Desde julho, o teatro está a mil na Comuna do Arvoredo, dentro da programação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)” contemplado no Edital Sedac nº 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.

São três turmas, incluindo crianças e adultas, que vêm experimentando no corpo a ludicidade da arte teatral, a expressão e a partilha em grupo. As duas turmas das crianças (de 6 a 9 e de 10 a 12 anos) desde antes do projeto PNAB, já vivenciavam esse espaço, experenciado no salão Zé da Terreira e consolidado dentro da Comuna do Arvoredo pela professora de teatro Andressa Corrêa e que, em 2025, está sob a batuta da atriz, arte-educadora e produtora cultural Lorena Sánchez*.

Mais uma vez, as crianças estão mergulhando em um percurso de criação cênica que partiu do próprio universo delas: seus jogos, suas histórias, invenções, perguntas, afetos e formas de ver o mundo e acolher as divergências.


O trabalho tem como base jogos de aquecimento, improvisações, brincadeiras de corpo e voz, dança e musicalidade. Também foi incorporado à oficina, como fonde de inspiração, o projeto “Sucatadora de Histórias”, idealizado por Lorena, onde práticas de coleta de objetos e memórias se tornam laboratório de transformação narrativa. Os objetos do cotidiano, como tecidos e utensílios de cozinha, assim como sucatas, foram transformados em adereços e bonecos, mas não apenas como recursos cênicos, senão como extensão da imaginação. Cada exercício busca ampliar o olhar para o coleguinha e a capacidade de construir algo em conjunto.

Agora, o grupo entra na etapa da tão aguardada de montagem de final de ano. A mostra de todo esse processo, que tomará forma como um espetáculo de criação coletiva, está agendada para o dia 16 de dezembro, no Teatro Carlos Carvalho, da Casa de Cultura Mario Quintana. O que se verá no palco não é uma peça pronta ao molde tradicional, mas o registro de tudo o que está sendo construído, sentido e inventado pelas crianças ao longo da oficina: o teatro como espaço de experiência, e não apenas de resultado.

Antes disso, e como parte importante deste percurso, Lorena promove uma atividade de criação entre famílias, onde responsáveis e crianças serão convidados a confeccionarem juntos materiais de cena, figurinos e adereços. Será um momento de colaboração e partilha, fortalecendo vínculos dentro e fora do palco.

Já a turma dos adultos foi inaugurada a partir da vontade de algumas mães de aproveitar esse momento da aula dos filhos para, também, fazer teatro. Resultou em um grupo de seis mulheres, com aulas ministradas por Rê Amorim**.

Os encontros das adultas tem sido um lugar de trabalho e, ao mesmo tempo, de diversão e prazer. Tem sido desenvolvidas questões de desinibição, expressão corporal e emocional, junto com conexão interpessoal, confortavelmente saindo da zona de conforto de cada uma. E, por fim, criando e desenvolvendo os princípios e técnicas teatrais de estar em cena.


O final do ano aponta para apresentações muito especiais das turmas na Casa de Cultura Mário Quintana, incluindo a das adultas, fechando as oficinas com a experiência profunda de estar no palco. Portanto, te agenda, que dezembro está logo ali.


*Lorena Sanchez é atriz, arte-educadora e produtora cultural, com formação popular e experiência em processos colaborativos de criação cênica. Atua com pedagogias do objeto e do jogo lúdico como ferramentas de expressão e colheita de memórias.

**Rê Amorim, palhaço há 12 anos e educador-social, integrante da Comuna do Arvoredo. Pela ONG Doutorzinhos, em Porto Aalegre, durante oito anos esteve por hospitais e instituições, se envolvendo e sendo tocado pelo mundo. Em Guaíba, pode conhecer o Teatro do Oprimido, método de resistência e transformação social. Além disso, ministrou a oficina “Palhaçaria Popular” para adultos. Cursou dezenas de oficinas com Ésio Magalhães, Pepe Nuñes, Melissa Dorneles, Raquel Sokolowicz, Avner Eisenberg, Ivan Prado entre outres, trocando e aprimorando habilidades nessa longa caminhada da pesquisa artística.

Texto: Têmis Nicolaidis
Revisão: Anahi Fros

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