Arquivo da tag: Política

Quarta, 22/08, municipários farão ato no Paço Municipal de Porto Alegre

Nesta quarta-feira, 22 de agosto, os municipários de Porto Alegre vão para o 23º dia de greve da categoria e fazem um ato no Paço Municipal, a partir das 9h. O ato é para tentar abrir uma mesa de negociação com o prefeito Marchezan sobre a Data Base 2018 do Simpa. O Sindicato quer dialogar com o prefeito a respeito da reposição da inflação dos municipários, que não é paga desde o ano passado, e sobre as demais reivindicações da categoria, como, por exemplo, nomeações de concursados, melhores condições de trabalho e revogação do projeto de lei que estabeleceu uma Previdência Complementar ao funcionalismo.

Para ver toda a pauta de reivindicações dos municipários, acesse: https://simpa.org.br/pauta-de-reivindicacoes-data-base-2018/

A burguesia elitista revelou toda sua baixeza contra Manuela D’Avila


Por Jacques Alfonsin

Manuela D´Avila é comunista. Foi campeã de votos, tanto para exercer o mandato parlamentar na Câmara dos deputados quanto para a assembleia legislativa do Rio Grande do Sul. Por aliança do seu partido PCdoB com o PT, abriu mão da sua candidatura à presidência da República este ano para ser vice de Fernando Haddad nas eleições de outubro.

Com um currículo desta envergadura, há de se convir que toda a mulher com tais credenciais, somadas ao fato de que não pesa contra ela qualquer suspeita de corrupção política, seria muito bem acolhida em qualquer ambiente público ou privado, partido, associação, clube, ou mesmo grupo de pessoas que costumam se reunir informalmente por simples espírito fraterno de amizade. Não foi o que aconteceu com a Manuela.

Conforme escreveu Paulo Germano no caderno Doc. da Zero Hora de 11/12 deste agosto, sob o título “O naufrágio da tolerância”, Manuela, seu marido Duca lindecker, sua família, não podem continuar frequentando as dependências, nem gozando da condição de sócios do clube Veleiros do Sul em Porto Alegre, para a qual tinham sido convidados pelo próprio Comodoro da entidade. Tudo resultante de uma pressão exercida por um grupo de outros sócios sobre a direção do mesmo:

“O que pesou é serem comunistas – diz um sócio do Veleiros que pediu para não ser identificado – cada um no seu quadrado. Cada um que procure o grupo que melhor se enquadre nos seus valores. Ou alguém pensa que eu seria bem recebido no Partido Comunista?”

Em pleno século 21, num clube que reúne pessoas de classe média e rica, ainda existe gente portadora de “valores”, como o quadrado que falou isso, convencida de que um apartheid desse tipo se explica e justifica por diferenças ideológicas e, ou, partidárias. Pensar-se que a defesa enfática de uma segregação dessa espécie, um complexo de superioridade desse tipo, um preconceito viciado pelo sentimento de que a diferença de pensamento e ação das/os outras/os é sempre inferior à própria, a ignorância, a parvoíce e a imbecilidade que se revelam aí não são traços remanescentes de uma herança imoral que ainda viceja nesse meio, é um risco do qual a sociedade toda precisa se prevenir.

Mesmo que a iniciativa dos sócios do Veleiros, incomodados com a presença da Manuela e de sua família ali – ao ponto de terem ameaçado a direção do clube de agirem judicialmente se não fossem ouvidos – não conte com a unanimidade das/os outras/os sócias/os, como revela Paulo Germano, o incidente constrangeu de tal forma o casal que esse tratou de impedir os desdobramentos previsíveis de uma queixa absurda como essa. Retirou-se espontaneamente, Manuela, inclusive, em silencio, assim poupando amigos e amigas de se envolverem em sua defesa.

O problema maior, entretanto, reside no fato de transparecer um certo orgulho na voz daquele sócio denunciante do casal, uma agressividade convencida de estar sendo posta a serviço de uma causa merecedora de concordância geral e aplauso. Essa falta de consciência crítica sobre a própria conduta caracteriza grande parte da burguesia elitista, cercada por interesses medíocres do tipo preservar diferenças sobre quantas/os considera “por baixo”, sob um juízo medido exclusivamente por dinheiro, assim garantindo, quando menos na aparência envernizada pelo que considera chique, uma existência servil a “valores” tão baixos como os que inspiraram a denúncia contra o mesmo casal.

Não é de hoje que o pragmatismo rasteiro dessa moral exclusivista de grupo fechado recebe reprimenda exemplar e muito apropriada, tanto para o sócio denunciante que não quis se identificar como para o grupo classista ao qual ele pertence, de regra dependente de cumplicidades secretas:

“A sociedade passa a ser regida por uma rede de normas nunca confessadas, mas frequentemente mais rigidamente aplicadas que as regras declaradas ou oficiais. Na questão dos direitos, por exemplo, a posse pura e simples de um direito não basta para vê-lo respeitado; precisa-se também da amizade ou cumplicidade com alguém que tenha algum poder sobre a efetivação do direito. Não acreditamos que o povo simples seja beneficiário desse tipo de comportamento; pelo contrário, ela pode não observar sempre uma lei que não foi feita para ele, que não lhe é adaptada, não deixa de ser vítima de outras classes. Não há remédio, porque esta grave corrupção do bem comum não é motivo de culpabilização mas de ufanismo por parte de seus adeptos e beneficiários.” (Lepargneur, Hubert, “O descompasso da teoria com a prática: uma indagação nas raízes da moral”, `Petrópolis, Vozes, 1979, p. 71/2).

Manuela e Duca, então, saem engrandecidos desse mau momento e os acusadores fechados no próprio quadrado, ao qual pretendiam despachar quem feria sua moral pretensiosa e exclusivamente subjetiva. Vão ter de suportar a consequência contagiosa quase certa e contagiosa do que fizeram. A imprudente generalização de que o Clube Veleiros do Sul só aceita em seu meio gente quadrada como eles, não sendo possível velejar por lá com um mau tempo desses. Assim, quem pretendia humilhar a deputada, seu marido, sua família, sai desse incidente humilhado.

HH02-2018 – a cidade que queremos no Coletivo Catarse

Ouça o segundo programa de 2018 – heavy metal, política, ideologia, qual cidade queremos…

– sextas, ao vivo, no facebook.com/programaheavyhour na live, e no site do Coletivo Catarse a partir das 16h
– sábados no rockpedia.com.br às 18h
– e também no osubsolo.com

Atlanta: this is America (1a temporada)

*pode conter spoilers

Uma obra de arte do artista Donald Glover (ator de seriado, de cinema pipoca, músico/rapper, produtor, diretor, criador). Atlanta é um caminhar naturalista no dia a dia de um rapaz que se torna produtor de seu primo, Paper Boi, um gangsta rapper, na periferia de uma grande cidade do sul dos Estados Unidos. A este ponto, cabe-se ressaltar que os personagens principais são negros, e o significado de a história acontecer no estado da Georgia não é ao acaso – ali, ao lado de Mississipi e Alabama, a sessessão se fez presente, e com vizinhança também das Carolinas do Norte e do Sul, faz-se um cinturão de alta densidade de populações negras, separando a branca e ensolarada Florida – do paraíso Miami -, do resto do país.

Com a primeira temporada disponível no catálogo Netflix, a cada episódio você vai se emaranhar em situações corriqueiras, mas muito bem contadas e que desenham uma metáfora satírica profunda sobre as raízes e naturalizações do racismo – e também, muito forte, do machismo – na sociedade estadunidense, que, se pode dizer, sim, reflete-se na nossa vida tupiniquim, visto que morais e costumes de lá são dissemidados pela cultura de massa aqui, muito bem programados.

Destaque para dois episódios, um em que o rapper está em um programa de televisão – o episódio inteiro é como se fosse o próprio programa -, numa mesa de debates, participando ao lado de uma personagem tipo psicóloga feminista (uma caricatura), ao mesmo tempo em que é confrontado pelas suas posições misóginas, eles são brindados com um caso de um rapaz negro que alega ser um homem branco nascido em um corpo de homem negro e que estava preparando sua transição. O episódio tem um final fantástico, flutuando entre a sátira crua e o sarcasmo narrativo.

O outro episódio, muito profundo, é o penúltimo dessa temporada (a segunda já rodou inteira nos EUA), quando o casal protagonista vai a um encontro comemorativo da abolição da escravatura no Texas (pra quem não conhece muito a história e cultura estadunidenses, o Texas é como se fosse o Rio Grande do Sul junto a Santa Catarina e Paraná, terra de agropecuaristas/ruralistas brancos, onde o racismo sempre foi muito evidente – e segue sendo praticamente uma instituição). O local é uma mansão aristocrática, onde moram o ricaço branco, doctor antropólogo da questão negra, fã invariável, e sua mulher…negra. Ali vão se expressar cenas das mais constrangedoras possíveis, que sedimentam a temática de todo o seriado e sublinham e atestam: quem assistir a Atlanta, de cabo a rabo, vai estar recebendo um inteligentíssimo compêndio crítico da luta de classes, do racismo e do machismo.

Segue o que eu considero um teaser hardcore do seriado Atlanta (apesar de nada a ver com a produção, mas metaforicamente falando), o clipe This is America, do rapper Childish Gambino a.k.a. Donald Glover:

NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: comédia sarcástica
Temática Social: luta de classes, racismo e machismo
Público-alvo: pessoas que entendem linguagem de entrelinhas (metalinguagem) e estão por dentro do conflito étnico-social da atualidade em sociedades racistas e misóginas como as de cunho judaico-cristão, há também muitas referências à própria cultura estadunidense, então, quem conhece as peças de cultura de massa ianque acaba aproveitando um pouco mais, pessoas estudiosas do movimento hip hop, que foram na sua historicidade, da raiz ao rap ostentação, também vão curtir bastante
Roteiro: 
(simplesmente perfeito, constrói uma realidade que mescla o realismo, de personagens e situações verossímeis, com momentos e personagens hilários – em determinado momento aparece Justin Bieber…negro! Não é UM Justin Bieber, é O Justin Bieber e, ali, no universo de Atlanta, ele é um jovem negro)
Dramaturgia: 
(atuações, locações, situações, construções fílmicas incríveis)
Aprofundamento da Questão Social: 
(naquilo que se propõe, na delimitação da sua temática, perfeito, desde em expressões em discurso direto até mesmo na sutileza de algumas relações, muito inteligente mesmo)

Por Gustavo Türck

– Filmografia Social é um conteúdo apoiado pela Graturck – perícia social, consultoria e cursos (www.graturck.com.br) e é publicado simultaneamente no site/redes do Coletivo Catarse e no site/redes da Graturck todas as quartas-feiras