Encontro de Culturas Periféricas reúne cerca de 300 pessoas para debater arte e democracia na Feira do Livro de Porto Alegre

No dia 8 de novembro, o Coletivo Catarse esteve fazendo a transmissão ao vivo do evento. Centenas de pessoas se reuniram para conferir uma programação diversificada, mesclando debates com poesia, literatura e música, em evento organizado pelo Comitê de Cultura no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Ao longo de todo o sábado (8), estiveram presentes no Espaço Jovem Banrisul, na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, nomes como Manuela d’Ávila, do Instituto “E Se Fosse Você?”, Winnie Bueno, pesquisadora e ativista antirracista, Denise Pessôa, deputada e presidente da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, Susana Kaingang, jurista, advogada, educadora e pesquisadora indígena e Richard Serraria, compositor, pesquisador sopapeiro e poeta, Rafa Rafuagi, rapper e gestor do Museu do Hip Hop RS e Negra Jaque, rapper, gestora do Galpão Cultural, secretária do Hip-Hop no RS e escritora. (…) – texto do site do MinC, leia a íntegra, acesse aqui.

Podcasts sobre as dinâmicas da cidade em plena produção

O Coletivo Catarse está produzindo uma série de episódios de podcast para o projeto “Porto Novo”, uma proposta apoiada através de emenda impositiva, aprovada pelo gabinete do então vereador Leonel Radde (PT), que tramitou via Audiovisual da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre. É um programa que integra ainda uma série de ações que tratam desta comunidade situada na Zona Norte da cidade, ao lado do complexo do Porto Seco. Os episódios devem versar sobre como são dadas as transformações em uma cidade como Porto Alegre, os êxodos forçados e aqueles inevitáveis, como novos espaços acabam se constituindo e quais os problemas que são gerados por essa dinâmica. São eixos que contarão a história da Porto Novo, uma comunidade relativamente nova e que surgiu de remoções principalmente das Vilas Dique e Nazaré, e também os conflitos e relações no meio urbano de questões como a indígena, da luta das mulheres e do meio ambiente. As primeiras gravações já estão acontecendo, no estúdio do Coletivo Catarse, na sua sede, na Comuna do Arvoredo, registrando as visões de mulheres lutadoras e estudiosas e lideranças indígenas e de movimentos que os apoiam. O projeto ainda prevê um documentário sobre a comunidade, a produção de pequenos vídeos que contemplem a autoestima dos moradores e a realização de fotos e textos ilustrativos do bem viver local – tudo isso já em fase de finalização, após uma série de oficinas realizadas com jovens da Escola Porto Novo. Aguarde mais informações!

Trapos e Farrapos – Negrinho resgata ancestralidade

O grupo de teatro Trupi di Trapu está em cartaz com o espetáculo Trapos e Farrapos – Negrinho dentro das celebrações de seus 17 anos de trajetória. A peça infantojuvenil conta a lenda de Negrinho do Pastoreiro, bastante popular no folclore da Região Sul do Brasil – um conto clássico da oralidade cuja origem se dá no século XIX e é associada ao fim do período de escravidão no país. Esta é uma história sobre um menino escravizado que, após ser duramente castigado por seu patrão, recebe um milagre e passa a ser um protetor de objetos perdidos. Uma obra construída e contada de forma lúdica, em alguns momentos divertida, mesclando elementos e técnicas de teatro de sombras, bonecos, danças e cantos, com muito dinamismo, cores e figurinos bem trabalhados e detalhados. Ao mesmo tempo em que conta sobre a escravidão e a crueldade dos senhores de engenho, o espetáculo traz falas contemporâneas, trazendo reflexões sobre o racismo, a exploração do trabalho e abusos de poder por quem o detém – assuntos infelizmente muito presentes na sociedade atual. Outro ponto que chama atenção é que o espetáculo traz elementos da cultura afro para um papel de destaque, de grande presença na história, com o Negrinho seguidamente interagindo com Mãe Oxum – e ela atendendo a seus chamados, ou seja, uma quebra com a visão comumente explorada de pedidos de auxílio à Virgem Maria, por exemplo, claramente descolando-se, portanto, o enredo que envolve o menino da religião católica. Trapos e Farrapos – Negrinho prende a atenção de crianças e adultos, uma imersão cultural rica e divertida que segue em cartaz nos dias 9 e 10, 16 e 17 de agosto, aos sábados e domingos, na Sala Álvaro Moreyra, em Porto Alegre. Após, a peça segue para o Teatro Carlos Carvalho, na Casa de Cultura Mario Quintana, com apresentações marcadas para os dias 22, 23 e 24 de agosto. Segue as redes do grupo para mais informações e novidades. Te programa e vai prestigiar! A Trupi di Trapu e a cultura popular agradecem. – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – A cobertura deste evento integra o histórico apoio do Coletivo Catarse / Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre a este tipo de iniciativa cultural. Grande parte dos ensaios da peça ocorreram na Comuna do Arvoredo, na sede do Ponto. Texto e fotos: Billy ValdezEdição: Anahi Fros FICHA TÉCNICA:Autor: Anderson GonçalvesEncenação: Ajeff Ghenes, Alessandra Souza e YanniksonDireção Artística: Anderson GonçalvesDireção de sombras e figuras: Têmis NicolaidisDireção musical e trilha sonora: Alan BarcelosMúsica “Viajante dos Pampas”: letra de Lorena SanchezVoz em “Pastoreio de Oxum”: Marietti FialhoBonecos, cenário e adereços: Anderson Gonçalves, Mari Falcão e Ajeff GhenesMáscaras: Atelier Lu AntunesFigurinos: Mari Falcão e Ajeff GhenesIluminação: Vigo CigoliniProdução: Trupi di Trapu – Teatro de Bonecos

Coletivo Catarse na 10ª edição da Festa da Biodiversidade

Ao longo da segunda quinzena de maio, ocorreu a 10ª décima edição da Festa da Biodiversidade. Neste ano, o encontro somou uma série de atividades descentralizadas, além da tradicional festa do Dia Internacional da Biodiversidade, celebrado durante todo o dia 22 de maio, no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público de Porto Alegre. O evento reuniu coletivos, organizações socioambientais, comunidades tradicionais, artistas e a população em geral em uma celebração da diversidade biológica e cultural. E o Coletivo Catarse esteve junto mais uma vez no apoio a esse grande festejo público, sendo responsável pela rádio poste, além da estrutura de som e técnica das atividades.

Encontro na Guatemala reúne mais de 140 ativistas da democracia na América Latina

Entre os dias 6 e 8 de maio aconteceu na cidade de Panajachel, Guatemala, o encontro “Democracias bajo ataque – de la crisis a la estrategia” – um evento promovido pelas organizações Global Exchange e FOCO. Às margens do Lago Atitlán – La Abuela Lago -, foram expressas e discutidas conjunturas estruturais dos países latinoamericanos e a ascenção de modelos autoritários derivados daquilo que já foi a história de quase todos os países do continente americano. Estiveram presentes mais de 140 pessoas representando instituições, movimentos e comunidades da Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Honduras, México, Chile, Uruguai, Brasil, Colômbia, Equador, Peru, Canadá e Estados Unidos. Dia 1 – 06/05 A noite anterior foi de receptivo e apresentação cultural. Na manhã da terça-feira, xamãs mayas, representantes da raiz humana da região da Guatemala, fizeram todos os presentes saudarem os elementos da Natureza para que os trabalhos se iniciassem. O encontro “Democracias bajo ataque” partiu do ponto de contextualização conjuntural, com um painel que apresentou Nancy Okail, egípcia exilada nos USA, trazendo aspectos da Primavera Árabe no Egito e suas implicações globais; Daniel Valencia, hondurenho, discutindo o estado das alternativas de mídia em centroamerica; e, finalizando esta primeira parte, o uruguayo Raúl Zibechi, tratando do ponto-de-vista da luta de movimentos sociais contra o Capitalismo de Morte e as alternativas democráticas que já existem nos territórios sudamericanos – como o MST e as próprias áreas indígenas. Na tarde do primeiro dia, após a sequência das contextualizações que trouxeram considerações sobre o novo mandato do regime de Trump e também as lutas sociais diretas e com participação não institucionalizada de setores da população e as práticas de guerra híbrida como o lawfare, partiu-se para as reflexões em grupo. Levantando pontos sobre as ameaças que estão surgindo com a frente autoritária presente no continente e sobre as limitações que cada um observa de seus territórios e experiências, fechou-se com uma sistematização imensa e diversa de vários aspectos negativos que devem dar chão para as próximas discussões. Na metodologia empregada, foram previstas etapas que, em fim, servem para enxergar as veias abertas da América Latina, entendendo que o “inimigo” é um monstro grande que pisa fuerte, e que se deve levar as reflexões a um caminho de prática de proteção das mais variadas democracias – características dos povos que as praticam, com vistas a uma vida e, sim, um mundo melhor. Este um mote subjetivo que carrega há décadas o desafio de se tornar realidade. Dia 2 – 07/05 No segundo e pesado dia, com a mesma metodologia de um turno de contextualização e outro de construção, apresentou-se o panorama midiático no continente das Américas, das iniciativas de alternativas aos meios hegemônicos e as constantes perseguições – e violência – que seguem ocorrendo, mesmo sob governos que se dizem progressistas – como é o caso do Chile. Passou-se também pela visão da necessidade da construção de meios indígenas de comunicação para populações indígenas e para comunicar com o “externo”, mas com a lógica indígena – “temos que saber o que se passa na cidade, mas a cidade tem que saber o que se passa nos territórios”. Este foi um chão construído para as discussões que se espalharam nas mesas de 6 grupos, convidados a dissertar e apontar estratégias, exemplos e sugestões na superação de temas como Democracia – conceito e modelo; ameaças vindas do Estado; cultura; informação; desigualdades históricas e sistêmicas; e movimentos sociais. O ousado evento se pôs a pleno no choque de ideias e pontos-de-vista, que na maioria convergem, fazendo correr uma visão diversa, autônoma, geograficamente transversal e com a sabedoria e história dos povos indígenas como um verdadeiro norte. Dia 3 – 08/05 Último dia de evento “Democracias Abajo Ataque” às margens de La Abuela Lago. Se iniciou com saudação ao essencial à vida – o Sol e a Água. Se seguiu com a reflexão sobre o que se debateu, quais as impressões individuais e coletivas sobre os contextos e como, enfim, devem-se criar ações para que a sociedade latinoamericana não só mantenha o que é essencial a sua vida, mas que enfrente as ondas autoritárias que se põem ativas e fortes, mais ainda, em todos os países da região. Terminou-se, como em quase todos os encontros deste tipo – destacando-se o histórico Fórum Social Mundial, claro -, com um grande sentimento de esperança e dever cumprido. Ascendeu-se à certeza de que a sabedoria ancestral é a base para um mundo melhor e possível e que não se deve aceitar NENHUM PASSO ATRÁS! Para mais informações e detalhes dos paineis e pontos-de-vista abordados pelos participantes, acesse o Instagram oficial do encontro: https://www.instagram.com/democraciasenlasamericas/ * La Abuela Lago (O Lago Avó) Todo o evento ocorreu na beira do Lago Atitlán, que está há cerca de 1.500 metros de altitude e que margeia também 3 vulcões – conta a história que são estes que inspiraram Saint-Exupéry a criar o cenário do planeta moradia do Pequeno Príncipe. O lago se formou há mais ou menos 80.000 anos por erupções destes vulcões e é berço da civilização Maya. Ali, os povos que remanescem e perseveram, vindos deste tronco civilizatório, constroem toda a sua vida a partir deste corpo d’água – “Por que la abuela lago? Porque sem ela não existiríamos!”. É uma visão e conexão de pertencimento e essencialidade, que gera uma conexão inexorável de existência – vive-se porque se vem dali, porque se está ali, há gerações, e cuida-se porque ali se vai ficar. A manutenção deste lago na luta contra a poluição proveniente do “progresso” capitalista é evidente, e las abuelas indígenas são a linha de frente para a sua preservação. ** A participação do Coletivo Catarse neste evento se deu, entre outras coisas, também pela relação histórica que mantém com lideranças, ativistas e comunicadores que fazem a luta integrada latinoamericana. Neste caso, em específico, destaca-se todo um trabalho em conjunto com o estadunidense Michael Fox – que recentemente lançou uma série de podcasts chamada Under The Shadow, tratando da história do domínio dos Estados Unidos …

Coletivo Catarse está na Guatemala para discutir estratégias de defesa às democracias latinoamericanas

Em virtude de um histórico de trabalhos nas áreas de ativismo da comunicação, com enfoque na defesa dos direitos humanos de diversas populações ao longo de duas décadas, o Coletivo Catarse participa entre os dias 5 e 8 de maio do evento “Democracias bajo ataque – de la crisis a la estrategia”. A presença do Coletivo também é fruto de relações consolidadas com diversos ativistas de caminhada reconhecida, como o jornalista estadunidense Michael Fox, com quem realizamos duas séries de podcasts: “Brazil on fire”, sobre a escalada do fascismo contemporâneo no Brasil – clique aqui -, e “Under the shadow”, sobre a história da ação dos Estados Unidos na América Central, destacando os 200 anos da Doutrina Monroe – clique aqui. O encontro ocorre na cidade de Panajachel, Lago de Atitlán, Guatemala. Cerca de uma centena de representantes de diversos países das Américas levarão seus pontos de vista e farão a reflexão práticas sobre os riscos do ataque à democracia a partir do avanço de ideários extremos aproximados ao fascismo, da criminalização da sociedade civil e dos movimentos sociais que se opõem a essas ideias, que são cada vez mais devastadoras. É um espaço para trocas, também, à construção de alternativas e estratégias de enfrentamento dessas forças autoritárias – já muito aprofundadas principalmente nas Américas -, tendo como guia a força de organização das resistências populares, comunitárias e indígenas. Todos os países participantes têm histórico no tema e também avanços a compartilhar – exemplos, ideias de como movimentar um continente, um mundo de uma forma diferente. O representante do Coletivo Catarse, já na chegada à Ciudad de Guatemala neste domingo, ao se apresentar como proveniente de Porto Alegre e atuante junto aos povos origináros, aos excluídos, ao meio cultural de base comunitária, entre tantos outros, escutou de pronto a resposta de um mexicano: “A capital do Fórum Social Mundial”. Um outro mundo já foi possível em algum momento. E por que, novamente, não o seria? Confira os materiais do evento com a listagem de participantes e a programação. Canais de comunicação:Cuenta oficial del evento (Democracias en las Americas)FOCO: Facebook, X (Twitter) e InstagramGlobal Exchange: Facebook, X (Twitter), Instagram , BlueSky e  YouTubeRompeviento TV: YouTube Ao final, será feita nova publicação com os resultados.

A quem interessa o descarte da história da cidade?

As notícias divulgadas pela Matinal na semana passada me causaram indignação. Após decretar a “perda total” de um acervo de 240 mil pastas por conta das enchentes, a Prefeitura de Porto Alegre simplesmente jogou no lixo milhares de documentos relacionados a processos urbanísticos de imóveis construídos a partir de 1970. Mesmo sob questionamentos de especialistas e do Ministério Público, que alertam que o contato com a água não inviabiliza a sua recuperação, caminhões de lixo levaram embora grande parte do acervo que estava armazenado no prédio da antiga Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov). Em 2023, defendi minha dissertação de mestrado, na qual analisei o conflito territorial, entre a Retomada Kaingang Gãh Ré e uma empresa que buscava erguer um grande condomínio no local (processo também foi acompanhado pela Matinal e, é claro, pelo Coletivo Catarse). Meus amigos mais próximos lembram o quanto fiquei obcecado ao acessar o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) desse empreendimento, leitura que se mostrou tão fundamental para a pesquisa, quanto o trabalho de campo junto à comunidade. Felizmente, esse EVU estava entre os 5% de arquivos digitalizados antes das enchentes por uma empresa terceirizada. Caso contrário, poderia hoje estar se misturando ao lixo, junto com outras milhares de pastas e documentos descartados sem cerimônia. Lembro-me de como foi percorrer aquele arquivo de mais quinhentas páginas, me senti adentrando em uma “cidade de papel” ou abrindo alguma espécie de “caixa preta”. Era uma coleção de registros digitalizados, com páginas amareladas pelo tempo, planilhas manuscritas ou datilografadas, carimbos, mapas, plantas e recortes de jornais – fragmentos de uma silenciosa história do Morro Santana (e de Porto Alegre) nos últimos 40 anos. Os anexos continham termos técnicos e procedimentos burocráticos que, a princípio, desconhecia. Admito que encontrei desafios para compreendê-los, mas através deles pude refletir sobre várias idas e vindas da aprovação do condomínio, as modificações em seu formato, altura dos prédios, número de apartamentos, de vagas de garagens, dentre outros aspectos do projeto. Entre os achados no EVU, uma coleção de reportagens e pareceres que criticavam o funcionamento das pedreiras no Morro Santana e constataram o desmatamento de 27% da mata nativa da região entre 1956 e 1972. Outra descoberta: um documento de 1975 propunha a transformação de todo o Morro num Parque Natural Periférico (que jamais foi implementado). Essas informações eram completamente desconhecidas para mim, antes do contato com o documento, mesmo morando na região e pesquisando sobre a temática há alguns anos. Parte dos registros descritos por Ruwer. Imagem cedida pelo autor, a partir do EVU do empreendimento. Havia também indícios de irregularidades e inconsistências relativas ao empreendedor e ao projeto urbanístico. Dentre elas, a descoberta de que o terreno estava hipotecado ao Banco Central por mais de 30 anos por conta de dívidas do proprietário. Além disso, o projeto havia sido aprovado mesmo com a argumentação contrária de diversos conselheiros do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental (CMDUA). Aliás, uma descoberta na época repercutiu bastante nas redes sociais: uma pequena rasura de corretivo tinha alterado os limites de construção do terreno, permitindo a expansão da malha urbana sobre uma antiga área de preservação ambiental. Esse EVU foi primordial para embasar denúncias, reportagens e estudos que auxiliaram na tanto na defesa jurídica da comunidade indígena pelo Ministério Público Federal (MPF) quanto no processo demarcatório em andamento junto à Fundação Nacional do Índio (FUNAI). Arquivos como os que estão sendo descartados não apenas documentam o passado: eles atuam diretamente nos acontecimentos, influenciam decisões, afetam vidas e redesenham o espaço urbano. A perda inestimável impactará não apenas arquitetos e urbanistas que manejam essa burocracia no cotidiano de suas profissões, mas qualquer cidadão que precise construir, regularizar ou reformar um imóvel. A cena remete às páginas de A Menina que Roubava Livros, onde livros são incinerados na Alemanha Nazista para apagar ideias inconvenientes. Aqui, não houve fogo, mas o resultado é semelhante: o apagamento de registros que poderiam frear os interesses dos poderosos. A destruição desse acervo, em meio à revisão do Plano Diretor, não é somente um apagamento histórico, mas um golpe contra a memória urbanística da cidade. Sem documentos sobre o passado, apagam-se debates, eliminam-se entraves e aceleram-se obras que, livres de regras, avançam sobre as ruínas da cidade. Luís Gustavo Ruwer  é mestre em Sociologia e integrante do Programa de Extensão da UFRGS Preserve Morro Santana. Contato: [email protected]

Cultura Viva em Bento Gonçalves

Num dia marcado como o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a Serra Gaúcha recebeu o evento “Cultura Viva: Mobilização e Redes no RS”. Espaço pulsante de cultura e diversidade e com produção do Ponto de Cultura e Memória Vale dos Vinhedos, da Associação Circolo Trentino Di Bento Gonçalves, foi realizado pelo Comitê de Cutura RS, na Casa das Artes, reunindo agentes da cultura gaúcha na região para refletir sobre os desafios do setor.

Show de Carlos Hahn finaliza ciclo de debates

Novas Fronteiras do Ativismo Social, uma proposta construída pelo Professor Luiz Inácio Gaiger, com apoio do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, Maria Maria Espaço Cultural, Comuna do Arvoredo, Cooperativa GiraSol e outras pessoas ativistas que estiveram juntas desde maio de 2024, chegou ao seu final com a chamada “chave de ouro” nesse 16 de janeiro. Uma proposta que, a partir de outubro, também teve fomento via Coletivo Catarse do PROGRAMA RETOMADA CULTURAL RS – BOLSA FUNARTE DE APOIO A AÇÕES ARTÍSTICAS CONTINUADAS 2024, o que permitiu atividades concomitantes ao talk show – como se observou neste final de temporada. Ao longo de 15 episódios, desde junho, se tornou possível conhecer diversas iniciativas de coletivos em áreas que compreenderam temáticas como agroecologia; vida urbana e sustentabilidade; alternativas de mídia e jornalismo; ancestralidade e desenvolvimento comunitário; consumo consciente; cooperativismo de plataforma; cuidado, reparação social e emancipação; cultura e arte; feminismo, equidade e questões de gênero; bem-viver; produção, consumo e sustentabilidade; entre tantos outros assuntos transversais. Todos os painéis estão disponíveis em playlist própria publicada no canal do YouTube do Coletivo Catarse (link aqui) ou também, com mais informações, na página específica aqui neste site (clique aqui). A última sessão, inclusive, é possível assistir aqui embaixo, quando se apresentaram a Rede Economia Solidária e Feminista, com a Cooperativa GiraSol e com Ecossistemas Ativistas – realizando-se um fechamento com uma visão abrangente dos ecossistemas ativistas na atualidade: Ao final da noite, seguindo os conceitos do ativismo que perpassam a arte e a cultura, o músico Carlos Hahn lançou o single A Lira dos Lírios, além de realizar um belo show aos presentes na noite de Maria Maria Espaço Cultural na Comuna do Arvoredo (de quinta a sábado, na Rua Fernando Machado, 464, Centro Histórico de Porto Alegre). Single “A lira dos lírios” Quarto single de divulgação do álbum “Luminosa Desilusão” – com lançamento previsto para abril -, “A lira dos lírios” conta com participações dos músicos Gustavo Telles (bateria), Luciano Albo (guitarras e baixo), Murilo Moura (teclados), Pedro Hahn (percussão), além do próprio autor (vozes e violões). Com versos como “Longe do martírio da tara dos tiros / Descanse em paz, Deusa-Mãe”, a canção remete à esperança e à disposição para a luta. “Escrevi essa música logo após a democracia vencer o ódio, em outubro de 2022, e decidi lançar neste momento justamente para marcar o fim de um ano tão difícil para os gaúchos e a possibilidade de construirmos um novo tempo de paz e solidariedade”, afirma o compositor. Carlos Hahn Entre 1997 e 2003, lançou três CDs-demo e atuou na cena alternativa de Porto Alegre, com a banda O Badulaque e em carreira solo. Após, dedicou-se ao jornalismo e à criação dos filhos. A partir de 2017, radicado na Serra gaúcha, lançou o single “Ocupa meu coração”, sobre as ocupações realizadas durante o desgoverno Temer, e o EP bilíngue “Dos Paralelos”, em português e espanhol. Em 2020, lançou o single “Bugiganga” e o EP “Trilogia do Golpe”. Em 2021, lançou seu primeiro álbum oficial, “Auroras na Barriga”, com produção artística de Luciano Albo (ex-Cascavelletes) e produção executiva de Gustavo Telles (ex-Pata de Elefante). Atualmente, grava seu segundo álbum, “Luminosa Desilusão”, também com produção de Albo e Telles. Como escritor, publicou os livros “Cristais Colhidos na Névoa” (poesia), em 2019, e Memórias de um Amor Realista Fantástico (novela), em 2023. Fotos: Billy Valdez

Novas Fronteiras do Ativismo Social tem sua última sessão nesta quinta, 16/01 – com LIVE!

A partir das 19h, as câmeras abrem, e se inicia o evento final deste ciclo, que já realizou 14 episódios de debates sobre coletivos diversos, que contam uma história de práticas contemporâneas de ativismo social, abordadas em suas múltiplas formas de atuação. Com formato um pouco diferente de todas as outras edições, a conversa já se iniciará em debates com a Rede Economia Solidária e Feminista, com a Cooperativa GiraSol e com Ecossistemas Ativistas – será um momento de reflexão em que se deve ir além do compartilhamento da história dessas iniciativas, realizando-se um fechamento com uma visão abrangente dos ecossistemas ativistas na atualidade. Esta sessão ainda terá um momento especial – após o fechamento das câmeras, para o público que acompanhar ao vivo, no Maria Maria Espaço Cultural -, a partir das 20h30, com show de Carlos Hahn, lançando o seu single Lira dos Lírios – já será a 3ª apresentação de Hahn lançando materiais novos no espaço. Para quem está fora de Porto Alegre ou desejar acompanhar online, o ciclo terá transmissão ao vivo pelo canal do Coletivo Catarse no YouTube (https://www.youtube.com/@coletivocatarse), aberto a partir das 19h, mas para aqueles que querem curtir um happy hour e uma noite de quinta-feira no Centro Histórico, basta chegar na Maria Maria Espaço Cultural, na Comuna do Arvoredo, Rua Fernando Machado, 464, já aberto a partir das 18h – e permanecendo até as 22h -, com serviço de comes e bebes ininterrupto. A sessão final do ciclo de debates e o show de Carlos Hahn compõem, neste 16 de janeiro, uma ação continuada do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre/Coletivo Catarse, com realização em parceria com a Maria Maria Espaço Cultural e a Comuna do Arvoredo, fomentada pelo PROGRAMA RETOMADA CULTURAL RS – BOLSA FUNARTE DE APOIO À AÇÕES ARTÍSTICAS CONTINUADAS 2024. Para conhecer mais sobre o Novas Froteiras do Ativismo Social e assistir a todas as sessões de debate, acesse https://coletivocatarse.com.br/novas-fronteiras-do-ativismo-social/.