Encontro de Culturas Periféricas reúne cerca de 300 pessoas para debater arte e democracia na Feira do Livro de Porto Alegre

No dia 8 de novembro, o Coletivo Catarse esteve fazendo a transmissão ao vivo do evento. Centenas de pessoas se reuniram para conferir uma programação diversificada, mesclando debates com poesia, literatura e música, em evento organizado pelo Comitê de Cultura no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Ao longo de todo o sábado (8), estiveram presentes no Espaço Jovem Banrisul, na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, nomes como Manuela d’Ávila, do Instituto “E Se Fosse Você?”, Winnie Bueno, pesquisadora e ativista antirracista, Denise Pessôa, deputada e presidente da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, Susana Kaingang, jurista, advogada, educadora e pesquisadora indígena e Richard Serraria, compositor, pesquisador sopapeiro e poeta, Rafa Rafuagi, rapper e gestor do Museu do Hip Hop RS e Negra Jaque, rapper, gestora do Galpão Cultural, secretária do Hip-Hop no RS e escritora. (…) – texto do site do MinC, leia a íntegra, acesse aqui.

Teatro pra todas, todos e todes!

Desde julho, o teatro está a mil na Comuna do Arvoredo, dentro da programação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)” contemplado no Edital Sedac nº 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. São três turmas, incluindo crianças e adultas, que vêm experimentando no corpo a ludicidade da arte teatral, a expressão e a partilha em grupo. As duas turmas das crianças (de 6 a 9 e de 10 a 12 anos) desde antes do projeto PNAB, já vivenciavam esse espaço, experenciado no salão Zé da Terreira e consolidado dentro da Comuna do Arvoredo pela professora de teatro Andressa Corrêa e que, em 2025, está sob a batuta da atriz, arte-educadora e produtora cultural Lorena Sánchez*. Mais uma vez, as crianças estão mergulhando em um percurso de criação cênica que partiu do próprio universo delas: seus jogos, suas histórias, invenções, perguntas, afetos e formas de ver o mundo e acolher as divergências. O trabalho tem como base jogos de aquecimento, improvisações, brincadeiras de corpo e voz, dança e musicalidade. Também foi incorporado à oficina, como fonde de inspiração, o projeto “Sucatadora de Histórias”, idealizado por Lorena, onde práticas de coleta de objetos e memórias se tornam laboratório de transformação narrativa. Os objetos do cotidiano, como tecidos e utensílios de cozinha, assim como sucatas, foram transformados em adereços e bonecos, mas não apenas como recursos cênicos, senão como extensão da imaginação. Cada exercício busca ampliar o olhar para o coleguinha e a capacidade de construir algo em conjunto. Agora, o grupo entra na etapa da tão aguardada de montagem de final de ano. A mostra de todo esse processo, que tomará forma como um espetáculo de criação coletiva, está agendada para o dia 16 de dezembro, no Teatro Carlos Carvalho, da Casa de Cultura Mario Quintana. O que se verá no palco não é uma peça pronta ao molde tradicional, mas o registro de tudo o que está sendo construído, sentido e inventado pelas crianças ao longo da oficina: o teatro como espaço de experiência, e não apenas de resultado. Antes disso, e como parte importante deste percurso, Lorena promove uma atividade de criação entre famílias, onde responsáveis e crianças serão convidados a confeccionarem juntos materiais de cena, figurinos e adereços. Será um momento de colaboração e partilha, fortalecendo vínculos dentro e fora do palco. Já a turma dos adultos foi inaugurada a partir da vontade de algumas mães de aproveitar esse momento da aula dos filhos para, também, fazer teatro. Resultou em um grupo de seis mulheres, com aulas ministradas por Rê Amorim**. Os encontros das adultas tem sido um lugar de trabalho e, ao mesmo tempo, de diversão e prazer. Tem sido desenvolvidas questões de desinibição, expressão corporal e emocional, junto com conexão interpessoal, confortavelmente saindo da zona de conforto de cada uma. E, por fim, criando e desenvolvendo os princípios e técnicas teatrais de estar em cena. O final do ano aponta para apresentações muito especiais das turmas na Casa de Cultura Mário Quintana, incluindo a das adultas, fechando as oficinas com a experiência profunda de estar no palco. Portanto, te agenda, que dezembro está logo ali. *Lorena Sanchez é atriz, arte-educadora e produtora cultural, com formação popular e experiência em processos colaborativos de criação cênica. Atua com pedagogias do objeto e do jogo lúdico como ferramentas de expressão e colheita de memórias. **Rê Amorim, palhaço há 12 anos e educador-social, integrante da Comuna do Arvoredo. Pela ONG Doutorzinhos, em Porto Aalegre, durante oito anos esteve por hospitais e instituições, se envolvendo e sendo tocado pelo mundo. Em Guaíba, pode conhecer o Teatro do Oprimido, método de resistência e transformação social. Além disso, ministrou a oficina “Palhaçaria Popular” para adultos. Cursou dezenas de oficinas com Ésio Magalhães, Pepe Nuñes, Melissa Dorneles, Raquel Sokolowicz, Avner Eisenberg, Ivan Prado entre outres, trocando e aprimorando habilidades nessa longa caminhada da pesquisa artística. Texto: Têmis NicolaidisRevisão: Anahi Fros

Ao Vivo no Maria Maria #17 – Luiz Fellipe Capisani

Em 18 de outubro, Luiz Fellipe Capisani esteve apresentando a música ATMOSFERA CRISTAL. AO VIVO no MARIA MARIA é uma produção do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, em realização junto ao Maria Maria Espaço Cultural, ambos com sede na Comuna do Arvoredo (Porto Alegre, Rua Fernando Machado, 464). Gravado em Porto Alegre, 18/10/2025. Imagens e edição: Billy Valdez. A atividade integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS

Dj Piá “in da house” com a Oficina de Hip hop – discotecagem e história

Nesse setembro, completamos mais uma oficina em parceria com o DJ Piá. Durante 2 meses, recebemos semanalmente na Comuna do Arvoredo as aulas da ” Oficina de Hip hop – Discotecagem e História com Dj Piá”, que integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. Alem de aprenderem, na prática, as técnicas de discotecagem, os oficinandos tiveram momentos de troca de saberes e informações da história da música negra, voltada ao seguimento do hip-hop, trazendo uma linha do tempo do que estava acontecendo no exterior e, ao mesmo tempo, no Rio Grande do Sul e Brasil. Os alunos também contaram com uma aula sobre acessibilidade, com a nossa parceira Simone Dornelles. E a grande surpresa estava no final. Ao término da oficina, quem se sentiu seguro pôde colocar em prática o aprendizado de discotecagem numa festa de enceramento, que aconteceu em 19 de setembro, uma sexta-feira, durante dia de Maria Maria Espaço Cultural, que transformou a nossa Garajona em uma grande pista de dança. * Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)” tem ainda na sua proposta a previsão (já em execução) de pelo menos 40 atividades culturais diversas na Comuna do Arvoredo, em coprodução com a Maria Maria Espaço Cultural até maio de 2026. Fiquem ligados nas nossas redes! Seguem alguns registros feitos durante a oficina e da festa de encerramento. Oficina Festa de Encerramento Fotos: Billy Valdez

Comunicar para transformar: 21 anos do Coletivo Catarse e muito mais

O Coletivo Catarse comemora 21 anos de existência, resistência e reinvenção em 2025. Dessas mais de 2 décadas, 11 anos foram assumindo-se, também, como Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Esse Coletivo, tão diverso nos seus fazeres, é um centro nervoso de relações, temáticas e formatos, que tem como espinha dorsal a comunicação. De cada um dos seus atuais 13 cooperados sai uma ramificação de atuações que conectam a outros atores e organizações, formando um rizoma forte e consistente, que garante toda essa longevidade. Este último ano foi marcado por muitas realizações, as quais são celebradas e assumidas pela cooperativa como sua identidade atual, pois esta está sempre em constante evolução. Abaixo listamos algumas das nossas realizações no último período (impossível colocar tudo!): Enquanto a Luz Não Chega. Curta-metragem de ficção, realizado através da Lei Paulo Gustavo (2023), SMC-POA. O filme propõe uma reflexão sobre o impacto da tecnologia nas relações humanas. Do encontro do teatro de sombras e do audiovisual, a história trata sobre desconexões e apatias e os caminhos que a escuridão aponta. PNAB – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais). Conjunto de ações que envolvem programação cultural da Maria Maria Espaço Cultural com música, teatro, sarau, entre outros; Oficinas de Teatro e de audiovisual voltados para a infância; Oficina de Hip Hop (História e Discotecagem); Carijada – encontro para a produção artesanal de erva-mate e o Talk Exu, talk show de variedades. Cheiro de Enchente – curta metragem – Documental (2025). A fetidez cessou conforme as estruturas que resistiram às chuvas foram secando e sendo limpas, mas as marcas do pé-d’água descomunal permanecem. Não apenas nas paredes ainda encardidas com as indicações da altura em que a inundação chegou, como também na memória de quem sofreu com a força da natureza. Essas recordações estão registradas em “Cheiro de Enchente”. Um documentário produzido em parceria com a banda Diokane que ao final o desfecho é em formato de videoclipe do single de mesmo nome “Cheiro de Enchente”. Cooperar é resistir. Filme documentário que trata de parte da trajetória de luta da Pedal Express, coletivo de entregadores de bicicleta que atua há 15 anos na cidade de Porto Alegre. Vasalisa, a Sabida. Primeiro espetáculo autoral realizado pelo Coletivo Catarse. Espetáculo cênico multilinguagem que parte do conto tradicional russo Vassilisa, a Bela, interpretado pela psicóloga junguiana e escritora Clarissa Pinkóla Estes, no livro Mulheres que correm com os lobos. Afim de recriar, em linguagem contemporânea, uma jornada simbólica de amadurecimento e empoderamento feminino, através da conscientização do poder da intuição. Nós, guardiões da mata. Filme documentário que conta, desde a primeira noite, a luta pelo território ancestral Kaingang aos pés do Morro Santana, Zona Leste de Porto Alegre. O filme mostra essa trajetória de uma família e seus apoiadores, centrado na figura da liderança política e espiritual Gãh Té e teve apoio da Witness Brasil. MET Audiovisual. O Coletivo Participa ativamente na gestão do projeto que visa criar um ecossistema de audiovisual envolvendo produtoras e agentes da Região Metropolitana, produzindo oficinas de formação, residências dentro das produtoras, circulação de conteúdos, etc. Encontro de cineastas indígenas. Promovido em parceria com a Rede Coral – Porto Alegre, Retomada Gãh Ré e muitos apoiadores, através de um edital do Ibercultura, o encontro possibilitou a troca de experiências entre indígenas Guarani, Kaingangs e Xoklengs. Rádio Voz do Morro. Apoio e participação nas atividades da Rádio Comunitária localizada no Morro Santana. A Rádio é uma articulação local que busca potencializar as atividades e lutas na região, com forte viés comunitário. O Despertar do Sol. Minidocumentário revela um olhar sobre a cosmopercepção Mbyá Guarani, registrando um pouco do modo de ser e viver na Tekoá Tavaí (Canelinha-SC). Os indígenas compartilham ao longo da obra um pouco da sua cultura, da maneira de se organizar e da sua relação de convivência harmoniosa com a natureza. Edição do Coletivo Catarse. Projeto Porto Novo. O Projeto Porto Novo é uma iniciativa de criação e difusão de conteúdos audiovisuais junto à comunidade do bairro Rubem Berta, em Porto Alegre/RS, com foco na identidade, autoestima e pertencimento ao território Porto Novo. Desenvolvido pelo Coletivo Catarse em parceria com a EMEF Porto Novo e a Unidade de Saúde Santíssima Trindade, o projeto promoveu oficinas com turmas de 9º ano da escola, possibilitando que estudantes se tornassem protagonistas da construção de narrativas sobre sua realidade. Juarez Negrão. Artista plástico, poeta, vivente das artes e da cultura popular. Um cidadão que circula bastante entre Novo Hamburgo e Porto Alegre, trafegando pelos trilhos do trem, viajando para além dos limites municipais, tem encontrado ancoragem neste grande espaço de acolhimento que é a Comuna do Arvoredo, especificamente nos empreendimentos que ali habitam – o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e a Maria Maria Espaço Cultural. Nessa trajetória, entre conversas, mostruários de xilogravuras e esculturas para a venda e subsistência do artista, rolou a conexão entre o Coletivo e a arte de Juarez, de formas e cores que traduzem as influências de matriz africana em meio à urbanidade da Grande POA Quilombo Vila Nova. Há três anos o coletivo vem fortalecendo a comunidade quilombola de São José do Norte. O trabalho continuado de pesquisa e comunicação já rendeu um documentário, um Protocolo de Consulta Livre Prévia e Informada, exposições de fotos, formalização da associação quilombola, uma dissertação de mestrado e atualmente ainda fortalece uma transição para o cultivo agroecológico de arroz. Projeto CASA na retomada. Como organização parceira da Retomada Kaingang Gah Ré junto da rede da Teia dos povos, participou da iniciativa de reflorestamento e resiliência climática da aldeia. Foram plantadas 400 mudas nativas, construído um viveiro e manejadas espécies invasoras como pinus e vassourinha. Capoeira no Ventre. Ao longo do ano o Ponto de Cultura tem recebido atividades dos parceiros da Áfricanamente Capoeira Angola. O núcleo coordenado pelo treinel (professor) Daniel Jamaica oferece aulas de capoeira semanais, e o núcleo dos treinéis Maskote e Jane tem realizado oficinas …

Talk Exu #3 – nós na economia solidária e NÓS em cia de teatro

O projeto Talk Exu, do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, chegou na quinta, 25 de setembro, ao seu terceiro episódio, trazendo para a pauta a economia solidária e autonomia e os 18 anos da NÓS CIA DE TEATRO, intercalado por intervenções musicais do artista Luís Valério e exibição ao final do curta-metragem P A R A L E L O. FICHA TÉCNICADireção geral e roteiroTêmis Nicolaidis Apresentação e produçãoMarcelo Cougo Direção técnica e broadcastGustavo Türck Fotografia e operação de câmerasBilly Valdez ProjeçõesLorena Sánchez Direção de arteAna Gabriela Iplinski ProduçãoBruno Pedrotti O Talk Exu, uma iniciativa autônoma do Coletivo Catarse, pretende levar ao ar mais dois episódios ainda neste ciclo, somando quatro programas, como parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. No âmbito da proposta, também estão previstas e já em execução pelo menos 40 atividades culturais diversas na Comuna do Arvoredo, em coprodução com a Maria Maria Espaço Cultural até maio de 2026, buscando contemplar cerca de 100 artistas locais, além de oferecer, em outros espaços, oficinas de teatro para crianças e adultos, uma atividade de carijada (produção artesanal de erva-mate), oficina de discotecagem/hip hop com DJ Piá (cuja festa de encerramento ocorreu no dia 19/9), entre outras ações. Temáticas do Talk Exu #3Economia solidária e autonomia | Convidadas: Gil Neves – Militante do Movimento Popular de Economia Solidária, integrante dos Coletivos de Trabalho de Economia Solidária Feministas Negro D’versas e Afro Aya, integrante da Rede Ubuntu de Cooperação Solidária, educadora do Centro de Assessoria Multiprofissional (CAMP), integrante da Rede de Comércio Justo e Solidário (RCJS), da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), sócia da Casa da Mulher Trabalhadora (CAMTRA RJ), sócia da Associação Cultural Quilombo do Sopapo, sócia da cooperativa Ajeumbò, graduanda em Administração Pública e Social na Escola de Administração da UFRGS, fundadora do Fórum de Mulheres Negras da Economia Popular Solidária, assessora técnica em Temas de Economia Popular Solidária, Gênero, Comunicação, Raça e organizadora de eventos. Lisbet dos Santos Pinheiro – Artesã, arte-terapeuta, empreendedora na Ecosol, mãe do Pedro e da Helena. Integrante do Coletivo Afro Aya, educadora social no CAMP, professora de técnicas artesanais no Projeto Mulheres Mil/ Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) – Campus Restinga, cofundadora do Fórum das Mulheres Negras Trabalhadoras da Economia Popular e Solidária (Fespope), expositora da loja Fespope. NÓS CIA DE TEATRO celebra 18 anos | Convidados: Everson Silva – Diretor e ator de teatro e fundador da NÓS CIA DE TEATRO. Atua como diretor artístico da Cia de Arte La Negra, escolas de dança Aline Rosa e Cadica Danças e Ritmos. Ganhador do Prêmio Açorianos de Teatro como melhor direção revelação em 2013. É professor formado pela Universidade Uniasselvi. Ministra oficinas de teatro, faz pesquisas artísticas, atua em produções audiovisuais como curta-metragens e em trabalhos empresariais com artes cênicas. Letícia Virtuoso – Atriz, pesquisadora e professora de teatro e produtora cultural. Atuou na Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (2009/20), onde realizou espetáculos como: O Amargo Santo da Purificação, Viúvas – Performance Sobre a Ausência, Medeia Vozes e Caliban – A Tempestade, de Augusto Boal. Faz teatro há 20 anos. Atualmente, está membra da NÓS CIA DE TEATRO, Ação Nômade e é diretora do Teatro na Prática. Atração artística | Convidado: Luís Valério – Cantor, compositor, dançarino e gestor cultural. Em 2005, começou a cantar profissionalmente, em Porto Alegre. Desde então, vem produzindo, junto a alguns parceiros, seus próprios shows e investindo seu tempo em pesquisa musical, composição e gestão cultural. É responsável pelo projeto Voz Base, que acontece mensalmente em Porto Alegre desde 2023 e tem a voz como instrumento principal. Curta-metragem | Exibição: P A R A L E L O – O espaço entre o desejo e o real colidem com uma personagem contemporânea, onde limites e decisões distorcem a realidade. Com Charlotte Dafol, Ana Rodrigues e Gustavo Türck no elenco. Direção, direção de fotografia e produção: Éverson Silva e Têmis Nicolaidis. Realização: Cinehibisco e Coletivo Catarse. Ano: 2014.

Um artista em formalização e exposição

Juarez Negrão é um artista plástico, poeta, vivente das artes e da cultura popular. Um cidadão que circula bastante entre Novo Hamburgo e Porto Alegre, trafegando pelos trilhos do trem, viajando para além dos limites municipais, tem encontrado ancoragem neste grande espaço de acolhimento que é a Comuna do Arvoredo, especificamente nos empreendimentos que ali habitam – o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e a Maria Maria Espaço Cultural. Nessa trajetória, entre conversas, mostruários de xilogravuras e esculturas para a venda e subsistência do artista, rolou a conexão entre o Coletivo e a arte de Juarez, de formas e cores que traduzem as influências de matriz africana em meio à urbanidade da Grande POA. “A temática presente na produção do artista se aproxima das coisas que são tratadas desde cedo pelo Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, que já teve como artista residente o grande Paulo Montiel, pintor dos orixás, e que temos telas de seu acervo sob nossa responsabilidade. Dessa forma, foi feito e aceito o convite para que ele, Juarez, seja nosso parceiro nessas e outras empreitadas. Estamos comemorando isso e também o fato de que, para melhor atender as necessidades da vida burocrática que envolvem também o ofício da arte, conseguimos auxiliar ele a concluir a etapa de sua formalização como um MEI. Parece pouco, mas isso ajuda o artista a receber diretamente de projetos culturais, fazer os seus próprios projetos, receber de contratos com entes públicos, vendas de seu trabalho, entre várias outras coisas. De pão, vinho e muito mais vive o homem e o artista. Que daqui pra frente seja sempre mais!” – é o que reflete Marcelo Cougo, um dos historicamente responsáveis pelo Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre no Coletivo Catarse. Desde o dia 14 de setembro, está acontecendo a Exposição Diáspora, de Juarez Negrão, no Ponto de Cultura Casa da Praça, que fica na Rua Cacequi, 19, bairro Boa Vista, em Novo Hamburgo – com entrada gratuita. A exposição fica aberta até o dia 14 de outubro, nas quartas-feiras, das 18h30 às 22h, e, nas quintas-feiras, das 9h às 12h e 13h às 18h. Também é possível agendar visitação em outros horários pelo telefone (51) 99243.7730. A Galeria Casa da Praça apresenta o trabalho autoral do artista plástico Juarez Negrão, morador de Novo Hamburgo, residente da Casa da Praça e aluno da Escola Municipal de Artes Carlos Alberto de Oliveira. Na exposição “Diáspora”, através da história, ancestralidade e cultura afro-brasileira, Juarez apresenta um universo negro, de rica cultura e resistência, com técnicas como pintura, escultura e xilogravura. A seguir, algumas fotos da exposição realizadas por Billy Valdez, quando da inauguração em 14 de setembro. O apoio ao artista plástico Juarez Negrão é também parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Estão previstas a produção de telas e exposição dos trabalhos de Juarez na sede do Ponto.

O Grande Tambor – Histórias Não Contadas

“Se não compreendermos a diversificação cultural, com os sincretismos adotados na mistura de diferentes culturas africanas, vindas para a região, jamais aceitaremos ou compreenderemos sopipa, yakupapa, ou sopapo de Rio Grande e Pelotas. A cultura aqui formatada carrega todas essas influências – e é local. A história não contada, é a história a ser descoberta.” – assim fala Mestre José Batista, filho do luthier Mestre Baptista, em mensagem, refletindo sobre os caminhos que se devem traçar as novas pesquisas de uma nova série sobre o Tambor de Sopapo em produção. O projeto é de autoria da família Baptista, tendo a Produção Executiva de Nina Grace, neta de Dona Maria e Mestre Baptista, e filha de Zé, que traz com ela a concepção para a reflexão a que se propõe esta série. Com o título de O Grande Tambor: Histórias Não Contadas, será divida em 4 episódios que devem mergulhar ainda mais na história sobre o Sopapo, tambor que é um dos símbolos culturais mais significativos do Rio Grande do Sul e também patrimônio imaterial da cidade de Pelotas. O trabalho está entrando em fase de entrevistas, que devem abarcar mestres e agentes da cultura popular, pessoas ligadas à história, ao carnaval e ao uso contemporâneo deste instrumento. As mulheres também terão sua voz com destaque no papel fundamental que desenvolveram tanto no apoio como efetivamente tomando parte em ações que mantiveram e mantêm a existência da cultura sopapeira. O Coletivo Catarse está inserido neste novo projeto desde o seu início, quando ainda era ideia e passou a ser proposta ao EDITAL SEDAC nº 31/2024 PNAB RS – MEMÓRIA E PATRIMÔNIO. Nina e José Batista conectaram, então, o seu atual protagonismo com o histórico de ações do Coletivo – principalmente marcado pela produção do documentário O Grande Tambor, de 2010. Desde então, não foram poucas as relações estabelecidas e outras atividades desenvolvidas – como é possível perceber ao final desta postagem -, no entanto, restava uma sensação de que algo a mais precisava ser dito. Como um pulsar retumbante e grave deste grande tambor, a ressonância das ideias e vontades se mixou com sugestões e caminhos levantados para novas entrevistas, momentos e lugares que ainda não haviam sido explorados ou que foram surgindo em mais de duas décadas de envolvimento desses protagonistas com o sopapo. “É uma proposta que deve não necessariamente atualizar o que trouxe o documentário original, mas trazer à tona mais algumas histórias, mais implicações e outros pontos-de-vista que não estiveram presentes na obra de mais de uma década atrás e também que se constituíram com este passar de tempo até a contemporaneidade. Por exemplo, entregamos um ‘sopapo inacabado’ ao Mestre José Batista, que ele mesmo fez de exemplo em uma oficina realizada há alguns anos já, em Porto Alegre, numa atividade do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Este ‘casco’, segundo o Mestre, já é defasado, está num tamanho que ele vem superando, fazendo menor… E por que isso? Como fica o ‘sopapo original’ nessa história? E essa noção existe mesmo? Então, é isso que também queremos abordar.” – indica Gustavo Türck, que também assina a direção desta obra. Já foram realizadas 2 idas a Pelotas nesta fase inicial. A primeira, ocorrida em agosto, foi inteira de consolidação da concepção e de roteiro – que culmina um diálogo já de meses que vinha ocorrendo entre a equipe sempre online. Houve trabalho de levantamento de possíveis personagens, delimitação de temas e discussão sobre estética e produção. Já na segunda volta, partiu-se para a filmagem das entrevista-base, com Mestre José Batista e Nina Grace. Esses dois personagens darão o fio narrativo, que ainda deve contar com pequeno resgate da história já contada e trilha sonora conectada com o primeiro filme e a carreira de Marcelo Cougo. “As vivências em Pelotas e Rio Grande, na época d’O Grande Tambor, foram a inspiração para a criação das músicas. Depois, veio o trabalho primoroso em estúdio nos arranjos de Lucas Kinoshita. Desta vez, a gente pretende resgatar algumas melodias compostas ainda na inércia de toda aquela experiência. Visitar Pelotas, conviver com a família Baptista, sempre é motivo de emoção e criação. Esperamos que dessa vez seja novamente assim.” – completa o músico que também teve passagens na Bataclã FC, quando a convivência com o sopapo era diária. Serão ainda mais alguns meses e boas idas e vindas entre Porto Alegre e Pelotas até o lançamento. Nem todas a histórias devem ser abordadas – o que seria impossível – muito menos uma única verdade emergirá, mas a série O Grande Tambor – Histórias Não Contadas deve agregar em muito a um compêndio de conhecimento e produção cultural que vem sendo evidente e importantíssimo para a permanência e para a retomada do Tambor de Sopapo desde o projeto CABOBU entre os anos de 1999 e 2000. A seguir, alguns dos materiais que o Coletivo Catarse já produziu, iniciando com o documentário O Grande Tambor. * O Grande Tambor em revista10 anos depois, Gustavo Türck, diretor do filme O Grande Tambor, contemplado em Culturas Populares nos Editais Emergenciais de Auxílio à Cultura da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, propõe este podcast em estilo “live”. Uma conversa com Marcelo Cougo, quem dirigiu a trilha sonora do documentário, e Leandro Anton, fotógrafo still do projeto e um dos mentores da ideia inicial desta jornada, e com Zé Baptista e Dona Maria, luthier e filho e a companheira de vida de Mestre Baptista, um dos personagens principais dessa história. Além das participações por áudio de Lorena Sanchez, percussionista do grupo de mulheres Iyalodê Idunn, Lilian Rocha, poetisa e idealizadora do espaço Sopapo Poético, Richard Serraria, músico e grande pesquisador do Tambor de Sopapo, e Ledeci Coutinho, professora, diretora de escola pública, gestora em educação e mulher negra em descoberta de si mesma, a voz e a imagem que dão a força ao final do quebra-cabeça montado por Têmis Nicolaidis e a equipe de direção do Projeto do filme O Grande Tambor. * O Grande Tambor 10 …

‘Vasalisa, a Sabida’ teve estreia no Teatro dos Vampiros e 14º Festia

Espetáculo nasceu de forma independente, explorando multilinguagens na sua composição para falar sobre intuição feminina. Numa coprodução Coletivo Catarse/Ponto de Cultura Ventre Livre, Projeta Matricêntrica e La Lola Produtora, a obra Vasalisa, a Sabida, que estreou em setembro, parte do conto tradicional russo Vassilisa, a Bela – ressignificado pela psicóloga junguiana e escritora Clarissa Pinkóla Estés no livro Mulheres que correm com os lobos –, recriando, em linguagem contemporânea, uma jornada simbólica de amadurecimento e empoderamento feminino que exalta a força da intuição. Com duração de 30 minutos, a montagem assume o formato de audiodrama, propondo uma experiência sensorial marcada por um trabalho sonoro envolvente, que cria atmosferas e paisagens imagéticas. Sons, trilha sonora original, vozes e manipulação de objetos se alinham a recursos de teatro de animação, dança, luz e sombra, costurando uma narrativa multilinguagem. A história acompanha uma jovem guiada por uma boneca mágica – presente da mãe em seu leito de morte –, que é colocada à prova, tendo que atravessar uma floresta misteriosa até encontrar a temida bruxa Baba Yaga. Mais do que narrar um conto, o espetáculo convida o público a mergulhar em um ritual de escuta, memória e imaginação. O trabalho vai além do entretenimento, propondo reflexões sobre a valorização das subjetividades femininas, a intuição como ferramenta de percepção da realidade, a conexão com os ciclos da vida e a celebração da sabedoria que habita cada um de nós. O projeto teve seu processo intensificado em maio de 2025 e, em agosto, contou com um ensaio aberto no Salão da Comuna do Arvoredo no Centro Hsistórico de Porto Alegre. Em 5 de setembro, estreou oficialmente no Teatro dos Vampiros, localizado no Café Mal Assombrado, e participando ainda da abertura do 14º Festival de Teatro Popular (Festia), em Canoas, ampliando sua circulação em diálogo com diferentes territórios e públicos. Estreia no Teatro do SESC Canoas durante o 14º Festia. Fotos: Grupo Tia O Coletivo Catarse, reconhecido como Ponto de Cultura e Saúde pela Política Nacional Cultura Viva desde 2008 e hoje situado no Centro Histórico de Porto Alegre, na Comuna do Arvoredo, atua fortemente em rede locais e nacionais. Já esteve envolvido em produções teatrais como Língua Lâmina (teatro literário), Faces de Eva (teatro musical), além de manter forte parceria com a Cia Teatro Lumbra, referência no teatro de sombras, além de outras colaborações com coletivos cênicos como Trupi di Trapu e NÓS CIA DE TEATRO. Com direção cênica de Lorena Sánchez e criação de Aline Ferraz e Têmis Nicolaidis, além da trilha sonora original de Marcelo Cougo e Marcelo Égüez, “Vasalisa, a Sabida” reafirma a potência da criação coletiva e multilinguagem, apostando na escuta e no sensível como caminhos de resistência e transformação. Ficha técnica Aline Ferraz – Atuação, produção, roteiro em áudio, dramaturgia, cenário e elementos cênicos e figurinosTêmis Nicolaidis – Atuação, iluminação, produção, roteiro em áudio, dramaturgia, cenário e elementos cênicos e figurinosLorena Sánchez – Direção e produçãoMarcelo Cougo e Marcelo Égüez – Trilha sonora originalBilly Valdez – Registro fotográficoGustavo Türck – Tratamento de som e masterizaçãoEthiéne Guerra – Assistência e confecção de figurinos AgradecimentosRaul Voges, Alexandre Fávero, Comuna do Arvoredo e Mainô RealizaçãoNúcleo de Teatro do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura Saúde Ventre Livre CoproduçãoProjeta Matricêntrica e La Lola Produtora ApoioComuna do Arvoredo

Um mundo em uma caixa

Entre os dias 10 e 16 de agosto, no Ponto de Cultura Vale Arvoredo, em Morro Reuter, aconteceu o retiro artístico RETIRAMBE – um encontro de imersão artística de Teatro Lambe Lambe. Durante os 7 dias, foram criadas histórias que coubessem em uma caixa, em que um espectador torna-se uma plateia inteira. A delicadeza de uma dramaturgia em miniatura contrasta com as potentes possibilidades que este tipo de linguagem poética pode atingir. O retiro teve condução de Denise Di Santos, considerada uma das cocriadoras do Lambe. Ao final, no sábado, uma apresentação coletiva, com “casa cheia” em cada espetáculo – mais de uma vez! – e a participação de Ubiratan Carlos Gomes, com sua viola caipira, trazendo trilha sonora ao vivo e contos de sua carreira como criador do grupo Anima Sonho de teatro de bonecos, juntamente a seu irmão Tiarajú Carlos Gomes. Registros por Têmis Nicolaidis, nesta visita que o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre fez no dia 16.