“Se não compreendermos a diversificação cultural, com os sincretismos adotados na mistura de diferentes culturas africanas, vindas para a região, jamais aceitaremos ou compreenderemos sopipa, yakupapa, ou sopapo de Rio Grande e Pelotas. A cultura aqui formatada carrega todas essas influências – e é local. A história não contada, é a história a ser descoberta.” – assim fala Mestre José Batista, filho do luthier Mestre Baptista, em mensagem, refletindo sobre os caminhos que se devem traçar as novas pesquisas de uma nova série sobre o Tambor de Sopapo em produção. O projeto é de autoria da família Baptista, tendo a Produção Executiva de Nina Grace, neta de Dona Maria e Mestre Baptista, e filha de Zé, que traz com ela a concepção para a reflexão a que se propõe esta série. Com o título de O Grande Tambor: Histórias Não Contadas, será divida em 4 episódios que devem mergulhar ainda mais na história sobre o Sopapo, tambor que é um dos símbolos culturais mais significativos do Rio Grande do Sul e também patrimônio imaterial da cidade de Pelotas. O trabalho está entrando em fase de entrevistas, que devem abarcar mestres e agentes da cultura popular, pessoas ligadas à história, ao carnaval e ao uso contemporâneo deste instrumento. As mulheres também terão sua voz com destaque no papel fundamental que desenvolveram tanto no apoio como efetivamente tomando parte em ações que mantiveram e mantêm a existência da cultura sopapeira. O Coletivo Catarse está inserido neste novo projeto desde o seu início, quando ainda era ideia e passou a ser proposta ao EDITAL SEDAC nº 31/2024 PNAB RS – MEMÓRIA E PATRIMÔNIO. Nina e José Batista conectaram, então, o seu atual protagonismo com o histórico de ações do Coletivo – principalmente marcado pela produção do documentário O Grande Tambor, de 2010. Desde então, não foram poucas as relações estabelecidas e outras atividades desenvolvidas – como é possível perceber ao final desta postagem -, no entanto, restava uma sensação de que algo a mais precisava ser dito. Como um pulsar retumbante e grave deste grande tambor, a ressonância das ideias e vontades se mixou com sugestões e caminhos levantados para novas entrevistas, momentos e lugares que ainda não haviam sido explorados ou que foram surgindo em mais de duas décadas de envolvimento desses protagonistas com o sopapo. “É uma proposta que deve não necessariamente atualizar o que trouxe o documentário original, mas trazer à tona mais algumas histórias, mais implicações e outros pontos-de-vista que não estiveram presentes na obra de mais de uma década atrás e também que se constituíram com este passar de tempo até a contemporaneidade. Por exemplo, entregamos um ‘sopapo inacabado’ ao Mestre José Batista, que ele mesmo fez de exemplo em uma oficina realizada há alguns anos já, em Porto Alegre, numa atividade do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Este ‘casco’, segundo o Mestre, já é defasado, está num tamanho que ele vem superando, fazendo menor… E por que isso? Como fica o ‘sopapo original’ nessa história? E essa noção existe mesmo? Então, é isso que também queremos abordar.” – indica Gustavo Türck, que também assina a direção desta obra. Já foram realizadas 2 idas a Pelotas nesta fase inicial. A primeira, ocorrida em agosto, foi inteira de consolidação da concepção e de roteiro – que culmina um diálogo já de meses que vinha ocorrendo entre a equipe sempre online. Houve trabalho de levantamento de possíveis personagens, delimitação de temas e discussão sobre estética e produção. Já na segunda volta, partiu-se para a filmagem das entrevista-base, com Mestre José Batista e Nina Grace. Esses dois personagens darão o fio narrativo, que ainda deve contar com pequeno resgate da história já contada e trilha sonora conectada com o primeiro filme e a carreira de Marcelo Cougo. “As vivências em Pelotas e Rio Grande, na época d’O Grande Tambor, foram a inspiração para a criação das músicas. Depois, veio o trabalho primoroso em estúdio nos arranjos de Lucas Kinoshita. Desta vez, a gente pretende resgatar algumas melodias compostas ainda na inércia de toda aquela experiência. Visitar Pelotas, conviver com a família Baptista, sempre é motivo de emoção e criação. Esperamos que dessa vez seja novamente assim.” – completa o músico que também teve passagens na Bataclã FC, quando a convivência com o sopapo era diária. Serão ainda mais alguns meses e boas idas e vindas entre Porto Alegre e Pelotas até o lançamento. Nem todas a histórias devem ser abordadas – o que seria impossível – muito menos uma única verdade emergirá, mas a série O Grande Tambor – Histórias Não Contadas deve agregar em muito a um compêndio de conhecimento e produção cultural que vem sendo evidente e importantíssimo para a permanência e para a retomada do Tambor de Sopapo desde o projeto CABOBU entre os anos de 1999 e 2000. A seguir, alguns dos materiais que o Coletivo Catarse já produziu, iniciando com o documentário O Grande Tambor. * O Grande Tambor em revista10 anos depois, Gustavo Türck, diretor do filme O Grande Tambor, contemplado em Culturas Populares nos Editais Emergenciais de Auxílio à Cultura da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, propõe este podcast em estilo “live”. Uma conversa com Marcelo Cougo, quem dirigiu a trilha sonora do documentário, e Leandro Anton, fotógrafo still do projeto e um dos mentores da ideia inicial desta jornada, e com Zé Baptista e Dona Maria, luthier e filho e a companheira de vida de Mestre Baptista, um dos personagens principais dessa história. Além das participações por áudio de Lorena Sanchez, percussionista do grupo de mulheres Iyalodê Idunn, Lilian Rocha, poetisa e idealizadora do espaço Sopapo Poético, Richard Serraria, músico e grande pesquisador do Tambor de Sopapo, e Ledeci Coutinho, professora, diretora de escola pública, gestora em educação e mulher negra em descoberta de si mesma, a voz e a imagem que dão a força ao final do quebra-cabeça montado por Têmis Nicolaidis e a equipe de direção do Projeto do filme O Grande Tambor. * O Grande Tambor 10 …
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