Vai sair um filme. E ele vai ser feito por crianças.

O que ensinar sobre audiovisual para a geração alpha, a geração da hiper conectividade? Aquela que usou celular antes de aprender a falar? Que acostumou ser filmada e se observar através desses registros?Esse é um dos dilemas que aparece quando sentamos para planejar os encontros da oficina prática de audiovisual para crianças “Vamos Fazer um Filme?”, afinal, corremos o risco de sermos ensinadas ao invés de ensinar qualquer coisa. Mas entendemos que a riqueza se dá justamente nesse encontro geracional e na troca de conhecimentos, por isso, o planejamento das aulas é traçado e retraçado com a participação ativa dos pequenos cineastas – mesmo que eles não saibam. É muito fácil se aborrecer quando o entretenimento é tão fugaz e apelativo. Fazer um curta-metragem de 3 minutos pode parecer um abismo para quem é bombardeado por pílulas minúsculas de conteúdo digital brilhante, afetado, turbinado.O desafio aqui, nos parece, é focar na importância da história a ser contada e na condição de ser equipe. Entender que as pessoas podem fazer coisas diferentes mas contribuem para a construção comum. Exercitar a escuta, a paciência, respeitar o espaço do outro no meio da sessão de cinema, por exemplo. Ser público. Também, se comunicar, levar ao receptor uma mensagem que seja entendida, tanto numa ideia dada em oficina quanto na construção do roteiro a ser filmado. Aí a gente pode chegar à conclusão. Não precisa fazer um filme para trabalhar tudo isso. Não, não mesmo. Mas a gente gosta de fazer filmes. Dá trabalho, mas é mágico pois te atribui uma condição muito especial: a de concretizar outras realidades, realizar o irrealizável. Só por isso, vale a pena. O teatro tem esse poder também. Então, aproximamos nesta oficina a linguagem do audiovisual com a do teatro, misturando dinâmicas e servindo-se das ferramentas necessárias para fortalecer o grupo e as histórias contadas.Olhar a euforia de uma criança que concebeu uma ideia, os colegas abraçaram e ao final da aula ela viu o resultado dessa ideia na tela, é incrível. Na verdade, é tudo o que se quer enquanto educadora e artista, sentir o gosto pelo fazer, se emocionar e emocionar o outro. Resultado do exercício de animação em stop motion. Esta oficina de audiovisual acontece nos meses de março e abril de 2026 e integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.

Três anos de “Marias”

O sábado, 7 de março, que antecedeu o importantíssimo e necessário 8M, marcou o aniversário de três anos de existência da Maria Maria Espaço Cultural, que reside de quinta a sábado na Garajona da Comuna do Arvoredo, na Rua Fernando Machado, Centro Histórico de Porto Alegre. A agenda é conduzida pelas irmãs “Tolfo”, Marcia e Daniela, e conta com uma rede de apoio de diversas amigas, incluindo Tiane, irmã das gurias. A Maria Maria é pensada para todes, visando a apoiar e fomentar a cultura, diversidades sonoras e artisticas, desde jantares temáticos, passando por reuniões, grupos de conversa, lançamentos de livros, filmes, trasmissões ao vivo e diversas formas de trabalhos ligados à cultura e aos movimentos sociais. E, na festa de aniversário, não foi diferente. A celebração contou com os brechós O Cata Roupas e Victória brecho e floricultura, junto aos artesanatos da FESPOPE. Entre as atrações artísticas, esteve o rap e a poesia falada de Kainã, além do grupo Versão Brasileira. Na cozinha, além das clássicas pizzas das Marias, foi preparado um saboroso cuscuz pelas mãos da cozinheira Kyzzzy Rodrigues, que sempre se faz presente no já conhecido Jantar Afro. O terceiro ano das Marias também marca um ano de muita programação cultural sendo realizada no espaço, dentro do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Foi uma noite de celebração e fortalecimento da luta e da cultura de rua. Maria Maria, sempre de portas abertas! Fotos e texto: Billy ValdezEdição: Anahi Fros

Mateando vivências: Carijada Kaatártica na FLONA celebra o encontro e a tradição ancestral

Domingo, 1º de março e última Lua Cheia do Verão. Ao amanhecer, sigo rumo ao carijo. A brasa aquece a estrutura onde estão dispostos os cerca de 80 quilos de ramos da erva-mate, colhidos no dia anterior, e uma chaleira já chiando a água para matear. Dou bom dia aos viventes que resistiram à madrugada, de olho na secagem lenta sobre o calor brando do fogo, que não pode apagar. O colega cuidando da lenha me entrega, de pronto, uma pequena, mas gigante, tarefa: “Faz um mate pra nós? Naquele canto ali já tem umas folhas secas”. Não é qualquer um, mas o primeiro da carijada, iniciada na sexta-feira dia 27 de fevereiro. O evento – em sua segunda edição, esta possível graças ao apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da comunidade kaingang local – também é o primeiro realizado em uma unidade de conservação e, ainda por cima, dentro de uma aldeia kaingang, a Retomada Kógünh Mág (“erva grande“, em português). Busco as folhas que já se quebram ao tocar e as coloco no pilão da Nilda – uma das indígenas que plantou a semente da aldeia em que estamos e, quando ancestralizou, deixou a peça de herança para os filhos e netos. Entalhado com as duas metades kaingang, Kamé (Sol) e Kairu (Lua), o pilão é uma entidade em si. Peço a permissão para a cacica Iracema Gah Té, da Retomada Gãh Ré – localizada no Morro Santana, em Porto Alegre –, que, então, acena com a cabeça. Pilo um pouco e, por conta da mistura do cansaço acumulado com a curiosa expectativa que toma conta do ambiente, me contento com a moída grossa. Cevo, provo para aquecer a erva e passo adiante. Por suposto, o primeiro é da Kujá (xamã), que o saboreia, e segue a roda. Conforme passa de mão em mão, vai tornando-se unânime o veredito: a erva está excelente, com um amargor moderado e um defumado marcante. A impressão vai se reafirmando à medida que surgem novas possibilidades: outra cuia com uma moída fina, seguida de uma pura folha para, depois, seguir pela moídas mecânicas de dois soques distintos, uma fina e outra grossa, com mais galhos. O processo de feitio artesanal começou no dia anterior. Na manhã de sábado, foram podadas cerca de 20 árvores de erva-mate em meio à mata nativa. Já no início da tarde, as equipes finalizaram o manejo de dois pés plantados no pátio do professor Léo e recolheram grimpas de araucária e lenha. Na sequência, seguiu-se o processo de sapeco e encarijamento. Estas duas últimas etapas ocorreram com a adesão massiva da comunidade kaingang, movimento que contagiou os participantes da atividade – afinal, a carijada é um método tradicional de origem indígena, e o interesse da aldeia acabou por demonstrar a potência da ação. A erva foi, em fim, colocada no carijo para receber o calor de um fogo de brasa até próximo das 12h do dia seguinte. Após, foi cancheada, pilada, moída e distribuída. No total, o evento recebeu cerca de 20 inscritos, além de dez pessoas da equipe de produção, bem como a participação da comunidade kaingang e dos servidores do ICMBio, totalizando cerca de 50 participantes. Participaram desde bebês de colo e crianças até anciãs e anciões, cada um contribuindo segundo as suas possibilidades. Graças ao trabalho coletivo, o resultado foi uma carijada histórica. A estrutura do carijo foi mantida na FLONA para fins de educação sociambiental pelo ICMBio. Os galhos mais grossos foram encaminhados para famílias da Kógünh Mág e serão aproveitados como lenha. Os galhos mais finos, que sairam no cancheamento, seguiram a diversas mãos para serem aproveitados ou como chá-mate ou curtidos com cachaça. Os viventes voltaram, então, felizes para suas cidades: Porto Alegre, São Lourenço do Sul, São Francisco de Paula, Passo de Torres e Panambi. Outros permaneceram em Canela. Destes, é provável que alguns devam estar estranhando a calmaria na aldeia e na floresta, mas gerando um certo alívio da equipe da produção, que constantemente pedia por taquaras ou eucaliptos a serem manejados, ou por ferramentas a serem emprestadas. Também, certamente, ficou a saudade dos encontros, das prosas, das reflexões, do alimento compartilhado, feito sobre um fogão campeiro construído em uma clareira, das novas amizades ou reencontros inesperados. Estamos, desde então, relembrando dos bons momentos e saboreando o doce amargo de uma erva carregada de tantas histórias. Fica difícil não se perguntar: quando será a próxima? (em breve!) A atividade integra o Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi FrosFotos:@coletivocatarseAmallia Brandolff – @amalliabrandolffBilly Valdez – @billy.valdezFuá – @marcielysalvadorKokoj (Roberta)Luís Gustavo – @libredasilva

Mapeando ervais nativos da FLONA

Dentro dos preparativos para a II Carijada Kaatártica, que será realizada nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1° de março, uma equipe do Coletivo Catarse visitou a Floresta Nacional de Canela (FLONA) no último dia 10. Com profissionais das áreas da Geografia e Comunicação e acompanhamento técnico do ICMBio, a equipe percorreu os 3 km da trilha da mata nativa buscando identificar e mapear os pés de erva-mate (Ilex paraguariensis) a serem podados durante a atividade na Unidade de Conservação (UC) federal de uso sustentável. Apenas nesse trecho, foram identificadas e georreferenciadas mais de 40 plantas.  Entre mudas e plantas jovens, características da mata em processo de regeneração, foram encontradas também plantas adultas, inclusive matrizes já com “filhotes” próximas. A matriarca do local, já conhecida do ICMBio, possui 12,7 metros de altura. Para efeito de comparação, as plantas em ervais cultivados tem uma média de 3 metros.  Ao longo da carijada, algumas serão podadas para a produção artesanal da erva-mate. O manejo não prejudicará as plantas, que são extremamente resistentes a podas. Ao contráro, a prática acaba sendo uma forma de renovação benéfica aos indivíduos. Para ajudar na recuperação posterior, será feita uma poda não tão radical, deixando algumas folhas e galhos para que possam seguir captando a luz solar neste final de verão, encaminhamento definido juntamente com Lisandro Signori, chefe da UC.   Estes cuidados extras estão sendo pensados justamente porque a FLONA é um espaço de cuidado com a natureza. Seu diferencial em relação a outras categorias de UCs – que permite que uma atividade como a carijada seja realizada – é justamente o incentivo para o manejo sustentável da biodiversidade nativa. Neste ano, a unidade completa 80 anos. Sua origem está ligada a uma iniciativa governamental de plantio de araucárias buscando incentivar a pesquisa e produção florestal relacionados à espécie, símbolo do planalto sul brasileiro. Presença Kaingang e a Kógünh Desde o ano de 2020, a FLONA é também o lar da comunidade kaingang da Retomada Kógünh Mág, de Canela. O próprio nome da aldeia, que em português significa erva grande, já demonstra a relação deste povo originário com a ilex. De fato, a planta é considerada sagrada pelos kaingang, que cultivam o hábito do chimarrão e também a utilizam para fins medicinais, espirituais e no batismo de pessoas e locais.  A comunidade, juntamente com a Retomada Kaingang Gah Ré, do Morro Santana em Porto Alegre, está apoiando o evento e irá compartilhar com os participantes um pouco da cultura kaingang e da relação deste povo originário com a erva-mate. Além disso, a aldeia também irá oferecer algumas comidas típicas kaingang e uma apresentação do grupo de dança tradicional da comunidade. A vivência está com as últimas inscrições abertas até quarta-feira (25/02). Inscreva-se neste formulário. Serviço O quê: II Carijada KaatárticaQuando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira a domingoOnde: Floresta Nacional de Canela (FLONA) – R. Otaviano Amaral Píres, n° 518, Canela/RS.Dúvidas: (51) 99298.7293 (WhatsApp, com Têmis) Inscrições: neste formulário. O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar. Programação: 27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco13h – Receptivo14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados17h – Montagem do cancheador 28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda9h – Manejo dos ervais nativos da Flona13h – Sapeco17h – Encarijamento e ronda 01/03 – Domingo – Moagem e distribuição9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque14h – Partilha da erva e despedida A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi FrosFotos: Billy Valdez

O soque se prepara para mais uma carijada

Na última quinta feira, 5 de fevereiro, uma equipe do Coletivo Catarse esteve em Triunfo, na propriedade do médico veterinário Fábio Haussen – parceiro de longa data, ele tem sido guardião do soque do Coletivo nos últimos anos. Adqurido em 2015 ao longo do Projeto Roda Carijo – que circulou realizando carijadas pelo interior do RS e exibindo o filme Carijo – o soque é um equipamento que facilita muito a produção artesanal de erva-mate. Suas 8 mãos de pilão e motor elétrico são de grande ajuda na moagem, última etapa da produção. Com a II Carijada Kaatártica marcada, a equipe encaminhou o soque ao marceneiro Juca Rocha para mais uma rodada de manutenção e ajustes. No caso do soque do coletivo, além de mais de uma década de uso, o equipamento também sofreu com a grande enchente de 2024. Com a cheia histórica no Rio Taquari, do qual a propriedade é vizinha, o soque ficou debaixo da água, juntamente com boa parte de Triunfo e do estado. Ainda em 2024, Juca conseguiu fazer uma primeira manutenção no equipamento, que participou no final de julho daquele ano da II Carijada Serrana no Caconde. Passados quase dois anos, o soque retornou na semana passada à oficina para novos reparos. Até porque a próxima carijada já tem data marcada. No último final de semana de fevereiro, dias 27 e 28 e 1° de março, será realizada a II Carijada Kaatártica. Esta edição se apresenta como uma oportunidade única, pois acontecerá na Floresta Nacional de Canela (FLONA), uma unidade de conservação voltada ao manejo sustentável dos ecossistemas florestais. Também estão apoiando o evento as retomadas Gah Ré e Kognhun Mag do povo Kaingang, respectivamente do Morro Santana, Porto Alegre, e Canela. Será um bom momento de se desfrutar os 500 hectares de belas paisagens do bioma Mata Atlântica da FLONA e vivenciar um pouco da cultura originária de povos originários como o Kaingang. Além, é claro da possibilidade de se produzir artesanalmente uma erva-mate pura e sem agrotóxicos. Serviço O quê: II Carijada KaatárticaQuando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira, sábado e domingoOnde: Floresta Nacional de Canela (FLONA), R. Otaviano Amaral Píres, N° 518, Canela/RS.Dúvidas por whats: (51) 99298.7293 (Têmis) Inscrições: neste formulário. O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar. Programação: 27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco  13h – Receptivo14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados. 17h – montagem do cancheador 28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda 9h – Manejo dos ervais nativos da Flona13h – Sapeco 17h – Encarijamento e ronda 01/03 – Domingo – Moagem e distribuição 9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque14h – Partilha da erva e despedida A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno Pedrotti

Carijada Kaatártica histórica ocorre no final de fevereiro na Floresta Nacional de Canela

A Floresta Nacional de Canela (FLONA) recebe nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1° de março a II Carijada Kaatártica. O método artesanal de processamento da erva-mate é uma realização do Coletivo Catarse com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e das retomadas kaingang Gah Ré, de Porto Alegre, e Kógünh Mág, de Canela. O evento representa um resgate de uma cultura original de produção em contraste com a industrialização da planta, que é base de bebidas tradicionais como o chimarrão, o tererê e o chá mate. A FLONA é uma Unidade de Conservação (UC) pública voltada à preservação da natureza por meio do uso sustentável da floresta, através da pesquisa e da educação ambiental, estando dedicada à proteção da Mata Atlântica, com mais de 500 hectares de área. Diferente dos parques, tem como foco estudar e aplicar formas responsáveis de se cuidar da natureza, mantendo os ecossistemas e recursos naturais resguardados. A unidade permitiu a realização do evento justamente pelo caráter sustentável do manejo, pois a poda das árvores de erva-mate não prejudica as plantas, ao contrário, auxilia no seu desenvolvimento. Ao longo da carijada, serão manejados diversos pés que se encontram dentro da área de mata nativa da UC.   A II Carijada Kaatártica ocorrerá no estilo vivência, detalhando cada etapa do processo, com duração de três dias (veja programação abaixo), culminando na manhã do domingo com a moagem e degustação de um mate puro, nativo, forte e originário. Esta é a 12ª segunda carijada que o Coletivo Catarse promove ou co-organiza, tendo também os cooperados do coletivo já participado de mais de 30 encontros do gênero. Com mais de uma década de trabalho no registro, divulgação e manutenção desta cultura, a cooperativa tem diversos materiais informativos sobre o tema. Vale destacar o Projeto Carijo: Herança do Conhecimento Ancestral na Fabricação Artesanal da Erva-Mate, realizado com o IPHAN em parceria com o biólogo Moisés da Luz. Por meio deste projeto, foram produzidos o documentário Carijo, o filme,  o livro Carijo, saber cultural do Rio Grande do Sul, símbolo de resistência e conhecimento indígena e camponês na fabricação artesanal de erva mate e a cartilha contendo o passo a passo para a produção artesanal no Carijo. Essa foi uma iniciativa que tornou possível a sistematização e registro daquilo que é um patrimônio imaterial da cultura brasileira e que corria risco de extinção. Carijada: patrimônio cultural vivo Carijada é um método tradicional indígena e importante patrimônio cultural vivo de secagem e processamento de erva-mate (Ilex paraguariensis) feito com o calor de um braseiro. A erva podada é colocada em uma estrutura chamada carijo, um estrado de taquara ou madeira, e recebe o calor de um fogo de chão, processo que dura um mínimo de 12 horas. Serviço O quê: II Carijada KaatárticaQuando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira a domingoOnde: Floresta Nacional de Canela (FLONA), R. Otaviano Amaral Píres, N° 518, Canela/RS.Dúvidas por whats: (51) 99298.7293 (Têmis) Inscrições: neste formulário. O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar. Programação: 27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco  13h – Receptivo14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados17h – Montagem do cancheador 28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda 9h – Manejo dos ervais nativos da Flona13h – Sapeco 17h – Encarijamento e ronda 01/03 – Domingo – Moagem e distribuição 9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque14h – Partilha da erva e despedida A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi Fros

Tchê agenda! Histórico carijo multiétnico na FLONA de Canela

Nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1° de março, o Coletivo Catarse e seus parceiros irão realizar mais uma Carijada Kaatártica, desta vez na Floresta Nacional (FLONA) de Canela/RS – juntos, apoiando a atividade, estão as retomadas kaingang Gah Ré, de Porto Alegre, e Konhum Mag, de Canela, além do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Esta atividade de produção artesanal de erva-mate é especial por se entender ser a primeira, que se tem notícia, a ser realizada dentro de uma Unidade de Conservação (UC), já que estes espaços costumam ter regras mais rígidas em relação ao manejo de espécies nativas. Dessa forma, as carijadas acabam sendo geralmente organizadas em espaços de aldeias, propriedades particulares da agricultura familiar e outros espaços agroecológicos. Neste caso de Canela, na autorização para a realização do evento, o ICMBio destaca que, ao contrário de outras categorias de UC mais restritivas, as FLONAs têm como objetivo “o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais”. Levando-se em conta, portanto, o já comprovado caráter sustentável do manejo tradicional das plantas de erva-mate, Lisandro Signori, chefe da unidade conclui: A colheita de folha da erva-mate, nos moldes propostos neste evento, é uma atividade perfeitamente compatível com o Plano de Manejo desta Unidade de Conservação e desejável pelos aspectos de divulgação, educação ambiental e lazer em contato com a natureza, difusão de prática de uso múltiplo dos recursos naturais, além de identificação com a cultura local, no caso o hábito de tomar chimarrão muito presente no Estado do Rio Grande do Sul. E essa cultura de tomar chimarrão tem sua origem justamente na cultura dos povos indígenas, originários desta terra. Por isso, a parceria das comunidades kaingang também acrescenta muito ao evento. Como tantos outros povos do cone sul, os kaingang já se relacionavam com a erva-mate, chamada de kógünh no seu idioma originário, muito antes da invasão do continente. A planta segue presente no cotidiano das aldeias, tanto no chimarrão quanto em outros usos como benzimento e até mesmo dando nome a pessoas, comunidades e localidades. Aliás, a ilex está cada vez mais presente nas comunidades indígenas com os processos de retomada de territórios com mata nativa, como é exatamente o caso da Konhun Mag na FLONA, ou mesmo com o replantio em territórios sem ervais nativos, como a Retomada Gah Ré vem fazendo. Para alinhar os detalhes logísticos do evento com os gestores do ICMBio e lideranças da Retomada Kaingang Konhun Mag, a equipe do Coletivo Catarse fez uma visita até a FLONA no dia 17 de dezembro de 2025 contando com a presença da kujá Gah Té, da Retomada Kaingang do Morro Santana. Foi um momento importante para se detalhar melhor a atividade tanto para os biólogos quanto para os indígenas. Gustavo Turck, diretor do filme Carijo (assista!), explicou como é realizado este processo e quais os materiais seriam importantes. Já a kujá (“curandeira/pajé”) Gah Té recordou aos seus parentes a importância da relação direta com a erva-mate, que vivenciou na sua juventude na aldeia de Mangueirinha-PR, onde os indígenas colhiam e faziam a própria erva. Ao lado do local em que se pensou em montar o acampamento, a liderança já identificou uma planta a ser podada na atividade, inclusive. E não faltam pés de erva-mate nas matas da FLONA. Com mais de 500 hectares de área protegidos pela Unidade de Conservação, o espaço público, aberto e gratuito ultrapassa 250 hectares de Mata Atlântica, com destaque para espécies como araucária, xaxim, taquaruçu e, claro, a Ilex paraguariensis. Entre as espécies exóticas e invasoras, que vêm sendo manejadas dentro da unidade, algumas já serão utilizadas na atividade, como o eucalipto para a lenha e estrutura do carijo. Neste contexto de Mata Atlântica exuberante, a atividade se apresenta como uma oportunidade de imersão na natureza e de vivenciar a relação ancestral com a erva-mate, árvore símbolo do RS. Graças ao apoio e participação da comunidade Kaingang, também será possível conhecer um pouco da cultura deste povo, um dos que mantém a memória viva da Kógünh. Por fim, o apoio do ICMBio faz desta uma carijada única, reforçando e reconhecendo oficialmente o caráter sustentável do manejo artesanal da erva-mate no método de carijo ao acolher a atividade neste local dedicado à conservação da natureza. A atividade acontecerá no estilo vivência, com inscrições dos participantes (aguarde!), em que será detalhado cada etapa do processo, de duração de três dias, culminando com uma manhã de domingo de moagem e degustção de um mate puro, nativo, forte e originário! Não dá pra perder essa chance né? Então, tchê agenda: O Que:Carijo na FLONAQuando: 27/02 a 01/03/2026Onde: Floresta Nacional de Canela, R. Otaviano Amaral Pires, N° 518, Canela/RS. Texto e fotos: Bruno Pedrotti – Esta atividade é parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

A Garajona pronta para encarar 2026!

Ao longo do ano de 2025 o Coletivo Catarse – @coletivocatarse – vem desenvolvendo o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. Até então, foram 3 talk shows – Talk Exu, 2 oficinas de teatro – para crianças e adultos, 1 oficina de Hip Hop, mais de 40 atrações culturais na Maria Maria Espaço Cultural – @mariamariaespacocultural – parceira do Coletivo, todas as atividades abertas e gratuitas. Nesta virada de ano, a Maria Maria, situada na chamada garajona da Comuna do Arvoredo – @comuna_do_arvoredo (complexo residencial e cultural no Centro Histórico de Porto Alegre) abre suas portas para 2026, celebrando melhorias na estrutura física e técnica do espaço. As paredes foram revitalizadas, a acessibilidade melhorada e equipamentos de sonorização pensados e instalados especialmente para o espaço que recebe cerca de 2 atrações culturais por semana. Tudo isso visando o maior conforto do público e a melhor qualidade acústica possível, para que os artistas sejam valorizados e atendidos da melhor forma possível. Isso só se torna possível por conta de políticas públicas que enxergam artistas e produtores independentes, descentralizando recursos e buscando diversidades de fazeres. Ainda este ano, teremos ainda 2 edições do Talk Exu, uma oficina de produção audiovisual para crianças e uma Carijada, fabricação artesanal e ancestral de erva-mate que acontecerá na Floresta Nacional de Canela.Por isso, acompanhe o Coletivo Catarse no site e nas redes sociais para saber das programações e venha conhecer a Maria Maria Espaço Cultural, pois o movimento tá bonito!

2025 foi ano de Talk Exu!

Este ano foi de consolidação de uma proposta de talk show do Coletivo Catarse. Ainda com bastante espaçamento entre os episódios, estudos estéticos e da técnica a ser utilizada – além de investimentos no espaço onde se grava e transmite ao vivo -, se possibilitou a produção de conteúdos interessantes com os envolvimentos de parceiros e o apoio organizacional de um projeto contemplado nos editais PNAB/SEDAC-RS, na linha Cultura Viva. Foram 3 edições que movimentaram a Comuna do Arvoredo, em dias de Maria Maria Espaço Cultural, sob realização do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, versando sobre cinema de ativismo e produções audiovisuais com diálogo entre as artes; sobre teatro, economia solidária e autonomia; e destacando a cultura do povo negro no Rio Grande do Sul. Todos entremeados com apresentações musicais diversas, que divertiram os presentes e o público online, e finalizando sempre com um filme produzido pelo próprio Coletivo Catarse. A seguir, assista à última edição e às outras duas de 2025: Talk Exu #04 – Cultura Negra em DestaqueTambor de Sopapo, poesias e carnaval. Com Lilian Rocha, Edu do Nascimento e Paulinho do Areal. Atração musical “Meu Black É Rock”, de Matheu Corrêa. Ao final, uma versão reduzida do documentário “O Grande Tambor”. Talk Exu #03 – nós na economia solidária e NÓS em cia de teatroEconomia solidária e autonomia, com Gil Neves e Lisbet dos Santos, e os 18 anos da NÓS CIA DE TEATRO, com Everson Silva e Letícia Virtuoso, intercalado por intervenções musicais do artista Luís Valério e exibição ao final do curta-metragem P A R A L E L O. Talk Exu #02 – os filmes que lançamos no outono passadoAs três últimas produções audiovisuais do Coletivo, todas lançadas na segunda quinzena de junho: os documentários “Nóg kirĩg ãg tĩ / Nós, Guardiões da Mata”, sobre a retomada Kaingang no Morro Santana, e “Cooperar é Resistir”, contando a história da PedalExpress, um coletivo de entregas que se utiliza de bicicletas em Porto Alegre; finalizando com o curta-metragem de ficção “Enquanto a Luz Não Chega”, com bate-papo sobre os desafios de uma produção que mescla o audiovisual e o teatro de sombras, com exibição completa do filme ao final – também como parte do circuito de lançamento do mesmo. As entrevistas sobre as produções foram intercaladas por intervenções musicais da banda “Expresso Livre”, com Jéssica Nucci no vocal, acompanhada dos violões de Vicente Guindani e Nil Tavares. O Talk Exu, uma iniciativa autônoma do Coletivo Catarse, é parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Planta Somos e A Escola Assombrosa das Artes do Medo encerram as oficinas de Teatro do Ventre Livre

O dia 16/12, no Teatro Carlos Carvalho, Casa de Cultura Mário Quintana marcou o encerramento das Oficinas de Teatro Infantil do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre com a apresentação do espetáculo: A Escola Assombrosa das Artes do Medo. A abertura da noite foi marcada pela performance “Plantas Somos”, construída a partir da Oficina de Jogos Teatrais para Adultos do Ponto. Foram 6 meses de encontros que culminaram neste encontro final, onde os oficinandos puderam compartilhar com as famílias suas expressões artísticas e histórias criadas ao longo de todos estes meses. “Durante o primeiro semestre de Oficina, criamos um vinculo entre a pequena turma e começamos a abordar, além de princípios e fundamentos do teatro, a desinibição, a expressão corporal e emocional, a projeção vocal e nossa conexão em cena. Abordando temas sensíveis e extremamente importantes como questões de gênero. A apresentação foi impactante e muito comovente.”, Rê Amorim, oficineiro da turma das adultas. “A oficina, mais do que um resultado final, este trabalho foi a celebração de um processo: semanas de jogos teatrais, criação coletiva, improvisações, experimentações com corpo, voz, objetos e sucatarias, onde cada criança foi protagonista da sua própria invenção cênica.O palco foi ocupado por imaginação, trabalho compartilhado e muitas risadas.”, Lorena Sánchez, oficineira da turma das crianças. Agradecimento especial à Comuna do Arvoredo, pelo espaço, parceria e acolhimento, à Casa de Cultura Mário Quintana, e a todas as famílias que confiaram e caminharam junto nesse processo. Ficha técnica: Artistas (adultas): Anahi Fros, Cristina Pinheiro, Gislaine Almeida, Joana Braun e Temis Nicolaidis. Artistas (crianças): Vicente Maranhão de Oliveira, Alice Tabarkiewicz Machioli, Nina Bueno Noguez, Karim Zortea portaluppi, Bento Finstag Rosa Oliveira, Caetano de Brito Louzada, Ana Líbera Scarrone Neves, Mainô Türck, Nauê Bassi da Silva Fabrício Fros Fortes e Lúcia Miele Professora da oficina, direção do espetáculo e sonoplastia: @loresanchez_apaProfessor da oficina e direção da performance: Rê AmorimAssistência de produção: @temis.nicolaidisFotografia: @billy.valdezTrilha sonora original: Marcelo CougoIluminação: @lua_pasquiEquipe de apoio:@alexxandre_malta , Rê Amorim e @gugaturcknacatarsedalua e @mainoturck Realização: NIA – Núcleo de Investigação Artística do Coletivo Catarse / Ponto de Cultura e Saúde Ventre LivreProdução: Coletivo Catarse 𝘈 𝘢𝘵𝘪𝘷𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘨𝘳𝘢 𝘰 𝘱𝘳𝘰𝘫𝘦𝘵𝘰 “𝘗𝘰𝘯𝘵𝘰 𝘥𝘦 𝘊𝘶𝘭𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘦 Saúde 𝘝𝘦𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘓𝘪𝘷𝘳𝘦 – 𝘜𝘮 𝘢𝘯𝘰 𝘥𝘦 Programação 𝘯𝘢 𝘊𝘰𝘮𝘶𝘯𝘢 𝘥𝘰 𝘈𝘳𝘷𝘰𝘳𝘦𝘥𝘰 (𝘦 𝘮𝘢𝘪𝘴)”, 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘦𝘮𝘱𝘭𝘢𝘥𝘰 𝘱𝘦𝘭𝘰 𝘌𝘥𝘪𝘵𝘢𝘭 𝘚𝘦𝘥𝘢𝘤 𝘯° 25/2024 Política 𝘕𝘢𝘤𝘪𝘰𝘯𝘢𝘭 𝘈𝘭𝘥𝘪𝘳 𝘉𝘭𝘢𝘯𝘤 (𝘗𝘕𝘈𝘉) – 𝘙𝘚