Heavy Hour 41 – 28.05.19 – Alvo dos patifes

E os patos viraram patifes. Depois de vestirem suas camisetas da CBF e conseguirem dar suporte a um golpe engendrado nos manuais da CIA, eles voltam às ruas e apontam suas armas diretamente ao seu mais novo inimigo: a educação! Sim, muitas – nem tantas – pessoas se fantasiaram novamente e trataram de contra-marchar apoiando seu presidente, a ignorância e o ideologismo racista e fascista – tudo abertamente. Neste programa, desvelamos a marcha dos patifes pela história de 3 antropólogxs: Cleyton Rocha, do Macapá, capital do Amapá, Lucy Cavalcante, de Caucaia, no Ceará, e Bruno Domingues, de Barcarena, interior do Pará. Todos negrxs e mestrandos da UFRGS – bolsistas ou não, de cotas ou não, são aqueles com a mira do ódio em suas paletas. Na condução do programa, o power trio do Coletivo Catarse recebe o reforço – permanente? – de Clementine Marechal, também antropóloga e de espírito de luta ativo.

Setlist:
Eu Acuso! – Marcha dos Patifes
Maria Bethânia – Carcará
Vitor Jara – Movil Oil Special
O Rappa – Minha Alma
Belém Pará Brasil – Mosaico de Ravena
Slave in Hell – W.O.E.
Possessed – Graven
Rockin 1000 – Smells Like Teen Spirity

MAIS QUE UM JOGO | Resistir como a Coligay

No estádio de futebol os ânimos ficam exaltados, as emoções ficam à flor da pele e, muitas vezes, o preconceito contra as ditas minorias ganha força – por parte de torcedores ou jogadores. Quando estão vencem, se sentem motivados a “ofender” o rival com gritos de “puto” ou “viado”; quando estão perdendo, também encontram nestes termos uma forma de descontar a raiva através de xingamentos que colocam determinada orientação sexual como algo ruim ou digna de ser menosprezada.

Recentemente, o jogador Felipe Bastos, do Vasco da Gama, comemorou uma vitória em cima do Fluminense chamando-o de “time de viado”. A torcida do Fluminense, indignada com a ofensa, exigiu um pedido de desculpas. Apesar de ter acontecido, o fato é que o pedido de desculpas foi dirigido aos torcedores e jogadores do Fluminense, e não aos homossexuais, que são as pessoas que REALMENTE foram ofendidas. Por que a orientação sexual de uma pessoa seria uma ofensa? A LGBTfobia está tão intrínseca na sociedade que não levamos em conta que somos o país que mais mata LGBTs, que não existe uma lei sequer que proteja essas pessoas de morrerem apenas por serem quem são.

Pensando pelo lado dos jogadores, é notável que há raríssimos casos em que os homossexuais são assumidos, justamente por causa do ambiente hostil do esporte e, principalmente do futebol, a partir de uma crença de que é um esporte de “macho”. Os inúmeros casos de homofobia sofridos pelo jogador Richarlyson* (atualmente atleta do Noroeste-SP) provam isso. Em declarações, ele disse: “O que me deixa intrigado sobre essa questão de manifestações homofóbicas dentro do futebol é que quer dizer que se o cara for gay, ele não pode jogar? Por que não pode jogar? É isso que eu não consigo entender. Fico sem saber o porquê. Tento explicar, mas ao mesmo tempo eu nem sei porque estou explicando algo que é inexplicável”. O atacante francês Giroud** também se pronunciou sobre: apoiador da causa LGBT, lembrou o caso do alemão Hitzlsperger, que foi criticado por se declarar gay em 2014, apontando a dificuldade de se declarar homossexual no futebol.

Ainda há muito que se fazer nos estádios, no campo e nas ruas para que as pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais tenham os mesmos direitos de torcer em paz para o seu time e de praticarem o esporte que amam. A primeira torcida LGBT no Brasil foi a nossa Coligay, na década de 70, em plena ditadura. Essa tinha que se fazer respeitável ou sofria ataques homofóbicos. Hoje em dia, em 2019, infelizmente não avançamos muito, dado que essa temática ainda é alvo de ofensas para os rivais e, inclusive, para muitos torcedores gremistas que têm vergonha dessa parte da nossa história. Nós, do Grêmio Antifascista temos muito orgulho da Coligay… E além de orgulho, nos inspiramos na força e na coragem desses LGBTs. A Coligay de hoje resiste!

Movimento Grêmio Antifascista

Mortandade de abelhas causada por agrotóxicos se torna objeto de processo no Ministério Público Federal

No dia internacional da Biodiversidade- quarta feira, 22 de maio- entidades defensoras do meio ambiente se reuniram com Nilo Marcelo de Almeida Camargo, Procurador Coordenador do 23 Ofício Núcleo do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal.

A  APISBio (A Articulação pela Preservação da Integridade dos Seres e da Biodiversidade) fez a entrega de um documento representando a abertura de um inquérito civil público e propondo uma ação civil pública e penal sobre a mortandade de 25 milhões de abelhas ocorrida no município de Mata/RS em Outubro de 2018. 

Renato Barcelos, da APISBio,  relatou o episódio da mortandade e o  o Simpósio Internacional Sobre Mortandade de Abelhas e Agrotóxicos, realizado em Março de 2019. Além disso, também sugeriu criar um polígono de exclusão de uso de agrotóxicos na região de Mata. Júlio Alt, também da APISBio, falou da preocupação dos apicultores e da população de Mata com a aplicação dos venenos na safra de soja deste ano.

O procurador Nilo de Almeida afirmou que o Ministério Público Federal tem acompanhado a situação.“Tem sido objeto nosso de preocupação. Vamos dar encaminhamentos a esta representação”, completou.

Outros efeitos nocivos dos agrotóxicos também foram levantados. Leonardo Melgarejo, vice presidente da Associação Brasileira de Agroecologia, falou da contaminação da água e criticou o padrão oficial que analisa cada agrotóxico individualmente e não leva em conta os efeitos de diversas moléculas combinadas. Em sua visão, é preciso pensar em limites conjuntos para os agrotóxicos.

Juliano de Sá- da Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Alimentação Saudável- lembrou dos 169 agrotóxicos diferentes liberados só no governo Bolsonaro. “Precisamos mobilizar para uma política estudual pela redução do agrotóxico no Rio Grande do Sul”, concluiu.

Fica o questionamento de como seguir nas lutas pela biodiversidade e contra os agrotóxicos. Nos parece que, ao batalhar contra os agrotóxicos em espaços jurídicos, os movimentos podem conseguir conquistas importantes. Neste momento em que o presidente está totalmente alinhado ao agronegócio, vale batalhar dentro dos poderes judiciário e legislativo.

Multidão na rua em Porto Alegre pela educação e contra Bolsonaro

Na noite de quarta feira (15/05) soaram os tambores da revolta popular em Porto Alegre e em todo o Brasil.  Na capital do Rio Grande do Sul, cerca de 30 mil pessoas participaram do grande ato noturno que foi da Esquina Democrática até o Largo Zumbi dos Palmares, no centro da cidade . Ao longo do dia também ocorreram diversas mobilizações na Faculdade de Educação (FACED UFRGS).

Manifestação passando pela Avenida Borges de Medeiros.

O movimento fez oposição aos cortes das verbas para as Universidades Federais e para o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) anunciadas por Jair Bolsonaro e pelo ministro da educação Abraham Weintraub . Além disso, também se posicionou contra os ataques feitos pelo presidente à política de cotas e contra as ciências e universidades.

“Revolte-se. Salve a Educação do Bozo. Rebele-se”. Cartaz de Manifestante.

Os manifestantes também questionaram a prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e a reforma da previdência. Diversos movimentos sociais contrários a Jair Bolsonaro e suas políticas de governo estiveram presentes. Grupos anarquistas, sindicalistas,coletivos LGBTQ+, feministas, partidos de esquerda, movimentos negros, estudantes e professores universitários e secundaristas construíram o espaço de lutas coletivas.

Esta união de diversos segmentos deu corpo ao movimento e unificou diversos discursos contrários aos retrocessos da gestão do presidente.

“Uma só Luta! Contra a Reforma da Previdência e os cortes de Bolsonaro”. Cartaz de Manifestante

Resta saber como a pressão popular terá efeito no governo. Espera-se que, caso os grupos sigam mobilizados, se consiga reverter ou impedir decisões deste (des)governo ultra conservador.

Imagens: Billy Valdez
Texto: Bruno Pedrotti