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A resistência contra a mineração nas Três Estradas

Em uma terra de campos ondulados cobertos por capões de mato, pecuaristas familiares lutam em defesa do seu modo de vida e do ambiente. A ameaça vem por parte da empresa australiana Águia Fertilizantes, que busca minerar fosfato na região.

A peleia se desdobra na zona rural de Lavras do Sul, em um distrito chamado de Três Estradas. É lá- nas nascentes do arroio Taquarembó, afluente do rio Santa Maria- que gaúchos e gaúchas valentes ousam romper o silêncio imposto pelo poderio econômico da mineradora.

A situação do Projeto Fosfato é critica: no dia 16/10 a FEPAM emitiu a Licença Prévia, a primeira das três licenças ambientais que o empreendimento precisa. Além disso, os moradores da região diretamente afetada vem sido silenciados. Os poucos que tem coragem de se manifestar estão sendo estigmatizados e hostilizados pelos apoiadores do projeto.

Essa luta precisa de você: conheça, contribua e compartilhe!

Receitas da biodiversidade nativa: geleia de Cereja do Rio Grande

O canto quase incessante dos sabiás anuncia a chegada da primavera. Além da beleza das flores, a estação oferece também diversos frutos nativos. Jabuticabeiras, Pitangueiras e Cerejeiras do Rio Grande (ou do Mato) são alguns exemplos de espécies de árvores que nos brindam com estes alimentos saborosos, nutritivos e medicinais sem cobrar nada.

Mesmo no contexto urbano, essas frutas são extremamente abundantes. Porém, não duram muito. Amadurecem rápido com o calor e são derrubadas das árvores pelos ventos fortes ou tempestades. Infelizmente, uma boa parte deste banquete a céu aberto acaba apodrecendo nas calçadas.

Seja por falta de tempo e disposição para a colheita, falta de informação, ou mesmo receio de comer frutos da rua, acabamos desperdiçando alimentos que fazem bem para o nosso corpo e para o ambiente.

No entanto, com um pouco de organização própria se pode aproveitar melhor estes recursos alimentícios que estão ao alcance de todos nas ruas da capital dos gaúchos – e de tantos outros lugares. Observando os ciclos de cada espécie, pode-se coletar o máximo de frutos. Fora subir nas árvores escalando ou usando escadas, é possível usar redes ou lonas pra capturar as frutas que caem naturalmente.

Além disso, existem diversas maneiras de se preparar alimentos de maior durabilidade e que podem inclusive ser usados para difundir as frutas nativas entre as pessoas que evitam comê-las direto do pé. Vale citar sucos, polpas, geleias, compotas, cachaças e licores.

Nesse último fim de semana, foi possível testar uma dessas receitas que aqui se compartilha: a geleia de Cereja do Rio Grande. Extremamente fácil de fazer, exige apenas água, cerejas e um pouco de açúcar.

Para quem não conhece, esta cerejeira nativa é uma árvore bem característica. Seu tronco mistura tons de branco, cinza e verde. Suas folhas são pequenas e verdes, parecidas com as da pitangueira.

Os frutos, que amadurecem entre outubro e novembro, são carnudos e suculentos, indo do vermelho ao roxo. Os vermelhos têm um pouco mais de acidez, enquanto os roxos são mais doces.

Após colher as cerejas e lavar, retire os cabinhos verdes. Depois, corte o fruto e retire a semente. Coloque os frutos em uma panela e adicione água até cobrir. Deixe derreter com o calor.

Assim que os frutos estiverem derretidos, adicione o açúcar e mexa para não grudar no fundo da panela. Recomenda-se usar meia xícara de açúcar Demerara para a quantidade de frutas da foto acima (alguns sites recomendam não usar açúcar mascavo, pois tem um sabor muito forte).

As quantidades podem variar, frutos mais maduros significam que você pode colocar menos açúcar. Usar a intuição e ir provando são dicas boas pra acertar na medida sem precisar de uma balança.

Depois que engrossar e ganhar consistência, está pronto. Desligue o fogo, deixe esfriar e guarde em potes.

Simples assim! Com um pouco de tempo e esses ingredientes, pode-se fazer um alimento delicioso, nutritivo e característico do ambiente nativo de sua região. Usando a criatividade e organização, é possível aproveitar muitos desses frutos que acabariam apodrecendo em alguns dias.

Neste sentido, uma iniciativa muito interessante é o Projeto Frutas Nativas de Porto Alegre, do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (INGA). Além de apresentar informações mais detalhades e técnicas sobre as cerca de 50 espécies nativas com frutos alimentícios na cidade de Porto Alegre, o projeto conta também com um mapeamento dessas frutas.

Heavy Hour 62 – 22.10.19 – Minasculinidade tóxica!

A mineração pra tirar leite de pedra vai acabar com os últimos resquícios de meio ambiente no RS, sem falar que a boa e velha classe média vai tomar banho em água podre por muito tempo em Porto Alegre… Mas o limite da opressão está na força que somos capazes de organizar. Esta frase de Steban Hidalgo, que participa com depoimento e canção deste Heavy Hour, traz o mote do programa: a resistência organizada a partir de sindicatos, entidades da sociedade civil, cidadãos e cidadãs engajados socialmente contra a mineração. Quando nossas vidas estão correndo risco por conta da ganância de poucos, que sempre prevalece no capitalismo, a sobrevivência depende da mobilização popular. No programa desta semana, os ecochatos (Ana Guimaraens, do SindBancários, Marcelo Roncato, das praças públicas, e Anahi Fros, das feiras ecológicas) biodesagradam a agenda do capital mineral no Rio Grande do Sul mais uma vez. Entre risadas de bruxa e músicas ao vivo, denunciamos os delírios de megaprojetos de mineração orquestrados por transnacionais para sugar o Pampa.

Setlist:
Victor Jara – El derecho de vivir en paz
Steban Hidalgo – Milonga de andar lejos
Banda Bonnot – Barricada
Criolo – Chuva Ácida
Calle 13 – Latinoamérica
Luiz Gonzaga – Xote Ecológico
Nuclear Assault – Critical Mass
Atropina – Cálice Blasfêmico

30 anos da FAE, sábado (19), vai ter Rádio Feira!

Neste sábado, 19 de outubro, será o grande dia de comemoração dos 30 anos da FAE – Feira dos Agricultores Ecologistas. E a abertura desta festa busca fazer referência à forma como a 1ª Feira Ecológica do Brasil foi formada: através da união de ideias e esforços de agricultores familiares, ambientalistas e moradores da cidade que sonharam com um espaço de comercialização de alimento saudável e produzido de forma sustentável na capital dos gaúchos.

Com vasta programação, as atividades serão permeadas com uma transmissão ao vivo realizada pela equipe do Coletivo Catarse, a Rádio Feira, no ar das 8h às 12h!

Confere mais informações no Face da FAE: https://www.facebook.com/events/496386197868468/

Inimigo Eu: A Carta

A banda Inimigo Eu, da cidade de Esteio/RS, acaba de  lançar seu mais novo Videoclipe da música “A Carta”, faixa integrante do E.P Queda e Ascensão.

A mensagem forte contida na letra da música deu origem a uma narrativa que aborda uma questão bem atual: a ganância por dinheiro e corrupção sistêmica em cima do meio ambiente. A história se desenvolve em torno de um escritório de engenharia ambiental em que um engenheiro recebe uma proposta para fraudar uma licença para uma barragem. O personagem se confronta com vários sentimentos e vai decidir qual o caminho a tomar entre muita grana e seus ideiais e convicções.

O roteiro foi escrito por Guilherme Barcelos, filmagens da banda por Lucas Machado, produção, filmagens, direção e edição por Billy Valdez, do Coletivo Catarse.

Banda: Inimigo Eu
Música: A Carta
Álbum: Queda e Ascensão
Produção: Coletivo Catarse
Lançamento: Estrondo Records