Porto Novo ganha projeto de comunicação com olhar de jovens estudantes

O ainda adolescente Conjunto Habitacional Porto Novo, no bairro Santa Rosa de Lima – cujo processo de remoção e reassentamento das famílias da Vila Dique teve início em 2009 pela Prefeitura de Porto Alegre – acaba de ganhar um projeto de comunicação e autoestima que conta parte de sua história. Os registros incluem documentário realizado em oficinas com alunos da EMEF Porto Novo, perfil no Instagram, administrado pelos oficinandos e uma série de seis podcasts contando a história da comunidade e as dinâmicas e questões sociais que envolvem o desenvolvimento de uma metrópole como Porto Alegre (confira ao final). O resultado da proposta foi conhecido pela comunidade na tarde da quarta-feira, 1º de outubro, durante sessão de exibição do documentário Porto Novo – Um Lugar Melhor, na sede da escola. As turmas do 9º ano não foram escolhidas ao acaso para comporem este trabalho. Boa parte dos alunos faz parte de uma primeira geração nascida e crescida no conjunto habitacional. Como moradores em apropriação do local, eles indicaram quem seria entrevistado e filmaram boa parte das cenas. O filme foi aclamado ao seu término, com muitas palmas e falas potentes ao final da projeção. Para chegar ao resultado, os jovens participaram de aulas e vivências voltadas à introdução da linguagem audiovisual com foco no fortalecimento da autoestima, do pertencimento e da valorização da identidade territorial. A condução ficou a cargo de Lorena Sánchez e Maria Apollo, oficineiras, produtoras culturais, que fizeram direção geral e de produção do projeto perante as ações na comunidade, também auxiliando nos processos de roteiro e edição do documentário. “Falar sobre a nossa comunidade e a nossa escola é muito top, sentir isso, essa energia. Ninguém vê o que a gente passa aqui, o que vivemos, somente nós que sabemos. Foi muito legal, interessante e muito bom participar disso e saber que vamos ser mostrados para todo mundo. Desde o começo, achei interessante e botei fé, mas não tinha esperança que avançaria tanto. Mas elas (as oficineiras) falavam sempre que iria ter. Ficou perfeito! É bom se enxergar, mesmo que a gente fique com um pouco de vergonha” – comentou, ao final da exibição, a estudante Maria Eduarda Rodrigues de Moraes, 15 anos. “Gostei de participar. Foi tudo novo pra mim, mas bem legal. Não imaginava que iria ficar tão bom. Não tinha antes a ideia da importância da comunidade” – confessou Isabela Baptista Lucas, 15, nascida no conjunto habitacional. A iniciativa foi desenvolvida pelo Coletivo Catarse com o apoio da Unidade de Saúde Santíssima Trindade e da EMEF Porto Novo, por meio de Emenda Parlamentar Impositiva aprovada pela Câmara Municipal de Porto Alegre, através do mandato do então vereador Leonel Radde (PT). A partir de perguntas como “O que significa, para ti, morar neste lugar?” e “Do que você mais gosta em você?”, eles escolheram lideranças comunitárias e escolares para entrevistar, aproximando-se, assim, da história viva de sua comunidade. As oficinas também incentivaram um novo olhar sobre o cotidiano. O trajeto de casa até a escola foi ressignificado por meio de registros fotográficos e textos criativos, instigando uma percepção mais poética do local onde vivem. “Os participantes entraram em contato com diferentes etapas da produção audiovisual, como criação de identidade visual, gerenciamento de conteúdo em nuvem, desenvolvimento de um perfil exclusivo no Instagram e planejamento dos bastidores de comunicação, mergulhando em um processo formativo que vai além da técnica, incorporando organização, expressão e escuta ativa, tornando cada um protagonista da construção de narrativas sobre sua realidade”, explica Lorena. E complementa: “A proposta consolidou a escola e a unidade de saúde como espaços de encontro, expressão e mobilização social”. Solange Medeiros, diretora da EMEF Porto Novo, à qual se refere como “A escola do abraço”, relata que há uma sensação de pertencimento crescente entre os moradores e comunidade escolar e que, por isso, as coisas acabam acontecendo. “Tudo passa pela escola. Desde o início do reassentamento, a comunidade se encontrava uma vez por mês nas nossas dependências para fazer reuniões, porque não existia uma associação comunitária. Dez anos depois, isso permanece. Nós entendemos que este território precisa da ação dessas lideranças”, defende Solange. Para a assistente social da Unidade de Saúde Santíssima Trindade, Tiana Brum, uma das mentoras do projeto e uma das entrevistadas para o documentário e também do podcast, estar no território fazendo o acompanhamento da comunidade é também estar na luta pela promoção da saúde. Ela comenta: “A gente entende a saúde como acesso à casa, ao trabalho, à alimentação, à cultura, ao lazer. É justamente o conceito ampliado de saúde que trabalhamos. Acabamos sendo essa mediação para muitos direitos, fazendo essa articulação com outros equipamentos e políticas públicas. Buscamos construir esse senso, esse sentimento de comum+unidade, com pessoas vindas de diferentes territórios se reconhecendo com essa identidade territorial”. Produtos realizados dentro do projeto::: Documentário com cerca de 40 minutos – “Porto Novo – Um Lugar Melhor”:: “Porto Novo podcasts”, uma série de 6 episódios com conversas que versam sobre parte da história da comunidade e sobre questões inerentes a dinâmicas de espaços urbanos como os da capital dos gaúchos:: Perfil no Instagram: @projetoportonovo_101:: produção de Reels com imagens captadas pelos alunos abordando temas como resiliência, empoderamento, autoestima, território e amizade (publicação no instagram):: Dez fotopoesias (colagens fotoartísticas para publicação no Instagram) Sobre o Conjunto Habitacional Porto NovoÉ o local para onde os moradores da antiga Vila Dique foram realocados após processo de remoção iniciado em 2009 pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, em função da ampliação da pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho, contando também com habitantes da Morada do Sol e remanescentes da Vila Floresta. Fica situado ao lado do complexo cultural do Porto Seco, na Zona Norte de Porto Alegre. A antiga Vila Dique ficou conhecida por esse nome porque acabou se formando em torno de um dique, criado em épocas de chuva, para que as águas do Rio Gravataí não pudessem invadir a pista do aeroporto. Muitos moradores vieram do interior do estado, constituindo, assim, suas famílias e …

O Grande Tambor – Histórias Não Contadas

“Se não compreendermos a diversificação cultural, com os sincretismos adotados na mistura de diferentes culturas africanas, vindas para a região, jamais aceitaremos ou compreenderemos sopipa, yakupapa, ou sopapo de Rio Grande e Pelotas. A cultura aqui formatada carrega todas essas influências – e é local. A história não contada, é a história a ser descoberta.” – assim fala Mestre José Batista, filho do luthier Mestre Baptista, em mensagem, refletindo sobre os caminhos que se devem traçar as novas pesquisas de uma nova série sobre o Tambor de Sopapo em produção. O projeto é de autoria da família Baptista, tendo a Produção Executiva de Nina Grace, neta de Dona Maria e Mestre Baptista, e filha de Zé, que traz com ela a concepção para a reflexão a que se propõe esta série. Com o título de O Grande Tambor: Histórias Não Contadas, será divida em 4 episódios que devem mergulhar ainda mais na história sobre o Sopapo, tambor que é um dos símbolos culturais mais significativos do Rio Grande do Sul e também patrimônio imaterial da cidade de Pelotas. O trabalho está entrando em fase de entrevistas, que devem abarcar mestres e agentes da cultura popular, pessoas ligadas à história, ao carnaval e ao uso contemporâneo deste instrumento. As mulheres também terão sua voz com destaque no papel fundamental que desenvolveram tanto no apoio como efetivamente tomando parte em ações que mantiveram e mantêm a existência da cultura sopapeira. O Coletivo Catarse está inserido neste novo projeto desde o seu início, quando ainda era ideia e passou a ser proposta ao EDITAL SEDAC nº 31/2024 PNAB RS – MEMÓRIA E PATRIMÔNIO. Nina e José Batista conectaram, então, o seu atual protagonismo com o histórico de ações do Coletivo – principalmente marcado pela produção do documentário O Grande Tambor, de 2010. Desde então, não foram poucas as relações estabelecidas e outras atividades desenvolvidas – como é possível perceber ao final desta postagem -, no entanto, restava uma sensação de que algo a mais precisava ser dito. Como um pulsar retumbante e grave deste grande tambor, a ressonância das ideias e vontades se mixou com sugestões e caminhos levantados para novas entrevistas, momentos e lugares que ainda não haviam sido explorados ou que foram surgindo em mais de duas décadas de envolvimento desses protagonistas com o sopapo. “É uma proposta que deve não necessariamente atualizar o que trouxe o documentário original, mas trazer à tona mais algumas histórias, mais implicações e outros pontos-de-vista que não estiveram presentes na obra de mais de uma década atrás e também que se constituíram com este passar de tempo até a contemporaneidade. Por exemplo, entregamos um ‘sopapo inacabado’ ao Mestre José Batista, que ele mesmo fez de exemplo em uma oficina realizada há alguns anos já, em Porto Alegre, numa atividade do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Este ‘casco’, segundo o Mestre, já é defasado, está num tamanho que ele vem superando, fazendo menor… E por que isso? Como fica o ‘sopapo original’ nessa história? E essa noção existe mesmo? Então, é isso que também queremos abordar.” – indica Gustavo Türck, que também assina a direção desta obra. Já foram realizadas 2 idas a Pelotas nesta fase inicial. A primeira, ocorrida em agosto, foi inteira de consolidação da concepção e de roteiro – que culmina um diálogo já de meses que vinha ocorrendo entre a equipe sempre online. Houve trabalho de levantamento de possíveis personagens, delimitação de temas e discussão sobre estética e produção. Já na segunda volta, partiu-se para a filmagem das entrevista-base, com Mestre José Batista e Nina Grace. Esses dois personagens darão o fio narrativo, que ainda deve contar com pequeno resgate da história já contada e trilha sonora conectada com o primeiro filme e a carreira de Marcelo Cougo. “As vivências em Pelotas e Rio Grande, na época d’O Grande Tambor, foram a inspiração para a criação das músicas. Depois, veio o trabalho primoroso em estúdio nos arranjos de Lucas Kinoshita. Desta vez, a gente pretende resgatar algumas melodias compostas ainda na inércia de toda aquela experiência. Visitar Pelotas, conviver com a família Baptista, sempre é motivo de emoção e criação. Esperamos que dessa vez seja novamente assim.” – completa o músico que também teve passagens na Bataclã FC, quando a convivência com o sopapo era diária. Serão ainda mais alguns meses e boas idas e vindas entre Porto Alegre e Pelotas até o lançamento. Nem todas a histórias devem ser abordadas – o que seria impossível – muito menos uma única verdade emergirá, mas a série O Grande Tambor – Histórias Não Contadas deve agregar em muito a um compêndio de conhecimento e produção cultural que vem sendo evidente e importantíssimo para a permanência e para a retomada do Tambor de Sopapo desde o projeto CABOBU entre os anos de 1999 e 2000. A seguir, alguns dos materiais que o Coletivo Catarse já produziu, iniciando com o documentário O Grande Tambor. * O Grande Tambor em revista10 anos depois, Gustavo Türck, diretor do filme O Grande Tambor, contemplado em Culturas Populares nos Editais Emergenciais de Auxílio à Cultura da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, propõe este podcast em estilo “live”. Uma conversa com Marcelo Cougo, quem dirigiu a trilha sonora do documentário, e Leandro Anton, fotógrafo still do projeto e um dos mentores da ideia inicial desta jornada, e com Zé Baptista e Dona Maria, luthier e filho e a companheira de vida de Mestre Baptista, um dos personagens principais dessa história. Além das participações por áudio de Lorena Sanchez, percussionista do grupo de mulheres Iyalodê Idunn, Lilian Rocha, poetisa e idealizadora do espaço Sopapo Poético, Richard Serraria, músico e grande pesquisador do Tambor de Sopapo, e Ledeci Coutinho, professora, diretora de escola pública, gestora em educação e mulher negra em descoberta de si mesma, a voz e a imagem que dão a força ao final do quebra-cabeça montado por Têmis Nicolaidis e a equipe de direção do Projeto do filme O Grande Tambor. * O Grande Tambor 10 …

“Cheiro de Enchente”, novo single da Diokane, verte a agonia da maior tragédia climática do RS

Por Homero Pivotto Jr. Em meio ao caos que se alastrou com a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024, um forte odor vindo do lodo e dos detritos, carregados de sedimentos variados – como animais mortos e esgoto –, deixou a maior tragédia climática do Estado ainda mais perturbadora. É esse o mote de “Cheiro de Enchente“, novo single da banda porto-alegrense Diokane. A composição é um relato do que se viu e sentiu durante a enxurrada de horror, com base, principalmente, no que foi testemunhado ou mostrado na imprensa em Porto Alegre e arredores. Um documentário/clipe com imagens da catástrofe e depoimentos de quem sofreu diretamente as consequências da inundação acompanha o lançamento. Até mesmo as cenas em que a banda aparece tocando tiveram como cenário um dos inúmeros locais alagados na capital gaúcha. Foto: Leandro Monks No documentário, os personagens que narram como foram impactados pelo dilúvio são familiares e amigos da banda – mostrando que vítimas da catástrofe estão por todas as bolhas. A amostragem, ainda que pequena, ilustra números assustadores sobre a magnitude do evento climático que não poupou gente nem bicho. Foram 478 dos 497 municípios gaúchos atingidos, conforme a Defesa Civil do RS. Houve impactos para cerca de 2,4 milhões de pessoas (entre as que precisaram deixar suas casas e as que tiveram interrupção de serviços), com mais de 180 mortos e 25 desaparecidos. Além disso, o governo do Estado estima cerca de 20 mil animais resgatados. As áreas mais afetadas incluem Vale do Taquari, Porto Alegre e Região Metropolitana. Na capital e cidades vizinhas, boa parte dos atingidos era gente pobre e/ou negra, conforme o Observatório das Metrópoles. Sobre a música, mas não só A composição foi gravada no Black Stork estúdio, com produção de Thiago Caurio (baterista da Atomic Elephant). Já a mixagem e a masterização ficaram sob responsabilidade de Renato Osório, guitarrista da Atomic Elephant e produtor que já trabalhou com Híbria, Distraught, Leviaethan entre outros. O vocalista da banda Pull The Trigger, Tiago “Taz” Freitas Severo, 44 anos, faz participação na faixa. Ele é morador da Vila Farrapos, Zona Norte de Porto Alegre, e perdeu praticamente tudo que tinha na residência em que morava com os pais e a filha, precisando sair resgatado por um barco. Taz canta junto o refrão: “O cheiro da enchente / mal-estar evidente / da náusea à dor / desamparo latente”. Descrever a percepção olfativa do que se sentiu durante e após a enchente é uma tarefa complexa. Para a presidente da Fundação Gaia, a bióloga Lara Lutzenberger (filha do ambientalista José Lutzenberger), houve um agravamento substancial do odor relacionado à catástrofe. A razão é a mistura tóxica e pestilenta com todo o tipo de lixo e materiais perigosos que as águas encontraram no caminho. “Na enchente dos anos 1940, não havia nada disso, e os danos se ‘limitaram’ ao alagamento, sem ampla contaminação associada. Os componentes orgânicos que se misturaram no coquetel do ano passado, que também foram mais abundantes que em outras épocas – incluindo esgoto por falta de redes de saneamento adequadas – proliferaram algas e bactérias em grande quantidade. Isso se revelou no mau cheiro” – elucida Lara. A fetidez cessou conforme as estruturas que resistiram às chuvas foram secando e sendo limpas, mas as marcas do pé-d’água descomunal permanecem. Não apenas nas paredes ainda encardidas com as indicações da altura em que a inundação chegou, como também na memória de quem sofreu com a força da natureza. Essas recordações estão registradas em “Cheiro de Enchente”. Para ilustrar o tamanho da catástrofe que veio do céu, “Cheiro de Enchente” chega acompanhada de um documentário produzido em parceiria com o Coletivo Catarse e ao final o desfecho é em formato de videoclipe. A produção audiovisual é dirigida pelo baixista Billy Valdez, cooperado do Coletivo Catarse, na fotografia, operação de câmera e assistência de direção de Leandro Monks. A obra apresenta depoimentos de vítimas da enxurrada, bem como cenas do cataclismo misturadas com takes da banda tocando.  As imagens do grupo ao vivo foram captadas no Áudio Porco, estúdio no bairro Cidade Baixa, região central de Porto Alegre. No local, o refluxo do esgoto e a água que o sistema de bombeamento não deu conta de escoar, fizeram com que o líquido empesteado chegasse a aproximadamente 1m20cm dentro do estabelecimento – que fica abaixo do nível da rua. O estrago obrigou o empreendimento a interromper os serviços por cerca de 60 dias e demandou investimento não previsto para reformar o mobiliário atingido. Testemunhos da destruição A operadora de OPLS Vanessa Giovagnoli dos Santos, 47 anos, moradora do Mathias Velho – periferia de Canoas e um dos pontos que mais sofreram com a tragédia em todo o RS –, relaciona o bodum ao luto: A casa em que ela ainda vive com a mãe – a pensionista Silvana Giovagnoli, 66 anos – e o filho Lucas Giovagnoli, 12, ficou submersa por cerca de seis metros, com praticamente tudo o que havia dentro inutilizado pelo encharcamento. Agora, a família busca deixar o imóvel em que residiu por boa parte da vida, com medo de passar pelo pesadelo outra vez.  “A gente continua traumatizada. É algo que não vai passar logo. Eu não consigo nem dormir quando tem barulho de chuva. Se for possível iremos para outro lugar, queremos sair daqui”, frisa Silvana. Perdas materiais também acometeram a secretária administrativa e coproprietária do InkPact Tattoo Gallery Carina Nascimento Giehl, 35 anos, e o tatuador Fernando Antônio “Tampa” Giehl, 40. O casal teve a casa em que morava, no bairro Fátima em Canoas, invadida por cerca de dois metros de água. O espaço profissional, no bairro São Geraldo (zona norte de POA) não foi poupado – ainda que com nível de alagamento menos elevado do que na residência. “Ficamos um mês fechado com água dentro e mais um mês de limpeza. Foram cerca de cinco ou seis lavagens para sair o cheiro, que só parou mesmo depois de lixarmos o piso umas três vezes”, recorda o artista, que saiu de Curitiba …

Resistência Kaingang concorre em edital de emenda impositiva

Até 07/09 é possível votar no “Orçamento Participativo Antifascista“, do gabinete do Deputado Estadual Leonel Radde (PT), que está disponibilizando para seleção pública propostas que devem receber recursos de emenda parlamentar de sua responsabilidade. E o Coletivo Catarse tem seu projeto neste certame: o RESISTÊNCIA KAINGANG – memória, território e perseguição. O Resistência Kaingang é um projeto que visa a atualizar as lutas deste povo indígena, trazendo à tona, em um documentário, histórias de retomadas contemporâneas e, em uma websérie, o caminho de uma de suas lideranças – Alcindo Peni Nascimento. O planejamento inlcui a organização de todo o material já produzido pelo Coletivo Catarse sobre o tema, desde o início dos anos 2000, inclusive, iniciando-se com o documentário Índios Urbanos (o qual antecede a existência do Coletivo, mas é produzido por pessoas que viriam a fundar a cooperativa), que deve ser remasterizado para um lançamento digital – este, um documentário que remonta às primeiras conquistas de terras em área urbana de Porto Alegre. Ou seja, é um projeto de ordenação e disponibilização de acervo e de realização de novas produções, uma proposta que deve servir para contar algumas das histórias de um pono que está em constante luta pela sua existência e por seus territórios. Para saber mais sobre o Resistência Kaingang, acesse o site do projeto (que já tem um bom material de registro): resistenciakaingang.com.br. O passo a passo de votação no Orçamento Participativo Antifascista é simples e rápido, confere:✅ Primeiro, preencha seus dados no site.✅ Marque estar ciente sobre as instruções.✅ Você vai ser direcionado para votar em uma instituição para a SAÚDE.✅ Após, você será direcionando para votar em apenas um projeto para DEMAIS ÁREAS. Role o cursor em seu computador ou deslize o dedo na tela do celular até encontrar na lista a descrição “Cooperativa de Trabalho Catarse – Resistência Kaingang – organizando e conectando a memória de uma luta de décadas”. Vote.✅ Os votos são computados ao final, após o aceite de dados e envio do formulário. Para saber mais sobre o que é o Orçamento Participativo Antifascista, vá ao site do mandato do Deputado Leonel Radde, clique aqui.

Oficina na EMEF Porto Novo celebra identidade, memória e protagonismo comunitário

Nesta semana, foi concluído um importante ciclo de oficinas e registros audiovisuais realizados na EMEF Porto Novo, localizada na região hoje conhecida como “Dique Nova”, em Porto Alegre (RS). A escola, atualmente sob a gestão da professora Solange Medeiros, acolheu o projeto com entusiasmo. O espaço educativo serviu como palco para atividades junto às turmas de 9º ano do ensino fundamental, conduzidas pelas oficineiras Lorena Sanchez e Maria Apollo. Durante cinco encontros, às quartas-feiras, os estudantes participaram de vivências voltadas à introdução da linguagem audiovisual, com foco no fortalecimento da autoestima, do pertencimento e da valorização da identidade territorial. A partir de perguntas como “O que significa, para ti, morar nesse lugar?” e “Do que você mais gosta em você?”, os alunos escolheram lideranças comunitárias e escolares para entrevistar, aproximando-se, assim, da história viva de sua comunidade. As oficinas também incentivaram um novo olhar sobre o cotidiano. O trajeto de casa até a escola foi ressignificado através de registros fotográficos e textos criativos, revelando uma percepção mais poética do território. Além disso, os participantes tiveram contato com diferentes etapas da produção audiovisual: criação de identidade visual, gerenciamento de conteúdo em nuvem, desenvolvimento de um perfil exclusivo no Instagram e planejamento dos bastidores de comunicação. Assim, mergulharam em um processo formativo que vai além da técnica, incorporando organização, expressão e escuta ativa. A iniciativa, desenvolvida com o apoio da Unidade de Saúde Santíssima Trindade, da própria EMEF Porto Novo e do Coletivo Catarse, por meio de Emenda Parlamentar da Câmara Municipal de Porto Alegre, promoveu o resgate da história local e o fortalecimento de laços comunitários, mostrando como ações culturais podem impulsionar saúde, bem-estar e reconhecimento coletivo. Com o material desta primeira fase já finalizado, a próxima etapa é colocar a mão na massa. Em breve, materiais como reels, postais poéticos e um documentário, serão lançados nas redes. A ideia é clara: contar para o mundo que, na comunidade do Porto Novo há gente que resiste, sonha e constrói, todos os dias, um território de força, afeto e respeito mútuo. Texto: Lorena SanchezApoio de imagens doc: Billy Valdez

Talk Exu chega à segunda edição dando foco aos três últimos filmes do Coletivo Catarse

Depois de um hiato de um ano, o talk show “Talk Exu” chega a seu segundo episódio – e com previsão de pelo menos outras três edições futuras. O programa, uma iniciativa do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, ocorre a partir das 20h desta sexta-feira (11/7), em dia de Maria Maria Espaço Cultural, na Comuna do Arvoredo (Rua Cel. Fernando Machado, 464), Centro Histórico de Porto Alegre. O local será transformado em um estúdio para receber convidados e público (aberto e com acesso gratuito desde às 18h30), com o evento sendo transmitido ao vivo pelo canal no YouTube do Coletivo Catarse. No foco das conversas estarão as três últimas produções audiovisuais do Coletivo, todas lançadas na segunda quinzena de junho: os documentários “Nóg kirĩg ãg tĩ / Nós, Guardiões da Mata”, sobre a retomada Kaingang no Morro Santana, e “Cooperar é Resistir”, contando a história da PedalExpress, um coletivo de entregas que se utiliza de bicicletas em Porto Alegre; finalizando com o curta-metragem de ficção “Enquanto a Luz Não Chega”, com bate-papo sobre os desafios de uma produção que mescla o audiovisual e o teatro de sombras, com exibição completa do filme ao final – também como parte do circuito de lançamento do mesmo. As entrevistas sobre as produções serão intercaladas por intervenções musicais da banda “Expresso Livre”, com Jéssica Nucci no vocal, acompanhada dos violões de Vicente Guindani e Nil Tavares. O Talk Exu tem em 2025 a previsão de pelo menos quatro episódios, como parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 / Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. No âmbito deste projeto, também estão previstas e já em execução pelo menos 40 atividades culturais diversas em coprodução com a Maria Maria Espaço Cultural até maio de 2026, buscando contemplar cerca de 100 artistas locais, além de oferecer, também em outros espaços, oficinas de teatro para crianças e adultos, uma atividade de carijada (produção artesanal de erva-mate), oficina de discotecagem/hip hop com DJ Piá, entre outras ações. Confira aqui como foi o primeiro episódio do Talk Exu. SINOPSES DOS FILMES Nóg kirĩg ãg tĩ / Nós, Guardiões da Mata Direção de Gustavo Ruwer e Iracema Gãh Té Sob a liderança da cacica Iracema Gãh Té, uma comunidade Kaingang retoma seu território ancestral no ponto mais alto de Porto Alegre. Enfrentando a ameaça de um grande empreendimento imobiliário, a comunidade desafia o abandono do estado e enfrenta uma poderosa família de banqueiros para defender as florestas e nascentes do Morro Santana. O lançamento oficial ocorre sábado, 12 de julho, às 19h, na Retomada Gãh Ré, Morro Santana (Porto Alegre – RS) Cooperar é resistir Direção coletiva entre a PedalExpress e o Coletivo Catarse O documentário conta a trajetória recente da PedalExpress e dos desafios enfrentados pelo coletivo de entregas de bicicleta nos últimos anos a partir do avanço das plataformas e da precarização do trabalho, lembrando ainda a resistência durante a pandemia e à enchente de 2024. O filme propõe uma reflexão sobre a importância do meio de transporte para a mobilidade urbana e aponta caminhos alternativos para a construção de um meio de subsistência sem exploração. O apoio à produção é da Labora – Fundo de Apoio ao Trabalho Digno. A pré-estreia ocorreu em 26 de junho, em evento fechado para os cooperados e ex-cooperados. Em breve, será divulgado o lançamento oficial. Enquanto a Luz Não Chega Direção e roteiro de Gustavo Türck e Têmis Nicolaidis e direção de arte de Alexandre Fávero, com Ana Delarte, Gustavo Cardoso e Anderson Gonçalves no elenco Curta-metragem de ficção que propõe uma reflexão sobre os impactos da tecnologia nas relações humanas. Do encontro do teatro de sombras e o audiovisual, surge uma história sobre desconexão e apatia e os caminhos que a escuridão aponta. Uma coprodução do Coletivo Catarse e Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre com a Cia Teatro Lumbra. A estreia ocorreu em 27 de junho, na Maria Maria Espaço Cultural, contando ainda com apresentações no dia 1º de julho para alunos da EMEF Nossa Senhora do Carmo, iniciativa em parceria com o Ponto de Cultura TV Restinga, e no Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, no bairro Cristal. No dia 3 de julho, foi a vez do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, no Centro Histórico de Porto Alegre, receber a exibição. Todas as atividades contando com acompanhamento de acessibilidade, acionando-se linguagem em libras quando necessário, tendo també sido finalizadas cópias com libras e audiodescrição. Trailer oficial: SERVIÇOO quê: Talk Exu #02 | Os filmes que lançamos no outono passadoTemática do programa: Bate-papo sobre os documentários “Nóg kirĩg ãg tĩ / Nós, Guardiões da Mata” e “Cooperar é Resistir” e o curta-metragem “Enquanto a Luz Não Chega”, intercalados por intervenções musicais da banda Expresso LivreQuando: 11 de julho, sexta-feiraHorário: 18h30 (espaço aberto) e 20h (inicia o talk show com live aberta no @coletivocatarse no YouTubeLocal: Maria Maria Espaço Cultural – Rua Cel. Fernando Machado, 464, Centro Histórico, Porto AlegreAberto ao público, com entrada gratuita

Coletivo Catarse e Retomada Gãh Ré lançam o documentário “Nóg kirìg ãg tì / Nós, Guardiões da Mata”

Certo dia nos contou Iracema, os sonhos nos levam para lugares que a gente nem percebe. E questionou: “será que os cientistas não sonham?”. Como cientista social e co-diretor de Nóg kirìg ãg tì / Nós, Guardiões da Mata, posso afirmar que sim, este documentário foi dirigido por sonhos.  Como bom anarquista, sempre tive dificuldades com a ideia de “dirigir”. Afinal, acreditamos que a direção deve ser de baixo para cima, tal como a subida do morro. Neste caso, o princípio zapatista “mandar obedecendo” talvez descreva melhor a tarefa que assumi: produzir um documentário sobre a luta do povo Kaingang no Morro Santana.  Ao longo de quase três anos, me dediquei ao máximo para cumprir essa missão da maneira mais sincera possível — seguindo os conselhos da cacica, kujà e co-diretora Iracema Gah Té, mas, sobretudo, obedecendo aos sonhos que nos guiaram.  No início do filme, advertimos: esta é uma história em curso, que só terminará de ser contada quando o território for assegurado aos seus verdadeiros donos. Mas não buscamos apenas narrar uma história, e sim atuar sobre ela, compreendendo o audiovisual como um dispositivo de transformação da realidade (e por que não, dos sonhos em realidade?).  História essa que tem sido vivida intensamente pelo convívio do Coletivo Catarse com a Retomada Gãh Ré, ao longo dos últimos três anos, por meio do projeto CORAL. Mas é também continuidade de uma amizade mais longa com o povo Kaingang — uma relação na qual cada integrante do coletivo deixou uma marca singular. Para alguns, começou em 2002, com atuação do grupo que veio a fundar o Coletivo Catarse. O projeto “Índios Urbanos” documentou em VHS a luta da comunidade Kaingang Fag Nhin na Lomba do Pinheiro. Para outra parte do coletivo a história teve início em 2018, com o projeto Resistência Kaingang, quando Iracema guiou Clémentine Tinkamo, Billy Valdez e Gustavo Turck de Porto Alegre até Mangueirinha (PR), numa trilha seguindo os passos da luta de seu pai.   Para mim, mais ou menos na mesma época, este roteiro começou a ser escrito em um sonho que me marcou profundamente e até hoje compartilhei com poucas pessoas. É difícil traduzir sonhos em palavras, mas tentarei: naquela noite, voei como um um condor que, de asas abertas, planava sobre as águas do Guaíba. No horizonte, a topografia granítica de Porto Alegre se desenhava. Voei em direção ao ponto mais alto: o Morro Santana, minha morada. E na pedreira, o coração do morro, pousei onde, em volta do fogo, um tipo de cerimônia acontecia… Acordei com a sensação de que algo havia mudado. Pouco tempo depois, acabei conhecendo Iracema e compreendi que não era um sonho só meu, era um sonho compartilhado. Na primeira vez em que subimos o morro juntos com Gah Té, também estavam lá os amigos da Witness e de um coletivo que estava nascendo: Preserve Morro Santana. Do alto do morro, Iracema alertou que os olhos d’água estavam secos e de alguma forma antecipou o pior: a noite, o morro ardeu em chamas numa das maiores queimadas da sua história. Ao mesmo tempo era confirmado o primeiro caso de Covid em Porto Alegre. Mas naquela manhã, no ponto mais alto da cidade, haviamos selado um pacto entre nós e o morro. Uma aliança com a natureza pela sobrevivência: o morro cuida de nós e nós cuidamos do morro. Dois anos depois, e tendo sobrevivido a uma pandemia, lá estávamos novamente. Iracema conta que seu avô Pedro Joaquim Gãh Ré lhe apareceu em sonho e através dele recebeu a missão de retornar ao Morro Santana para cuidá-lo e mostrar aos fògs o caminho de viver com a natureza.  Por isso, a Retomada iniciada na noite de 18 de outubro de 2022 leva seu nome. Com a câmera em punho, estivemos lá, desde a primeira fogueira acesa no acampamento, aos pés do Morro Santana. Desde então, a chama não se apagou. Seguimos juntos: filmando, aprendendo e contribuindo em oficinas, caminhadas, manifestações, audiências, estudos, mutirões, festas, reportagens… E se deu certo, como diz Gah Té, “vamos continuar e continuar…”. Seguiremos filmando – e sonhando – até a vitória. SINOPSE Sob a liderança da cacica Iracema Gãh Té, uma comunidade Kaingang retoma seu território ancestral no ponto mais alto de Porto Alegre. Enfrentando a ameaça de um grande empreendimento imobiliário, a comunidade desafia o abandono do Estado e enfrenta uma poderosa família de banqueiros para defender as florestas e nascentes do Morro Santana.

“O Despertar do Sol” convida a respeitar a natureza e os povos indígenas

Lançado no dia 07 de junho, o curta revela um olhar sobre a cosmopercepção Mbya Guarani, registrando um pouco do modo de ser e viver na Tekoá Tavaí (Canelinha-SC). Os indígenas compartilham ao longo da obra um pouco da sua cultura, da maneira de se organizar e da sua relação de convivência harmoniosa com a natureza.

E continuam as ações com o Tambor de Sopapo

O Coletivo Catarse cruzou seus caminhos com os toques do grande tambor pelotense quando da aproximação com o Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo e a consequente produção do documentário O Grande Tambor. Desde então (o ano era 2008), ressoa a história em diversas atividades do coletivo e também do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – a entrada da sede é, inclusive, adornada por um Tambor de Sopapo e um casco que aguarda para ser completado. Sem nunca ter parado, várias atividades foram realizadas ao londe desses anos, com atualizações do tema (em vários produtos de comunicação que estão colocados aqui nesta postagem ali embaixo, também situados em uma linha do tempo aqui neste site) e aprofundamentos de relação com a Família Baptista e novos projetos em vista. Em fins de janeiro deste ano, então, uma equipe do Coletivo Catarse retornou a Pelotas para um encontro na casa da Família Baptista. Na pauta, além do carinho e as saudades, uma conversa sobre os próximos passos de uma produção que se inicia agora e que deve terminar em 12 meses. Nina Batista, produtora cultural, filha de Zé, neta de Dona Maria e Mestre Baptista, hoje é a protagonista de projetos que visam a expandir a memória histórica do Grande Tambor e impulsionar a sua produção – que segue pelas mãos de seu pai, sem parar desde que o saudoso Neives fez a sua passagem para o outro plano. Foi ela quem realizou o contato formal com o Coletivo Catarse e confeccionou o projeto “Sopapo – A História Não Contada”, uma série documental que contará com quatro episódios que mergulham profundamente numa parte da história ainda não muito explorada sobre o Tambor de Sopapo, um dos símbolos culturais mais significativos do Rio Grande do Sul e patrimônio imaterial da cidade de Pelotas. A série pretende se apoiar na trajetória do Sopapo desde suas raízes afrobrasileiras, nas charqueadas pelotenses, mas com foco, agora, mais voltado à sua reinvenção contemporânea. Nesta fase, portanto, estão recém acontecendo os primeiros contatos entre a equipe, que vai, mais uma vez, criar a “ponte” Porto Alegre-Pelotas para esta produção audiovisual de um projeto aprovado na linha Memória e Patrimônio dos editais PNAB da Secretaria de Estado da Cultura do RS. Este é um trabalho que tem um fim em si, mas que se conecta com praticamente todas as produções já realizadas envolvendo a Família Baptista, o Coletivo Catarse, o Tambor de Sopapo e outros parceiros. Deve ser, portanto, mais um capítulo, mais um volume de uma enciclopédia espontânea e de construção coletiva, que tem muita história já contada – nestes registros aqui abaixo -, mas que já ainda muito a se contar. Aguarde! Referências: * Este encontro com a Família Baptista também faz parte das ações do Coletivo Catarse e Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre apoiadas no PROGRAMA RETOMADA CULTURAL RS – BOLSA FUNARTE DE APOIO A AÇÕES ARTÍSTICAS CONTINUADAS 2024.

Cooperar é resistir!

Nas últimas semanas, entre ondas de calor e chuvas torrenciais, o Coletivo Catarse em conjunto com a PedalExpress, começou a produção de um documentário que faz parte da campanha “Cooperar é Resistir!”.