Mateando vivências: Carijada Kaatártica na FLONA celebra o encontro e a tradição ancestral

Domingo, 1º de março e última Lua Cheia do Verão. Ao amanhecer, sigo rumo ao carijo. A brasa aquece a estrutura onde estão dispostos os cerca de 80 quilos de ramos da erva-mate, colhidos no dia anterior, e uma chaleira já chiando a água para matear. Dou bom dia aos viventes que resistiram à madrugada, de olho na secagem lenta sobre o calor brando do fogo, que não pode apagar. O colega cuidando da lenha me entrega, de pronto, uma pequena, mas gigante, tarefa: “Faz um mate pra nós? Naquele canto ali já tem umas folhas secas”. Não é qualquer um, mas o primeiro da carijada, iniciada na sexta-feira dia 27 de fevereiro. O evento – em sua segunda edição, esta possível graças ao apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da comunidade kaingang local – também é o primeiro realizado em uma unidade de conservação e, ainda por cima, dentro de uma aldeia kaingang, a Retomada Kógünh Mág (“erva grande“, em português). Busco as folhas que já se quebram ao tocar e as coloco no pilão da Nilda – uma das indígenas que plantou a semente da aldeia em que estamos e, quando ancestralizou, deixou a peça de herança para os filhos e netos. Entalhado com as duas metades kaingang, Kamé (Sol) e Kairu (Lua), o pilão é uma entidade em si. Peço a permissão para a cacica Iracema Gah Té, da Retomada Gãh Ré – localizada no Morro Santana, em Porto Alegre –, que, então, acena com a cabeça. Pilo um pouco e, por conta da mistura do cansaço acumulado com a curiosa expectativa que toma conta do ambiente, me contento com a moída grossa. Cevo, provo para aquecer a erva e passo adiante. Por suposto, o primeiro é da Kujá (xamã), que o saboreia, e segue a roda. Conforme passa de mão em mão, vai tornando-se unânime o veredito: a erva está excelente, com um amargor moderado e um defumado marcante. A impressão vai se reafirmando à medida que surgem novas possibilidades: outra cuia com uma moída fina, seguida de uma pura folha para, depois, seguir pela moídas mecânicas de dois soques distintos, uma fina e outra grossa, com mais galhos. O processo de feitio artesanal começou no dia anterior. Na manhã de sábado, foram podadas cerca de 20 árvores de erva-mate em meio à mata nativa. Já no início da tarde, as equipes finalizaram o manejo de dois pés plantados no pátio do professor Léo e recolheram grimpas de araucária e lenha. Na sequência, seguiu-se o processo de sapeco e encarijamento. Estas duas últimas etapas ocorreram com a adesão massiva da comunidade kaingang, movimento que contagiou os participantes da atividade – afinal, a carijada é um método tradicional de origem indígena, e o interesse da aldeia acabou por demonstrar a potência da ação. A erva foi, em fim, colocada no carijo para receber o calor de um fogo de brasa até próximo das 12h do dia seguinte. Após, foi cancheada, pilada, moída e distribuída. No total, o evento recebeu cerca de 20 inscritos, além de dez pessoas da equipe de produção, bem como a participação da comunidade kaingang e dos servidores do ICMBio, totalizando cerca de 50 participantes. Participaram desde bebês de colo e crianças até anciãs e anciões, cada um contribuindo segundo as suas possibilidades. Graças ao trabalho coletivo, o resultado foi uma carijada histórica. A estrutura do carijo foi mantida na FLONA para fins de educação sociambiental pelo ICMBio. Os galhos mais grossos foram encaminhados para famílias da Kógünh Mág e serão aproveitados como lenha. Os galhos mais finos, que sairam no cancheamento, seguiram a diversas mãos para serem aproveitados ou como chá-mate ou curtidos com cachaça. Os viventes voltaram, então, felizes para suas cidades: Porto Alegre, São Lourenço do Sul, São Francisco de Paula, Passo de Torres e Panambi. Outros permaneceram em Canela. Destes, é provável que alguns devam estar estranhando a calmaria na aldeia e na floresta, mas gerando um certo alívio da equipe da produção, que constantemente pedia por taquaras ou eucaliptos a serem manejados, ou por ferramentas a serem emprestadas. Também, certamente, ficou a saudade dos encontros, das prosas, das reflexões, do alimento compartilhado, feito sobre um fogão campeiro construído em uma clareira, das novas amizades ou reencontros inesperados. Estamos, desde então, relembrando dos bons momentos e saboreando o doce amargo de uma erva carregada de tantas histórias. Fica difícil não se perguntar: quando será a próxima? (em breve!) A atividade integra o Projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi FrosFotos:@coletivocatarseAmallia Brandolff – @amalliabrandolffBilly Valdez – @billy.valdezFuá – @marcielysalvadorKokoj (Roberta)Luís Gustavo – @libredasilva

Mapeando ervais nativos da FLONA

Dentro dos preparativos para a II Carijada Kaatártica, que será realizada nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1° de março, uma equipe do Coletivo Catarse visitou a Floresta Nacional de Canela (FLONA) no último dia 10. Com profissionais das áreas da Geografia e Comunicação e acompanhamento técnico do ICMBio, a equipe percorreu os 3 km da trilha da mata nativa buscando identificar e mapear os pés de erva-mate (Ilex paraguariensis) a serem podados durante a atividade na Unidade de Conservação (UC) federal de uso sustentável. Apenas nesse trecho, foram identificadas e georreferenciadas mais de 40 plantas.  Entre mudas e plantas jovens, características da mata em processo de regeneração, foram encontradas também plantas adultas, inclusive matrizes já com “filhotes” próximas. A matriarca do local, já conhecida do ICMBio, possui 12,7 metros de altura. Para efeito de comparação, as plantas em ervais cultivados tem uma média de 3 metros.  Ao longo da carijada, algumas serão podadas para a produção artesanal da erva-mate. O manejo não prejudicará as plantas, que são extremamente resistentes a podas. Ao contráro, a prática acaba sendo uma forma de renovação benéfica aos indivíduos. Para ajudar na recuperação posterior, será feita uma poda não tão radical, deixando algumas folhas e galhos para que possam seguir captando a luz solar neste final de verão, encaminhamento definido juntamente com Lisandro Signori, chefe da UC.   Estes cuidados extras estão sendo pensados justamente porque a FLONA é um espaço de cuidado com a natureza. Seu diferencial em relação a outras categorias de UCs – que permite que uma atividade como a carijada seja realizada – é justamente o incentivo para o manejo sustentável da biodiversidade nativa. Neste ano, a unidade completa 80 anos. Sua origem está ligada a uma iniciativa governamental de plantio de araucárias buscando incentivar a pesquisa e produção florestal relacionados à espécie, símbolo do planalto sul brasileiro. Presença Kaingang e a Kógünh Desde o ano de 2020, a FLONA é também o lar da comunidade kaingang da Retomada Kógünh Mág, de Canela. O próprio nome da aldeia, que em português significa erva grande, já demonstra a relação deste povo originário com a ilex. De fato, a planta é considerada sagrada pelos kaingang, que cultivam o hábito do chimarrão e também a utilizam para fins medicinais, espirituais e no batismo de pessoas e locais.  A comunidade, juntamente com a Retomada Kaingang Gah Ré, do Morro Santana em Porto Alegre, está apoiando o evento e irá compartilhar com os participantes um pouco da cultura kaingang e da relação deste povo originário com a erva-mate. Além disso, a aldeia também irá oferecer algumas comidas típicas kaingang e uma apresentação do grupo de dança tradicional da comunidade. A vivência está com as últimas inscrições abertas até quarta-feira (25/02). Inscreva-se neste formulário. Serviço O quê: II Carijada KaatárticaQuando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira a domingoOnde: Floresta Nacional de Canela (FLONA) – R. Otaviano Amaral Píres, n° 518, Canela/RS.Dúvidas: (51) 99298.7293 (WhatsApp, com Têmis) Inscrições: neste formulário. O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar. Programação: 27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco13h – Receptivo14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados17h – Montagem do cancheador 28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda9h – Manejo dos ervais nativos da Flona13h – Sapeco17h – Encarijamento e ronda 01/03 – Domingo – Moagem e distribuição9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque14h – Partilha da erva e despedida A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi FrosFotos: Billy Valdez

O soque se prepara para mais uma carijada

Na última quinta feira, 5 de fevereiro, uma equipe do Coletivo Catarse esteve em Triunfo, na propriedade do médico veterinário Fábio Haussen – parceiro de longa data, ele tem sido guardião do soque do Coletivo nos últimos anos. Adqurido em 2015 ao longo do Projeto Roda Carijo – que circulou realizando carijadas pelo interior do RS e exibindo o filme Carijo – o soque é um equipamento que facilita muito a produção artesanal de erva-mate. Suas 8 mãos de pilão e motor elétrico são de grande ajuda na moagem, última etapa da produção. Com a II Carijada Kaatártica marcada, a equipe encaminhou o soque ao marceneiro Juca Rocha para mais uma rodada de manutenção e ajustes. No caso do soque do coletivo, além de mais de uma década de uso, o equipamento também sofreu com a grande enchente de 2024. Com a cheia histórica no Rio Taquari, do qual a propriedade é vizinha, o soque ficou debaixo da água, juntamente com boa parte de Triunfo e do estado. Ainda em 2024, Juca conseguiu fazer uma primeira manutenção no equipamento, que participou no final de julho daquele ano da II Carijada Serrana no Caconde. Passados quase dois anos, o soque retornou na semana passada à oficina para novos reparos. Até porque a próxima carijada já tem data marcada. No último final de semana de fevereiro, dias 27 e 28 e 1° de março, será realizada a II Carijada Kaatártica. Esta edição se apresenta como uma oportunidade única, pois acontecerá na Floresta Nacional de Canela (FLONA), uma unidade de conservação voltada ao manejo sustentável dos ecossistemas florestais. Também estão apoiando o evento as retomadas Gah Ré e Kognhun Mag do povo Kaingang, respectivamente do Morro Santana, Porto Alegre, e Canela. Será um bom momento de se desfrutar os 500 hectares de belas paisagens do bioma Mata Atlântica da FLONA e vivenciar um pouco da cultura originária de povos originários como o Kaingang. Além, é claro da possibilidade de se produzir artesanalmente uma erva-mate pura e sem agrotóxicos. Serviço O quê: II Carijada KaatárticaQuando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira, sábado e domingoOnde: Floresta Nacional de Canela (FLONA), R. Otaviano Amaral Píres, N° 518, Canela/RS.Dúvidas por whats: (51) 99298.7293 (Têmis) Inscrições: neste formulário. O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar. Programação: 27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco  13h – Receptivo14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados. 17h – montagem do cancheador 28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda 9h – Manejo dos ervais nativos da Flona13h – Sapeco 17h – Encarijamento e ronda 01/03 – Domingo – Moagem e distribuição 9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque14h – Partilha da erva e despedida A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno Pedrotti

Carijada Kaatártica histórica ocorre no final de fevereiro na Floresta Nacional de Canela

A Floresta Nacional de Canela (FLONA) recebe nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1° de março a II Carijada Kaatártica. O método artesanal de processamento da erva-mate é uma realização do Coletivo Catarse com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e das retomadas kaingang Gah Ré, de Porto Alegre, e Kógünh Mág, de Canela. O evento representa um resgate de uma cultura original de produção em contraste com a industrialização da planta, que é base de bebidas tradicionais como o chimarrão, o tererê e o chá mate. A FLONA é uma Unidade de Conservação (UC) pública voltada à preservação da natureza por meio do uso sustentável da floresta, através da pesquisa e da educação ambiental, estando dedicada à proteção da Mata Atlântica, com mais de 500 hectares de área. Diferente dos parques, tem como foco estudar e aplicar formas responsáveis de se cuidar da natureza, mantendo os ecossistemas e recursos naturais resguardados. A unidade permitiu a realização do evento justamente pelo caráter sustentável do manejo, pois a poda das árvores de erva-mate não prejudica as plantas, ao contrário, auxilia no seu desenvolvimento. Ao longo da carijada, serão manejados diversos pés que se encontram dentro da área de mata nativa da UC.   A II Carijada Kaatártica ocorrerá no estilo vivência, detalhando cada etapa do processo, com duração de três dias (veja programação abaixo), culminando na manhã do domingo com a moagem e degustação de um mate puro, nativo, forte e originário. Esta é a 12ª segunda carijada que o Coletivo Catarse promove ou co-organiza, tendo também os cooperados do coletivo já participado de mais de 30 encontros do gênero. Com mais de uma década de trabalho no registro, divulgação e manutenção desta cultura, a cooperativa tem diversos materiais informativos sobre o tema. Vale destacar o Projeto Carijo: Herança do Conhecimento Ancestral na Fabricação Artesanal da Erva-Mate, realizado com o IPHAN em parceria com o biólogo Moisés da Luz. Por meio deste projeto, foram produzidos o documentário Carijo, o filme,  o livro Carijo, saber cultural do Rio Grande do Sul, símbolo de resistência e conhecimento indígena e camponês na fabricação artesanal de erva mate e a cartilha contendo o passo a passo para a produção artesanal no Carijo. Essa foi uma iniciativa que tornou possível a sistematização e registro daquilo que é um patrimônio imaterial da cultura brasileira e que corria risco de extinção. Carijada: patrimônio cultural vivo Carijada é um método tradicional indígena e importante patrimônio cultural vivo de secagem e processamento de erva-mate (Ilex paraguariensis) feito com o calor de um braseiro. A erva podada é colocada em uma estrutura chamada carijo, um estrado de taquara ou madeira, e recebe o calor de um fogo de chão, processo que dura um mínimo de 12 horas. Serviço O quê: II Carijada KaatárticaQuando: 27/02 a 01/03/2026 – sexta-feira a domingoOnde: Floresta Nacional de Canela (FLONA), R. Otaviano Amaral Píres, N° 518, Canela/RS.Dúvidas por whats: (51) 99298.7293 (Têmis) Inscrições: neste formulário. O que levar: equipamentos para acampar, pratos, copos e talheres, ferramentas para trabalho rural, se tiver (facão, serrote de poda, pilão), itens de higiene pessoal, roupas e sapatos para frio e umidade, repelente e protetor solar. Programação: 27/02 – Sexta-feira – Montagem do carijo e do sapeco  13h – Receptivo14h – Construção do carijo utilizando os materiais coletados17h – Montagem do cancheador 28/02 – Sábado – Colheita, sapeco e ronda 9h – Manejo dos ervais nativos da Flona13h – Sapeco 17h – Encarijamento e ronda 01/03 – Domingo – Moagem e distribuição 9h – Retirada da erva do carijo, cancheamento e soque14h – Partilha da erva e despedida A atividade integra o Projeto Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais), contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 PNAB – RS, realizado pelo Coletivo Catarse – Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi Fros

Tchê agenda! Histórico carijo multiétnico na FLONA de Canela

Nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1° de março, o Coletivo Catarse e seus parceiros irão realizar mais uma Carijada Kaatártica, desta vez na Floresta Nacional (FLONA) de Canela/RS – juntos, apoiando a atividade, estão as retomadas kaingang Gah Ré, de Porto Alegre, e Konhum Mag, de Canela, além do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Esta atividade de produção artesanal de erva-mate é especial por se entender ser a primeira, que se tem notícia, a ser realizada dentro de uma Unidade de Conservação (UC), já que estes espaços costumam ter regras mais rígidas em relação ao manejo de espécies nativas. Dessa forma, as carijadas acabam sendo geralmente organizadas em espaços de aldeias, propriedades particulares da agricultura familiar e outros espaços agroecológicos. Neste caso de Canela, na autorização para a realização do evento, o ICMBio destaca que, ao contrário de outras categorias de UC mais restritivas, as FLONAs têm como objetivo “o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais”. Levando-se em conta, portanto, o já comprovado caráter sustentável do manejo tradicional das plantas de erva-mate, Lisandro Signori, chefe da unidade conclui: A colheita de folha da erva-mate, nos moldes propostos neste evento, é uma atividade perfeitamente compatível com o Plano de Manejo desta Unidade de Conservação e desejável pelos aspectos de divulgação, educação ambiental e lazer em contato com a natureza, difusão de prática de uso múltiplo dos recursos naturais, além de identificação com a cultura local, no caso o hábito de tomar chimarrão muito presente no Estado do Rio Grande do Sul. E essa cultura de tomar chimarrão tem sua origem justamente na cultura dos povos indígenas, originários desta terra. Por isso, a parceria das comunidades kaingang também acrescenta muito ao evento. Como tantos outros povos do cone sul, os kaingang já se relacionavam com a erva-mate, chamada de kógünh no seu idioma originário, muito antes da invasão do continente. A planta segue presente no cotidiano das aldeias, tanto no chimarrão quanto em outros usos como benzimento e até mesmo dando nome a pessoas, comunidades e localidades. Aliás, a ilex está cada vez mais presente nas comunidades indígenas com os processos de retomada de territórios com mata nativa, como é exatamente o caso da Konhun Mag na FLONA, ou mesmo com o replantio em territórios sem ervais nativos, como a Retomada Gah Ré vem fazendo. Para alinhar os detalhes logísticos do evento com os gestores do ICMBio e lideranças da Retomada Kaingang Konhun Mag, a equipe do Coletivo Catarse fez uma visita até a FLONA no dia 17 de dezembro de 2025 contando com a presença da kujá Gah Té, da Retomada Kaingang do Morro Santana. Foi um momento importante para se detalhar melhor a atividade tanto para os biólogos quanto para os indígenas. Gustavo Turck, diretor do filme Carijo (assista!), explicou como é realizado este processo e quais os materiais seriam importantes. Já a kujá (“curandeira/pajé”) Gah Té recordou aos seus parentes a importância da relação direta com a erva-mate, que vivenciou na sua juventude na aldeia de Mangueirinha-PR, onde os indígenas colhiam e faziam a própria erva. Ao lado do local em que se pensou em montar o acampamento, a liderança já identificou uma planta a ser podada na atividade, inclusive. E não faltam pés de erva-mate nas matas da FLONA. Com mais de 500 hectares de área protegidos pela Unidade de Conservação, o espaço público, aberto e gratuito ultrapassa 250 hectares de Mata Atlântica, com destaque para espécies como araucária, xaxim, taquaruçu e, claro, a Ilex paraguariensis. Entre as espécies exóticas e invasoras, que vêm sendo manejadas dentro da unidade, algumas já serão utilizadas na atividade, como o eucalipto para a lenha e estrutura do carijo. Neste contexto de Mata Atlântica exuberante, a atividade se apresenta como uma oportunidade de imersão na natureza e de vivenciar a relação ancestral com a erva-mate, árvore símbolo do RS. Graças ao apoio e participação da comunidade Kaingang, também será possível conhecer um pouco da cultura deste povo, um dos que mantém a memória viva da Kógünh. Por fim, o apoio do ICMBio faz desta uma carijada única, reforçando e reconhecendo oficialmente o caráter sustentável do manejo artesanal da erva-mate no método de carijo ao acolher a atividade neste local dedicado à conservação da natureza. A atividade acontecerá no estilo vivência, com inscrições dos participantes (aguarde!), em que será detalhado cada etapa do processo, de duração de três dias, culminando com uma manhã de domingo de moagem e degustção de um mate puro, nativo, forte e originário! Não dá pra perder essa chance né? Então, tchê agenda: O Que:Carijo na FLONAQuando: 27/02 a 01/03/2026Onde: Floresta Nacional de Canela, R. Otaviano Amaral Pires, N° 518, Canela/RS. Texto e fotos: Bruno Pedrotti – Esta atividade é parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva.

Planta Somos e A Escola Assombrosa das Artes do Medo encerram as oficinas de Teatro do Ventre Livre

O dia 16/12, no Teatro Carlos Carvalho, Casa de Cultura Mário Quintana marcou o encerramento das Oficinas de Teatro Infantil do Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre com a apresentação do espetáculo: A Escola Assombrosa das Artes do Medo. A abertura da noite foi marcada pela performance “Plantas Somos”, construída a partir da Oficina de Jogos Teatrais para Adultos do Ponto. Foram 6 meses de encontros que culminaram neste encontro final, onde os oficinandos puderam compartilhar com as famílias suas expressões artísticas e histórias criadas ao longo de todos estes meses. “Durante o primeiro semestre de Oficina, criamos um vinculo entre a pequena turma e começamos a abordar, além de princípios e fundamentos do teatro, a desinibição, a expressão corporal e emocional, a projeção vocal e nossa conexão em cena. Abordando temas sensíveis e extremamente importantes como questões de gênero. A apresentação foi impactante e muito comovente.”, Rê Amorim, oficineiro da turma das adultas. “A oficina, mais do que um resultado final, este trabalho foi a celebração de um processo: semanas de jogos teatrais, criação coletiva, improvisações, experimentações com corpo, voz, objetos e sucatarias, onde cada criança foi protagonista da sua própria invenção cênica.O palco foi ocupado por imaginação, trabalho compartilhado e muitas risadas.”, Lorena Sánchez, oficineira da turma das crianças. Agradecimento especial à Comuna do Arvoredo, pelo espaço, parceria e acolhimento, à Casa de Cultura Mário Quintana, e a todas as famílias que confiaram e caminharam junto nesse processo. Ficha técnica: Artistas (adultas): Anahi Fros, Cristina Pinheiro, Gislaine Almeida, Joana Braun e Temis Nicolaidis. Artistas (crianças): Vicente Maranhão de Oliveira, Alice Tabarkiewicz Machioli, Nina Bueno Noguez, Karim Zortea portaluppi, Bento Finstag Rosa Oliveira, Caetano de Brito Louzada, Ana Líbera Scarrone Neves, Mainô Türck, Nauê Bassi da Silva Fabrício Fros Fortes e Lúcia Miele Professora da oficina, direção do espetáculo e sonoplastia: @loresanchez_apaProfessor da oficina e direção da performance: Rê AmorimAssistência de produção: @temis.nicolaidisFotografia: @billy.valdezTrilha sonora original: Marcelo CougoIluminação: @lua_pasquiEquipe de apoio:@alexxandre_malta , Rê Amorim e @gugaturcknacatarsedalua e @mainoturck Realização: NIA – Núcleo de Investigação Artística do Coletivo Catarse / Ponto de Cultura e Saúde Ventre LivreProdução: Coletivo Catarse 𝘈 𝘢𝘵𝘪𝘷𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘨𝘳𝘢 𝘰 𝘱𝘳𝘰𝘫𝘦𝘵𝘰 “𝘗𝘰𝘯𝘵𝘰 𝘥𝘦 𝘊𝘶𝘭𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘦 Saúde 𝘝𝘦𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘓𝘪𝘷𝘳𝘦 – 𝘜𝘮 𝘢𝘯𝘰 𝘥𝘦 Programação 𝘯𝘢 𝘊𝘰𝘮𝘶𝘯𝘢 𝘥𝘰 𝘈𝘳𝘷𝘰𝘳𝘦𝘥𝘰 (𝘦 𝘮𝘢𝘪𝘴)”, 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘦𝘮𝘱𝘭𝘢𝘥𝘰 𝘱𝘦𝘭𝘰 𝘌𝘥𝘪𝘵𝘢𝘭 𝘚𝘦𝘥𝘢𝘤 𝘯° 25/2024 Política 𝘕𝘢𝘤𝘪𝘰𝘯𝘢𝘭 𝘈𝘭𝘥𝘪𝘳 𝘉𝘭𝘢𝘯𝘤 (𝘗𝘕𝘈𝘉) – 𝘙𝘚

Talk Exu #4 coloca a cultura negra em destaque

Tambor de sopapo, poesias e Carnaval são foco do programa, que ocorre ao vivo no Centro Histórico de Porto Alegre O projeto Talk Exu, do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, chega ao seu quarto episódio com a pauta “Tambor de sopapo, poesias e Carnaval: a cultura negra em destaque”. O programa ocorre no dia 19 de dezembro, sexta-feira, a partir das 20h, na Maria Maria Espaço Cultural, junto à Comuna do Arvoredo, no Centro Histórico de Porto Alegre. O local será adaptado para servir de estúdio e receber convidados e público. O talk show é aberto e com acesso gratuito desde às 19h e será transmitido ao vivo pelo canal no YouTube do Coletivo Catarse. O Talk Exu, uma iniciativa autônoma do Coletivo Catarse, é parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS – Cultura Viva. No âmbito da proposta, também estão previstas e já em execução pelo menos 40 atividades culturais diversas na Comuna do Arvoredo, em coprodução com a Maria Maria Espaço Cultural, até maio de 2026. Serão contemplados cerca de 100 artistas locais, além da realização de oficinas de teatro para crianças e adultas – com espetáculos ocorrendo no dia 16 de dezembro, no Teatro Carlos Carvalho, da Casa de Cultura Mario Quintana –, uma atividade de carijada – produção artesanal de erva-mate –, entre outras ações. Talk Exu #4 | Convidados Lilian RochaNatural de Porto Alegre, Lilian é analista clínica e musicista. Nasceu poeta e tem sete livros autorais, sendo o mais recente lançamento Úmida (2025). Integrante da Coordenação do Sarau Sopapo Poético – Ponto Negro da Poesia, vice-presidente da Academia de Letras do Brasil – Seccional RS (AJEB RS), vice-presidente Social da Associação Gaúcha de Escritores, vice-presidente da Sociedade Partenon Literário, Conselheira Fiscal da AJEB RS (2024/2026) e integrante de inúmeras agremiações literárias nacionais e internacionais. Foi patrona da Feira do Livro de Canoas/RS em 2021 e curadora da Feira do Livro de Porto Alegre (2024/2025). Paulinho do ArealNascido na Travessa dos Venezianos, Paulinho é referência Quilombola e pesquisador da cultura popular, estando envolvido com o Carnaval desde criança. Entrou oficialmente na bateria da Imperadores do Samba em 1986, saindo todos os anos nos desfiles carnavalescos da escola. Foi ensaiador da escola Integração Areal da Baronesa Filhos da Candinha e Acadêmicos da Orgia. Em 2003, fundou o projeto Areal do Futuro e o migrou para dentro do quilombo Areal da Baronesa como uma escola de samba e um projeto cultural formado por crianças, jovens e adultos da comunidade. Atualmente, integra a Comissão de Carnaval de Rua de POA e é mestre da bateria do Areal do Futuro. Edu do NascimentoProdutor cultural, músico, ator, escritor, tocador de Sopapo, fundador do Ponto de Cultura Cabobu e educador social. Tocou com diversos músicos brasileiros, destacando-se o Mestre Giba Giba. Fundou a Banda Lugarejo, que homenageia seu pai (Giba Giba) levando seu legado e historicidade. Fundou o grupo SOPAPARIA junto com o Mestre Paulo Romeu, do Afro Sul, e o bloco de rua Cuidado Que já nos Viram. Tocou no Serrote Preto, Banda Anos Blues, Gerônimo Jardim, Toneco da Costa, Fernando do Ó, Jorginho do Trompete, Marcos Farias e Bloco Areal do Futuro, entre outros. ATRAÇÃO MUSICAL | Meu Black É Rock, com Matheu CorrêaNascido em Porto Alegre e radicado em Viamão, Matheu Corrêa venceu o Prêmio Açorianos nas categorias Revelação e Instrumentista de 2020 com seu álbum de estreia, Meu Black É Rock (2019). Com referências dos afro-gaúchos Luis Vagner, Giba Giba, Matheu constrói sua sonoridade que funde rock, soul funk, blues e a africanidade do tambor. Assessoria de Imprensa Coletivo Catarse: Anahi Fros

Cine Kafuné Itinerante na Retomada Gah Ré

O Projeto Cine Kafuné Itinerante ganhou mais uma sessão, reunindo dezenas de pessoas da comunidade kaingang e dos dois Pontos de Cultura (Cine Kafuné e Coletivo Catarse). O cinema comunitário ocorreu no dia 13 de novembro, na Retomada Gah Ré. Entre tantas possibilidades de filmes a serem exibidos, foi escolhido justamente o documentário que conta a história da comunidade: Nóg kirìg ãg tì / Nós, Guardiões da Mata. Dirigido pela Cacica Iracema Gah Té em parceria com Luis Gustavo Ruwer, do Catarse, a obra acompanhou a trajetória de três anos de luta pelo território aos pés do Morro Santana, zona leste de Porto Alegre. Kapri e Karindé, lideranças comunitárias presentes, reforçaram a importância de assistir novamente o filme para lembrar, principalmente aos mais novos, de toda a mobilização que tem garantido a permanência no local. E, de fato, a juventude da comunidade esteve presente, desde as adolescentes até as crianças, que estão começando a dar seus primeiros passos pela aldeia. Além de atualizar a memória coletiva, recordando daquilo que a comunidade tem vivido ao longo do processo de luta pelo direito ao território, o encontro também foi importante para fortalecer novas parcerias. Da aproximação entre a comunidade indígena e o grupo de realizadores periféricos, infinitas possibilidades deram o indicativo de que podem vir a brotar, tanto no campo da cultura quanto politicamente. Afinal de contas, como dizia Antônio Bispo, liderança quilombola, o encontro entre aldeias, quilombos e favelas tem o poder de “derreter o asfalto”. O projeto é uma realização do Cine Kafuné, cineclube e ponto de cultura de Porto Alegre voltado para temáticas e realizadores periféricos, e que há mais de 20 anos promove a representatividade negra e a comunicação comunitária. Esta edição teve ainda o apoio do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre e da Retomada Gah Ré. Texto: Bruno PedrottiEdição: Anahi Fros

2° episódio do Videocast do Coletivo Catarse – sobre o Ritmo e Poesia das Vozes Indígenas do Brasil

Na segunda edição, gravado em 26/11, no Estúdio Monstro, estavam presentes Kapri Kaingang, liderança da Retomada Gãh Ré, de Porto Alegre, Vera Kaninhka, também Kaingang, artista gráfica (grafiteira!), também da capital dos gaúchos, e o rapper Owerá, Guarani Mbyá, participando online direto do litoral de São Paulo. São mais vozes somadas, contando suas experiências e visões sobre como o Movimento Hip Hop se envolve e contrubui na realidade de vida e de lutas de todas as etnias indígenas. A reflexão da música como ferramenta de comunicação e da existência permanente do RAP como expressão que interlaça os tipos linguísticos e que estimulou historicamente as conquistas, inclusive, em meio urbano, se complementou com o trabalho de quem enxerga o próprio corpo como um muro a ser grafitado – de formas figurativa e concreta. Os 2 episódios devem ser lançados já na semana que vem, início de dezembro. Não perca! A seguir, os clipes apresentados no videocast. Acesse o clipe de Owerá clicando aqui! Com o título de “No Ritmo e Poesia das Vozes Indígenas do Brasil”, o projeto tem dois episódios e vai ao ar no início de dezembro, fazendo parte do Programa Decola Hip Hop – uma iniciativa histórica da Secretaria de Cultura Hip Hop do RS e da Ong Suve (confere aqui). Na equipe, apresentando estavam Gustavo Türck e Marcelo Cougo, com filmagem de Billy Valdez e Vherá Xunú, da etnia Guarani, parceiro de longa data do Coletivo Catarse.

Sementes de Liberdade: FAG celebra 30 anos de anarquismo na Comuna do Arvoredo

O vermelho e o negro pintaram a Maria Maria Espaço Cultural, junto à Comuna do Arvoredo, no Centro Histórico de Porto Alegre, no sábado, 23 de novembro. O espaço, que tem as lutas feministas e antirracistas como pilares, acolheu a celebração memorável das três décadas da Federação Anarquista Gaúcha (FAG). Ao entardecer, a militância libertária se reuniu nas calçadas em frente à Maria Maria, com banquinha de livros e camisetas, faixas, bandeiras e cartazes que estampavam o lema: “30 ANOS SEMEANDO SOCIALISMO LIBERTÁRIO”.  Um jogral construído a muitas vozes marcou o início da atividade, ecoando pelas calçadas  e atraindo o olhar dos passantes. Dentro da garajona, como também é chamado o espaço, seguiu o ato político com falas de Lorena e Carmen. As manifestações das companheiras da FAG navegaram pela história da organização, relembrando marcos e conquistas das últimas três décadas: “Nossa memória é instrumento de luta. Quando olhamos para trás, para a história do que nos moldou, vemos a face calejada de lutadores e lutadoras do povo oprimido. (…)  Somos frutos desses fragmentos de memória, das resistências populares na América Latina e no Brasil, das greves gerais, das insurreições populares, das lutas dos povos originários, camponeses, quilombolas, das favelas e periferias, dos lombos que não se curvaram à dominação.” Federação Anarquista Gaúcha Palmas, vivas e o lema “Lutar, criar poder popular!” encerraram o discurso carregado de convicção. Em seguida, a palavra foi passada para os anfitriões da casa: Nat, representando a Comuna do Arvoredo, Márcia, do Maria Maria Espaço Cultural, e Ruwer, pelo Coletivo Catarse. Pepe, militante da Federação Anarquista Uruguaia, encerrou o momento das falas trazendo saudações libertárias diretamente de Montevidéu. Abriu-se a programação cultural, com os artistas Drosa, Persona e Insano, do grupo de rap e poesia Noiarte da Região Metropolitana de Porto Alegre, seguido pela cantora Nanci Araújo, do Utopia e Luta. A dupla “Duas Guitarras”, formada por Julio Cruz, do Morro Santana, e o chileno Elias, trouxe um vasto repertório cancionerio latinoamericano. Em seguida foi a vez do pelotense Pedro Kowa apresentar canções autorais.  Na sequência, o palco foi aberto e apareceram algumas surpresas: Marcelo, vocalista da La Digna Rabia, e Lalo, músico uruguaio, morador da Comuna, apresentaram alguns clássicos da banda, que se apresentou pela primeira vez numa festa de 15 anos da FAG. E, para fechar a noite, algumas compas anarquistas ocuparam os microfones e apresentaram um canto feminista.  A SABER Fundada em 18 de novembro de 1995, a FAG celebra uma trajetória dedicada à construção do anarquismo especifista, vertente do socialismo libertário e germinada no sul global. Sob forte influência da Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e alimentada pelas lutas populares da América Latina, no Brasil, a ideologia é levada adiante pela Coordenação Anarquista Brasileira (CAB). A celebração dos 30 anos da FAG é um lembrete de que a revolução também é feita de afeto, como diria Emma Goldman “se eu não puder dançar, não é minha revolução”. – As atividades desenvolvidas no Maria Maria Espaço Cultural fazem parte da programação do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)” contemplado no Edital Sedac nº 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.