Oficinas de Inclusão Digital com ênfase em produção audiovisual em Mostardas

Numa parceria fechada entre Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre/Coletivo Catarse e o Ponto de Cultura STR Mostardas, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc, no projeto Festejos e Encontros da Cultura Popular (Edital SEDAC 25/2024), serão oferecidos 5 ciclos das oficinas em escolas públicas e em áreas de quilombos do município do litoral médio do estado. Na última quinta-feira (17/07), o Coletivo esteve em reunião em Mostardas com a coordenação do projeto, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, e, em conjunto, na Secretaria de Educação, definindo quais escolas receberiam quais oficinas e o período de realização de cada uma – o projeto ainda prevê, com outros parceiros, oficinas de música, bricadeiras da cultura popular, capoeira e outras atividades com festejos típicos. “Esta oficina que fica a nosso cargo, de Inclusão Digital, que vai acontecer a partir da instrumentalidade da produção audiovisual, um metiê clássico nosso, surgiu da ansiedade de se ver um aparelho tão importante como o telefone celular servindo para coisas construtivas. Quando o Tadeu (Perciúncula, coordenador do Ponto de Cultura STR Mostardas) veio falar com a gente, destacou isso, e encaixou exatamente com uma série de propostas com esse tipo de reflexão que viemos fazendo em nossas produções e oficinas recentes. Vamos levar isso para os oficineiros, mostrar alternativas de usos e procurar montar processos com início, meio e fim – podendo ser a realização de um filme, por exemplo.” – é o que comenta Gustavo Türck, um dos responsáveis do Coletivo Catarse pelas oficianas. O Ponto de Cultura STR Mostardas é uma grande referência já há muitos anos na região – que também é chamada de Litoral Negro do Rio Grande do Sul. O conceito, cunhado pela historiadora Claudia Mollet, leva em conta o grande número de comunidades quilombolas entre Osório e São José do Norte – são 10 comunidades até o momento – e as contribuições dos africanos e seus descendentes para a cultura da região. Com tantas manifestações culturais latentes e trabalhos de resgate de suas cidadanias e costumes constantes nos territórios, o Ponto já desenvolveu projetos e trabalha exatamente como um apoiador com suas ações na área da cultura, memória e patrimônio. E este projeto é mais uma iniciativa que visa a registrar, oferecer capacitação e a promover festejos típicos como o Terno de Reis.

Oficina na EMEF Porto Novo celebra identidade, memória e protagonismo comunitário

Nesta semana, foi concluído um importante ciclo de oficinas e registros audiovisuais realizados na EMEF Porto Novo, localizada na região hoje conhecida como “Dique Nova”, em Porto Alegre (RS). A escola, atualmente sob a gestão da professora Solange Medeiros, acolheu o projeto com entusiasmo. O espaço educativo serviu como palco para atividades junto às turmas de 9º ano do ensino fundamental, conduzidas pelas oficineiras Lorena Sanchez e Maria Apollo. Durante cinco encontros, às quartas-feiras, os estudantes participaram de vivências voltadas à introdução da linguagem audiovisual, com foco no fortalecimento da autoestima, do pertencimento e da valorização da identidade territorial. A partir de perguntas como “O que significa, para ti, morar nesse lugar?” e “Do que você mais gosta em você?”, os alunos escolheram lideranças comunitárias e escolares para entrevistar, aproximando-se, assim, da história viva de sua comunidade. As oficinas também incentivaram um novo olhar sobre o cotidiano. O trajeto de casa até a escola foi ressignificado através de registros fotográficos e textos criativos, revelando uma percepção mais poética do território. Além disso, os participantes tiveram contato com diferentes etapas da produção audiovisual: criação de identidade visual, gerenciamento de conteúdo em nuvem, desenvolvimento de um perfil exclusivo no Instagram e planejamento dos bastidores de comunicação. Assim, mergulharam em um processo formativo que vai além da técnica, incorporando organização, expressão e escuta ativa. A iniciativa, desenvolvida com o apoio da Unidade de Saúde Santíssima Trindade, da própria EMEF Porto Novo e do Coletivo Catarse, por meio de Emenda Parlamentar da Câmara Municipal de Porto Alegre, promoveu o resgate da história local e o fortalecimento de laços comunitários, mostrando como ações culturais podem impulsionar saúde, bem-estar e reconhecimento coletivo. Com o material desta primeira fase já finalizado, a próxima etapa é colocar a mão na massa. Em breve, materiais como reels, postais poéticos e um documentário, serão lançados nas redes. A ideia é clara: contar para o mundo que, na comunidade do Porto Novo há gente que resiste, sonha e constrói, todos os dias, um território de força, afeto e respeito mútuo. Texto: Lorena SanchezApoio de imagens doc: Billy Valdez

Da leitura à produção audiovisual

No dia 11 de junho, o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura Ventre Livre esteve no Ponto de Cultura Vale Arvoredo para finalizar o projeto da oficina prática de produção audiovisual “Vamos fazer um filme?”, marcando uma importante parceria entre os dois Pontos de Cultura junto à EMEIEF Tiradentes em Morro Reuter, escola que recebeu o projeto de braços abertos. Abaixo confira a postagem que conta mais sobre essa iniciativa: Depois de elaborar a leitura audiovisual, de criar uma história possível de ser filmada em pouco tempo na escola, partimos para o set de filmagens. Nessa manhã de trabalho, cada um sabia o seu papel e todas crianças estavam focadas em fazer a história acontecer com um olho no storieboard e o outro na cena que acontecia ao vivo. Todas e todos participaram, até a profe e a dire, e só foi possível chegar ao final pelo empenho e concentração total da nossa equipe. Todo esse esforço resultou no filme curta-metragem de ficção “Trio Parada Dura – E o mistério do brilho no mato”. Quase um filme de ficção científica! Para fazer um fechamento à altura do que foi esse mês de oficina, o Vale Arvoredo abriu as Portas para receber as crianças, diretora Márcia Sparremberger e a professora Dani Frank, essenciais na produção dessa jornada audiovisual, quem nos recebeu lá foi o Andreson Freitagm residente do Vale. Inclusive, importante ressaltar a importância de contar com a receptividade da escola Tiradentes nesta empreitada, pois faz toda a diferença quando a escola abraça de verdade a proposta, tudo sai com mais qualidade, e foi o que aconteceu com esse projeto. Antes de assistirmos ao curta-metragem “Trio Parada Dura”, asistimos juntos o curta-metragem “As Aventuras de Pinóquio”, um filme de animação em sombras filmado em 2021 lá no Vale Arvoredo, o diretor da Cia Teatro Lumbra Alexandre Fávero estava presente e falou um pouco sobre a produção. Confira o resultado final da oficina:

Estamos fazendo um filme!

Numa parceria com o Ponto de Cultura Vale Arvoredo, o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre desenvolveu, ao longo do mês de abril, Vamos fazer um filme? oficina prática de produção audiovisual para crianças, através de projeto contemplado pela Lei Paulo Gustavo no município de Morro Reuter. Foram 5 encontros até o momento, quando crianças do 1º, 2º, 3º e 4º anos da EMEIEF Tiradentes tiveram a oportunidade de experimentar um pouco de como é a lida da produção de um vídeo mais trabalhado. Juntos, contamos histórias, assistimos filmes, trabalhamos em grupo, fizemos um roteiro e filmamos um pequeno curta-metragem – que está em fase de edição. “Num momento onde o audiovisual é onipresente em nossas vidas, a importância de um projeto como este é o desenvolvimento de um pensamento crítico a respeito do que é consumido como entretenimento ou mesmo como informação. Saber e viver os bastidores de um filme, a exemplo do que foi feito com essas turminhas, é desmistificar as produções, colocando em perspectiva o conteúdo que chega através dos computadores, televisões e, principalmente, celulares. É estimular a reflexão a respeito do que é verdade e do que é puramente ficção. Colocar os pequenos como produtores de um filme é dar voz ativa ao público que diante de uma tela, normalmente é passivo e, isso, é dar ferramentas para que possam decodificar as mensagens, tendo opinião própria sobre o que assistem”.Têmis Nicolaidis – Oficineira No dia 7 de maio, as crianças visitarão o espaço do Ponto de Cultura Vale Arvoredo, proponente deste projeto. Lá, conhecerão mais sobre este espaço cultural, que é uma referência no município, e participarão de uma sessão de cinema com filmes produzidos em Morro Reuter, culminando com a estreia do filme que produziram: Trio Parada Dura – e o mistério do brilho no mato.

Frutos de resistência – Marcha das mulheres indígenas pelas lentes da Retomada Gah Ré

Em abril deste ano, pouco antes do Acampamento Terra Livre, a mulher araucária Gah Té plantou uma semente: “precisamos de oficinas para que a juventude da comunidade possa cobrir a ‘III Marcha das Mulheres Indígenas – Mulheres Biomas em defesa da Biodiversidade”. Setembro chegou trazendo os frutos: a juventude da retomada participou da marcha entre os dias 11 e 13 com a câmera em punho, registrando sua luta do seu próprio ponto de vista.

Oficina de fotografia na Retomada – dia 19 de agosto de 2023.

Dando continuidade à nossa formação em fotografia com jovens da Retomada kaingang Gãh Ré realizada com apoio da Witness Brasil, fui buscar o pessoal no Morro Santana. Lá deixei algumas instruções para Van Fej, que ia viajar com sua vó, Gãh Té, para Nonoai. Essa viagem ia ser a primeira da jovem como “fotógrafa” das atividades da Cacica. A nossa outra oficinanda, Fran, estava apoiando o trabalho de sua mãe com artesanatos. Desse modo fomos eu e Jonas rumo ao Centro, primeiro na Catarse, buscar equipamentos, e depois ao museu Júlio de Castilhos, onde estava tendo a Virada da exposição com coleções fotográficas indígenas no espaço Memória e Resistência. Nesse momento tivemos a companhia do Billy Valdez, fotógrafo do Coletivo Catarse. A visita por todos os cantos no museu rendeu várias fotos legais e pudemos seguir nossa oficina na prática. Depois, voltando para a sede da Catarse, foi o momento de aprender a baixar os arquivos no notebook e voltar pra Retomada, não sem antes deliciarmo-nos com um belo Xis coração de almoço! abaixo, algumas das imagens captadas por Jonas Durante a atividade. Texto: Marcelo CougoFotos da Oficina: Marcelo Cougo e Billy Valdez.

Na Trilha das Andarilhas pelas lentes da Retomada Gah Ré

Seguindo as oficinas de fotografia com a juventude Kaingang da Retomada Gah Ré com apoio da Witness Brasil, a função dessa vez foi no Centro de Porto Alegre. Acompanhar a peças “Na Trilha das Andarilhas”, do Quilombo do Sopapo dirigido pelo bonequeiro Leandro Silva, foi uma experiência muito impactante, tanto esteticamente como pelo discurso forte que ecoou pela Praça do Tambor e arredores. Uma oportunidade para o grupo de oficinandos ver e registrar a arte popular feita nas ruas, pelo povo e para o povo. Os bonecos gigantes da Trupi di Trapo, a música, tudo foi motivo de encantamento e observação cuidadosa pois, afinal, estávamos em “aula”. Uma aula de cidadania. Oportunizar aos jovens essa experiência foi muito legal! Mas também foi muito importante transitar portando máquinas modernas e manter o olhar atento ao que nos cercava. No final fomos toda turma comer uma deliciosa pizza no Mariamaria Espaco Cultural Aguardamos a próxima! Texto: Marcelo CougoFotos: Vanfejj, Jonas e Fran.

Ciclo Audiovisual de Impacto Social, com Vitor Ribeiro, em Porto Alegre

No inicio do mês de agosto recebemos o Vitor Ribeiro, video ativista e articulador da Witness Brasil, para uma sequência de encontros sobre o uso do vídeo como ferramenta de defesa de direitos e territórios. O primeiro encontro foi na noite de 4 de Agosto na sede do Cirandar, ponto de cultura com sede no Centro de Porto Alegre. Além de contar um pouco de sua trajetória no audiovisual, o documentarista, oficineiro multimidia e articulador social também trouxe um pouco da sua vivência na produção do filme a Rota da Canoa, junto da comunidade Caiçara de Piratininga, em Niterói/RJ. Um dos fundadores da Bombozila – maior plataforma brasileira de documentários online -, Vitor também trouxe dados importantes sobre os Streamings independentes. De acordo com o oficineiro, o Brasil é um dos países com mais plataformas independentes, tendo iniciativas voltadas para diferentes públicos batalhando pela diversidade nas telas, como Todes Play, Hands Play, Tela Trans, Amazonia Flix, entre outras. Ao final foi realizada uma exibição de curtas e bate papo. Na manhã do dia seguinte, o oficineiro carioca esteve junto dando sequência à série de oficinas de fotografias que estão sendo ministradas pelo Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre junto à jovens da Retomada Gãh Ré com apoio da Witness Brasil. Nessa ocasião, além de exercícios práticos de vídeo com o celular e exibição de filmes, tivemos a oportunidade de acompanhar nosso parceiro (oficinando do projeto CORAL), Vitor Ramón, compartilhando seu conhecimento com Vân Fejj, jovem kaingang, que está sendo preparada para registrar as atividades da Retomada. Ao final, um churrasco e a ida dos participantes para a I Carijada Kaatártica – importantes momentos de articulação e fortalecimento dos laços. texto e fotos: Marcelo Cougo e Bruno Pedrotti.

Oficina de Discotecagem e Formação de Oficineiros HipHopers – com Piá

No Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, dia 24 de janeiro, 18:30, inicia um curso gratuito e completo, com aulas divididas em teoria e prática, sendo utilizados toca-discos, mixer, microfones, caixas de som, controladoras e tudo o que envolve a prática. Confere aqui como foi a live de lançamento, com Piá dando a letra de como vai ser nossa oficina! E aí?! Quer te inscrever? Acessa este formulário: https://forms.gle/xMy2L711S1nPPUj27 Lembrando que as vagas são limitadas! Onde:Ponto de Cultura e Saúde Ventre LivreRua Fernando Machado, 464, Centro Histórico de Porto Alegre Quando:24/01 – 18:30 às 22:3025/01 – 18:30 às 22:3026/01 – 18:30 às 22:3031/01 – 18:30 às 22:3001/02 – 18:30 às 22:30

Encontro Coral Território Audiovisual

De 14 a 20 de novembro, comunicadores que usam o audiovisual para defesa de território estiveram reunidos em Paraty/RJ. Convocado pela Witness – ONG que defende o direito de filmar – o encontro foi o primeiro a reunir os participantes brasileiros da rede Coral – Coletivos Reunidos da América Latina. Em paralelo e traçando conexões, companheiras e companheiros de outros territórios latinoamericanos se reuniram na Cidade do México. A semana de trabalho foi intensa, com diversas atividades de formação, aprofundamento de capacidades, compartilhamento de saberes e vídeos produzidos nos diferentes territórios. E, de fato, o evento conseguiu reunir representar um pouco da diversidade territórial Brasileira, com participação de grupos do norte do Amazonas, fronteira com a Venezuela, até grupos do Rio Grande do Sul, vizinhos do Uruguai e Argentina. Além das atividades teóricas e práticas, realizadas no Silo Cultural (Ponto de Cultura local de Paraty) foram realizadas saídas em grupo para as praias do Sono e da Trindade, nas quais os grupos acompanharam as atividades de pesca artesanal dos grupos Caiçaras que vivem na região. Ponto culminante de um processo híbrido de formação de formadores em gestação desde 2021, o encontro conseguiu juntar diversos coletivos do país na missão de tecer uma rede independente. Diversas sementes foram plantadas, reforçando a necessidade entre os coletivos de mais encontros e espaços de fortalecimentos dos diversos territórios participantes da articulação. Porém, seguiu o desafio de integrar o grupo de coletivos brasileiros aos companheiros do restante de Abya Yala – tarefa complexa dadas as barreiras linguísticas e culturais, mas imprencisdível para se alcançar uma solidariedade continental que conecte os territórios em luta. Texto: Bruno Pedrotti.Fotos: Paulinho Bettanzos.