Vai nascendo uma agrofloresta colaborativa entre Pontos de Cultura

O Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e o Ponto de Cultura Espaço de Residência Artística Vale Arvoredo se emparceiram para deixar uma pegada agroecológica da Cultura Viva no interior de Morro Reuter Entre os dias 4 e 5 de junho, um coletivo de artistas e fazedores de cultura, integrantes da rede de associados, amigos e colaboradores do Vale Arvoredo (acesse e conheça!), esteve no local realizando atividades de reconhecimento de área, separação de mudas e mapeamento de espécies invasoras a serem suprimidas da mata. Contando também com a presença dos biólogos Matias Köhler e Ethiéne Guerra, que auxiliaram no reconhecimento das plantas, o trabalho desenvolvido já contou com o plantio de Palmeiras Juçaras na área delimitada e também de novas mudas de erva-mate no perímetro que serve de sede ao sítio. Esta é uma ação que acompanha historicamente os objetivos tanto do Vale Arvoredo como do Coletivo Catarse, que têm nas suas essências a visão de pertencimento à Natureza, com a interação e manejo como garantias da manutenção da existência das florestas. Neste caso, já há alguns anos vêm se identificando que a área – com cerca de 16 hectares, mantidos praticamente intocados desde a sua aquisição – é de mata de regeneração, guardando espécies nativas, mas com grande invasão de plantas exóticas de expansão agressiva, principalmente a uva japão. Para “resolver” essa situação, ao longo dos últimos meses vêm sendo realizados vários encontros e conversas sobre a utilização de um espaço em que se maneje essas espécies invasoras e que se passe a cultivar uma pequena agrofloresta própria, com a manutenção de nativas identificadas e outras que sejam de interesse – como o limão bergamota – e com a inserção de espécies típicas da Mata Atlântica, como a Juçara, a erva-mate e o abacaxi. Talk Exu #6 – Cultura e Agroecologia Durante o encontro, também se realizou a gravação de mais uma edição do Talk Exu, o talk show do Coletivo Catarse, parte do Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Na conversa com Alexandre Fávero, parceiro de longa data, sombrista e um dos principais agitadores da proposta dessa movimentação atual que o Vale Arvoredo vem realizando na ideia da mesclagem da agroecologia com a arte, e com Matias Köhler, biólogo que esteve presente nas atividades de produção de uma das carijadas do documentário Carijo, o filme, em Panambi, em 2012, foi possível desenvolver uma reflexão sobre a importância da presença do ser humano e os possíveis impactos positivos desse manejo na floresta tanto com a flora como com a fauna. Também se abordou exatamente as questões que motivam artistas e fazedores de cultura nesssa interação intensa com a Natureza. Palmeira Juçara e Erva-mate A relação do Coletivo Catarse com essas duas espécies de árvores vem de longa data. Durante quase 15 anos, o Coletivo esteve dentro da Rede Juçara, uma rede que espalhou conhecimento e conectou pequenos produtores, entidades de assessoria técnica, poder público, entre outros atores sociais, nos estados do RS, SC, PR, SP, RJ e MG, numa frente que consolidou o entendimento agroecológico na rede, de manejo, de extração do fruto da Juçara para produção de polpa (o Açaí da Mata Atlântica), mantendo, assim, a árvore em pé, viva e consorciada com outras espécies – uma ação direta de recuperação de flora e fauna. O Coletivo Catarse se fez presente nesta rede produzindo matérias, coberturas e, a partir de uma ação no campo da comunicação, fomentando a manutenção do conhecimento acerca da Palmeira – realizando, inclusive, ações diretas de distribuição e plantio de mudas quase que ininterruptamente, por exemplo (clique aqui!). Um dos principais produtos audiovisuais lançados no período é a trilogia O ser Juçara, de 2018, possível de se assistir abaixo e no Youtube: A trilogia retrata, além de toda diversidade encontrada no domínio do bioma Mata Atlântica, as experiências do ser humano com os saberes associados ao manejo da floresta nativa, em especial da Palmeira Juçara. Este primeiro episódio apresenta a relação direta e indireta das pessoas com a floresta, os modos de vida, as conexões que existem entre as experiências retratadas – e a perspectiva de que é possível se viver de maneira sustentável em todos os espaços. Neste segundo episódio, está em questão a transformação do modo de se relacionar com a palmeira. Por séculos, considerada fonte do melhor palmito, foi objeto de um extrativismo que, quando realizado por comunidades tradicionais e famílias que se instalavam em áreas de sua incidência, era sustentável, mas que, a partir de um desenvolvimentismo econômico que enxergou neste um produto de grande valor agregado passou a ser ameaçada de extinção. Este último episódio apresenta as alternativas e a importância que os frutos da Juçara têm para oferecer para alimentar as pessoas. Mas sua contribuição vai para além da nutrição e da culinária. É preciso entender esta palmeira como parte de uma cadeia de valores culturais, que se relaciona e se apresenta como chave não só da preservação da floresta, mas da sustentabilidade das pessoas que vivem nessas regiões e que historicamente lutam para manter seus estilos de vida saudáveis e conectados com as forças da Natureza. Com a erva-mate, também há uma relação de mais de década. Em 2014 foi lançado o documentário Carijo, o filme: Uma obra que trata da fabricação artesanal de erva-mate com o método carijo – uma estrutura montada em estrado, de secagem da erva por horas, e que remonta um conhecimento ancestral indígena, principalmente Guarani. O documentário traz à tona a história do Rio Grande do Sul, contada sob um aspecto da contribuição dos povos originários para a cultura e costumes do gaúcho, e as implicações, relações e desdobramentos deste conhecimento sobre a produção do chimarrão – bebida símbolo do estado. O carijo ainda segue sendo utilizado nos dias de hoje, mas longe dos processos industriais e apenas …

Esteban no Espaço Marin

Na noite do dia 10 de maio Esteban Tavares retornou a Porto Alegre no Espaço Marin para o seu primeiro show do ano na capital gaúcha.Foi uma noite de muita troca de energia e calor, um show hipnotizante que só o Esteban domina.Aguardamos pelos próximos.Banda que esquentou o palco e o inicio da noite foram os “emos” da Die For You da cidade de Gravataí que vem despontando no cenario e chamando atenção pelo seus shows enérgicos, mesclando musicas autorais e alguns covers clássicos do cenário emocore. Fotos de Billy Valdez / Coletivo Catarse.

Reexistência Rutz

O Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e o Coletivo Catarse tem uma longa trajetória de parceria com a Kuja Gãh Té, liderança espiritual e política do povo Kaingang e da Retomada Gãh Ré, no Morro Santana. Legitimados por essa trajetória Gãh Té e o Ventre Livre foram contemplados na Chamada Pública Agentes Culturais da Ancestralidade, promovida pelo Pontão de Cultura Axêmiré.Desse modo as atividades que são realizadas de forma rotineira pela Mestra passam a ser reconhecidas com uma bolsa que ajudará a manter e ampliar essa atividades.Dentro dessa lógica, de troca de conhecimentos e integração com a comunidade, a Retomada Gãh Ré e a Mestra Gãh Té, junto com o coletivo Preserve Morro Santana, receberam a atividade sobre a importância socioambiental e histórica do Morro Santana, incluindo as dimensões geomorfológicas do morro e sua ocupação pelo povo Kaingang. Realizada nos dias 16 e 17 de maio, a atividade teve a participação da comunidade, de estudantes e professores da UFRGS, e serviu de formação para condutores nas ecotrilhas realizadas no Morro Santana.A saída de campo – Mestrado de desenvolvimento rural na retomada indígena Kaingang Gãh Ré, no Morro Santana, foi uma experiência importante de aprendizado e reflexão. Através das falas da Mestra Iracema Gãh te Nascimento, foi possível compreender a relação do povo Kaingang com o território, a ancestralidade e a resistência cultural. A atividade aproximou os conteúdos estudados na universidade da realidade vivida pelas comunidades indígenas, mostrando a importância do respeito aos saberes tradicionais, da memória coletiva e dos direitos dos povos originários.Nesse dia também foi realizada uma cerimônia de plantio de uma muda de araucária, árvore sagrada para o povo indígena, simbolizando a permanência no território do querido Tio Rutz, ativista e morador da comunidade e que nos deixou recentemente. Gãh Té e Julinho, filho de Tio Rutz, celebraram a vida, a alegria e o cuidado que sempre guiou o nosso amigo, que agora está eternizado nas raízes, tronco e frutos da árvore símbolo da resistência Kaingang. Texto: Marcelo CougoFotos: Luis Gustavo Ruwer

Documentário sobre ASSOBECATY tem lançamento no Ventre Livre dia 29/05

Um filme sobre os 90 anos do ilê que hoje é o Ponto e Pontão de Cultura Ilê Axé Cultural – ASSOBECATY. Uma história de ancestralidade, identidade e continuidade. Foram nove décadas de caminhada e resistência, mesmo quando as águas da enchente tentaram apagar a sua história, a força do coletivo se fez mais forte. Esta é uma obra que retrata toda essa superação, uma produção que contou com participação do Coletivo Catarse e que agora ganha seu espaço para uma sessão de lançamento no Ponto de Cultural e Saúde Ventre Livre. Assista ao trailer, clique aqui. Sessão no dia 29 de maio, a partir das 19h30 – Comuna do Arvoredo, Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, Rua Fernando Machado, 464, Centro Histórico de Porto Alegre. *o longa-metragem “ASSOBECATY 90 anos” é um projeto contemplado pelo Edital Lei Paulo Gustavo Guaíba nº 01/2023, Art. 6º, Inciso I. **a sessão é parte da programação do eixo Maria Maria Espaço Cultural, sendo ação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Osvaldo 93

Em um movimento que começou nos 1980 para se estabelecer na primeira metade dos 1990, a aproximação do rap com o rock deu direcionamentos até hoje seguidos. A mistura desses dois universos da cultura pop, que teve desdobramentos estéticos e comportamentais para além da música, reverberou no RS, no começo da última década do século passado. Em Porto Alegre, surgiam grupos como Código Penal (cruzando rap e hardcore) e L.O.R.D.S. (Legião Organizada Revolucionária dos Direitos Sociais), embalados pela batida das ruas. Ativas até hoje (ainda que de maneira não linear), as duas atrações se juntaram para a gig “Osvaldo 93”, que rolou em 12/4, no Bar Ocidente. As bandas literalmente dividiram o palco, tocando juntas (em alguns momentos, uma ou outra se apresentava, em outros, integrantes se uniam). A L.O.R.D.S (os MCs @piadrodutor e @edsonlegalllegall, @djandersonultramen nos toca-discos e percussão de @henrique_branka) abriu os trabalhos com um bloco de temas próprios, dando espaço para a CP (formada por @lucioagace e @black_lucianocp nas vozes, @fernandoluzardo no baixo, @green.eyes.soul.mp3 e @marcioantoniog33nas guitarras e @cesarcastrodrumer na bateria ) fazer o mesmo. O baile seguiu com os músicos intercalando-se. Entre os temas próprios, destaca-se “Homem Errado” e “Falsos Profetas”, da L.O.R.D.S. Já a CP mostrou a que veio com sons do naipe de “Terra de Ninguém” e “Apologia”. Ainda rolaram diversas releituras: de Tim Maia (“O Caminho do Bem”) a Body Count” (“BC in the House”), passando por Rolling Stones (“Miss You”), Beastie Boys (“No Sleep’Till Brooklyn), Public Enemy (“Shut ‘Em Down” e “Fight the Power”), Ice T (“Colours”), Cowboys Espirituais (“Jovem Cowboy”), Cypress Hill (“Insane in the Brain”), Run-D.M.C e Aerosmith (“Walk this Way”) e Public Enemy e Anthrax (“Bring tha Noise”). O pioneiro Defalla também foi homenageado, com “Repelente”, “Como Vovó Já Dizia” e “Satisfacation”. O vocalista @edukedukeduk cantou as 3 músicas de sua banda original, além de outras versões do repertório. Os feats ao vivo incluíram ainda a cantora @denizelicardosodnzl e o baterista Zé Darcy (ex-@bandaultramen) assumindo o mic. Texto: @homerpjrFotos: @billy.valdez

AWO (Mistério Sagrado), por Juarez Negrão

No dia 23 de abril, o artista plástico Juarez Negrão, em parceria com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, apresentou sua exposição AWO em noite de Maria Maria Espaço Cultural na Comuna do Arvoredo. Foram dispostas no espaço da Garajona diversas obras em tela, cerâmica e outros materiais: Através da história, ancestralidade e cultura afrobrasileira, Juarez apresenta um universo negro, de rica cultura e resistência, com técnicas como pintura, escultura e xilogravura. O trabalho consiste em pequenos fragmentos de duas exposições apresentadas pelo mesmo nos anos de 2024 e 2025 (Quilombo e Diáspora) e se completa com novas peças. “Awo” se faz a terceira e última parte dessa triologia, inspirada nas crenças, religiões, lendas e tradições dos povos originários. A atração musical da noite ficou por conta de Alex Gaúcho, cigano, espiritualista, músico, poeta, ator, compositor, cantador, atualmente trabalhando na gravação do seu primeiro álbum autoral “Rezo”. AWO (Mistério Sagrado) *fotos por Billy Valdez A atividade integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.

do Ó – Som do Coração

O Coletivo Catarse é uma das empesas que constitui o Ecossistema Audiovisual Metropolitano e é por esse projeto que está realizando a residência artística da produtora Isabel Meireles – que, há anos, está envolvida com a produção de um documentário que trata sobre parte da trajetória do músico Fernando do Ó. Abaixo segue um texto de Isabel contando como tem sido essa experiência: O documentário “Fernando do Ó – Som do Coração”, produzido pela produtora Kalipso Cultural, está agora em fase de edição e montagem dentro da Residência/Mentoria Audiovisual do Metropolitano RS, iniciativa voltada às obras das empresas do ecossistema. A experiência de acompanhar de perto o universo de um artista tão singular, compartilhando momentos, memórias e afetos, evidencia o caráter coletivo da criação. São muitas mãos envolvidas: desde a estrutura proporcionada com o apoio dado pelo MetRS, passando pela visão e metodologia do Coletivo Catarse, até a generosidade de parceiros como os estúdios Tec Áudio e estúdio Soma e seus profissionais incríveis que estão “abraçando” o projeto, oferecendo tempo, conhecimento e sensibilidade. A residência tem sido fundamental para meu amadurecimento artístico e profissional, especialmente a partir da mentoria do Coletivo Catarse, produtora-madrinha do projeto. A parceria oferece suporte técnico, acesso à infraestrutura de pós-produção e orientação artística, contribuindo diretamente para a construção do eixo narrativo e estético da obra. Viver esse processo tem sido, para mim, uma espécie de escola sensível. Tenho aprendido que fazer um filme não é apenas dominar técnica ou organizar ideias. Mais do que um processo técnico, esta etapa tem sido marcada pela emoção de ver o projeto que foi iniciado de forma independente, ganhar forma e profundidade evidenciando o papel das iniciativas colaborativas no fortalecimento do audiovisual gaúcho. Aos poucos, entre imagens, sons, depoimentos e memórias, fui entendendo que esse filme não seria apenas sobre o que ele fez, mas sobre o que ele provoca nas pessoas.

O chimarrão com erva de carijo roda

Em fins de fevereiro, início de março deste ano, ocorreu um evento de produção artesanal de erva-mate na Floresta Nacional de Canela. Foram produzidos cerca de 80 kg em método de carijo, que foram amplamente distribuídos entre os participantes e com a comunidade Kaingang que mora no local. Como é o costume, esta erva cevou já diversos mates – direto ao lado do carijo, durante o processo de moagem e, claro, nas casas e locais de trabalho de cada um que levou os seus “quilinhos”. E a erva de carijo nunca vai sozinha – ela carrega história, e cada cuia servida carrega um trago de prosa que acompanha a surpresa do “novo” sabor e o descobrir dos processos, do significado daquela produção ancestral. Nesse mês que se passou, então, o mate de carijo circulou por diversas mãos. * * * * ,A atividade da carijada integra o Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre.

Um sábado especial em março de 2026

Não são poucas as atividades que realizamos. Não são poucos os lugares que visitamos. Não são poucas as pessoas que conhecemos. O cansaço e o suor do nosso trabalho também não têm sido pouco ao longo desses quase 22 anos de existência. E, como o Coletivo Catarse não é apenas uma pessoa, consegue ocupar dois lugares no espaço ao mesmo tempo – até 3 ou 4, inclusive. E foi isso que ocorreu no sábado, 21 de março de 2026. Em Porto Algre, atividade que marcou a divulgação de um documentário sobre o êxodo e a luta palestina lotou a Garajona da Comuna do Arvoredo, numa programação do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre em noite de Maria Maria Espaço Cultural. Em Imbé, o NIA (Núcleo de Investigação Artística do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre) realizou um intercâmbio artístico com o Ponto de Cultura Território das Artes, contando com apresentação do espetáculo “Vasaliza, a sabida”. E, em Mostardas, mais ao sul, também no litoral, mais uma equipe do Coletivo, naquele momento em oficina, em projeto do Ponto de Cultura STR Mostardas, trabalhava a inclusão digital e a salvaguarda do patrimônio cultural, cobrindo o II Encontro Regional de Cantadores de Terno. Não menos importante – e quase simultâneo, pois ocorreu na noite anterior -, em frente de trabalho de apoio técnico no Ponto de Cultura Cirandar, também no Centro Histórico de Porto Alegre, acontecia o Espetáculo Menina de Tranças e Cabelos Brancos com @lilikamarques24 e @deborahfinocchiaro. O Coletivo atua e sempre atuou assim, por isso o fazer é tão multifacetado. Tanto que, por vezes, é desafiador explicar e até mesmo divulgar. São assuntos centrais e transversais tratados pela Catarse com o mesmo intuito: comunicação para transformar. Circulamos múltiplos e vamos chegando perto de distintas realidades, onde alcançamos e é possível uma pequena (que pode reverberar como importante) transformação, através da política, da arte e da cultura. Siga as nossas redes, confira seguidamente nosso site – sempre tem alguma coisa acontecendo!

Oficinas de inclusão digital trabalham com a salvaguarda de patrimônios culturais de Mostardas

De 19 a 24 de março, o município do litoral médio recebeu encontros de formação para jovens e adultos. As atividades incluíram ainda o registro do II Encontro Regional de Cantadores de Terno, contemplando aos oficinandos uma prática com noções básicas de fotografia e produção audiovisual. Também foi trabalhado o uso de ferramentas digitais como e-mail, “nuvem” de armazenamento e montagem de site para auxiliar na exposição de registros e segurança de dados como uma prática de salvaguarda de expressões culturais e até mesmo de arquivos pessoais. As aulas teóricas tiveram suas atividades na Escola Municipal Marcelo Gama na quinta (19), sexta (20), segunda (23) e terça-feira (24) durante a noite. Já a atividade prática foi a cobertura do II Encontro de Cantadores de Terno realizado no salão da Paróquia São Luiz Rei. O encontro reuniu cerca de 150 pessoas e teve apresentações de 5 grupos: o Resgatando a Tradição e o Grupo Amigos, de Mostardas, o Família Talibio, de Tavares, o Netos do Zé Pulim, de Capivari do Sul e o O de Casa, de Guaíba. O Terno de Reis é um festejo religioso de origem açoriana e com contribuição afrodescendente. No Rio Grande do Sul, a tradição é mantida principalmente pelas comunidades quilombolas, agricultores e pecuaristas familiares. Os festejos se organizam em torno de datas ligadas ao dia de reis e dos santos padroeiros. Composto por cantadores, tocadores e participantes, o cortejo vai passando de casa em casa, reunindo as famílias em um grande momento de celebração com comidas típicas de cada região. Ao longo do encontro na noite de sábado, a culinária também resgatou fazeres e saberes locais. O cardápio teve ingredientes provenientes da agricultura familiar e da pesca da Lagoa do Peixe, como o feijão sopinha com siri, camarão, polenta com milho catete, entre outros pratos. Além dos registros do próprio Coletivo Catarse, a cobertura em foto e vídeo do evento foi feita principalmente pelos oficinandos, pessoas da própria região. A maioria já tinha relações com os Ternos, tanto de forma direta, cantando e tocando em um grupo, quanto indireta por meio de lembranças ou histórias de familiares que vivenciaram esta tradição em suas comunidades. Terminado o encontro, os oficineiros e oficinando seguem organizando os materiais produzidos para divulgação e preservação dos registros. Em breve, os materiais produzidos estarão disponíveis em um site próprio, com fotos, vídeos das apresentações e um documentário. Tudo isso buscando divulgar e preservar a memória destas manifestações tão presentes no município de Mostardas Estas atividades e outros ciclos de oficinas realizados ao longo de 2025 e 2026 fazem parte do projeto Festejos e Encontros da Cultura da Tradição Popular das Comunidades Quilombolas da Península do Litoral Norte (Edital SEDAC nº25/2024 PNAB RS – Cultural Viva). O Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre vem atuando junto ao projeto desde outubro do ano passado (confira aqui e aqui). Oficineiros: Gustavo Türck e Bruno PedrottiTexto: Bruno PedrottiFotos: Bruno Pedrotti, Daniel Machado da Silva, Gislaine Souza da Rosa, Laé Terezinha MachadoRevisão: Gustavo Türck