Muito aquém da linguiça humana: animação sobre Crimes da Rua do Arvoredo vai lidar com fatos

Por mais que seja interessante e sedutora, a história do canibalismo “forçado” – dita como verídica pelo imaginário urbano de Porto Alegre – não vai estar presente nesta pequena obra, que se inicia produção em mais uma parceria da Cia Teatro Lumbra e do Coletivo Catarse. Este é um trabalho conquistado, que foi ao encontro das necessidades do Memorial do Judiciário do Rio Grande do Sul, em pregão público, numa possibilidade de se atualizar um material didático que este setor do TJRS vem se utilizando há muitos anos no projeto Formando Gerações. Como o produto audiovisual vai servir de ilustração e descrição de caso para a realização de uma simulação de um tribunal composto por jovens estudantes, as interpretações, ilações e teorias conspiratórias sobre a dupla José Ramos e Catharina Palse ficarão de fora, constando, apenas, uma narrativa baseada nos autos de processos que existem sobre o caso. E não é pouco. Em 1864, numa Porto Alegre de 30 mil habitantes, recebendo grande afluxo de imigrantes, foram encontrados restos mortais de 4 vítimas no porão da casa do casal, todos esquartejados (um alemão, dono de um açougue, um português, dono de uma taverna, uma criança de 12 anos e um cachorro). Ali, iniciou-se, portanto, uma grande sequência de eventos que, por um lado, culminaram com processos policiais e jurídicos praticamente inéditos para a época e, por outro, com a abertura de um portal para além da imaginação, que gerou centenas de publicaçõs ao longo dos tempos, desde contos em páginas de jornais até livros, roteiros, programas de TV e filmes em que mais se destacava a hipótese de que Ramos e Catharina usavam a carne de suas vítimas para fabricar linguiças. Neste caso, a equipe de produção, debruçada nos fatos e constantemente brigando com a própria imaginação, vai, mais uma vez, mesclar as técnicas de cinema e teatro de sombras para montar esta animação. Já em etapa de finalização da fase de roteiro, esteve presente no Ponto de Cultura Vale Arvoredo, interior de Morro Reuter, nesse último final de semana, consolidando a narrativa das cenas e montando o storyboard, que serão a base para toda a produção. O local também servirá de locação para as filmagens. “Crimes do Arvoredo” será, portanto, um curta-metragem baseado em fatos reais, de gênero suspense policial, com a duração de 10 a 15 minutos, que deve contar a história daqueles que são considerados os primeiros crimes em série da história do Brasil, ocorridos na Rua do Arvoredo (atual Rua Cel. Fernando Machado, no Centro de Porto Alegre, nos anos de 1863 e 1864. A pesquisa é baseada fundamentalmente no livro homônimo, de publicação do Arquivo Histórico do RS, com enfoque nas mortes de Januário e seu caixeiro e do açougueiro Carlos Claussner, e com fonte nos depoimentos de investigação e pré-julgamento dos crimes. O filme deve se sustentar na linguagem fantástica do teatro de sombras, combinando projeções de sombras corporais, figuras e retroprojeção, formando-se imagens com alguns elementos coloridos presentes nos cenários e detalhes a serem sublinhados na história, mas deve se afastar da incrível estória que comanda o imaginário daqueles que acreditam piamente na maior lenda urbana da cidade de Porto Alegre – que é, inclusive, o caso dos produtores desta obra… Fotos: Alexandre Fávero e Gustavo Türck

Três anos de “Marias”

O sábado, 7 de março, que antecedeu o importantíssimo e necessário 8M, marcou o aniversário de três anos de existência da Maria Maria Espaço Cultural, que reside de quinta a sábado na Garajona da Comuna do Arvoredo, na Rua Fernando Machado, Centro Histórico de Porto Alegre. A agenda é conduzida pelas irmãs “Tolfo”, Marcia e Daniela, e conta com uma rede de apoio de diversas amigas, incluindo Tiane, irmã das gurias. A Maria Maria é pensada para todes, visando a apoiar e fomentar a cultura, diversidades sonoras e artisticas, desde jantares temáticos, passando por reuniões, grupos de conversa, lançamentos de livros, filmes, trasmissões ao vivo e diversas formas de trabalhos ligados à cultura e aos movimentos sociais. E, na festa de aniversário, não foi diferente. A celebração contou com os brechós O Cata Roupas e Victória brecho e floricultura, junto aos artesanatos da FESPOPE. Entre as atrações artísticas, esteve o rap e a poesia falada de Kainã, além do grupo Versão Brasileira. Na cozinha, além das clássicas pizzas das Marias, foi preparado um saboroso cuscuz pelas mãos da cozinheira Kyzzzy Rodrigues, que sempre se faz presente no já conhecido Jantar Afro. O terceiro ano das Marias também marca um ano de muita programação cultural sendo realizada no espaço, dentro do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Foi uma noite de celebração e fortalecimento da luta e da cultura de rua. Maria Maria, sempre de portas abertas! Fotos e texto: Billy ValdezEdição: Anahi Fros

Mapeando ervais nativos da FLONA

Dentro dos preparativos para a II Carijada Kaatártica, que será realizada nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1° de março, uma equipe do Coletivo Catarse visitou a Floresta Nacional de Canela (FLONA) no último dia 10. Com profissionais das áreas da Geografia e Comunicação e acompanhamento técnico do ICMBio, a equipe percorreu os 3 km da trilha da mata nativa buscando identificar e mapear os pés de erva-mate (Ilex paraguariensis) a serem podados durante a atividade na Unidade de Conservação (UC) federal de uso sustentável. Apenas nesse trecho, foram identificadas e georreferenciadas mais de 40 plantas.  Entre mudas e plantas jovens, características da mata em processo de regeneração, foram encontradas também plantas adultas, inclusive matrizes já com “filhotes” próximas. A matriarca do local, já conhecida do ICMBio, possui 12,7 metros de altura. Para efeito de comparação, as plantas em ervais cultivados tem uma média de 3 metros.  Ao longo da carijada, algumas serão podadas para a produção artesanal da erva-mate. O manejo não prejudicará as plantas, que são extremamente resistentes a podas. Ao contráro, a prática acaba sendo uma forma de renovação benéfica aos indivíduos. Para ajudar na recuperação posterior, será feita uma poda não tão radical, deixando algumas folhas e galhos para que possam seguir captando a luz solar neste final de verão, encaminhamento definido juntamente com Lisandro Signori, chefe da UC.   Estes cuidados extras estão sendo pensados justamente porque a FLONA é um espaço de cuidado com a natureza. Seu diferencial em relação a outras categorias de UCs – que permite que uma atividade como a carijada seja realizada – é justamente o incentivo para o manejo sustentável da biodiversidade nativa. Neste ano, a unidade completa 80 anos. Sua origem está ligada a uma iniciativa governamental de plantio de araucárias buscando incentivar a pesquisa e produção florestal relacionados à espécie, símbolo do planalto sul brasileiro. Presença Kaingang e a Kógünh Desde o ano de 2020, a FLONA é também o lar da comunidade kaingang da Retomada Kógünh Mág, de Canela. O próprio nome da aldeia, que em português significa erva grande, já demonstra a relação deste povo originário com a ilex. De fato, a planta é considerada sagrada pelos kaingang, que cultivam o hábito do chimarrão e também a utilizam para fins medicinais, espirituais e no batismo de pessoas e locais.  A comunidade, juntamente com a Retomada Kaingang Gah Ré, do Morro Santana em Porto Alegre, está apoiando o evento e irá compartilhar com os participantes um pouco da cultura kaingang e da relação deste povo originário com a erva-mate. Além disso, a aldeia também irá oferecer algumas comidas típicas kaingang e uma apresentação do grupo de dança tradicional da comunidade. A vivência está com as últimas inscrições abertas até quarta-feira (25/02). Inscreva-se neste formulário. Serviço O quê: II Carijada KaatárticaQuando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira a domingoOnde: Floresta Nacional de Canela (FLONA) – R. Otaviano Amaral Píres, n° 518, Canela/RS.Dúvidas: (51) 99298.7293 (WhatsApp, com Têmis) Inscrições: neste formulário. O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar. Programação: 27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco13h – Receptivo14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados17h – Montagem do cancheador 28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda9h – Manejo dos ervais nativos da Flona13h – Sapeco17h – Encarijamento e ronda 01/03 – Domingo – Moagem e distribuição9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque14h – Partilha da erva e despedida A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi FrosFotos: Billy Valdez

O soque se prepara para mais uma carijada

Na última quinta feira, 5 de fevereiro, uma equipe do Coletivo Catarse esteve em Triunfo, na propriedade do médico veterinário Fábio Haussen – parceiro de longa data, ele tem sido guardião do soque do Coletivo nos últimos anos. Adqurido em 2015 ao longo do Projeto Roda Carijo – que circulou realizando carijadas pelo interior do RS e exibindo o filme Carijo – o soque é um equipamento que facilita muito a produção artesanal de erva-mate. Suas 8 mãos de pilão e motor elétrico são de grande ajuda na moagem, última etapa da produção. Com a II Carijada Kaatártica marcada, a equipe encaminhou o soque ao marceneiro Juca Rocha para mais uma rodada de manutenção e ajustes. No caso do soque do coletivo, além de mais de uma década de uso, o equipamento também sofreu com a grande enchente de 2024. Com a cheia histórica no Rio Taquari, do qual a propriedade é vizinha, o soque ficou debaixo da água, juntamente com boa parte de Triunfo e do estado. Ainda em 2024, Juca conseguiu fazer uma primeira manutenção no equipamento, que participou no final de julho daquele ano da II Carijada Serrana no Caconde. Passados quase dois anos, o soque retornou na semana passada à oficina para novos reparos. Até porque a próxima carijada já tem data marcada. No último final de semana de fevereiro, dias 27 e 28 e 1° de março, será realizada a II Carijada Kaatártica. Esta edição se apresenta como uma oportunidade única, pois acontecerá na Floresta Nacional de Canela (FLONA), uma unidade de conservação voltada ao manejo sustentável dos ecossistemas florestais. Também estão apoiando o evento as retomadas Gah Ré e Kognhun Mag do povo Kaingang, respectivamente do Morro Santana, Porto Alegre, e Canela. Será um bom momento de se desfrutar os 500 hectares de belas paisagens do bioma Mata Atlântica da FLONA e vivenciar um pouco da cultura originária de povos originários como o Kaingang. Além, é claro da possibilidade de se produzir artesanalmente uma erva-mate pura e sem agrotóxicos. Serviço O quê: II Carijada KaatárticaQuando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira, sábado e domingoOnde: Floresta Nacional de Canela (FLONA), R. Otaviano Amaral Píres, N° 518, Canela/RS.Dúvidas por whats: (51) 99298.7293 (Têmis) Inscrições: neste formulário. O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar. Programação: 27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco  13h – Receptivo14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados. 17h – montagem do cancheador 28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda 9h – Manejo dos ervais nativos da Flona13h – Sapeco 17h – Encarijamento e ronda 01/03 – Domingo – Moagem e distribuição 9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque14h – Partilha da erva e despedida A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno Pedrotti

Visita do Jardim

Nesta semana, o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre recebeu a visita da Raíssa. Esta menina – agora uma mulher de 26 anos – tem uma história incrível com o Ponto. Sua família era vizinha da primeira sede do projeto, numa das ruas da Vila Jardim. Lá pelos anos de 2008 e 2010, esteve presente em várias atividades realizadas no Ventre – brincadeiras, oficinas e um projeto de residência artística chamado “Famílias do Jardim“. Realizado com a fotógrafa Fernanda Rechemberg, o projeto idealizou retratar as famílias daquela vila com fotografias como se fossem – já naquela época – de caixas e álbuns antigos. Essas fotos foram distribuídas aos detentores de suas histórias, mas também virou livro, filme e exposição. Raíssa, mais de 15 anos depois, veio ao Centro Histórico visitar o Ventre Livre e “atualizou” a memória registrada naqueles cliques: “Este está com filhos. Esta família triplicou. Esta era atleta…”. Mas a menina Raíssa tinha outra história a contar, que a mulher Raíssa veio agora a buscar. Seu pai é Paulo Montiel – artista plástico, que, “ao acaso”, veio a realizar uma espécie de residência artístico-terapêutica para a sua saúde com o Ponto. Durante anos, a equipe do Ventre Livre o esteve auxiliando a guardar o seu acervo de pinturas a óleo e outros trabalhos, mas, à medida que o tempo ia passando e Montiel ia traçando seus novos caminhos, sua obra de cosmovisão dos orixás o acompanhava e se esvaía devagarinho nas quebradas da realidade concreta que vivia. Até que o Paulo deixou de existir neste plano – e Raíssa e sua mãe ficaram com o que conseguiram recuperar de quadros e cadernos de estudo de Montiel. Foi aí que o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre retomou a relação com a família e – até hoje – é responsável pelo resguardo deste acervo. Já são 5 ou 6 anos em que Iemanjá, Iansã, Oxum e demais personagens do panteão descansam nas paredes e armários do hall e da sede do Coletivo Catarse, na Comuna do Arvoredo. Raíssa veio, então, rememorar e reforçar vínculos. É uma história que não acabou e que terá novos capítulos e registros – como é este de um belo sorriso da menina do Jardim. *Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – hoje incorporado no Coletivo Catarse – é projeto implementado em 3 conveniamentos públicos, um com o Grupo Hospitalar Conceição e dois com a SEDAC-RS**”Famílias do Jardim” integrou o Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura do MinC/FUNARTE***tudo isso somente foi – e segue sendo – possível por causa da Política Nacional Cultura Viva

2025 foi ano de Talk Exu!

Este ano foi de consolidação de uma proposta de talk show do Coletivo Catarse. Ainda com bastante espaçamento entre os episódios, estudos estéticos e da técnica a ser utilizada – além de investimentos no espaço onde se grava e transmite ao vivo -, se possibilitou a produção de conteúdos interessantes com os envolvimentos de parceiros e o apoio organizacional de um projeto contemplado nos editais PNAB/SEDAC-RS, na linha Cultura Viva. Foram 3 edições que movimentaram a Comuna do Arvoredo, em dias de Maria Maria Espaço Cultural, sob realização do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, versando sobre cinema de ativismo e produções audiovisuais com diálogo entre as artes; sobre teatro, economia solidária e autonomia; e destacando a cultura do povo negro no Rio Grande do Sul. Todos entremeados com apresentações musicais diversas, que divertiram os presentes e o público online, e finalizando sempre com um filme produzido pelo próprio Coletivo Catarse. A seguir, assista à última edição e às outras duas de 2025: Talk Exu #04 – Cultura Negra em DestaqueTambor de Sopapo, poesias e carnaval. Com Lilian Rocha, Edu do Nascimento e Paulinho do Areal. Atração musical “Meu Black É Rock”, de Matheu Corrêa. Ao final, uma versão reduzida do documentário “O Grande Tambor”. Talk Exu #03 – nós na economia solidária e NÓS em cia de teatroEconomia solidária e autonomia, com Gil Neves e Lisbet dos Santos, e os 18 anos da NÓS CIA DE TEATRO, com Everson Silva e Letícia Virtuoso, intercalado por intervenções musicais do artista Luís Valério e exibição ao final do curta-metragem P A R A L E L O. Talk Exu #02 – os filmes que lançamos no outono passadoAs três últimas produções audiovisuais do Coletivo, todas lançadas na segunda quinzena de junho: os documentários “Nóg kirĩg ãg tĩ / Nós, Guardiões da Mata”, sobre a retomada Kaingang no Morro Santana, e “Cooperar é Resistir”, contando a história da PedalExpress, um coletivo de entregas que se utiliza de bicicletas em Porto Alegre; finalizando com o curta-metragem de ficção “Enquanto a Luz Não Chega”, com bate-papo sobre os desafios de uma produção que mescla o audiovisual e o teatro de sombras, com exibição completa do filme ao final – também como parte do circuito de lançamento do mesmo. As entrevistas sobre as produções foram intercaladas por intervenções musicais da banda “Expresso Livre”, com Jéssica Nucci no vocal, acompanhada dos violões de Vicente Guindani e Nil Tavares. O Talk Exu, uma iniciativa autônoma do Coletivo Catarse, é parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

2° episódio do Videocast do Coletivo Catarse – sobre o Ritmo e Poesia das Vozes Indígenas do Brasil

Na segunda edição, gravado em 26/11, no Estúdio Monstro, estavam presentes Kapri Kaingang, liderança da Retomada Gãh Ré, de Porto Alegre, Vera Kaninhka, também Kaingang, artista gráfica (grafiteira!), também da capital dos gaúchos, e o rapper Owerá, Guarani Mbyá, participando online direto do litoral de São Paulo. São mais vozes somadas, contando suas experiências e visões sobre como o Movimento Hip Hop se envolve e contrubui na realidade de vida e de lutas de todas as etnias indígenas. A reflexão da música como ferramenta de comunicação e da existência permanente do RAP como expressão que interlaça os tipos linguísticos e que estimulou historicamente as conquistas, inclusive, em meio urbano, se complementou com o trabalho de quem enxerga o próprio corpo como um muro a ser grafitado – de formas figurativa e concreta. Os 2 episódios devem ser lançados já na semana que vem, início de dezembro. Não perca! A seguir, os clipes apresentados no videocast. Acesse o clipe de Owerá clicando aqui! Com o título de “No Ritmo e Poesia das Vozes Indígenas do Brasil”, o projeto tem dois episódios e vai ao ar no início de dezembro, fazendo parte do Programa Decola Hip Hop – uma iniciativa histórica da Secretaria de Cultura Hip Hop do RS e da Ong Suve (confere aqui). Na equipe, apresentando estavam Gustavo Türck e Marcelo Cougo, com filmagem de Billy Valdez e Vherá Xunú, da etnia Guarani, parceiro de longa data do Coletivo Catarse.

Micro Forum e Giro Cultural no Quilombo do Sopapo

O Coletivo Catarse esteve no Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, sábado, 22/11, participando de atividade do Projeto Pontão Ponto a Ponto: Tecendo as Culturas Gaúchas – uma realização do Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural ASSOBECATY, de Guaíba. Parte de uma gira que perpassou 10 regiões do estado, representando o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, expusemos nossa descoberta da Política Cultura Viva, a transformação que isso acarretou em nossos fazeres profissionais em mais de 20 anos e nossa relação intrínseca com o Quilombo do Sopapo. A seguir, algumas fotos de momentos do encontro, que teve ainda a potente manifestação de Ag (@agnescomgmudo) e os toques dos tambores do Quilombo – que nunca deixem de tocar! Importante ver, rever e contar juntes a história deste Ponto, tão ligado à nossa própria história. Fotos: Alexandre Garcia A programação foi assim: Vem aí o Micro-Fórum e Giro Cultural! 🎉 📅 22/11 — sábado⏰ Das 9h às 17h📍 Quilombo do Sopapo Um encontro para dialogar, aprender e fortalecer a cultura de base!Vamos discutir temas essenciais como:✨ O que é um Ponto de Cultura✨ O que é a Lei Cultura Viva✨ A importância dos Pontos de Cultura nas comunidades✨ A força da cultura de base✨ O papel do Conselho Gestor Programação: Início 9h🔸 Abertura com poeta, artista cênico e ativista do Hip Hop movimento negro Ag🔸 ⁠Café da manhã🔸 ⁠Conversa com Gustavo Türck (Ponto de Cultura Ventre Livre) Histórico Cultura Viva – Ponto de Cultura Ventre Livre e sua relação com o Quilombo do Sopapo🔸 ⁠Momento para bate papo e troca de experiências🔸 ⁠Fechamento da manhã com intervenção de Ag Pausa 12h🔸 Almoço no Quilombo do Sopapo Retorno 13:30🔸 Intervenção cultural com tambores do Quilombo do Sopapo (Leonardo Sangenito)🔸 Conversa com Gustavo Türck – As Relações de cultura comunitárias🔸 ⁠Bate papo🔸 ⁠Café da Tarde e fechamento com intervenção dos tambores Venha fortalecer nossa rede e celebrar a potência da Cultura Viva! 🌱✨ Associação Ponto de Cultura Quilombo do SopapoProjeto Pontão Ponto a Ponto: Tecendo as Culturas Gaúchas

Sementes de Liberdade: FAG celebra 30 anos de anarquismo na Comuna do Arvoredo

O vermelho e o negro pintaram a Maria Maria Espaço Cultural, junto à Comuna do Arvoredo, no Centro Histórico de Porto Alegre, no sábado, 23 de novembro. O espaço, que tem as lutas feministas e antirracistas como pilares, acolheu a celebração memorável das três décadas da Federação Anarquista Gaúcha (FAG). Ao entardecer, a militância libertária se reuniu nas calçadas em frente à Maria Maria, com banquinha de livros e camisetas, faixas, bandeiras e cartazes que estampavam o lema: “30 ANOS SEMEANDO SOCIALISMO LIBERTÁRIO”.  Um jogral construído a muitas vozes marcou o início da atividade, ecoando pelas calçadas  e atraindo o olhar dos passantes. Dentro da garajona, como também é chamado o espaço, seguiu o ato político com falas de Lorena e Carmen. As manifestações das companheiras da FAG navegaram pela história da organização, relembrando marcos e conquistas das últimas três décadas: “Nossa memória é instrumento de luta. Quando olhamos para trás, para a história do que nos moldou, vemos a face calejada de lutadores e lutadoras do povo oprimido. (…)  Somos frutos desses fragmentos de memória, das resistências populares na América Latina e no Brasil, das greves gerais, das insurreições populares, das lutas dos povos originários, camponeses, quilombolas, das favelas e periferias, dos lombos que não se curvaram à dominação.” Federação Anarquista Gaúcha Palmas, vivas e o lema “Lutar, criar poder popular!” encerraram o discurso carregado de convicção. Em seguida, a palavra foi passada para os anfitriões da casa: Nat, representando a Comuna do Arvoredo, Márcia, do Maria Maria Espaço Cultural, e Ruwer, pelo Coletivo Catarse. Pepe, militante da Federação Anarquista Uruguaia, encerrou o momento das falas trazendo saudações libertárias diretamente de Montevidéu. Abriu-se a programação cultural, com os artistas Drosa, Persona e Insano, do grupo de rap e poesia Noiarte da Região Metropolitana de Porto Alegre, seguido pela cantora Nanci Araújo, do Utopia e Luta. A dupla “Duas Guitarras”, formada por Julio Cruz, do Morro Santana, e o chileno Elias, trouxe um vasto repertório cancionerio latinoamericano. Em seguida foi a vez do pelotense Pedro Kowa apresentar canções autorais.  Na sequência, o palco foi aberto e apareceram algumas surpresas: Marcelo, vocalista da La Digna Rabia, e Lalo, músico uruguaio, morador da Comuna, apresentaram alguns clássicos da banda, que se apresentou pela primeira vez numa festa de 15 anos da FAG. E, para fechar a noite, algumas compas anarquistas ocuparam os microfones e apresentaram um canto feminista.  A SABER Fundada em 18 de novembro de 1995, a FAG celebra uma trajetória dedicada à construção do anarquismo especifista, vertente do socialismo libertário e germinada no sul global. Sob forte influência da Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e alimentada pelas lutas populares da América Latina, no Brasil, a ideologia é levada adiante pela Coordenação Anarquista Brasileira (CAB). A celebração dos 30 anos da FAG é um lembrete de que a revolução também é feita de afeto, como diria Emma Goldman “se eu não puder dançar, não é minha revolução”. – As atividades desenvolvidas no Maria Maria Espaço Cultural fazem parte da programação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)” contemplado no Edital Sedac nº 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.

Videocast do Coletivo Catarse estreia tratando da participação indígena no movimento Hip Hop

Acostumados a gravar podcasts, a equipe se apertou no Estúdio Monstro, na sede do Coletivo, para colocar os elementos “câmera”, para além dos microfones, e gravar o primeiro videocast de uma série de 2 sobre a relação da cultura indígena brasileira e o movimento Hip Hop. Contando com os convidados Nativo Xondaro, de etnia M’Bya Guarani de São Paulo, e a MC Anarandá, Guarani Kaiowá de Campo Grande-MS, online, e Fernando Xokleng, indígena Xokleng de Santa Catarina, presente no estúdio, o bate-papo correu pelas razões as quais todos, sendo indígenas e com raízes fortes em suas culturas, faziam as suas expressões se utilizando do RAP e como isso somaria a suas lutas. Com o título de “No Ritmo e Poesia das Vozes Indígenas do Brasil”, o projeto tem dois episódios e vai ao ar no início de dezembro, fazendo parte do Programa Decola Hip Hop – uma iniciativa histórica da Secretaria de Cultura Hip Hop do RS e da Ong Suve (confere aqui). Na equipe, apresentando estavam Gustavo Türck e Marcelo Cougo, com filmagem de Billy Valdez e Vherá Xunú, da etnia Guarani, parceiro de longa data do Coletivo Catarse. A seguir, os clipes apresentados no videocast, com um trabalho de cada convidado.