Juçaras, viveiros e agroflorestas

Depois de mais de uma década de semeadura, cooperados do Coletivo Catarse, kaingangs da Retomada Gah Ré e os parceiros da Cia Lumbra se uniram para o trabalho de coleta e distribuição de mudas de juçaras. A ação ocorreu na terça-feira (19/8). As 150 mudas transplantadas foram encaminhadas para dois viveiros comunitários e duas agroflorestas em formação, em uma rede que envolve a Aldeia Kaingang e dois Pontos de Cultura. As mudas haviam sido semeadas por integrantes do Catarse em um sítio em Triunfo (RS). Porém, como boa parte já estava germinada, as plantas cresceram muito próximas, com pouco espaço para se desenvolverem. Há dois anos, o coletivo e seus parceiros vêm realizando o trabalho de seleção de matrizes, que são deixadas na mata, e a coleta do excedente de mudas, que são distribuidas, doadas e plantadas. O mutirão desta terça foi o primeiro realizado contando com apoio de um projeto. A ação foi realizada dentro do projeto Reflorestamento, resiliência climática e restauração do modo de vida Kaingang em um território em retomada em Porto Alegre – RS, apoiado pelo Fundo Casa Sociambiental, por meio da Chamada Reconstruir RS de 2024. O projeto é fruto de uma parceria com a rede apoiadora da aldeia, a Teia dos Povos e o Coletivo Catarse. Justamente por isso, parte das mudas da palmeira Juçara – espécie-chave da Mata Atlântica – já foram destinadas para o viveiro da comunidade kaingang. Além das 35 mudas que já foram levadas para a aldeia, outras ainda se somarão ao reflorestamento que a comunidade está realizando no seu território com apoio do projeto, totalizando pelo menos 50 mudas. Outras 33 foram doadas para o Ponto de Cultura Vale do Aroverdo, que está implementando uma agrofloresta no seu território, em Morro Reuter (RS), e participou do mutirão de coleta das mudas. O restante das mudas está no viveiro do Coletivo Catarse, na agrofloresta da Comuna do Arvoredo, Centro Histórico de Porto Alegre, de onde devem ser distribuídas entre comunidades e territórios parceiros. Além das mudas de juçara, a Retomada Gah Ré recebeu 50 mudas do viveiro do assentamento Filhos de Sepé, do MST em Viamão (RS). Foram 20 mudas de chal-chal, 20 de aroeira vermelha, 10 de angico e 10 de Ingá. Outra doação importante recebida pela comunidade foi da Transpocred, instituição financeira cooperativa dos segmentos de transporte, logística e correios. A doação articulada pelo grupo de pesquisa da UFRGS, Preserve o Morro Santana, contemplou a aldeia com mudas de erva-mate, guabiroba, butiá, araçá, canela, e araucária, totalizando 600 mudas, das quais 300 já foram recebidas pela comunidade. Neste final da semana, iniciam os mutirões de plantio na aldeia. A princípio a ação está marcada para o sábado 23/08, mas pode ser remarcada a depender das condições do tempo. Para mais informações, fique atento às páginas da Retomada Gah Ré e do Coletivo Catarse no Instagram. Texto: Bruno PedrottiFotos: Bruno Pedrotti, Gustavo Türck e Têmis NicolaidisRevisão: Anahi Fros .

Podcasts sobre as dinâmicas da cidade em plena produção

O Coletivo Catarse está produzindo uma série de episódios de podcast para o projeto “Porto Novo”, uma proposta apoiada através de emenda impositiva, aprovada pelo gabinete do então vereador Leonel Radde (PT), que tramitou via Audiovisual da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre. É um programa que integra ainda uma série de ações que tratam desta comunidade situada na Zona Norte da cidade, ao lado do complexo do Porto Seco. Os episódios devem versar sobre como são dadas as transformações em uma cidade como Porto Alegre, os êxodos forçados e aqueles inevitáveis, como novos espaços acabam se constituindo e quais os problemas que são gerados por essa dinâmica. São eixos que contarão a história da Porto Novo, uma comunidade relativamente nova e que surgiu de remoções principalmente das Vilas Dique e Nazaré, e também os conflitos e relações no meio urbano de questões como a indígena, da luta das mulheres e do meio ambiente. As primeiras gravações já estão acontecendo, no estúdio do Coletivo Catarse, na sua sede, na Comuna do Arvoredo, registrando as visões de mulheres lutadoras e estudiosas e lideranças indígenas e de movimentos que os apoiam. O projeto ainda prevê um documentário sobre a comunidade, a produção de pequenos vídeos que contemplem a autoestima dos moradores e a realização de fotos e textos ilustrativos do bem viver local – tudo isso já em fase de finalização, após uma série de oficinas realizadas com jovens da Escola Porto Novo. Aguarde mais informações!

Primeiras trocas de uma transição ecológica entre assentados e quilombolas

Nos dias 25 de junho e 29 de julho foram realizados os primeiros intercâmbios entre assentados do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) que produzem arroz agroecológico e a Comunidade Quilombola Vila Nova em São José do Norte. Em junho os assentados visitaram a comunidade quilombola e, depois, agricultores quilombolas participaram do Seminário do Grupo Gestor do Arroz Agroecológico em Eldorado do Sul. O processo de intercâmbios faz parte do projeto “Fortalecimento da Agricultura Quilombola em São José do Norte/RS: Construindo Raízes para a Transição da Produção de Arroz Convencional para Arroz Agroecológico na Comunidade Vila Nova” – da associação quilombola com apoio do Coletivo Catarse, contemplado na Teia da Sociobiodiversidade, uma iniciativa do Fundo Casa Socioambiental em parceria com o Fundo Socioambiental CAIXA. A iniciativa propõe iniciar uma transição agroecológica no cultivo do arroz da comunidade quilombola de São José do Norte. Para isso, conta com o apoio de uma grande referência nesta cultura: a Cooperativa Dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (COOTAP). A rede que a cooperativa organiza rendeu ao MST o reconhecimento como maior produtor de arroz orgânico da América Latina com mais de 300 famílias envolvidas. Em 2025, foram 14 mil toneladas de arroz agroecológico colhidas. Com o apoio da COOTAP, o projeto prevê o resgate de uma tradição agroecológica que muitas famílias foram abandonando em São José do Norte, por conta do êxodo rural, do envelhecimento no campo, e da entrada massiva de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Uma das lideranças da comunidade, Flávio Machado conta que durante sua infância, lembra que os jovens da comunidade se reuniam para juntar fezes secas dos animais de criação para usar na adubação dos cultivos. “Era trabalhoso, mas a receita final era muito maior pra nós”, reflete. No final dos anos 1970, Flávio conta que a comunidade começou a acessar linhas de crédito, mas que para isso, era necessário aderir ao modelo da chamada “Revolução Verde” com fertilizantes químicos e agrotóxicos. O agricultor lembra os mais velhos já questionavam o modelo. Seu avô, João Francisco Xavier, dizia que eles estavam “virando malandros” e não iam mais querer trabalhar. Conforme o tempo passou, Flávio percebeu que, mesmo com maior retorno econômico em produção, o benefício não ficava com os agricultores, mas ia para a indústria de fertilizantes, agrotóxicos e para os bancos por meio dos financiamentos. Pior de tudo, a comunidade ainda ficava com os impactos a saúde humana e ambiental do pacote da mecanização agrícola, além do consequente êxodo rural. Assim, conclui: “Nós fomos convencidos a usar um sistema que só nos adoece, só nos prejudica cada vez mais”. A partir desta crítica, a comunidade vem buscando subsídios para resgatar as práticas agroecológicas do passado. Evidente que, num outro contexto, em que o agroecológico já possui bioinsumos, técnicos capacitados e tecnologias próprias, muitas delas desenvolvidas pelos próprios agricultores e agricultoras. Para isso, a principal ferramenta utilizada é o intercâmbio de saberes com agricultores que já acumulam anos de prática com esta cultura, para isso o diálogo com a COOTAP. No primeiro momento, os assentados Antônio e Dionéia foram até o Quilombo e conheceram algumas das propriedades que produzem arroz. Depois, foi a vez dos quilombolas se deslocarem até a região Metropolitana de Porto Alegre. Ao longo do Seminário do Grupo Gestor do Arroz Agroecológico em Eldorado do Sul, tiveram a chance de observar o diálogo para planejamento da próxima safra, no qual o grupo gestor apresentou as variedades de sementes historicamente cultivadas pelo movimento e os benefícios de cada uma (resistência a pragas, quantidade de água exigida, época ideal de plantio, entre outros fatores). O encontro teve ainda uma conjuntura política e uma previsão climatológica para o perído do plantio com apresentação de Flavio Varone. O metereologista apresentou o Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS), plataforma ligada ao governo estadual que oferece monitoramento climático voltado à atividades agropecuárias de maneira aberta e gratuita. Também foram discutidos seguros para o cultivo, certificação e mesmo bioinsumos e maquinas da China. Certamente, a dimensão do cultivo do arroz no quilombo é muito menor do que a grande rede que o MST organiza. Mesmo assim, a comunidade e seus apoiadores entendem que o compartilhamento de experiências e fazeres e o melhor método para encontrar um modelo de cultivo agroecológico para a comunidade, de maneira a integrar os saberes tradicionais com algumas inovações tecnológicas. O caminho ainda é longo, mas as primeiras sementes da transição agroecológica foram plantadas. Texto: Bruno PedrottiFotos: Érico Carvalho e Giulia SicheleroEdição: Anahi Fros

Saberes das ervas medicinais na Retomada Gah Ré

Na manhã ensolarada do último sábado, dia 26, Dia dos Avós, a Retomada Gah Ré realizou o Encontro de Ervas Medicinais. A comunidade, no Morro Santana, zona leste de Porto Alegre/RS, abriu suas portas para compartilhar com os fóg (não indígenas) um pouco dos saberes da medicina tradicional Kaingang. Depois de uma defumação com refej (erva nativa conhecida como macela, ou marcela, em português) para limpar as energias do ambiente, a cacica, avó e Kuja (curandeira/pajé) Iracema Gãh Té deu as boas vindas aos 30 participantes e explicou como seria a dinâmica do encontro. Kapri, filha da liderança, contextualizou a atividade, realizada em meio a um processo de reflorestamento na aldeia e valorização dos saberes originários de relação com a natureza. “Todo esse trabalho que a gente faz, é tudo pela mãe terra, que nos fortalece. Nós somos ligados a mãe terra”, concluiu Kapri. Depois da abertura e apresentação, os participantes foram divididos em dois grupos, um para buscar lenha na mata e outro para higienizar os ingredientes que seriam utilizados. Numa aula prática, Gãh Té ensinou o preparo de um xarope de sete plantas: bananinha-do-mato, cipó mil homens, erva cidreira, capim cidró, guaco, macela e espinheira santa. Ao final, o preparado foi coado e ainda misturado com mel. A Kuja explicou que o xarope é ideal para gripes e resfriados, principalmente aqueles que atacam o sistema respiratório, com tosse e catarro, ajudando também em casos de asma, bronquite, sinusite e rinite. A atividade fez parte do projeto Reflorestamento, resiliência climática e restauração do modo de vida Kaingangem um território em retomada em Porto Alegre – RS, apoiado pelo Fundo Casa Sociambiental por meio da Chamada Reconstruir RS de 2024. O projeto – fruto de uma parceria com a rede apoaidora da aldeia, a Teia dos Povos e o Coletivo Catarse, como organização parceira – vem fazendo o manejo de espécie invasora no território da comunidade, construindo um viveiro e reflorestando o local com espécies nativas. Em breve, mais atualizações. Texto: Bruno PedrottiImagens: Bruno Pedrotti e Luis Gustavo RuwerRevisão: Anahi Fros

Plantando e espraiando juçaras

Numa dessas andanças pela cidade de Porto Alegre, encontramos o Seu Ramão. Amante de uma boa prosa e dos bichos, ele nos contou de seu refúgio na natureza, onde cuida de um cavalo, algumas galinhas e pavões, um pequeno sítio em Glorinha. Se interessou pela história do Coletivo Catarse com a Palmeira Juçara (Euterpe edulis) e levou para o sítio dois pés dessa espécie fundamental para o ecossistema da Mata Atlântica. Vale dizer que o Coletivo Catarse acompanha há quase 15 anos a luta contra a extinção desta planta nativa tão apreciada por pessoas e animais da floresta. Nesse intervalo de tempo, já foram produzidos mais de 50 vídeos sobre a juçara, desde reportagens curtas até o documentário seriado “O ser Juçara”. Integrantes do Coletivo já atravessaram grande parte do território da Mata Atlântica, do Rio Grande do Sul até Rio de Janeiro e Minas Gerais, conhecendo e registrando as histórias dos povos que se relacionam com a palmeira. Mais do que apenas comunicar, nos tornamos um elo nesta rede, espalhando também sementes e mudas da juçara. Tudo começou quando, acompanhando a produção de polpa dos frutos da juçara no Litoral Norte gaúcho, recebemos dos produtores alguns sacos com sementes recém despolpadas. Ao longo de um dos planejamentos estratégicos do Coletivo, há oito anos, no sítio da família de uma das colegas, as mudas foram semeadas em meio a uma nesga de mata nativa remanescente em meio a lavouras de monocultivo. Na primavera de 2023, então, voltamos ao local e percebemos que as plantas haviam atingido um estágio de crescimento avançado e se encontravam muito próximas, necessitando de mais espaço para crescer de maneira saudável. Começou, então, um trabalho em várias etapas, retirando-se o excesso de mudas e distribuindo-as entre os parceiros – e verificando que aquelas mudas que foram deixadas na mata agora com espaço passaram a se desenvolver melhor em relação às que estavam no juçaral adensado. Ao longo dos dois últimos anos, foram entregues mudas para a FAUPOA, Retomada Gah Ré, Ponto de Cultura Vale do Arvoredo e tantos outros que fica até dificil recordar de todos. Sem falar no Seu Ramão, que, além de nos cativar com sua prosa boa, também nos inspirou a atualizar este histórico. A gente espera, em breve, ver os bichos e as plantas bem criados, Seu Ramão! Obrigado pela camaradagem! *Nas fotos, Ramão em frente à @comunadoarvoredo e seus pavões, em Glorinha. Também nossas mudas plantadas no Centro Histórico, na Zona Norte e Morro Santana, além do nosso viveiro de juçaras, nos fundos da sede.

“O Despertar do Sol” convida a respeitar a natureza e os povos indígenas

Lançado no dia 07 de junho, o curta revela um olhar sobre a cosmopercepção Mbya Guarani, registrando um pouco do modo de ser e viver na Tekoá Tavaí (Canelinha-SC). Os indígenas compartilham ao longo da obra um pouco da sua cultura, da maneira de se organizar e da sua relação de convivência harmoniosa com a natureza.

Coletivo Catarse na 10ª edição da Festa da Biodiversidade

Ao longo da segunda quinzena de maio, ocorreu a 10ª décima edição da Festa da Biodiversidade. Neste ano, o encontro somou uma série de atividades descentralizadas, além da tradicional festa do Dia Internacional da Biodiversidade, celebrado durante todo o dia 22 de maio, no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público de Porto Alegre. O evento reuniu coletivos, organizações socioambientais, comunidades tradicionais, artistas e a população em geral em uma celebração da diversidade biológica e cultural. E o Coletivo Catarse esteve junto mais uma vez no apoio a esse grande festejo público, sendo responsável pela rádio poste, além da estrutura de som e técnica das atividades.

Coletivo Catarse está na Guatemala para discutir estratégias de defesa às democracias latinoamericanas

Em virtude de um histórico de trabalhos nas áreas de ativismo da comunicação, com enfoque na defesa dos direitos humanos de diversas populações ao longo de duas décadas, o Coletivo Catarse participa entre os dias 5 e 8 de maio do evento “Democracias bajo ataque – de la crisis a la estrategia”. A presença do Coletivo também é fruto de relações consolidadas com diversos ativistas de caminhada reconhecida, como o jornalista estadunidense Michael Fox, com quem realizamos duas séries de podcasts: “Brazil on fire”, sobre a escalada do fascismo contemporâneo no Brasil – clique aqui -, e “Under the shadow”, sobre a história da ação dos Estados Unidos na América Central, destacando os 200 anos da Doutrina Monroe – clique aqui. O encontro ocorre na cidade de Panajachel, Lago de Atitlán, Guatemala. Cerca de uma centena de representantes de diversos países das Américas levarão seus pontos de vista e farão a reflexão práticas sobre os riscos do ataque à democracia a partir do avanço de ideários extremos aproximados ao fascismo, da criminalização da sociedade civil e dos movimentos sociais que se opõem a essas ideias, que são cada vez mais devastadoras. É um espaço para trocas, também, à construção de alternativas e estratégias de enfrentamento dessas forças autoritárias – já muito aprofundadas principalmente nas Américas -, tendo como guia a força de organização das resistências populares, comunitárias e indígenas. Todos os países participantes têm histórico no tema e também avanços a compartilhar – exemplos, ideias de como movimentar um continente, um mundo de uma forma diferente. O representante do Coletivo Catarse, já na chegada à Ciudad de Guatemala neste domingo, ao se apresentar como proveniente de Porto Alegre e atuante junto aos povos origináros, aos excluídos, ao meio cultural de base comunitária, entre tantos outros, escutou de pronto a resposta de um mexicano: “A capital do Fórum Social Mundial”. Um outro mundo já foi possível em algum momento. E por que, novamente, não o seria? Confira os materiais do evento com a listagem de participantes e a programação. Canais de comunicação:Cuenta oficial del evento (Democracias en las Americas)FOCO: Facebook, X (Twitter) e InstagramGlobal Exchange: Facebook, X (Twitter), Instagram , BlueSky e  YouTubeRompeviento TV: YouTube Ao final, será feita nova publicação com os resultados.

Gah Ré – ferramentas para reflorestar

Desde a retomada do território aos pés da pedreira do Morro Santana (Zona Leste de Porto Alegre), em outubro de 2023, a cacica e kujá (liderança espiritual) Gah Té Kaingang já falava da importância da presença da comunidade no local como forma de preservar as vegetações nativas da região. De fato, ao longo dos quase dois anos naquela área, a aldeia kaingang e seus apoiadores já realizaram diversos plantios de mudas nativas e manejo de invasoras, mas sempre de forma independente e com recursos próprios. Até agora.

Dos vales do litoral para o Vale Arvoredo

Ao longo de mais de uma década, o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre vem realizando, em parcerias e ações diretas, diversas atividades relacionadas à Palmeira Juçara. Um legado que a cooperativa assumiu a partir do entendimento do que seria uma solução aos problemas socioeconômicos e ambientais – a agroecologia! – e das relações pessoais e institucionais remanescentes dos trabalhos da Rede Juçara. A partir disso, coletando sacos e mais sacos de sementes de frutos despolpados, pricipalmente provenientes de localidades em Maquiné e Três Cachoeiras, litoral norte do RS, o coletivo tomou a iniciativa de semear a lanço uma nesga de mata nativa em recuperação em um sítio em Triunfo, a 40 km de Porto Alegre. Já se passaram 9 anos de uma atividade que marcou o Planejamento Estratégico de 2016 – e a mata virou um berçário de Palmeiras Juçaras. Neste link aqui, é possível conferir que, em setembro do ano passado, foi realizada uma ação de coleta de cerca de 50 mudas, que hoje estão num viveiro montado aos fundos da sede do Coletivo Catarse, na Comuna do Arvoredo – literalmente uma ilha de verde no meio do oceando de concreto do Centro Histórico de Porto Alegre. Essas mudas passaram por alguns meses de consolidação e estão iniciando suas jornadas para novos locais. As primeiras 4, já com crescimento bem evidente, estão a caminho do Vale Arvoredo, um ponto de cultura parceiro, espaço de resistência com vocações ecológicas e de residência artística situado em Morro Reuter. Um local que já foi cenário de trabalhos como Criaturas da Literatura e A Viagem de Jacinto – entre várias outras empreitadas que o Coletivo Catarse já participou. Confere o site do Vale e também esses dois trabalhos aqui abaixo: Também vale a pena assistir à Trilogia O ser Juçara (clique aqui e vá para a página especial sobre a Palmeira Juçara neste site), uma coprodução com a Associação Içara, exatamente o trabalho que gerou as sementes que foram lançadas na mata em Triunfo durante o Planejamento Estratégico da Cooperativa de Trabalho Catarse – Coletivo de Comunicação e Produção Cultural Ltda., em 2016. Nessas fotos abaixo, mais jovens, está a equipe da época em ação (destaque para as participações da então diretora financeira do Coletivo, Patrícia de Camillis, e do Professor Pedro Costa, hoje vice-reitor da UFRGS. Quem planta colhe!