vida que se construiu ao longo de gerações, os moradores têm se organizado para lutar contra a mineração.“Reafirmamos sempre a vontade de continuar lutando, chamando outras pessoas e cada vez aumentando mais. Tem sido assim todo ano, e cada ano aumenta mais, e cada dia aumenta mais”, concluiu Marcia.

O evento deste ano, realizado no distrito das Palmas, em Bagé, mesclou a luta socioambiental com intervenções artísticas e esportivas. Além de sarau, exibições de filmes, bailes, shows e apresentações de música e dança regional, o evento teve também atividades de escalada, realizadas nos paredões rochosos do local pela Associação Gaúcha de Montanhismo.

A união entre ambientalistas, pecuaristas, praticantes de esportes radicais, estudantes e professores universitários, além de mostrar a grande capacidade de mobilização em torno da causa, também renovou o fôlego dessa luta – um exemplo que pode servir para todas as outras mobilizações contra a mineração no estado.

Heavy Hour 65 – 11.11.19 – Siempre de pié, nunca de rodillas!

No número 65 do programa Heavy Hour, a nossa parceira “Collita”, que cresceu no Kollasuyu, Bolívia, nos traz suas perspectivas sobre o que está acontecendo em seu país após a renúncia de Evo Morales. A luta do povo contra o colonialismo e o racismo não começa nem termina com a inclusão dos povos originários dentro do Estado, esta se faz nas ruas, agora e sempre! O papo está quente no estúdio, a companheira nos traz uma análise crítica e profunda das entranhas bolivianas e ressalta que essa luta vai além de uma briga entre partidos, é a expressão de uma luta anticolonial (e de classe) latente desde séculos! Participam também do programa, os ambientalistas da Associação Brasileira de Agroecologia, Renato Barcelos e Leonardo Melgarejo, que trazem suas perspectivas latino-americanas e apontam a um mundo em simbiose com o que Europa chamou de “natureza”. Mais um programa fodástico desde o Estúdio Monstro. Salve, Pacha Mama!

Na playlist:
Anthrax – Indians
Black Sabbath – War Pigs
Atajo – Nunca Más
Ruphay – Jacha Uru (El Gran Dia)
Tomatito e Luis Salinas – Aires
Rage Against The Machine – Calm Like a Bomb
Waldick Soriano – Eu não sou cachorro não