Saberes das ervas medicinais na Retomada Gah Ré

Na manhã ensolarada do último sábado, dia 26, Dia dos Avós, a Retomada Gah Ré realizou o Encontro de Ervas Medicinais. A comunidade, no Morro Santana, zona leste de Porto Alegre/RS, abriu suas portas para compartilhar com os fóg (não indígenas) um pouco dos saberes da medicina tradicional Kaingang. Depois de uma defumação com refej (erva nativa conhecida como macela, ou marcela, em português) para limpar as energias do ambiente, a cacica, avó e Kuja (curandeira/pajé) Iracema Gãh Té deu as boas vindas aos 30 participantes e explicou como seria a dinâmica do encontro. Kapri, filha da liderança, contextualizou a atividade, realizada em meio a um processo de reflorestamento na aldeia e valorização dos saberes originários de relação com a natureza. “Todo esse trabalho que a gente faz, é tudo pela mãe terra, que nos fortalece. Nós somos ligados a mãe terra”, concluiu Kapri. Depois da abertura e apresentação, os participantes foram divididos em dois grupos, um para buscar lenha na mata e outro para higienizar os ingredientes que seriam utilizados. Numa aula prática, Gãh Té ensinou o preparo de um xarope de sete plantas: bananinha-do-mato, cipó mil homens, erva cidreira, capim cidró, guaco, macela e espinheira santa. Ao final, o preparado foi coado e ainda misturado com mel. A Kuja explicou que o xarope é ideal para gripes e resfriados, principalmente aqueles que atacam o sistema respiratório, com tosse e catarro, ajudando também em casos de asma, bronquite, sinusite e rinite. A atividade fez parte do projeto Reflorestamento, resiliência climática e restauração do modo de vida Kaingangem um território em retomada em Porto Alegre – RS, apoiado pelo Fundo Casa Sociambiental por meio da Chamada Reconstruir RS de 2024. O projeto – fruto de uma parceria com a rede apoaidora da aldeia, a Teia dos Povos e o Coletivo Catarse, como organização parceira – vem fazendo o manejo de espécie invasora no território da comunidade, construindo um viveiro e reflorestando o local com espécies nativas. Em breve, mais atualizações. Texto: Bruno PedrottiImagens: Bruno Pedrotti e Luis Gustavo RuwerRevisão: Anahi Fros

Plantando e espraiando juçaras

Numa dessas andanças pela cidade de Porto Alegre, encontramos o Seu Ramão. Amante de uma boa prosa e dos bichos, ele nos contou de seu refúgio na natureza, onde cuida de um cavalo, algumas galinhas e pavões, um pequeno sítio em Glorinha. Se interessou pela história do Coletivo Catarse com a Palmeira Juçara (Euterpe edulis) e levou para o sítio dois pés dessa espécie fundamental para o ecossistema da Mata Atlântica. Vale dizer que o Coletivo Catarse acompanha há quase 15 anos a luta contra a extinção desta planta nativa tão apreciada por pessoas e animais da floresta. Nesse intervalo de tempo, já foram produzidos mais de 50 vídeos sobre a juçara, desde reportagens curtas até o documentário seriado “O ser Juçara”. Integrantes do Coletivo já atravessaram grande parte do território da Mata Atlântica, do Rio Grande do Sul até Rio de Janeiro e Minas Gerais, conhecendo e registrando as histórias dos povos que se relacionam com a palmeira. Mais do que apenas comunicar, nos tornamos um elo nesta rede, espalhando também sementes e mudas da juçara. Tudo começou quando, acompanhando a produção de polpa dos frutos da juçara no Litoral Norte gaúcho, recebemos dos produtores alguns sacos com sementes recém despolpadas. Ao longo de um dos planejamentos estratégicos do Coletivo, há oito anos, no sítio da família de uma das colegas, as mudas foram semeadas em meio a uma nesga de mata nativa remanescente em meio a lavouras de monocultivo. Na primavera de 2023, então, voltamos ao local e percebemos que as plantas haviam atingido um estágio de crescimento avançado e se encontravam muito próximas, necessitando de mais espaço para crescer de maneira saudável. Começou, então, um trabalho em várias etapas, retirando-se o excesso de mudas e distribuindo-as entre os parceiros – e verificando que aquelas mudas que foram deixadas na mata agora com espaço passaram a se desenvolver melhor em relação às que estavam no juçaral adensado. Ao longo dos dois últimos anos, foram entregues mudas para a FAUPOA, Retomada Gah Ré, Ponto de Cultura Vale do Arvoredo e tantos outros que fica até dificil recordar de todos. Sem falar no Seu Ramão, que, além de nos cativar com sua prosa boa, também nos inspirou a atualizar este histórico. A gente espera, em breve, ver os bichos e as plantas bem criados, Seu Ramão! Obrigado pela camaradagem! *Nas fotos, Ramão em frente à @comunadoarvoredo e seus pavões, em Glorinha. Também nossas mudas plantadas no Centro Histórico, na Zona Norte e Morro Santana, além do nosso viveiro de juçaras, nos fundos da sede.

SAMBAÊA no Ventre Livre

No sábado 12 de julho, o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre recebeu na garajona da Comuna do Arvoredo a vivência de Samba de Roda SAMBAÊA, com Treinela Jane Oliveira e Treinel Maskote, respectivamente das escolas Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro (ACANNE) e Africanamente Escola de Capoeira Angola. A vivência foi aberta e gratuita, recebendo 20 pessoas. Maskote e Jane explicaram que o Samba de Roda é uma manifestação cultural do Recôncavo Baiano, que tem uma forte ligação com a Capoeira e com o Samba de Caboclo feito nos Candomblés da Bahia. Apesar de partilhar esta raiz Bantu – grande grupo linguístico e cultural que reúne mais de 400 povos africanos nas regiões de Congo, Angola, Gabão, Zâmbia, Namíbia, Zimbábue – o samba de roda é diferente dos outros sambas de maior presença no Rio Grande do Sul. O ritmo afrobaiano usa principalmente instumentos de percussão, como atabaques e pandeiros. As palmas e as canções de pergunta e resposta completam a manifestação cultural, que também costuma ser dançado por duas pessoas no centro da roda, balançando os quadris e sem tirar os pés do chão – parecido com a forma de “amassar o barro” no feitio de casas de pau a pique – diferente do Samba Carioca, por exemplo. Jane contou que uma das primeiras referências que teve nesta cultura foi sua avó, que fazia parte do Candomblé. Falou também de importância de Mestre Renê Bittencourt da ACANNE. Maskote por sua vez lembrou do Mestre Renato Beabá, da Malta dos Guris e Gurias de Rua, como uma importância referência do samba de roda em Porto Alegre, que inclusive fazia sambas de roda e rodas de capoeira na Comuna do Arvoredo no final dos anos dois mil. Por ser uma manifestação nova para alguns, o foco da vivência foi apresentar os fundamentos básicos, a começar pelas palmas. Maskote reforçou sua importância no samba de roda, explicando que, quando batidas fora do tempo, podem atrapalhar os demais instrumentos. Na sequência, Jane compartilhou dinâmicas para soltar os corpos e dar os primeiros passos do samba. Em roda, os oficineiros explicaram alguns fundamentos de entrada e saída, reforçando sempre a reverência aos atabaques e a relação entre os seus toques o que é dançado. Por fim, encerraram com o ritual do samba de roda. Os atabaques e pandeiros ecoaram na garajona da Comuna do Arvoredo e colocaram os corpos em movimento. As palmas marcaram o compasso e as cantigas repetiram aquilo que antes fora cantado pelos mais velhos e os ancestrais. O frio e umidade deram lugar momentaneamente ao calor humano e alegria típicos da cultura popular afro nordestina, deixando no final aquele gostinho de quero mais. Felizmente, para quem participou ou ficou com vontade de chegar nas próximas, haverá muito mais, já que o projeto “SAMBAÊA – Fortalecendo a cultura afro baiana em POA” foi contemplado no Edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento a Cultura PNAB POA e estará desenvolvendo diversas atividades ao longo do ano. Para saber das próximas vivências e encontros de samba de roda, acompanhe as páginas do Africanamente Treinel Maskote e Treinela Jane e da Treinela Jane e Treinel Maskote.

Fortalecendo o olhar da Fuá

No final de março, a jovem Marciely Salvador, de nome kaingang Fuá (erva nativa usada para fins medicinais e alimentícios pelo seu povo), recebeu uma importante ferramenta para potencializar o trabalho no audiovisual: uma câmera Canon T100 adquirida com apoio do Coletivo Catarse e financimento da ONG Witness.

“O Despertar do Sol” convida a respeitar a natureza e os povos indígenas

Lançado no dia 07 de junho, o curta revela um olhar sobre a cosmopercepção Mbya Guarani, registrando um pouco do modo de ser e viver na Tekoá Tavaí (Canelinha-SC). Os indígenas compartilham ao longo da obra um pouco da sua cultura, da maneira de se organizar e da sua relação de convivência harmoniosa com a natureza.

Coletivo Catarse na 10ª edição da Festa da Biodiversidade

Ao longo da segunda quinzena de maio, ocorreu a 10ª décima edição da Festa da Biodiversidade. Neste ano, o encontro somou uma série de atividades descentralizadas, além da tradicional festa do Dia Internacional da Biodiversidade, celebrado durante todo o dia 22 de maio, no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público de Porto Alegre. O evento reuniu coletivos, organizações socioambientais, comunidades tradicionais, artistas e a população em geral em uma celebração da diversidade biológica e cultural. E o Coletivo Catarse esteve junto mais uma vez no apoio a esse grande festejo público, sendo responsável pela rádio poste, além da estrutura de som e técnica das atividades.

Capoeira, cultura e saúde na Comuna do Arvoredo

Desde o final de março, o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre/Coletivo Catarse vem recebendo mais uma atividade entre as tantas que vem movimentando os espaços do coletivo na comunidade urbana da Comuna do Arvoredo, na Rua Fernando Machado, 464, Centro Histórico de Porto Alegre. Desde a quarta feira, 19 de março, o Salão Zé da Terreira e a Garajona do Casarão têm recebido os trabalhos do Africanamente Capoeira Angola.

Gah Ré – ferramentas para reflorestar

Desde a retomada do território aos pés da pedreira do Morro Santana (Zona Leste de Porto Alegre), em outubro de 2023, a cacica e kujá (liderança espiritual) Gah Té Kaingang já falava da importância da presença da comunidade no local como forma de preservar as vegetações nativas da região. De fato, ao longo dos quase dois anos naquela área, a aldeia kaingang e seus apoiadores já realizaram diversos plantios de mudas nativas e manejo de invasoras, mas sempre de forma independente e com recursos próprios. Até agora.

Cultura Viva em Bento Gonçalves

Num dia marcado como o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a Serra Gaúcha recebeu o evento “Cultura Viva: Mobilização e Redes no RS”. Espaço pulsante de cultura e diversidade e com produção do Ponto de Cultura e Memória Vale dos Vinhedos, da Associação Circolo Trentino Di Bento Gonçalves, foi realizado pelo Comitê de Cutura RS, na Casa das Artes, reunindo agentes da cultura gaúcha na região para refletir sobre os desafios do setor.

Cinevibe Fora da Asa

Na quinta feira (06/03) passada, o Fora da Asa Experiências Plurais recebeu mais um evento de cinema, debate e música. Realizado na semana da mulher, buscou refletir as trajetórias femininas na Capoeira a partir do filme “Mulheres da Pá Virada: histórias e trajetórias na capoeira” e teve como encerramento um show voz e violão de Fyah Rocha.