A Viagem de Jacinto

Texto: Clube da SombraFotos: Clube da Sombrta e Cia Pájaro Negro A Viagem de Jacinto é um projeto de minisérie ficcional que narra a história de duas crianças que vivem na zona rural e, em uma noite, brincando com uma lanterna, disparam um facho de luz para o céu escuro. Essa luz, antes de viajar pelo espaço, ilumina um boneco de papelão chamado Jacinto, que os dois construíram para brincar com teatro de sombras. Nesse instante em que Jacinto é iluminado, uma grande ideia surge na imaginação dessas duas crianças, abrindo um universo novo de dúvidas e descobertas onde a ciência e a imaginação se juntam para formar imagens surpreendentes. Jacinto está viajando na velocidade da luz pelo espaço. Mas e a sombra de Jacinto, está viajando junto? Onde estará esse nosso personagem? Conforme o tempo passa, Jacinto segue sua a aventura espacial, enquanto as crianças crescem, tornam-se adultos para finalmente descobrirem onde Jacinto está. Numa produção Clube da Sombra, em parceira com Cia Pájaro Negro, Coletivo Catarse, Box23filmes e Ponto de Cultura Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo e financiamento pela Lei Paulo Gustavo no município de Dois irmãos, A Viagem de Jacinto sai do papel e encontra este grupo de realizadores dispostos a embarcar na mesma viagem. Esta história parte de uma pesquisa acadêmica, artística e real, em andamento, iniciada no interior do município de Morro Reuter, no Espaço de Vivência Artística Vale Arvoredo, que se desdobra em uma tese para a Universidad Nacional del Centro de La Provincia de Buenos Aires – Facultad De Arte, na carreira de Maestría en Teatro – Dirección escénica, com o título de: La espacialidad en el teatro de sombras contemporáneo de la Compañía Teatro Lumbra de Brasil. O diretor teatral Pablo Longo, integrante da Cía Pájaro Negro é o proponente responsável por essa investigação sobre a profundidade da sombra e suas manifestações no campo da percepção. O personagem Jacinto foi criado por Alexandre Fávero, associado do Espaço Vale Arvoredo, residente do munícipio de Dois Irmãos e diretor do filme Boitatá – (Argentina / Brasil – 2020/2021) Cía Pájaro Negro y Cia Teatro Lumbra. Nessa pesquisa de 2022 ele é utilizado como protótipo para ilustrar fotos e vídeos do processo de investigação para a tese de Pablo Longo, participando de diferentes experimentos com luz e sombra, sobre superfícies, como fumaça, água de rio, água de cascata, tecidos, árvores e espelhos. O argumento de “A Viagem de Jacinto” surge desses testes e suposições, que estão se desdobrando em teorias, perguntas e na tese que se apresentará em 2024. A proposta é desenvolver um roteiro, uma estrutura narrativa que possa se desdobrar em outras linguagens e produtos, como um filme, um livro ou uma peça de teatro. É uma obra de ficção que estimula a imaginação e o raciocínio lógico de crianças e adultos, de qualquer idade, sobre a nossa época, sobre aquilo que podemos perceber de nós mesmos, mas também daquilo que se distancia infinitamente de nós. Com um mundo tão repleto de tecnologias e virtualidade, talvez o importante não seja ver o que ninguém nunca viu, mas sim pensar o que ninguém nunca pensou sobre algo que todo mundo vê. Jacinto é um personagem criança que está viajando no espaço sideral e na imaginação, conectando o dentro e o fora de cada um de nós.

Vamos fazer um filme?

Numa realização Ponto de Cultura Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo (@vale_arvoredo), com a parceria do Ponto de Cultura Ventre Livre (@coletivocatarse), através do edital de audiovisual da Lei Paulo Gustavo para o município de Morro Reuter, no dia 26.03 inicia-se a Oficina Prática de Produção Audiovisual na EMEIF Tiradentes na cidade de Morro Reuter. O projeto busca desenvolver um olhar atento e sensível sobre a realidade, com o objetivo de registrar e editar um curta-metragem documental ou de ficção, tendo como suporte dispositivos celulares e, ainda, outros recursos disponíveis no dia a dia como ferramentas para ver, criar e produzir o conteúdo audiovisual resultante desta oficina. Esta produção se dará em formato de oficina para jovens dos 3º, 4º e 5º anos do ensino fundamental. Serão encontros que os jovens, de maneira prática, irão conceber, roteirizar, produzir, filmar e editar um pequeno curta-metragem, tendo noção de todas as etapas de produção de um audiovisual. Esta mesma oficina já foi realizada anteriormente em Morro Reuter, no ano de 2015 na Escola Estadual de Ensino Fundamental João Wagner, e resultou no curta-metragem O Livro. Também, foi realizada em Tapes, resultando dois curtas-metragens: A casa da última rua e A longa vida de Kameyo. O objetivo do projeto é aproximar os jovens das etapas da produção audiovisual, estimulando o pensamento crítico sobre a produção de conteúdo e construção de sentido; Realizar um curta-metragem inteiramente produzido junto aos jovens oficineiros, aproveitando as referências consumidas por eles, advindas das redes sociais, mas que, consiga, também, se aproximar da linguagem cinematográfica, estabelecendo um diálogo estético e narrativo e promover uma sessão de cinema com os realizadores do curta-metragem no Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo e uma sessão na escola para professores e estudantes, seguido de bate papo sobre a produção. Acompanhe, curta e assista!

Espaço Cultural Maria Maria – 1 ano de vida no Centro Histórico de Porto Alegre

Quando se tem contato e se está minimamente atenta aos movimentos e discussões sociais a gente aprende que palavras importam. Importam tanto que elas vivem mudando para melhor se adequar ao contextos que elas representam. Porém, tem uma palavra muito especial que parece não perder o seu lugar nas organizações sociais horizontais. Rizoma. O rizoma na botânica é um caule que vai se espraiando sob a terra, se ramificando, crescendo, tomando espaço, se transformando em parte mas nunca perdendo sua participação no todo. Somos assim. Nos vemos no próximo que tem mesmos ideais, valores e energia e vamos nos fundindo num grande mapa rizomático de fazeres. Somos potência coletiva que soma habilidades distintas para se complementar no trabalho e, assim, cumprir a nossa função social nesse mundo muito louco e exigente. Não foi diferente com as Marias, que apareceram há um pouco mais de um ano atrás, aterrisando na garagem do casarão, parte da Comuna do Arvoredo (@comuna_do_arvoredo). Foi amor a primeira vista. Elas, Daniela e Márcia Tolfo, encabeçando o empreendimento, tendo como base afetiva e de apoio muitas outras Marias que vieram para ocupar e erguer este espaço cultural tão diverso. E fizeram uma revolução. Modificaram a estrutura física do lugar e conseguiram, com muita competência consolidar o espaço com uma programação cultural qualificada. Foram 9 edições da Janta Afro, com pratos típicos da culinária afro-brasileira, uma hondurenha e uma mexicana. Rodas de conversa, lançamento de livro, documentário e exposição de arte negra, feiras de economia popular solidária. Teatro foram 4 apresentações, sendo duas de marionetes. Dois eventos de Slam, do Aquilombaí e do Dengo. Apresentações musicais foram mais de 40, dos mais diversos segmentos: samba, MPB, rock, chorinho, tango, milonga, música afro e regional. Pois no dia 19.02.24 o Espaço Cultural Maria Maria completou 1 ano e durante este tempo o Coletivo Catarse / Ponto de Cultura Ventre Livre (@coletivocatarse) foi e continuará sendo parceiro nesta caminhada pois acredita que arte e cultura é transformador e o que mais se precisa é estar sempre em movimento, sentindo a vida acontecer. E é esse o poder das Marias. Lugar para se sentir acolhido, compartilhar momentos, bebidas e comidas, para fazer catarses, para ouvir e ser ouvida, para sorrir e soar, para criar, compor e brotar. Espaço Cultural Maria Maria, onde a Catarse encontrou um Ventre Livre para germinar o futuro. Texto: Têmis NicolaidisFotos de Billy Valdez

Teatro é grupo – Estreia de Ed Mort no Museu do trabalho

Texto: Andressa CorrêaFotos: Gustavo Türck No dia 16/12 o espetáculo Ed Mort, da oficina infantil da Yeshe Cultural (@yeshecultural) estreou no Teatro do Museu do Trabalho (@museudotrabalho) para cerca de 100 pessoas. Ed Mort – adaptação do texto de Luiz Fernando Veríssimo cheio de deboche e mistério. O TEATRO se fez presente – uma arte coletiva, feita por uma coletividade diversa de crianças e por coletivos muito especiais. Com ela o Yeshe Cultural cumpriu sua aspiração do ENCONTRO, em tempos de desconexões conectadas, o encontro é pedra preciosa, o fazer teatro se faz preciosidade. O que fizemos? Primeiro, um GRUPO de crianças mega talentosas e especiais, de mães parceiras, de diferenças! Uma jornada nada fácil, de tapas e beijos, mas tão verdadeira, tão verdadeira, que nenhuma criança titubeou, quis desistir. Só somamos nesse ano, não tivemos nenhuma desistência e acho isso incrível! Elas estavam sempre lá, ansiosas pra se ver, pra lanchar juntas, ansiosas pra fazer as cenas acontecerem. Segundo, uma PROFESSORA que tinha escolhido uma peça difícil, uma professora que adora marcar cena, que é meio chata, mas que propicia DR’s, o compartilhar da vida entre eles, e que ACREDITA neles. Foi difícil de fazer, mas tão bonito de se ver! A alegria e a força deles no dia… ahhh… ver eles orgulhosos, respondendo as perguntas do públicos… que delícia! Terceiro, uma EQUIPE brilhante: agradeço ao Coletivo Catarse / Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre (@coletivocatarse) que apoia sempre as “águas que correm entre os trilhos” na busca por uma mundo mais justo e presente e vem apoiando o Yeshe Cultural desde o seu nascimento com as tecnologias, com as pessoas, com a troca de ideias; agradeço em especial a Têmis Nicolaidis (@temis.nicolaidis) que criou a cena maravilhosa de sombras que tínhamos no espetáculo, apoiou na técnica, sentiu calor com a gente; a Comuna do Arvoredo (@comuna_do_arvoredo) esse centro cultural, moradia coletiva, lugar de gestão de outros mundos possíveis que acolhe e torce pela continuidade dessa oficina; agradeço ao palhaço Rê Amorim (@renatonapaz) que mandou ver nos bastidores com as crias; agradeço aos responsáveis que viram, olharam, apoiaram seus filhos para estarem lá, parabéns!

“É noite. Paira no ar uma etérea magia…”

Gilka Machado (1893-1980), foi a maior representante feminina do simbolismo no Brasil. Poeta carioca, nascida numa família de artistas, lançou seu primeiro livro em 1915, causando alvoroço na crítica desde já.  Tinha a admiração de grandes escritores como Jorge Amado, Olavo Bilac e Carlos Drummond Andrade e venceu o concurso de melhor poetisa do Brasil, em 1933, concorrendo com nomes como Cecília Meireles. No entanto foi duramente criticada por muitos setores da sociedade pelo teor sensual de seus versos e desvalorizada por sua condição social. Gilka foi uma precursora – ou “a antecessora”, na palavras de Carlos Drummond Andrade – usando de um erotismo espiritualizado para falar de desejos, anseios e aspirações da mulher, tirando-a da condição de objeto do homem e apresentando-a protagonista de si mesma. O projeto Língua Lâmina teve início em 2019, quando três artistas independentes (Alexandre Malta, Lorena Sánchez e Thali Bartikoski) idealizaram a elaboração de um sarau a partir da literatura erótica feminina no Brasil. A proposta inicial era apresentar um compilado de diversas autoras, de variadas épocas. Ao direcionar-se o trabalho de pesquisa para a busca das mulheres pioneiras na poesia erótica no país, se chegou na vida e obra da poeta Gilka Machado. Foi idealizado, assim, o sarau sensorial “A Língua Lâmina de Gilka Machado”, onde as palavras do universo gilkiano jogam frequentemente com os cinco sentidos, proporcionando experiências sensoriais ao público, apresentando assim mais concretamente sua poesia essencialmente simbolista.  O sarau chegou a estrear no início de 2020 no espaço do Guernica Bar, mas infelizmente teve as atividades suspensas por conta do isolamento social provocado pela pandemia do Covid19. Durante o período de isolamento, o grupo continuou pesquisando e desenvolveu ações de forma virtual, com videopoesias realizadas de forma caseira pelos três artistas e entrevistas a outras estudiosas da escritora Gilka Machado. O sarau retomou as apresentações presenciais no fim de 2022 com o elenco inicial, se apresentando em palcos alternativos e de forma independente.  Em meio às pesquisas e discussões, realizadas durante e posteriormente ao período de isolamento, foi desenvolvida uma nova concepção em relação ao produto final do projeto. Na pesquisa histórica, identificou-se um grande número de escritoras latino-americanas, contemporâneas de Gilka Machado, todas mulheres pioneiras em seus países com uma escrita ousada e libertária – outras línguas-lâminas que podiam ser somadas. E no desejo dos artistas suscitou a necessidade de transpor o sarau para a condição de espetáculo.  Optou-se pela criação de um monólogo e a formação de uma equipe técnica incorporada à atriz em cena, utilizando de recursos como o audiovisual, a dança, a iluminação e a trilha sonora cuidadosamente pesquisada. Língua Lâmina então toma a forma de um projeto cuja proposta cênica se desenvolve a partir da intersecção de diferentes áreas artísticas, que convergem para a apresentação de elementos da obra de Gilka Machado e da condição feminina na sociedade, como ser autônomo e criador.  As profissionais envolvidas no projeto, sejam artistas ou técnicas, são imersas no universo gilkiano, produzindo harmonicamente elementos em suas especialidades individuais que convergem coletivamente em direção a uma representação da poética para além da palavra. Todo esse processo, somado a atuação e provocações da atriz em cena, devem proporcionar  sensações e estímulos no público O formato em monólogo teve a sua estreia em março de 2023, no evento Elas por Elas, do espaço cultural Cuidado que Mancha.  Língua Lâmina  participou em junho de 2023, no XXX FESTIVALE – FESTIVAL NACIONAL DE TEATRO DO VALE DO PARANHANA, em Rolante/RS, recebendo os prêmios de Melhor Atriz e Melhor Texto Original e as indicações de melhor espetáculo, direção, figurino, cenografia e trilha sonora. Fez, também, apresentação no Salão Mourisco na Biblioteca Pública do Estado. O Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre apoia Culturalmente o Língua Lâmina e tem, na equipe, duas coperadas Lorena Sánchez (atuação e produção) e Têmis Nicolaidis (videoprojeções), que assinam, também, a direção coletiva do espetáculo nessa nova fase.

Descobrindo a sombra

Dia 23 de outubro, a escuridão tomou conta da oficina de teatro para crianças da Yeshe Cultural (@yeshecultural). Nos iluminamos, nos observamos e jogamos com as sombras projetadas nas paredes e tela. O Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre (@ventre_livre) está nesta parceria com a Yeshe para sensibilizar as crianças para a linguagem da luz e sombra e, também, para criar uma cena de teatro de sombras para a montagem do grupo, Ed Mort, que será apresentado até o final do ano.

A modernidade do brega

Há uma lacuna na historiografia da música popular brasileira do século passado. Essa lacuna se dá justamente em um dos períodos mais ricos e mais difíceis do fazer artístico nacional. O período da ditadura cívico-militar, principalmente o compreendido entre os anos do AI 5 (Ato Institucional número 5), de 1968 até 1978. Quem produziu memória e estudo, em livros, revistas e teses acadêmicas, acabou por deixar de fora desses estudos, intérpretes e compositora(e)s de uma vertente chamada pejorativamente de cafona (algo similar ao brega de hoje em dia). Essa turma de artistas dava suporte econômico às gravadoras e por conseguinte ao cast de artistas, considerados de “bom gosto” e engajados politicamente, pois eram os mais vendidos e os mais tocados nas rádios do Brasil. Desvelar esses “segredos” é um dos motivos da existência do Musical Talismã, projeto iniciado por Álvaro Balaca (voz) e Marcelo Cougo (violão, baixo e voz) e transformado em banda com a adesão de Rodrigo Vaz (violão e guitarra) e Alex Becker (bateria). Para além deste resgate há, ainda, o envolvimento afetivo de quem ouvia essas canções nos velhos rádios à pilha ou em vitrolas portáteis e ainda guarda na memória as belas melodias e as letras desbragadas em sentimentos, verdadeiras crônicas de seu tempo e do nosso povo. Esse projeto foi lançado em uma live no canal do Facebook da comunicadora Karine Faria e no canal do Youtube do Coletivo Catarse, numa segunda feira de outubro. Nesse bate papo a banda conversou sobre história, memória e as motivações de montar esse projeto, além de tocar 4 canções emblemáticas dessa ideia.

Criaturas da Literatura

O Criaturas da Literatura é um projeto de espetáculo de teatro de sombras da Cia Teatro Lumbra (@clubedasombra) livremente inspirado em 3 histórias da Literatura mundial – Dom Quixote, Alice no País das Maravilhas e Pequeno Príncipe e que, ao longo da sua recente história, se transformou através de diferentes fases, com distintos formatos. Com direção e atuação de Alexandre Fávero, produção e assistência de direção de Fabiana Bigarella e atuação e assistência de cenografia de Têmis Nicolaidis é, para além do espetáculo, um trabalho de pesquisa que, agora, circula livremente por festivais, escolas, feiras do livro. Somente este ano participou de importantes festivais de teatro do Brasil: 4º BQ Em Cena – Brusque/SC, 10º FIS – Festival Internacional de Teatro de Sombras – Taubaté/SP, I Mostra Internacional de Teatro de Bonecos de Macacos/MG , XI Mostra Internacional de Teatro de Bonecos de Mariana/MG ,10º Festineco – Festival de Teatro de Bonecos – Gama, Recanto das Emas e Santa Maria/DF, 5º Animaneco – Festival Internacional de Teatro de Bonecos – Joinville/SC, 25º Fenatib – Festival Nacional de Teatro Infantil – Blumenau/SC. O Coletivo Catarse fez e, ainda faz, parte desta trajetória do Criaturas da Literatura através de uma relação de parceria de trabalho com o grupo e por compartilhar uma colega de trabalho, Têmis Nicolaidis, sombrista da Cia Lumbra e cooperada do Coletivo Catarse. Uma parceria que procura investigar o diálogo entre a linguagem do teatro de sombras e a produção audiovisual. Esta parceria resultou, durante o período da pandemia de Covid-19, com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do RS, uma série audiovisual com 6 histórias, além das 3 incluídas no espetáculo, Pinóquio, Drácula e Moby Dick. Assista abaixo o teaser do trabalho: Nesses 25 anos que estou trabalhando na Cia Teatro Lumbra, um dos objetivos que foi sendo modelado nas nossas políticas de trabalho e convivência é o compartilhamento de experiências com artistas e coletivos de diferentes áreas. As minhas vivências artísticas com o Coletivo Catarse permitiram-me refinar o olhar sobre questões fundamentais nas relações entre criadores, processos e resultados. A autogestão e a cogestão são princípios que norteiam o movimento cooperativista, mas também a tradição teatral, nos trabalhos de produção e gestão de negócios. Com a colega Têmis e os companheiros do Coletivo Catarse, compartilhamos conhecimentos e somamos forças para potencializar os resultados. Nossas inquietações determinam desafios por caminhos desconhecidos onde podemos descobrir juntos as nossas potencialidades e possibilidades. Alexandre fáveroEncenador, cenógrafo, diretor, sombrista e fundador da Cia Teatro Lumbra Para conhecer mais sobre o trabalho da Cia Teatro Lumbra e do Criaturas da Literatura, acesse: Site do Clube da Sombra Página do Criaturas da Literatura Instagram Clube da Sombra Instragram Criaturas da Literatura

Coletivo indígena Mbya Guarani retoma território tradicional e pede demarcação de terra em São Gabriel

Leia abaixo carta do Coletivo Guarani Mbya do Tekoa Jekupe Amba. Fotos: Junior Moraes Carta do Coletivo 06 de outubro de 2023, Tekoa Jekupe Amba, São Gabriel-RS Nós, coletivo de indígenas da etnia Guarani Mbya moradores do Tekoa Jekupe Amba, em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, em área de retomada – anciãos, adultos e crianças representados pelo cacique Vherá Poty – todos falantes da língua materna Guarani Mbya, viemos por meio desta carta solicitar providências imediatas por parte dos órgãos competentes, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Ministério Público Federal (MPF) e Ministério dos Povos Indígenas (MPI) para a demarcação. Pedimos ainda a todos os outros órgãos competentes atenção aos direitos dos povos indígenas da retomada Jekupe Amba no município de São Gabriel, Rio Grande do Sul. Poder viver nessa região era o sonho de um casal de anciãos, nossos avós, de nome guarani Vhera Xunu, seu Marcolino da Silva, e Pará Mirim, Dona Florentina Fernandes. Esse também continua sendo o sonho de muitos outros anciãos de outros lugares. Nossos avós, no ano de 2016, nos deixaram sem ver os seus sonhos e desejos se realizarem, que era viver em uma aldeia na região de São Gabriel onde sempre foi um lugar de convivência e pertencimento de nossos antepassados. Anos depois foram seus filhos, meus pais, que em suas conversas solicitaram a mim, que eu fosse realizar esse sonho dos nossos avós, que sempre tinha sido sonho de todos o tempo todo, por pertencermos aos povos que na região viviam e de muitos que foram massacrados no processo de guerra que houve na região. Desde então decidimos ocupar um lugar onde sempre foi e será o nosso lar, estamos continuando nossa história vivendo em um lugar onde sempre nos pertenceu e nos pertencerá. Nossa história deve ser respeitada, escrita e contada por nós, através da nossa presença e prática de tudo que nos faz ser Guarani, povo originário deste território. Nessa região onde é considerado como terra do líder guarani Sepé Tiaraju, e que também é comprovada através de estudos, e também pelos mais velhos, os próprios Guarani, que é um território de ocupação de nossos ancestrais, onde também houve muitas guerras e massacres de muitos povos indígenas, inclusive onde o líder Guarani Sepé Tiaraju foi assassinado e onde até hoje tem uma estátua e o local onde ele tombou. Por toda uma questão histórica e de reconhecimento por parte do nosso povo como um lugar sagrado, nós coletivo com apoio e acompanhamento de outros caciques do estado estamos aqui reivindicando uma área localizada dentro do município que está desocupado. O nosso sonho é viver nessa aldeia onde possamos ter o nosso espaço de convivência coletiva, viver de acordo com nossa cultura e, através dela, sempre se comunicar com as políticas externas de modo equilibrado, sempre protegendo nosso modo de vida e nossa compreensão de mundo. Construindo nossa OPY, casa tradicional de ritual, e assim praticar e fortalecer o nosso modo de vida que sempre foi e será a nossa fortaleza, o Mbya reko, modo de ser Guarani. Assim finalizamos essa carta de reivindicações e aguardamos a resposta. Abaixo assinamos todos do coletivo. Coletivo Guarani Mbya do Tekoa Jekupe Amba

A Comuna do Arvoredo continua, verde e pulsante!

Nesse último mês de setembro a Comuna do Arvoredo completou 15 anos. Uma estrutura de 3 velhos casarões históricos – Casarão, Caza Azul e Casarinho – na rua Fernando Machado, antiga Rua do Arvoredo, Centro de Porto Alegre, que abriga um sonho. Um sonho vivido diariamente. Por exemplo, na segunda, dia 2 de outubro, em determinado momento da noite havia um ensaio de banda e uma reunião de Rede de Pontos de Cultura acontecendo no espaço do Coletivo Catarse, que há mais 3 anos habita a Comuna. Ao mesmo tempo uma oficina de tambores realizada por mulheres acontecia na Garajona do Casarão. Vibrante, pulsando ritmo e liberdade. No Salão, oficina de teatro para as crianças da comunidade. No final da tarde o perfume dos pães artesanais alimentava o apetite da criançada da Comuna. O pátio, nesse dia, estava calmo e iluminado. Um pulmão verde e acolhedor para toda gente que por ali circula. Nessa Comuna, toda essa vivência de arte é fruto da construção coletiva de quem mora, de quem trabalha, de quem mora e trabalha, de quem vive esse sonho. Um modo de encarar a vida na cidade grande que encanta e ensina. Desafia sempre as coletividades que ali circulam a encontrar suas soluções com muita conversa e maturidade. É uma escola! Isso tudo que falei foi em apenas uma segunda-feira, mas nos outros dias ela pulsa também. O almoço coletivo, alegria da sineta que avisa a comida saudável e cheia de significados, por conta de todas as ações que envolvem “alimentar” a Comuna e sua gente. Os empreendimentos solidários e criativos, a alegria do convívio e da surpresa de quem conhece a Comuna e seus encantos e encontros. Nesses tempos que ali estamos temos sido felizes e temos sonhado juntos. A Comuna é um presente pra cidade de Porto Alegre e para nós do Coletivo Catarse. “A comuna do arvoredo é uma comunidade urbana que compreende 3 casas no Centro Histórico de Porto Alegre. Além de espaço de moradia, também abriga coletivos de trabalho. Atualmente vivem 16 pessoas, incluindo as crianças, e mais 4 coletivos: Coletivo Catarse, Espaço Cultural Maria Maria, Brick Ao Belchior, Mútua e Fespope. Nestes 15 anos, calculamos que mais de 150 pessoas compuseram esta rede, seja como moradores ou coletivos de trabalho. Propiciando a construção de sonhos, encontros, amores, realização de projetos, que permeiam a vida de cada uma e cada um de nós que por aqui passamos, ou estamos. É um lugar que nos permite sonhar, e mais do que isso, colocando em prática (ao menos um pouco) o que sonhamos. Entre os sonhos que sonhamos juntos partem de inspiração ecológica em nossas práticas, seja na alimentação em articulação com as feiras ecológicas (FAE, Menino Deus, MPA), na gestão dos resíduos, no consumo consciente e nas conexão com quem produz os nossos alimentos”. – Fabi Cre e Carol Ferraz – moradoras da Comuna do Arvoredo. Estar no centro histórico de Porto Alegre e optar por preservar uma pequena, mas nem tanto, agrofloresta é, também, uma atitude de resistência. Uma resistência que impacta quem não conhece o interior dos casarões e não imagina que esse gigante verde é uma das moradoras mais importantes e mais antigas da Comuna. Cerejeira, Juçara, Pitangueira, araçá, ervas medicinais, Panc´s, bananeira, abacateiro, nesperina, viveiro de mudas, casa de pássaros. Uma mata constituída de degraus com clareira, fogueira, espaço para as composteiras e trilha! Esse é um dos espaços coletivos. Tem o salão, espaço multiuso que abriga aulas, ensaios, oficinas. A garajona, localizada na maior das três casas, o Casarão. “Mas tudo isto que já foi falado aqui, é apenas um fragmento dessa história que vem sendo vivida já há quinze anos, nos quais as presenças do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá), do Casa Tierra e do grupo inicial de moradores fixos, foi fundamental para que nossa Comuna tomasse forma e se tornasse o “ser vivo” que é hoje,. Esse ser que respira e ajuda a cidade a respirar, seja pela sua pequena/grande floresta ou pela às inúmeras atividades culturais e sociais ancoradas aqui! Experiências compartilhas e lembradas pelo país afora com os muitos amigos e ex moradores oriundos de muitas regiões do Brasil e, também mundo afora, pelas muitos amigos e ex moradores vindos das mais diversas regiões do planeta! Que venham outros quinze anos e outros e outros…” – Paulinho Bettanzos – morador da Comuna do Arvoredo Para quem tem ou já teve a experiência de viver em coletivo, seja para trabalho, seja para moradia, entende que muitos são os desafios. E porque se assume viver tamanho desafio? Porque se cresce, se evolui e se consegue concretizar espaços de utopia, como a Comuna do Arvoredo.