Teatro pra todas, todos e todes!

Desde julho, o teatro está a mil na Comuna do Arvoredo, dentro da programação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)” contemplado no Edital Sedac nº 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. São três turmas, incluindo crianças e adultas, que vêm experimentando no corpo a ludicidade da arte teatral, a expressão e a partilha em grupo. As duas turmas das crianças (de 6 a 9 e de 10 a 12 anos) desde antes do projeto PNAB, já vivenciavam esse espaço, experenciado no salão Zé da Terreira e consolidado dentro da Comuna do Arvoredo pela professora de teatro Andressa Corrêa e que, em 2025, está sob a batuta da atriz, arte-educadora e produtora cultural Lorena Sánchez*. Mais uma vez, as crianças estão mergulhando em um percurso de criação cênica que partiu do próprio universo delas: seus jogos, suas histórias, invenções, perguntas, afetos e formas de ver o mundo e acolher as divergências. O trabalho tem como base jogos de aquecimento, improvisações, brincadeiras de corpo e voz, dança e musicalidade. Também foi incorporado à oficina, como fonde de inspiração, o projeto “Sucatadora de Histórias”, idealizado por Lorena, onde práticas de coleta de objetos e memórias se tornam laboratório de transformação narrativa. Os objetos do cotidiano, como tecidos e utensílios de cozinha, assim como sucatas, foram transformados em adereços e bonecos, mas não apenas como recursos cênicos, senão como extensão da imaginação. Cada exercício busca ampliar o olhar para o coleguinha e a capacidade de construir algo em conjunto. Agora, o grupo entra na etapa da tão aguardada de montagem de final de ano. A mostra de todo esse processo, que tomará forma como um espetáculo de criação coletiva, está agendada para o dia 16 de dezembro, no Teatro Carlos Carvalho, da Casa de Cultura Mario Quintana. O que se verá no palco não é uma peça pronta ao molde tradicional, mas o registro de tudo o que está sendo construído, sentido e inventado pelas crianças ao longo da oficina: o teatro como espaço de experiência, e não apenas de resultado. Antes disso, e como parte importante deste percurso, Lorena promove uma atividade de criação entre famílias, onde responsáveis e crianças serão convidados a confeccionarem juntos materiais de cena, figurinos e adereços. Será um momento de colaboração e partilha, fortalecendo vínculos dentro e fora do palco. Já a turma dos adultos foi inaugurada a partir da vontade de algumas mães de aproveitar esse momento da aula dos filhos para, também, fazer teatro. Resultou em um grupo de seis mulheres, com aulas ministradas por Rê Amorim**. Os encontros das adultas tem sido um lugar de trabalho e, ao mesmo tempo, de diversão e prazer. Tem sido desenvolvidas questões de desinibição, expressão corporal e emocional, junto com conexão interpessoal, confortavelmente saindo da zona de conforto de cada uma. E, por fim, criando e desenvolvendo os princípios e técnicas teatrais de estar em cena. O final do ano aponta para apresentações muito especiais das turmas na Casa de Cultura Mário Quintana, incluindo a das adultas, fechando as oficinas com a experiência profunda de estar no palco. Portanto, te agenda, que dezembro está logo ali. *Lorena Sanchez é atriz, arte-educadora e produtora cultural, com formação popular e experiência em processos colaborativos de criação cênica. Atua com pedagogias do objeto e do jogo lúdico como ferramentas de expressão e colheita de memórias. **Rê Amorim, palhaço há 12 anos e educador-social, integrante da Comuna do Arvoredo. Pela ONG Doutorzinhos, em Porto Aalegre, durante oito anos esteve por hospitais e instituições, se envolvendo e sendo tocado pelo mundo. Em Guaíba, pode conhecer o Teatro do Oprimido, método de resistência e transformação social. Além disso, ministrou a oficina “Palhaçaria Popular” para adultos. Cursou dezenas de oficinas com Ésio Magalhães, Pepe Nuñes, Melissa Dorneles, Raquel Sokolowicz, Avner Eisenberg, Ivan Prado entre outres, trocando e aprimorando habilidades nessa longa caminhada da pesquisa artística. Texto: Têmis NicolaidisRevisão: Anahi Fros

Comunicar para transformar: 21 anos do Coletivo Catarse e muito mais

O Coletivo Catarse comemora 21 anos de existência, resistência e reinvenção em 2025. Dessas mais de 2 décadas, 11 anos foram assumindo-se, também, como Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Esse Coletivo, tão diverso nos seus fazeres, é um centro nervoso de relações, temáticas e formatos, que tem como espinha dorsal a comunicação. De cada um dos seus atuais 13 cooperados sai uma ramificação de atuações que conectam a outros atores e organizações, formando um rizoma forte e consistente, que garante toda essa longevidade. Este último ano foi marcado por muitas realizações, as quais são celebradas e assumidas pela cooperativa como sua identidade atual, pois esta está sempre em constante evolução. Abaixo listamos algumas das nossas realizações no último período (impossível colocar tudo!): Enquanto a Luz Não Chega. Curta-metragem de ficção, realizado através da Lei Paulo Gustavo (2023), SMC-POA. O filme propõe uma reflexão sobre o impacto da tecnologia nas relações humanas. Do encontro do teatro de sombras e do audiovisual, a história trata sobre desconexões e apatias e os caminhos que a escuridão aponta. PNAB – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais). Conjunto de ações que envolvem programação cultural da Maria Maria Espaço Cultural com música, teatro, sarau, entre outros; Oficinas de Teatro e de audiovisual voltados para a infância; Oficina de Hip Hop (História e Discotecagem); Carijada – encontro para a produção artesanal de erva-mate e o Talk Exu, talk show de variedades. Cheiro de Enchente – curta metragem – Documental (2025). A fetidez cessou conforme as estruturas que resistiram às chuvas foram secando e sendo limpas, mas as marcas do pé-d’água descomunal permanecem. Não apenas nas paredes ainda encardidas com as indicações da altura em que a inundação chegou, como também na memória de quem sofreu com a força da natureza. Essas recordações estão registradas em “Cheiro de Enchente”. Um documentário produzido em parceria com a banda Diokane que ao final o desfecho é em formato de videoclipe do single de mesmo nome “Cheiro de Enchente”. Cooperar é resistir. Filme documentário que trata de parte da trajetória de luta da Pedal Express, coletivo de entregadores de bicicleta que atua há 15 anos na cidade de Porto Alegre. Vasalisa, a Sabida. Primeiro espetáculo autoral realizado pelo Coletivo Catarse. Espetáculo cênico multilinguagem que parte do conto tradicional russo Vassilisa, a Bela, interpretado pela psicóloga junguiana e escritora Clarissa Pinkóla Estes, no livro Mulheres que correm com os lobos. Afim de recriar, em linguagem contemporânea, uma jornada simbólica de amadurecimento e empoderamento feminino, através da conscientização do poder da intuição. Nós, guardiões da mata. Filme documentário que conta, desde a primeira noite, a luta pelo território ancestral Kaingang aos pés do Morro Santana, Zona Leste de Porto Alegre. O filme mostra essa trajetória de uma família e seus apoiadores, centrado na figura da liderança política e espiritual Gãh Té e teve apoio da Witness Brasil. MET Audiovisual. O Coletivo Participa ativamente na gestão do projeto que visa criar um ecossistema de audiovisual envolvendo produtoras e agentes da Região Metropolitana, produzindo oficinas de formação, residências dentro das produtoras, circulação de conteúdos, etc. Encontro de cineastas indígenas. Promovido em parceria com a Rede Coral – Porto Alegre, Retomada Gãh Ré e muitos apoiadores, através de um edital do Ibercultura, o encontro possibilitou a troca de experiências entre indígenas Guarani, Kaingangs e Xoklengs. Rádio Voz do Morro. Apoio e participação nas atividades da Rádio Comunitária localizada no Morro Santana. A Rádio é uma articulação local que busca potencializar as atividades e lutas na região, com forte viés comunitário. O Despertar do Sol. Minidocumentário revela um olhar sobre a cosmopercepção Mbyá Guarani, registrando um pouco do modo de ser e viver na Tekoá Tavaí (Canelinha-SC). Os indígenas compartilham ao longo da obra um pouco da sua cultura, da maneira de se organizar e da sua relação de convivência harmoniosa com a natureza. Edição do Coletivo Catarse. Projeto Porto Novo. O Projeto Porto Novo é uma iniciativa de criação e difusão de conteúdos audiovisuais junto à comunidade do bairro Rubem Berta, em Porto Alegre/RS, com foco na identidade, autoestima e pertencimento ao território Porto Novo. Desenvolvido pelo Coletivo Catarse em parceria com a EMEF Porto Novo e a Unidade de Saúde Santíssima Trindade, o projeto promoveu oficinas com turmas de 9º ano da escola, possibilitando que estudantes se tornassem protagonistas da construção de narrativas sobre sua realidade. Juarez Negrão. Artista plástico, poeta, vivente das artes e da cultura popular. Um cidadão que circula bastante entre Novo Hamburgo e Porto Alegre, trafegando pelos trilhos do trem, viajando para além dos limites municipais, tem encontrado ancoragem neste grande espaço de acolhimento que é a Comuna do Arvoredo, especificamente nos empreendimentos que ali habitam – o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e a Maria Maria Espaço Cultural. Nessa trajetória, entre conversas, mostruários de xilogravuras e esculturas para a venda e subsistência do artista, rolou a conexão entre o Coletivo e a arte de Juarez, de formas e cores que traduzem as influências de matriz africana em meio à urbanidade da Grande POA Quilombo Vila Nova. Há três anos o coletivo vem fortalecendo a comunidade quilombola de São José do Norte. O trabalho continuado de pesquisa e comunicação já rendeu um documentário, um Protocolo de Consulta Livre Prévia e Informada, exposições de fotos, formalização da associação quilombola, uma dissertação de mestrado e atualmente ainda fortalece uma transição para o cultivo agroecológico de arroz. Projeto CASA na retomada. Como organização parceira da Retomada Kaingang Gah Ré junto da rede da Teia dos povos, participou da iniciativa de reflorestamento e resiliência climática da aldeia. Foram plantadas 400 mudas nativas, construído um viveiro e manejadas espécies invasoras como pinus e vassourinha. Capoeira no Ventre. Ao longo do ano o Ponto de Cultura tem recebido atividades dos parceiros da Áfricanamente Capoeira Angola. O núcleo coordenado pelo treinel (professor) Daniel Jamaica oferece aulas de capoeira semanais, e o núcleo dos treinéis Maskote e Jane tem realizado oficinas …

‘Vasalisa, a Sabida’ teve estreia no Teatro dos Vampiros e 14º Festia

Espetáculo nasceu de forma independente, explorando multilinguagens na sua composição para falar sobre intuição feminina. Numa coprodução Coletivo Catarse/Ponto de Cultura Ventre Livre, Projeta Matricêntrica e La Lola Produtora, a obra Vasalisa, a Sabida, que estreou em setembro, parte do conto tradicional russo Vassilisa, a Bela – ressignificado pela psicóloga junguiana e escritora Clarissa Pinkóla Estés no livro Mulheres que correm com os lobos –, recriando, em linguagem contemporânea, uma jornada simbólica de amadurecimento e empoderamento feminino que exalta a força da intuição. Com duração de 30 minutos, a montagem assume o formato de audiodrama, propondo uma experiência sensorial marcada por um trabalho sonoro envolvente, que cria atmosferas e paisagens imagéticas. Sons, trilha sonora original, vozes e manipulação de objetos se alinham a recursos de teatro de animação, dança, luz e sombra, costurando uma narrativa multilinguagem. A história acompanha uma jovem guiada por uma boneca mágica – presente da mãe em seu leito de morte –, que é colocada à prova, tendo que atravessar uma floresta misteriosa até encontrar a temida bruxa Baba Yaga. Mais do que narrar um conto, o espetáculo convida o público a mergulhar em um ritual de escuta, memória e imaginação. O trabalho vai além do entretenimento, propondo reflexões sobre a valorização das subjetividades femininas, a intuição como ferramenta de percepção da realidade, a conexão com os ciclos da vida e a celebração da sabedoria que habita cada um de nós. O projeto teve seu processo intensificado em maio de 2025 e, em agosto, contou com um ensaio aberto no Salão da Comuna do Arvoredo no Centro Hsistórico de Porto Alegre. Em 5 de setembro, estreou oficialmente no Teatro dos Vampiros, localizado no Café Mal Assombrado, e participando ainda da abertura do 14º Festival de Teatro Popular (Festia), em Canoas, ampliando sua circulação em diálogo com diferentes territórios e públicos. Estreia no Teatro do SESC Canoas durante o 14º Festia. Fotos: Grupo Tia O Coletivo Catarse, reconhecido como Ponto de Cultura e Saúde pela Política Nacional Cultura Viva desde 2008 e hoje situado no Centro Histórico de Porto Alegre, na Comuna do Arvoredo, atua fortemente em rede locais e nacionais. Já esteve envolvido em produções teatrais como Língua Lâmina (teatro literário), Faces de Eva (teatro musical), além de manter forte parceria com a Cia Teatro Lumbra, referência no teatro de sombras, além de outras colaborações com coletivos cênicos como Trupi di Trapu e NÓS CIA DE TEATRO. Com direção cênica de Lorena Sánchez e criação de Aline Ferraz e Têmis Nicolaidis, além da trilha sonora original de Marcelo Cougo e Marcelo Égüez, “Vasalisa, a Sabida” reafirma a potência da criação coletiva e multilinguagem, apostando na escuta e no sensível como caminhos de resistência e transformação. Ficha técnica Aline Ferraz – Atuação, produção, roteiro em áudio, dramaturgia, cenário e elementos cênicos e figurinosTêmis Nicolaidis – Atuação, iluminação, produção, roteiro em áudio, dramaturgia, cenário e elementos cênicos e figurinosLorena Sánchez – Direção e produçãoMarcelo Cougo e Marcelo Égüez – Trilha sonora originalBilly Valdez – Registro fotográficoGustavo Türck – Tratamento de som e masterizaçãoEthiéne Guerra – Assistência e confecção de figurinos AgradecimentosRaul Voges, Alexandre Fávero, Comuna do Arvoredo e Mainô RealizaçãoNúcleo de Teatro do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura Saúde Ventre Livre CoproduçãoProjeta Matricêntrica e La Lola Produtora ApoioComuna do Arvoredo

Um pouco de Nós

A Nós Companhia de Teatro é um rizoma gigante de pessoas, ideias, feitos e afetos que existe há 21 anos expressando arte através do drama, da comédia, da poesia. Celebrando esse longo caminho, conversamos com Everson Silva, um dos fundadores e diretores da companhia, para entender melhor a dimensão deste grupo que tem seus limites re-traçados a todo momento, a cada novo processo artístico. 1 – Fala um pouco sobre a tua trajetória de artista e o que te motiva a continuar fazendo arte? Sempre fui um artista autoral e independente, de formação pedagógica. Sempre trabalhei com uma característica de criação e produção em grupo, meus trabalhos se tornam um meio de relação externa com o meu interior. A cada obra desenvolvo e pesquiso uma linguagem, um método, uma relação a ser explorada.  Apesar de ser uma vida de grande trabalho e pouco recurso, a arte alimenta o meu ser criativo e a ferramenta teatro é um elo com a sociedade. Dentro do teatro me relaciono com as pessoas mais interessantes, desenvolvo arte, experimento coisas novas, crio, movimento o corpo e, por algum motivo, não consigo deixar de fazer. Já pensei em seguir outros rumos diversas vezes e por vários motivos, mas logo minha cabeça e corpo recebem um novo roteiro, uma nova ideia, um novo estímulo à criação da cena. Esses mundos me encantam, asim como os artistas da cena. Tenho 21 anos de dedicação à arte do teatro e nesses anos, 26 obras sendo dirigidas por mim. E assim vou indo… Entre caminhos… 2 – Sobre a Nós Companhia de Teatro. Como surge, quem faz e como se organiza para fazer acontecer? A Nós Companhia de Teatro surge a partir do momento que eu identifico um pulso por dirigir. Tipo, esse espetáculo precisa existir. E aí, a partir do momento em que esses espetáculos começam a tomar conta da minha cabeça, eu começo a tentar juntar amigos que topem essa ideia de montar esses espetáculos. E isso vai acontecendo. Aos poucos, claro, a Nós Companhia de Teatro tem 18 anos. Eu tenho 20, 21 anos de teatro. Eu entrei na UFRGS para fazer artes cênicas, eu fiz dois anos e não me formei, depois fiz pedagogia. Mas esse período todo de ficar fazendo teatro, que eu geralmente não conto na academia, ele começou a me buscar desse lugar de que eu não conseguia achar uma estrutura mais interessante. E aí eu comecei a criar espetáculos e as pessoas começaram a vir a montar comigo. Como é que ela se organiza hoje? Ela tem duas pessoas que são os gestores, que sou eu e a Raquel.  a Raquel Tessari foi a primeira atriz da companhia. Ela foi a primeira pessoa que me disse sim, que queria ser dirigida, que aceitou ser dirigida por mim. E hoje, na companhia, é a que mais fez espetáculos. E aí a partir disso eu e a Raquel, somos os gestores da companhia, no sentido de tudo que a Nós Companhia de Teatro precisa. Do currículo da Nós, das notas fiscais, CNPJ. O administrativo da Nós, quem faz somos nós. Mas aí a Nós se organiza através dos seus projetos. Então, cada espetáculo, tipo Nós Performance, Elas, Nós em Off, Oxitocina, cada espetáculo a gente pede uma pessoa para ser o produtor e esse produtor é o responsável administrativamente pelo projeto. Então, se ele precisa de currículo da companhia, ele pede para nós, para mim ou para a Raquel. Já, o currículo do projeto quem organiza é aquele produtor junto com o diretor do projeto específico. No caso do Oxitocina, o diretor sou eu e a produtora é a Silvana. Nós organizamos esse projeto em cima das diretrizes da companhia. Então, eu e a Raquel temos uma horizontalidade, que todo mundo pode somar, mas tem uma hierarquia sim, que a gente permite com que as pessoas organizem também a companhia. Mas, é a partir desse vínculo com os projetos que a nós se sustenta. Cada projeto ali quando está em temporada, ele dá 5% de recolha do seu líquido para a companhia. Aí a companhia tem um caixa e esse caixa da apoia qualquer necessidade de qualquer projeto. Tipo, o projeto precisa de sala para ensaiar. Pega daquele caixinha ali. Ah, o projeto vai precisar de panfleto para imprimir. Pega daquele caixinha. Porque sempre quando um produto está em temporada, volta 5% para aquele valor. É mais ou menos assim que a gente vai se organizando. Um dos nossos valores é sempre trabalhar com os profissionais que estão na companhia. Tipo, vamos gerar trabalho para nós mesmos. Então se eu posso ser ator e produtor, que eu seja os dois. Posso ser ator e figurinista? Quando na falta de alguma função, como agora no Oxitocina a gente teve algumas faltas, que não tinha esses profissionais, a gente convida amigos e pessoas de fora que já passaram pela nossa vida, para compor o espetáculo. O Oxitocina, Mulheres em Trama, com a Letícia Virtuoso e o Dança da Meia-Noite, e tem mais três projetos a vir aí, né? Que são: Amor, o Musical, o primeiro musical da companhia; Palavra, onde os atores só podem dizer o que quando eles abrem o livro e o que está escrito ali. Então tem esses projetos todos acontecendo dentro da companhia, que vieram aí depois da pandemia. A gente veio com Nós Performance depois da pandemia e aí todos esses projetos se abriram aí para acontecer. 3 – Só este ano a Nós ensaiou, divulgou e apresentou 3 espetáculos próprios em teatros importantes, se envolveu com montagens de outros grupos, além de estar com projetos em andamento para serem estreados ainda este ano. Como tu enxergas o envolvimento da Companhia, tendo esta atuação tão pulsante, numa cidade como Porto Alegre? Eu acho que a gente tem ainda um alcance pequeno dentro de Porto Alegre. Apesar de conseguir participar de editais importantes, de conseguir capitanear dinheiro com editais, não é sempre mesmo que acontece. Não é sempre mesmo. Embora a …

Oficina de Hip Hop – História e Discotecagem com DJ Piá

Curso básico de discotecagem com toca-discos, controladores, software de DJ e formação teórica para oficineiros no elemento conhecido. Esta oficina serve para qualquer estilo musical como RAP, Original Funk, Rock, Trap, Funk Carioca, POP Music ou Música Brasileira, para iniciantes e para quem já tem experiência. A ideia é deixar o oficinando preparado para trabalhos de DJ como: animandor de festas (Open format), discotecagem artística, trabalho em grupo ou bandas, produção musical e DJ de competição. – Ensino de instalação de equipamentos específicos;– Técnicas básicas de mixagens;– Como fazer scratches, colagens musicais, noção básica dos equipamentos de DJ;– Teoria musical para iniciantes;– Mapeamento musical;– Divisões rítmicas;– Contagem de BPM’s;– Características de mixagem em diferentes estilos musicais;– Organização repertório;– Gravação de set musical e operação de software para DJ. Abordagem de questões históricas do Hip Hop: o Movimento, seu surgimento, desenvolvimento, suas características no Brasil e sobre a trajetória da música negra no Rio Grande do Sul, além da representatividade de diversidade existente no movimento do Hip Hop atual. Inscrições gratuitas aquiVAGAS LIMITADAS!*idade mínima de 16 anos A Oficina de Hip Hop – História e Discotecagem com DJ Piá integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.

Coletivo Catarse recebeu oficina de Acessibilidade

Texto: Márcia Tolfo e Gustavo Türck / Fotos: Márcia Tolfo e Têmis Nicolaidis Como parte integrante dos trabalhos com acessibilidade realizados a partir do projeto do filme Enquanto a Luz Não Chega, financiado pela LPG POA, o Coletivo Catarse recebeu, em 03/07, a profissional Si Dornelles em sua sede para uma oficina de 4h sobre Acessibilidade Atitudinal. Si apresentou o caminho de aprendizado da língua dos sinais e fez várias reflexões: “A cada dia aparece uma acessibilidade nova, e o que podemos fazer para receber da melhor forma cada ser humano?” – indagou aos presentesrepresentantes do Coletivo Catarse, da Maria Maria Espaço Cultural e da Comuna do Arvoredo. Um dado importante que ela trouxe foi o de que 80% das debilidades são adquiridas e 20% são congênitas, ou seja, uma grande parte das pessoas acaba por desenvolver essas dificuldades em fases da terceira idade. Lembrou também que ações de acessibilidade também atingem aqueles que estão passando por inabilidade momentânea – um pé quebrado, por exemplo. Durante as explicações, foram apresentadas diversas lâminas, deixando clara a importância dos processos de recepção e acolhimento – o tempo dedicado a essas ações é essencial para uma preparação adequada para se receber as pessoas. Si Dornelles também destacou o novo símbolo universal, que se refere a todos os tipos de acessibilidade, e a complicação em se utilizá-lo se não se for oferecer o suporte completo: “Não seria bom usar se não se for incluir todos os 18 tipos, no entanto, o símbolo antigo é limitador do conceito de acessibilidade e não representa outras deficiências além de física” – pondera. Ao final, foi apresentada a etiqueta social e as barreiras comumente encontradas pelos PCDs. Também Si mostrou como alguns seguimentos se organizam em comunidade, cultura e identidade – como os surdos -, implicando em partilhar de um mesmo ideal de luta pela manutenção dos seus direitos. E ainda houve tempo para duas dinâmicas. Uma fizemos com a tradução simultânea em idioma de sinais de uma música e outra em que, com os olhos vendados, os presentes ouviram um áudio de um filme e tentaram identificar o que estava acontecendo na cena. Terminando a oficina na sede do Coletivo Catarse, em ato contínuo, a equipe foi ao Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, em mais um evento de lançamento do curta-metragem, em mais uma exibição com acessibilidade em libras e acesso gratuito.

Inscrições abertas para oficinas de teatro no Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre

As inscrições para as Oficinas de Teatro Infantil no Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre encerram no dia 27/07! Duas turmas cheias de imaginação, movimento e brincadeira:👧🧒 6 a 9 anos – segundas, das 18h às 19h👦👧 10 a 13 anos – segundas, das 19h15 às 20h30 Garante a vaga da gurizada e vem fazer parte desse espaço de criação e expressão! 💛 📲 Informações e inscrições pelo WhatsApp: (51) 99884-6235ou pelo link na bio do @coletivocatarse A atividade integra o projeto: “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), que foi contemplado pelo Edital Sedac n°25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS

Oficinas de Teatro infantil na Comuna: Yeshe Cultural encerra ciclo de 3 anos, mas deixa legado

Atividades, no entanto, vão seguir com nova coordenação pelo Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre Aos finais de tarde das segundas-feiras aqui na Comuna do Arvoredo, um furacão infantil toma conta do salão Zé da Terreira. Espaço multiuso da casa, ele tem teatrado bastante nos últimos tempos, com ensaios diversos e, especialmente, há três anos, abrigando as oficinas de teatro para crianças da Yeshe Cultural. Nesse período foram estreados três espetáculos, sendo um deles ED MORT, premiado como melhor direção e melhor espetáculo no 3º Festive – Festival Estadual de Teatro Infantil de Viamão. Este ano, a Yeshe Cultural mudou de cidade, encerrando a coordenação das oficinas, que ficarão a cargo do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Como celebração a este tempo que a iniciativa agitou lindamente a Comuna, trazemos uma entrevista com Andressa da Silva Corrêa, idealizadora do projeto. Confere: Coletivo Catarse – Como construíste a ideia de realizar as oficinas de teatro? E por que com crianças? Andressa – Me formei em Teatro em 2007. Quando vim morar na Comuna do Arvoredo, esse espaço, esse centro cultural, surge a ideia de ministrar oficina de teatro como continuidade do trabalho que eu já fazia nas escolas. As crianças são um público que chega mais rápido pra fazer oficina. Os pais têm essa necessidade e as crianças, também. Então, eu dava aula pra adolescente, pra criança. Mas, na Comuna, escolhi fechar esse grupo de crianças porque eu acho que a procura é maior. CC – Tu consegues notar um desenvolvimento naqueles que se mantêm mais seguidos nas oficinas? Andressa – A oficina acontece desde 2022. Começamos com quatro alunos no primeiro ano. No segundo ano, eram oito. Acho que a gente fechou com mais no final, talvez uns dez, não recordo bem. E, em 2024, a oficina estava lotada, com 13 participantes. Tivemos que dividir a turma de pequenos e maiores. Mas vejo que tem um crescimento e muito potencial pra crescer. Já entre as crianças, a gente vê o crescimento na hora do espetáculo. Alunos que estão ali há mais de dois anos já têm plenas noções de espaço, de ritmo, de palco, de não ficar de costas para o público, de não falar ao mesmo tempo. O segundo passo foi o de montar personagens, trazer vozes diferentes, corpos diferentes pra cada um dos personagens. Hoje já temos alunos que rapidamente alcançam essa construção cênica. Mas, também, não é só essa questão do tempo. As crianças, elas estão no grupo por objetivos completamente diferentes. Algumas querem fazer e aprender teatro, ensaiar. Outras querem se integrar naquele grupo, brincar. E o teatro é só um dos elementos que compõem a aula. Então isso também faz a diferença. Se ela ama teatro porque ela quer ser atriz ou se ela gosta de teatro porque é uma aula divertida. Às vezes a gente perde alunos que estão super engajados no momento de brincadeiras e quando a gente vai para o ensaio, a aula fica um pouco mais fechada, com menos brincadeira, e os alunos se desinteressam. Por fim, eu acho que as crianças sentem necessidade de brincar muito hoje, de pega-pega, porque elas não têm mais a rua pra ficar brincando. Por isso, valorizo muito a brincadeira nas aulas. Tenho a brincadeira e essa vontade de formar o grupo, então, os alunos se reconhecerem aqui. Formaram amizades e vínculos. CC – E como é estar num espaço como a Comuna para realizar essas atividade? Tem estrutura, apoio, possibilidades? Andressa – A oficina não existiria se não fosse o apoio do coletivo. Se eu tivesse que pagar um espaço no centro de Porto Alegre, ela não teria começado. Além disso, a conexão entre os coletivos potencializa muito o trabalho, como na parceria do Yeshe Cultural com o Coletivo Catarse / Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Acredito que essa coisa da gente ter um grupo que valoriza o trabalho, que vai lá olhar, que vê essas crianças crescerem, que gosta de ter esse contato durante a semana, é muito motivador. Sobre o salão Zé da Terreira No último aniversário da Comuna do Arvoredo, celebrado em 16 de novembro de 2024 , o espaço multiuso do coletivo foi batizado como Salão Zé da Terreira, em homenagem a esse grande artista, que nos deixou em 2023.

Vasalisa, a sabida tem estreia confirmada em setembro

“Vasalisa, a Sabida” é um espetáculo híbrido, em processo final de gestação, que percorre a jornada de iniciação feminina em seus saberes, onde, por meio de seus sentidos, as mulheres aprendem a nutrir suas ideias, destacando a importância do resgate da intuição e da presença das mulheres no mundo, tão subjugadas pelo patriarcado. Como guardiãs do fogo criativo, estão profundamente conectadas aos ciclos de vida, morte e renascimento que permeiam a natureza, definindo assim o significado de ser uma mulher iniciada. A obra se baseia na fábula do folclore russo, “Vasalisa, a Bela” – recopilação do folclorista russo Aleksandre Afanasev (1826/1871), na versão de Clarissa Pinkola Estés, apresentada no livro Mulheres que correm com os lobos (2018). O conto foi reinterpretado, neste trabalho, por meio de uma pesquisa autoral que busca resgatar e valorizar as subjetividades e o modus operandi da atuação feminina na sociedade, promovendo a reflexão acerca da invisibilização e do silenciamento das mulheres pelo sistema patriarcal ao longo dos tempos, desde a sua institucionalização. A encenação está sendo concebida a partir da linguagem do áudio drama, ou seja, de uma história dramatizada em áudio, que transporta o espectador para distintos cenários a partir de uma composição de sonoridades entrelaçadas à narrativa da contação de histórias. “Vasalisa, a Sabida” mistura em seu caldeirão artístico multilinguagem elementos do audiovisual, da contação de histórias, do teatro de animação e da dança. O audiovisual aqui é empregado como a combinação de sonoridades com imagens em luz e sombra produzidas ao vivo, bem como, a manipulação de bonecos e de formas animadas. A contação de histórias, presente no áudio drama, faz parte da tradição de vários povos nos quais, através da oralidade, suas narrativas eram transmitidas de geração em geração, perpetuando culturas e saberes. Além disso, contos e fábulas contribuem para o aprofundamento das reflexões em torno de habilidades como o autoconhecimento. Sendo assim, a performance atua na dimensão onírica e lúdica em aliança com a expressividade dos corpos dançantes em ação cênica. Seu caráter híbrido concentra o foco de ação na elaboração de uma poética artística, que possibilite ao espectador, de diferentes faixas etárias, com ênfase em mulheres, a apreensão do conteúdo através de uma profusão de signos advindos das diferentes linguagens que conectam aspectos sensoriais auditivos, visuais, poéticos e narrativos. Com uma equipe interdisciplinar de profissionais empenhados na concretização do trabalho, “Vasalisa, a Sabida” se propõe a ser uma experiência transformadora, que ressoa com a essência de cada espectador e reafirma a força das vozes femininas na sociedade contemporânea. É um trabalho constituído de forma independente numa co-produção Coletivo Catarse / Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e Projeta Matricêntrica e tem sua estreia marcada para setembro. Mais informações em breve! Ficha técnica Aline Ferraz – Roteiro em áudio, direção, dramaturgia, cenários e elementos cênicos, figurinos e atuaçãoTêmis Nicolaidis – Roteiro em áudio, direção, dramaturgia, cenários e elementos cênicos, figurinos e atuaçãoLorena Sánchez – Direção de Produção e direção cênicaRaul Voges – Direção de movimento coreográficoMarcelo Cougo – Trilha sonora originalMarcelo Eguez – Trilha sonora originalAnahi Fros – Assessoria de comunicaçãoBilly Valdez – Fotografia e registro audiovisualGustavo Türck – Produção sonoraEthiéne Guerra – Assistência e confecção de figurinos. Realização – Coletivo Catarse/ Ponto de Cultura Ventre Livre e Projeta Matricêntrica.Apoio – Clube da Sombra e Comuna do Arvoredo

Enquanto a Luz Não Chega: primeiras gravações movimentam equipe e locais da cidade

Texto: Lorena Sanchez / Revisão: Anahi Fros / Fotos e vídeo: Maria Luiza Apollo O curta-metragem Enquanto a Luz Não Chega, do Coletivo Catarse, concluiu com êxito seu primeiro período de gravações. Durante uma semana intensa de imersão, a equipe ocupou diferentes espaços da capital gaúcha para dar vida aos personagens Téo e Ciça. A preparação foi minuciosa: visitas técnicas, ensaios de mesa e estudos de luz antecederam as filmagens. O centro das gravações ocorreu em um apartamento no alto do bairro Teresópolis, em Porto Alegre — local que, além de oferecer uma vista inspiradora da cidade, também é um dos cenários principais da narrativa. É lá que se desenrola a história do casal: o amor, o silêncio, o estranhamento e a espera. A luz — ou a ausência dela — assume papel central no projeto, criando atmosferas e tensões dramáticas que não devem ser ajustadas mediante edição na pós-produção, mas construídas ao máximo ao vivo. Um exemplo disso é a marcante Cena 19, ponto de virada da trama, em que o apagão e a escuridão envolvem os protagonistas em uma coreografia precisa de luz, sombra e interpretação. Este é um trabalho que não se desenvolve ao acaso, mas se materializa de uma intenção crescente após anos de trabalho e parceria com a Cia Lumbra — casa há mais de 20 anos de Alexandre Fávero, que assina a Direção de Arte do filme, trazendo toda sua experiência no teatro de sombras para um mix de linguagens pretendido por esta obra audiovisual. Além das filmagens no apartamento, a equipe realizou, no mesmo período, cenas em outras locações que exigiram grande produção. Graças ao planejamento cuidadoso e às parcerias estabelecidas com os locais visitados, as gravações transcorreram de maneira ágil e eficiente. E, somando-se aos protagonistas, um expressivo grupo de figurantes colaborou com entusiasmo e disposição para o processo criativo. Foram muitos momentos em que pessoas e os espaços que acolheram o projeto demonstraram grande receptividade e envolvimento, garantindo condições ideais de trabalho para toda a equipe. A SABER Enquanto a Luz Não Chega é um curta-metragem de ficção produzido pelo Coletivo Catarse (Contemplado na LPG Porto Alegre na linha de Produção de Curtas-metragens), que propõe uma reflexão sobre os impactos da tecnologia nas relações humanas.