‘Vasalisa, a Sabida’ teve estreia no Teatro dos Vampiros e 14º Festia

Espetáculo nasceu de forma independente, explorando multilinguagens na sua composição para falar sobre intuição feminina. Numa coprodução Coletivo Catarse/Ponto de Cultura Ventre Livre, Projeta Matricêntrica e La Lola Produtora, a obra Vasalisa, a Sabida, que estreou em setembro, parte do conto tradicional russo Vassilisa, a Bela – ressignificado pela psicóloga junguiana e escritora Clarissa Pinkóla Estés no livro Mulheres que correm com os lobos –, recriando, em linguagem contemporânea, uma jornada simbólica de amadurecimento e empoderamento feminino que exalta a força da intuição. Com duração de 30 minutos, a montagem assume o formato de audiodrama, propondo uma experiência sensorial marcada por um trabalho sonoro envolvente, que cria atmosferas e paisagens imagéticas. Sons, trilha sonora original, vozes e manipulação de objetos se alinham a recursos de teatro de animação, dança, luz e sombra, costurando uma narrativa multilinguagem. A história acompanha uma jovem guiada por uma boneca mágica – presente da mãe em seu leito de morte –, que é colocada à prova, tendo que atravessar uma floresta misteriosa até encontrar a temida bruxa Baba Yaga. Mais do que narrar um conto, o espetáculo convida o público a mergulhar em um ritual de escuta, memória e imaginação. O trabalho vai além do entretenimento, propondo reflexões sobre a valorização das subjetividades femininas, a intuição como ferramenta de percepção da realidade, a conexão com os ciclos da vida e a celebração da sabedoria que habita cada um de nós. O projeto teve seu processo intensificado em maio de 2025 e, em agosto, contou com um ensaio aberto no Salão da Comuna do Arvoredo no Centro Hsistórico de Porto Alegre. Em 5 de setembro, estreou oficialmente no Teatro dos Vampiros, localizado no Café Mal Assombrado, e participando ainda da abertura do 14º Festival de Teatro Popular (Festia), em Canoas, ampliando sua circulação em diálogo com diferentes territórios e públicos. Estreia no Teatro do SESC Canoas durante o 14º Festia. Fotos: Grupo Tia O Coletivo Catarse, reconhecido como Ponto de Cultura e Saúde pela Política Nacional Cultura Viva desde 2008 e hoje situado no Centro Histórico de Porto Alegre, na Comuna do Arvoredo, atua fortemente em rede locais e nacionais. Já esteve envolvido em produções teatrais como Língua Lâmina (teatro literário), Faces de Eva (teatro musical), além de manter forte parceria com a Cia Teatro Lumbra, referência no teatro de sombras, além de outras colaborações com coletivos cênicos como Trupi di Trapu e NÓS CIA DE TEATRO. Com direção cênica de Lorena Sánchez e criação de Aline Ferraz e Têmis Nicolaidis, além da trilha sonora original de Marcelo Cougo e Marcelo Égüez, “Vasalisa, a Sabida” reafirma a potência da criação coletiva e multilinguagem, apostando na escuta e no sensível como caminhos de resistência e transformação. Ficha técnica Aline Ferraz – Atuação, produção, roteiro em áudio, dramaturgia, cenário e elementos cênicos e figurinosTêmis Nicolaidis – Atuação, iluminação, produção, roteiro em áudio, dramaturgia, cenário e elementos cênicos e figurinosLorena Sánchez – Direção e produçãoMarcelo Cougo e Marcelo Égüez – Trilha sonora originalBilly Valdez – Registro fotográficoGustavo Türck – Tratamento de som e masterizaçãoEthiéne Guerra – Assistência e confecção de figurinos AgradecimentosRaul Voges, Alexandre Fávero, Comuna do Arvoredo e Mainô RealizaçãoNúcleo de Teatro do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura Saúde Ventre Livre CoproduçãoProjeta Matricêntrica e La Lola Produtora ApoioComuna do Arvoredo

Cultura Carijeira viva e acesa no RS

Na contramão da mecanização da indústria ervateira, grupos, comunidades e coletivos seguem construindo carijos. No último final de semana de agosto, chegou ao Coletivo Catarse informações e convites da realização de pelo menos 5 carijadas diferentes no estado. Calculam-se cerca de 75 pessoas reunidas simultaneamente em 5 municípios diferentes no sul, centro, litoral norte e serra do Rio Grande do Sul – que, juntas, produziram mais de 150 kg de erva-mate artesanal. Mas por que a ocorrência de tantos eventos deste tipo ao mesmo tempo? Compreende-se que o fator ambiental possa ter uma contribuição fundamental para o timing desse final de semana de agosto – afinal, este é o período do ano que marca o final da dormência em plantas como a Ilex, uma época ideal para a poda. Mas, também, entende-se como uma obviedade que tantas atividades acontecendo simultaneamente fazem parte de um movimento espontâneo que reforça o fato de que a cultura carijeira está viva e extremamente ativa no estado, com um grande número de grupos se relacionando preiodicamente com este modelo de produção artesanal tanto por meio de vivências abertas quanto pela produção para autoconsumo e comercialização. Para Moisés da Luz, a quantidade grande de coletivos e grupos se relacionando com o carijo não é por acaso, mas é fruto de um processo de cerca de vinte anos de formação de multiplicadores dessa cultura. O biólogo explica que isso se iniciou em 2005 com a organização de encontros abertos de carijadas a partir da vivência que tinha com seus pais e avós. “Fomos gerando pessoas multiplicadoras da prática e motivando outras a retomar o saber-fazer de seus ancestrais”, reflete. Esse processo de formação de multiplicadores passa não só por vivências práticas, mas também pela sistematização deste modelo artesanal por meio de trabalhos acadêmicos, como a dissertação de mestrado Carijos e barbaquás no Rio Grande do Sul: resistência camponesa e conservação ambiental no âmbito da fabricação artesanal de erva-mate, de autoria de Moisés e editado também como livro e base de pesquisa para o documentário “Carijo, o filme”. Entre outros materiais, vale citar também o site, a cartilha passo a passo e o audiodocumentário em podcast “Kaárijo”. Entre os resultados desta ação continuada, o biológo cita a patrimonialização da erva-mate, considerando o saber fazer tradicional guarani; a retomada e releitura da história da erva-mate e o reconhecimento de que a erva-mate e seu processo de feitio é de origem indígena (mbyá guarani, kaingang, etc.); o questionamento do conceito de gaúcho da maneira como é trazido pelo tradicionalismo; o aprendizado e autonomia quanto a processar a erva-mate; e o incentivo para as pessoas conhecerem e valorizarem o mundo da agroecologia, das agroflorestas e do viver no campo e a proteção às florestas nativas. Moisés percebe também uma difusão maior de carijos pelo estado, principalmente, nas “regiões mais florestadas, onde os ecossistemas nativos estão mais preservados e entre públicos identificados com a agroecologia, o bem viver, os povos indígenas, autonomia camponesa e de coletivos”. Esta percepção se reforça quando olhamos as carijadas realizadas no último final de semana, tendo como protagonistas grupos e espaços agroecológicos e comunidades indígenas. Em Nova Petrópolis, serra gaúcha, 6 pessoas produziram aproximadamente 20 kg de erva. Foi a primeira carijada organizada pelo Sítio Grūnes Paradies, e as plantas podadas no preparo foram cultivadas no próprio local. Duas das organizadoras haviam participado do primeiro Carijo Serrano Caconde (realizado em São Francisco de Paula em 2022). Já na região sul do estado, em São Lourenço do Sul, 20 pessoas produziram entre 50 e 60 kg. A atividade foi a segunda carijada realizada pelos sítios Enlaçador de Mundos e Espinilho neste ano. As plantas vieram de um erval nativo do Sr. Elmo Blank, antigo produtor de erva-mate da região. Foram manejadas 5 plantas indicadas pelo produtor, que não eram podadas há dez anos. No Vale do Rio Pardo, em Santa Cruz do Sul, a Ecovila Karaguatá organizou a sua segunda carijada. Novamente a erva veio do sítio Cepa Cipó, de Amadeu Krebs, rebrotada depois da primeira carijada no final de 2023. Foram produzidos 13 kg durante a vivência, pela qual circularam 15 pessoas. Em Maquiné, litoral norte do estado, mais ou menos 20 kg de erva-mate foram produzidos, contando também uma pequena produção de chá mate. Foi o primeiro feitio com mudas plantadas no Vale do Rio Ligeiro, reunindo 14 pessoas, em sua maioria vizinhos da região. A iniciativa veio de Kátia Zanini (mobilizadora do Centro de Vivências Vale do Ligeiro, que tem ervas plantadas, mas ainda pequenas) em parceria com Leandro Umman, que tem um plantio de 260 pés de erva-mate no espaço Alma-Viva. Os organizadores também já fizeram uma carijada em Minas Gerais. A família de Kátia Zanini, inclusive, também foi a responsável pela primeira carijada em que integrantes do Coletivo Catarse se fizeram presentes, em Sertão Santana, na primeira década dos anos 2000. Por último, mas não menos importante, a rede do carijo da Amizade realizou sua quarta(!) carijada de 2025. Com organização do Sítio da Amizade e parceiros junto à comunidade mbyá guarani da Tekoá Yvyty Porã (Serra Bonita), em Riozinho. Cerca de 20 pessoas trabalharam coletivamente no feitio de 50 kg, manejando o erval nativo da comunidade indígena. Os povos orginários, aliás, vêm tendo um forte protagonismo no feitio de erva-mate no Carijo no RS. Além da Yvyty Porã, a Tekoá Kaamirindy – também do povo mbyá guarani e localizada no município de Camaquã – produz carijadas regularmente para venda da erva-mate, gerando trabalho e renda para as famílias a partir desta planta de grande importância cultural e espiritual para os guarani. Recentemente, também a comunidade guarani da Tekoá Anhatenguá, na Lomba do Pinheiro em Porto Alegre, realizou sua primeira carijada com apoio do IECAM. E no norte do estado, em Erval Grande, a aldeia Ponkry Chaig (Pinheiro Preto), do povo Dofurêm Guaianá, também vem fazendo a produção de erva de carijo. A Seiva Rebelde, além de uma prática de resgate do Congon Guainá, também abastece o autoconsumo das famílias e a …

Um mundo em uma caixa

Entre os dias 10 e 16 de agosto, no Ponto de Cultura Vale Arvoredo, em Morro Reuter, aconteceu o retiro artístico RETIRAMBE – um encontro de imersão artística de Teatro Lambe Lambe. Durante os 7 dias, foram criadas histórias que coubessem em uma caixa, em que um espectador torna-se uma plateia inteira. A delicadeza de uma dramaturgia em miniatura contrasta com as potentes possibilidades que este tipo de linguagem poética pode atingir. O retiro teve condução de Denise Di Santos, considerada uma das cocriadoras do Lambe. Ao final, no sábado, uma apresentação coletiva, com “casa cheia” em cada espetáculo – mais de uma vez! – e a participação de Ubiratan Carlos Gomes, com sua viola caipira, trazendo trilha sonora ao vivo e contos de sua carreira como criador do grupo Anima Sonho de teatro de bonecos, juntamente a seu irmão Tiarajú Carlos Gomes. Registros por Têmis Nicolaidis, nesta visita que o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre fez no dia 16.

Banda Neptunn lança videoclipe do single Neptunn Rise

A banda gaúcha de Death Metal Neptunn lançou no dia 10 de agosto um novo single, Neptunn Rise, acompanhado de um videoclipe que contou com a produção dos cooperados Billy Valdez e Bruno Pedrotti, do Coletivo Catarse, em mais uma parceria com o grupo. O resultado traz os músicos tocando em uma espécie de “vazio” habitado por Netuno, que vem buscando por sua ascensão, como se estivesse em uma constante reflexão de sua existência atrás de autoconhecimento e evolução. Confira os registros da maquiagem artística, que, por quatro horas, contou com a dedicação e talento da profissional Kaiane de Almeida, e do processo de filmagem do videoclipe (link ao final). O videoclipe foi filmado em dois dias, tendo contado com duas distintas locações, com gravação das imagens da banda no Estúdio Legato. As gravações do personagem Netuno transformaram a Garajona da Comuna do Arvoredo em um “cubo preto” para a captação das imagens. Além da produção do videoclipe, o Coletivo Catarse foi responsável por uma sessão de fotos promocionais com a banda e com Netuno. Confira! Direção de fotografia e captação das imagens pelo cooperado Billy Valdez. Assista Neptunn Rise. Ficha técnicaMúsica: Neptunn RiseMixagem: Renato OsórioGravação da bateria: Thiago Caurio no Black Stork Studio VideoclipeDireção e edição: Bruno FogaçaDireção de fotografia: Billy ValdezAuxiliar de produção: Bruno PedrottiMaquiagem artística: Kaiane de AlmeidaAtor: Carlos Loureiro Formação atual da NeptunnLarissa Pires: vozNathália Ernst: baixoMatheus Montenegro: bateriaRafael Giovanoli: guitarra Texto: Billy ValdezRevisão: Anahi Fros

Um pouco de Nós

A Nós Companhia de Teatro é um rizoma gigante de pessoas, ideias, feitos e afetos que existe há 21 anos expressando arte através do drama, da comédia, da poesia. Celebrando esse longo caminho, conversamos com Everson Silva, um dos fundadores e diretores da companhia, para entender melhor a dimensão deste grupo que tem seus limites re-traçados a todo momento, a cada novo processo artístico. 1 – Fala um pouco sobre a tua trajetória de artista e o que te motiva a continuar fazendo arte? Sempre fui um artista autoral e independente, de formação pedagógica. Sempre trabalhei com uma característica de criação e produção em grupo, meus trabalhos se tornam um meio de relação externa com o meu interior. A cada obra desenvolvo e pesquiso uma linguagem, um método, uma relação a ser explorada.  Apesar de ser uma vida de grande trabalho e pouco recurso, a arte alimenta o meu ser criativo e a ferramenta teatro é um elo com a sociedade. Dentro do teatro me relaciono com as pessoas mais interessantes, desenvolvo arte, experimento coisas novas, crio, movimento o corpo e, por algum motivo, não consigo deixar de fazer. Já pensei em seguir outros rumos diversas vezes e por vários motivos, mas logo minha cabeça e corpo recebem um novo roteiro, uma nova ideia, um novo estímulo à criação da cena. Esses mundos me encantam, asim como os artistas da cena. Tenho 21 anos de dedicação à arte do teatro e nesses anos, 26 obras sendo dirigidas por mim. E assim vou indo… Entre caminhos… 2 – Sobre a Nós Companhia de Teatro. Como surge, quem faz e como se organiza para fazer acontecer? A Nós Companhia de Teatro surge a partir do momento que eu identifico um pulso por dirigir. Tipo, esse espetáculo precisa existir. E aí, a partir do momento em que esses espetáculos começam a tomar conta da minha cabeça, eu começo a tentar juntar amigos que topem essa ideia de montar esses espetáculos. E isso vai acontecendo. Aos poucos, claro, a Nós Companhia de Teatro tem 18 anos. Eu tenho 20, 21 anos de teatro. Eu entrei na UFRGS para fazer artes cênicas, eu fiz dois anos e não me formei, depois fiz pedagogia. Mas esse período todo de ficar fazendo teatro, que eu geralmente não conto na academia, ele começou a me buscar desse lugar de que eu não conseguia achar uma estrutura mais interessante. E aí eu comecei a criar espetáculos e as pessoas começaram a vir a montar comigo. Como é que ela se organiza hoje? Ela tem duas pessoas que são os gestores, que sou eu e a Raquel.  a Raquel Tessari foi a primeira atriz da companhia. Ela foi a primeira pessoa que me disse sim, que queria ser dirigida, que aceitou ser dirigida por mim. E hoje, na companhia, é a que mais fez espetáculos. E aí a partir disso eu e a Raquel, somos os gestores da companhia, no sentido de tudo que a Nós Companhia de Teatro precisa. Do currículo da Nós, das notas fiscais, CNPJ. O administrativo da Nós, quem faz somos nós. Mas aí a Nós se organiza através dos seus projetos. Então, cada espetáculo, tipo Nós Performance, Elas, Nós em Off, Oxitocina, cada espetáculo a gente pede uma pessoa para ser o produtor e esse produtor é o responsável administrativamente pelo projeto. Então, se ele precisa de currículo da companhia, ele pede para nós, para mim ou para a Raquel. Já, o currículo do projeto quem organiza é aquele produtor junto com o diretor do projeto específico. No caso do Oxitocina, o diretor sou eu e a produtora é a Silvana. Nós organizamos esse projeto em cima das diretrizes da companhia. Então, eu e a Raquel temos uma horizontalidade, que todo mundo pode somar, mas tem uma hierarquia sim, que a gente permite com que as pessoas organizem também a companhia. Mas, é a partir desse vínculo com os projetos que a nós se sustenta. Cada projeto ali quando está em temporada, ele dá 5% de recolha do seu líquido para a companhia. Aí a companhia tem um caixa e esse caixa da apoia qualquer necessidade de qualquer projeto. Tipo, o projeto precisa de sala para ensaiar. Pega daquele caixinha ali. Ah, o projeto vai precisar de panfleto para imprimir. Pega daquele caixinha. Porque sempre quando um produto está em temporada, volta 5% para aquele valor. É mais ou menos assim que a gente vai se organizando. Um dos nossos valores é sempre trabalhar com os profissionais que estão na companhia. Tipo, vamos gerar trabalho para nós mesmos. Então se eu posso ser ator e produtor, que eu seja os dois. Posso ser ator e figurinista? Quando na falta de alguma função, como agora no Oxitocina a gente teve algumas faltas, que não tinha esses profissionais, a gente convida amigos e pessoas de fora que já passaram pela nossa vida, para compor o espetáculo. O Oxitocina, Mulheres em Trama, com a Letícia Virtuoso e o Dança da Meia-Noite, e tem mais três projetos a vir aí, né? Que são: Amor, o Musical, o primeiro musical da companhia; Palavra, onde os atores só podem dizer o que quando eles abrem o livro e o que está escrito ali. Então tem esses projetos todos acontecendo dentro da companhia, que vieram aí depois da pandemia. A gente veio com Nós Performance depois da pandemia e aí todos esses projetos se abriram aí para acontecer. 3 – Só este ano a Nós ensaiou, divulgou e apresentou 3 espetáculos próprios em teatros importantes, se envolveu com montagens de outros grupos, além de estar com projetos em andamento para serem estreados ainda este ano. Como tu enxergas o envolvimento da Companhia, tendo esta atuação tão pulsante, numa cidade como Porto Alegre? Eu acho que a gente tem ainda um alcance pequeno dentro de Porto Alegre. Apesar de conseguir participar de editais importantes, de conseguir capitanear dinheiro com editais, não é sempre mesmo que acontece. Não é sempre mesmo. Embora a …

Ventre Livre e Vale do Arvoredo: Pontos de Cultura em rede

Além de fazerem parte de uma rede estabelecida e consolidada já há um bom tempo – a Rede RS dos Pontos de Cultura -, esses dois Pontos já estabeleceram diversas relações que os colocam em ações próprias e coletivas, ligando elos de atuações culturais, ambientais e políticas. Dia 4 de agosto deste ano, uma segunda-feira, foi realizado encontro online, com apresentação do que é e, principalmente, os efeitos da Política Cultura Viva na prática. Uma promoção do Ponto de Cultura Vale Arvoredo, da região de Morro Reuter, para levar ao conhecimento de suas relações e região de atuação uma política pública que vem transformando a cultura de matriz comunitária de norte a sul do Brasil já há mais de 20 anos. Foi uma atividade exatamente de articulação de pessoas e projetos que ativam essas políticas, com a finalidade de dar apoio e sustentabilidade a iniciativas como as dos pontos de cultura. Aqui abaixo é possível asssistir à íntegra da reunião: Referenciais usados na apresentação (clique para acessar):

Trapos e Farrapos – Negrinho resgata ancestralidade

O grupo de teatro Trupi di Trapu está em cartaz com o espetáculo Trapos e Farrapos – Negrinho dentro das celebrações de seus 17 anos de trajetória. A peça infantojuvenil conta a lenda de Negrinho do Pastoreiro, bastante popular no folclore da Região Sul do Brasil – um conto clássico da oralidade cuja origem se dá no século XIX e é associada ao fim do período de escravidão no país. Esta é uma história sobre um menino escravizado que, após ser duramente castigado por seu patrão, recebe um milagre e passa a ser um protetor de objetos perdidos. Uma obra construída e contada de forma lúdica, em alguns momentos divertida, mesclando elementos e técnicas de teatro de sombras, bonecos, danças e cantos, com muito dinamismo, cores e figurinos bem trabalhados e detalhados. Ao mesmo tempo em que conta sobre a escravidão e a crueldade dos senhores de engenho, o espetáculo traz falas contemporâneas, trazendo reflexões sobre o racismo, a exploração do trabalho e abusos de poder por quem o detém – assuntos infelizmente muito presentes na sociedade atual. Outro ponto que chama atenção é que o espetáculo traz elementos da cultura afro para um papel de destaque, de grande presença na história, com o Negrinho seguidamente interagindo com Mãe Oxum – e ela atendendo a seus chamados, ou seja, uma quebra com a visão comumente explorada de pedidos de auxílio à Virgem Maria, por exemplo, claramente descolando-se, portanto, o enredo que envolve o menino da religião católica. Trapos e Farrapos – Negrinho prende a atenção de crianças e adultos, uma imersão cultural rica e divertida que segue em cartaz nos dias 9 e 10, 16 e 17 de agosto, aos sábados e domingos, na Sala Álvaro Moreyra, em Porto Alegre. Após, a peça segue para o Teatro Carlos Carvalho, na Casa de Cultura Mario Quintana, com apresentações marcadas para os dias 22, 23 e 24 de agosto. Segue as redes do grupo para mais informações e novidades. Te programa e vai prestigiar! A Trupi di Trapu e a cultura popular agradecem. – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – A cobertura deste evento integra o histórico apoio do Coletivo Catarse / Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre a este tipo de iniciativa cultural. Grande parte dos ensaios da peça ocorreram na Comuna do Arvoredo, na sede do Ponto. Texto e fotos: Billy ValdezEdição: Anahi Fros FICHA TÉCNICA:Autor: Anderson GonçalvesEncenação: Ajeff Ghenes, Alessandra Souza e YanniksonDireção Artística: Anderson GonçalvesDireção de sombras e figuras: Têmis NicolaidisDireção musical e trilha sonora: Alan BarcelosMúsica “Viajante dos Pampas”: letra de Lorena SanchezVoz em “Pastoreio de Oxum”: Marietti FialhoBonecos, cenário e adereços: Anderson Gonçalves, Mari Falcão e Ajeff GhenesMáscaras: Atelier Lu AntunesFigurinos: Mari Falcão e Ajeff GhenesIluminação: Vigo CigoliniProdução: Trupi di Trapu – Teatro de Bonecos

Oficina de Hip Hop – História e Discotecagem com DJ Piá

Curso básico de discotecagem com toca-discos, controladores, software de DJ e formação teórica para oficineiros no elemento conhecido. Esta oficina serve para qualquer estilo musical como RAP, Original Funk, Rock, Trap, Funk Carioca, POP Music ou Música Brasileira, para iniciantes e para quem já tem experiência. A ideia é deixar o oficinando preparado para trabalhos de DJ como: animandor de festas (Open format), discotecagem artística, trabalho em grupo ou bandas, produção musical e DJ de competição. – Ensino de instalação de equipamentos específicos;– Técnicas básicas de mixagens;– Como fazer scratches, colagens musicais, noção básica dos equipamentos de DJ;– Teoria musical para iniciantes;– Mapeamento musical;– Divisões rítmicas;– Contagem de BPM’s;– Características de mixagem em diferentes estilos musicais;– Organização repertório;– Gravação de set musical e operação de software para DJ. Abordagem de questões históricas do Hip Hop: o Movimento, seu surgimento, desenvolvimento, suas características no Brasil e sobre a trajetória da música negra no Rio Grande do Sul, além da representatividade de diversidade existente no movimento do Hip Hop atual. Inscrições gratuitas aquiVAGAS LIMITADAS!*idade mínima de 16 anos A Oficina de Hip Hop – História e Discotecagem com DJ Piá integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS.

Chuva e forró: a Festa Julina das Marias

Desta vez, nem a chuvarada impediu a diversão! No último sábado (26/07), aconteceu a Festa Julina do Maria Maria Espaço Cultural, uma já clássica festa esperada pelos frequentadores do local e da comunidade. Aliás, foi por causa da chuva que a festa não foi junina, já que a data inicial, no final do mês passado, teve que ser adiada devido à previsão forte de intempéries que circulava na cidade. E o público compareceu mesmo assim. O espaço ficou quente, e o forró tomou conta da garajona na Comuna do Arvoredo, ocupado pelas Marias de quinta a sábado. A festa começou com aula experimental do professor e dançarino Giovanni Vergo do Nós-Dança de Salão, comandando uma playlist contagiante. Após, o embalo do arrasta pé ficou por conta do grupo Forró Fuá. Confira algumas fotos do cooperado Billy Valdez dessa noite divertida. A atividade integra o projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. Neste projeto estão previstas – e já em execução – pelo menos 40 atividades culturais diversas na Comuna do Arvoredo, em coprodução com a Maria Maria Espaço Cultural, até maio de 2026, entre outras ações. Texto: Billy Valdez Edição: Anahi Fros

SAMBAÊA no Ventre Livre

No sábado 12 de julho, o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre recebeu na garajona da Comuna do Arvoredo a vivência de Samba de Roda SAMBAÊA, com Treinela Jane Oliveira e Treinel Maskote, respectivamente das escolas Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro (ACANNE) e Africanamente Escola de Capoeira Angola. A vivência foi aberta e gratuita, recebendo 20 pessoas. Maskote e Jane explicaram que o Samba de Roda é uma manifestação cultural do Recôncavo Baiano, que tem uma forte ligação com a Capoeira e com o Samba de Caboclo feito nos Candomblés da Bahia. Apesar de partilhar esta raiz Bantu – grande grupo linguístico e cultural que reúne mais de 400 povos africanos nas regiões de Congo, Angola, Gabão, Zâmbia, Namíbia, Zimbábue – o samba de roda é diferente dos outros sambas de maior presença no Rio Grande do Sul. O ritmo afrobaiano usa principalmente instumentos de percussão, como atabaques e pandeiros. As palmas e as canções de pergunta e resposta completam a manifestação cultural, que também costuma ser dançado por duas pessoas no centro da roda, balançando os quadris e sem tirar os pés do chão – parecido com a forma de “amassar o barro” no feitio de casas de pau a pique – diferente do Samba Carioca, por exemplo. Jane contou que uma das primeiras referências que teve nesta cultura foi sua avó, que fazia parte do Candomblé. Falou também de importância de Mestre Renê Bittencourt da ACANNE. Maskote por sua vez lembrou do Mestre Renato Beabá, da Malta dos Guris e Gurias de Rua, como uma importância referência do samba de roda em Porto Alegre, que inclusive fazia sambas de roda e rodas de capoeira na Comuna do Arvoredo no final dos anos dois mil. Por ser uma manifestação nova para alguns, o foco da vivência foi apresentar os fundamentos básicos, a começar pelas palmas. Maskote reforçou sua importância no samba de roda, explicando que, quando batidas fora do tempo, podem atrapalhar os demais instrumentos. Na sequência, Jane compartilhou dinâmicas para soltar os corpos e dar os primeiros passos do samba. Em roda, os oficineiros explicaram alguns fundamentos de entrada e saída, reforçando sempre a reverência aos atabaques e a relação entre os seus toques o que é dançado. Por fim, encerraram com o ritual do samba de roda. Os atabaques e pandeiros ecoaram na garajona da Comuna do Arvoredo e colocaram os corpos em movimento. As palmas marcaram o compasso e as cantigas repetiram aquilo que antes fora cantado pelos mais velhos e os ancestrais. O frio e umidade deram lugar momentaneamente ao calor humano e alegria típicos da cultura popular afro nordestina, deixando no final aquele gostinho de quero mais. Felizmente, para quem participou ou ficou com vontade de chegar nas próximas, haverá muito mais, já que o projeto “SAMBAÊA – Fortalecendo a cultura afro baiana em POA” foi contemplado no Edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento a Cultura PNAB POA e estará desenvolvendo diversas atividades ao longo do ano. Para saber das próximas vivências e encontros de samba de roda, acompanhe as páginas do Africanamente Treinel Maskote e Treinela Jane e da Treinela Jane e Treinel Maskote.