Talk Exu #03 pauta economia solidária e autonomia e os 18 anos da NÓS CIA DE TEATRO

O projeto Talk Exu, do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, chega ao seu terceiro episódio trazendo para a pauta a economia solidária e autonomia e os 18 anos da NÓS CIA DE TEATRO, intercalado por intervenções musicais do artista Luís Valério e exibição do curta-metragem P A R A L E L O. O programa ocorre no dia 25 de setembro, quinta-feira, a partir das 20h, na Maria Maria Espaço Cultural, junto à Comuna do Arvoredo, no Centro Histórico de Porto Alegre. O local será adaptado para servir de estúdio e receber convidados e público. O talk show é aberto e com acesso gratuito desde às 18h30min e será transmitido ao vivo pelo canal no YouTube do Coletivo Catarse. O Talk Exu, uma iniciativa autônoma do Coletivo Catarse, pretende levar ao ar mais dois episódios, somando quatro programas, como parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – Um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. No âmbito da proposta, também estão previstas e já em execução pelo menos 40 atividades culturais diversas na Comuna do Arvoredo, em coprodução com a Maria Maria Espaço Cultural até maio de 2026, buscando contemplar cerca de 100 artistas locais, além de oferecer, em outros espaços, oficinas de teatro para crianças e adultos, uma atividade de carijada (produção artesanal de erva-mate), oficina de discotecagem/hip hop com DJ Piá (cuja festa de encerramento ocorre no dia 19/9, sexta-feira, às 18h), entre outras ações. Temáticas do Talk Exu #03 Economia solidária e autonomia | Convidadas Gil NevesMilitante do Movimento Popular de Economia Solidária, integrante dos Coletivos de Trabalho de Economia Solidária Feministas Negro D’versas e Afro Aya, integrante da Rede Ubuntu de Cooperação Solidária, educadora do Centro de Assessoria Multiprofissional (CAMP), integrante da Rede de Comércio Justo e Solidário (RCJS), da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), sócia da Casa da Mulher Trabalhadora (CAMTRA RJ), sócia da Associação Cultural Quilombo do Sopapo, sócia da cooperativa Ajeumbò, graduanda em Administração Pública e Social na Escola de Administração da UFRGS, fundadora do Fórum de Mulheres Negras da Economia Popular Solidária, assessora técnica em Temas de Economia Popular Solidária, Gênero, Comunicação, Raça e organizadora de eventos. Lisbet dos Santos PinheiroArtesã, arte-terapeuta, empreendedora na Ecosol, mãe do Pedro e da Helena. Integrante do Coletivo Afro Aya, educadora social no CAMP, professora de técnicas artesanais no Projeto Mulheres Mil/ Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) – Campus Restinga, co-fundadora do Fórum das Mulheres Negras Trabalhadoras da Economia Popular e Solidária (Fespope), expositora da loja Fespope. NÓS CIA DE TEATRO celebra 18 anos | Convidados Everson SilvaDiretor e ator de teatro e fundador da NÓS CIA DE TEATRO. Atua como diretor artístico da Cia de Arte La Negra, escolas de dança Aline Rosa e Cadica Danças e Ritmos. Ganhador do Prêmio Açorianos de Teatro como melhor direção revelação em 2013. É professor formado pela Universidade Uniasselvi. Ministra oficinas de teatro, faz pesquisas artísticas, atua em produções audiovisuais como curta-metragens e em trabalhos empresariais com artes cênicas. Letícia VirtuosoAtriz, pesquisadora e professora de teatro e produtora cultural. Atuou na Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (2009/20), onde realizou espetáculos como: O Amargo Santo da Purificação, Viúvas – Performance Sobre a Ausência, Medeia Vozes e Caliban – A Tempestade, de Augusto Boal. Faz teatro há 20 anos. Atualmente, está membra da NÓS CIA DE TEATRO, Ação Nômade e é diretora do Teatro na Prática. Atração artística | Convidado Luís ValérioCantor, compositor, dançarino e gestor cultural. Em 2005, começou a cantar profissionalmente, em Porto Alegre. Desde então, vem produzindo, junto a alguns parceiros, seus próprios shows e investindo seu tempo em pesquisa musical, composição e gestão cultural. É responsável pelo projeto Voz Base, que acontece mensalmente em Porto Alegre desde 2023 e tem a voz como instrumento principal. Curta-metragem | Exibição P A R A L E L OO espaço entre o desejo e o real colidem com uma personagem contemporânea, onde limites e decisões distorcem a realidade. Com Charlotte Dafol, Ana Rodrigues e Gustavo Türck no elenco. Direção, direção de fotografia e produção: Éverson Silva e Têmis NicolaidisRealização: Cinehibisco e Coletivo CatarseAno: 2014 SERVIÇOO quê: Talk Exu #03Temática do programa: Bate-papo sobre economia solidária, autonomia e os 18 anos da NÓS CIA DE TEATRO, intercalado por intervenções musicais do artista Luís Valério e exibição do curta-metragem P A R A L E L O.Quando: 25/9, quinta-feiraHorário: 18h30 (espaço aberto) e 20h (início do talk show com live aberta no @coletivocatarse no YouTube)Local: Maria Maria Espaço Cultural – Rua Cel. Fernando Machado, 464, Centro Histórico, Porto AlegreAberto ao público, com entrada gratuita

Quilombo Vila Nova reafirma sua soberania

Lideranças quilombolas lançaram seu Protocolo de Consulta Livre Prévia e Informada na Sala Redenção, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O documento, disponível nos formatos de vídeo e texto, busca fazer com que a vontade da comunidade seja respeitada em processos que possam afetar o território, garantindo o direito assegurado pela Convenção 169 da OIT, tratado internacional do qual o Brasil é signatário. O evento ocorreu na quarta-feira, 10 de setembro. A comunidade vem denunciando que seu direito à consulta, consentimento e mesmo de veto vem sendo sistemáticamente violado por 6 grandes empreendimentos. Entre as ameaças estão a mineração em larga escala de titânio por meio do Projeto Retiro – primeira fase do projeto Atlântico Sul, que visa minerar quase toda a área do município de São José do Norte – que recentemente recebeu a licença de instalação (LI). Além da mineração, os quilombolas do Litoral Médio (faixa que vai de Osório até a foz da Laguna dos Patos) também denunciam os megaparques eólicos que pretendem se instalar na região à revelia dos povos tradicionais. O complexo eólico Bojuru propõe 113 aerogeradores, segundo os estudos da empresa a menos de 10km da comunidade e já tem a Licenç Prévia (LP). Ainda mais ambicioso é o Complexo Eólico Ventos do Atlântico com 290 geradores. O megaprojeto também já tem a primeira das três licenças ambientais, mesmo que muitos dos seus 15 mil hectares disputados estejam sobrepostos ao território do Quilombo Vila Nova. Projetos altamente polêmicos entre pesquisadores e ambientalistas também completam a lista de ameaças enfrentadas. Outros dois parques eólicos ameaçam as águas que cercam a comunidade, intencionando implantar complexos eólicos dentro do mar e da laguna dos patos. Por fim, a comunidade vem sofrendo com as monoculturas de pinus, que vem invadindo o território nas últimas décadas, reduzindo áreas de cultivo e criação de animais. Para enfrentar estas ameaças e garantir seu direito de decidir sobre ações que impactam seu território, os quilombolas elaboraram junto de apoiadores um Protocolo de Consulta Livre, Prévia e Informada. O documento, produzido com apoio de uma equipe de pesquisa em geografia e biologia a partir de quatro oficinas na comunidade, traz cada um dos passos que deve ser tomado caso se deseje realizar algo que possa impactar o quilombo. Reforçando que empresas e empreendedores não tem o direito de entrar no território, o texto produzido coletivamente enfatiza: Só aceitamos que a consulta seja realizada pelo estado brasileiro por meio dos órgãos específicos para tal, como o Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) e a Fundação Cultural Palmares (FCP). Para garantir que os órgãos responsáveis tomassem ciência do documento, foram convidadas e estiveram presentes no evento representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Ministério Público Federal (MPF), Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH-RS), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH/RS). Após a exibição do protocolo audiovisual, foi feita a entrega das primeiras edições do documento impresso para as autoridades presentes. O evento de lançamento, que teve 120 participantes, fez parte do Ciclo Cineciência “Raízes Vivas e Horizontes Ancestrais: a terra é o coração do Corpo” e foi a última exibição da série de encontros realizados na Sala Redenção Campus Centro da UFRGS. O Museu da universidade está sediando a exposição homônima, com fotos do Vila Nova e outras comunidades tradicionais como o Quilombo do Morro Alto em Osório e aldeias guarani e kaingang. O protocolo foi o primeiro documento audiovisual do gênero lançado no estado do Rio Grande do Sul. Entre as comunidades quilombolas, outras duas já tinham protocolos escritos, o Quilombo Morada da Paz (Triunfo) e o Quilombo do Morro Alto (Osório). O documento impresso terá ainda um lançamento na própria comunidade ao longo do Fórum dos Quilombos do Litoral Médio, importante espaço de articulação que reúne as 10 comunidades da região. As oficinas de elaboração do documento bem como a produção do vídeo foram realizadas com apoio do Fundo Casa Socioambiental. As ilustrações, diagramação, impressão e os eventos de lançamento da obra impressa estão sendo realizados com apoio do Fundo Brasil de Direitos humanos por meio do projeto Quilombo Vila Nova: Organização e Soberania na Defesa do Território contemplado na chamada Vozes por Direitos e Justiça pela associação da comunidade tendo o Coletivo Catarse como organização parceira. Texto: Bruno PedrottiFotos: Beto RodriguesMapa: Giulia Sichelero e Júlia Ilha – NEGA/UFRGS

Cultura Carijeira viva e acesa no RS

Na contramão da mecanização da indústria ervateira, grupos, comunidades e coletivos seguem construindo carijos. No último final de semana de agosto, chegou ao Coletivo Catarse informações e convites da realização de pelo menos 5 carijadas diferentes no estado. Calculam-se cerca de 75 pessoas reunidas simultaneamente em 5 municípios diferentes no sul, centro, litoral norte e serra do Rio Grande do Sul – que, juntas, produziram mais de 150 kg de erva-mate artesanal. Mas por que a ocorrência de tantos eventos deste tipo ao mesmo tempo? Compreende-se que o fator ambiental possa ter uma contribuição fundamental para o timing desse final de semana de agosto – afinal, este é o período do ano que marca o final da dormência em plantas como a Ilex, uma época ideal para a poda. Mas, também, entende-se como uma obviedade que tantas atividades acontecendo simultaneamente fazem parte de um movimento espontâneo que reforça o fato de que a cultura carijeira está viva e extremamente ativa no estado, com um grande número de grupos se relacionando preiodicamente com este modelo de produção artesanal tanto por meio de vivências abertas quanto pela produção para autoconsumo e comercialização. Para Moisés da Luz, a quantidade grande de coletivos e grupos se relacionando com o carijo não é por acaso, mas é fruto de um processo de cerca de vinte anos de formação de multiplicadores dessa cultura. O biólogo explica que isso se iniciou em 2005 com a organização de encontros abertos de carijadas a partir da vivência que tinha com seus pais e avós. “Fomos gerando pessoas multiplicadoras da prática e motivando outras a retomar o saber-fazer de seus ancestrais”, reflete. Esse processo de formação de multiplicadores passa não só por vivências práticas, mas também pela sistematização deste modelo artesanal por meio de trabalhos acadêmicos, como a dissertação de mestrado Carijos e barbaquás no Rio Grande do Sul: resistência camponesa e conservação ambiental no âmbito da fabricação artesanal de erva-mate, de autoria de Moisés e editado também como livro e base de pesquisa para o documentário “Carijo, o filme”. Entre outros materiais, vale citar também o site, a cartilha passo a passo e o audiodocumentário em podcast “Kaárijo”. Entre os resultados desta ação continuada, o biológo cita a patrimonialização da erva-mate, considerando o saber fazer tradicional guarani; a retomada e releitura da história da erva-mate e o reconhecimento de que a erva-mate e seu processo de feitio é de origem indígena (mbyá guarani, kaingang, etc.); o questionamento do conceito de gaúcho da maneira como é trazido pelo tradicionalismo; o aprendizado e autonomia quanto a processar a erva-mate; e o incentivo para as pessoas conhecerem e valorizarem o mundo da agroecologia, das agroflorestas e do viver no campo e a proteção às florestas nativas. Moisés percebe também uma difusão maior de carijos pelo estado, principalmente, nas “regiões mais florestadas, onde os ecossistemas nativos estão mais preservados e entre públicos identificados com a agroecologia, o bem viver, os povos indígenas, autonomia camponesa e de coletivos”. Esta percepção se reforça quando olhamos as carijadas realizadas no último final de semana, tendo como protagonistas grupos e espaços agroecológicos e comunidades indígenas. Em Nova Petrópolis, serra gaúcha, 6 pessoas produziram aproximadamente 20 kg de erva. Foi a primeira carijada organizada pelo Sítio Grūnes Paradies, e as plantas podadas no preparo foram cultivadas no próprio local. Duas das organizadoras haviam participado do primeiro Carijo Serrano Caconde (realizado em São Francisco de Paula em 2022). Já na região sul do estado, em São Lourenço do Sul, 20 pessoas produziram entre 50 e 60 kg. A atividade foi a segunda carijada realizada pelos sítios Enlaçador de Mundos e Espinilho neste ano. As plantas vieram de um erval nativo do Sr. Elmo Blank, antigo produtor de erva-mate da região. Foram manejadas 5 plantas indicadas pelo produtor, que não eram podadas há dez anos. No Vale do Rio Pardo, em Santa Cruz do Sul, a Ecovila Karaguatá organizou a sua segunda carijada. Novamente a erva veio do sítio Cepa Cipó, de Amadeu Krebs, rebrotada depois da primeira carijada no final de 2023. Foram produzidos 13 kg durante a vivência, pela qual circularam 15 pessoas. Em Maquiné, litoral norte do estado, mais ou menos 20 kg de erva-mate foram produzidos, contando também uma pequena produção de chá mate. Foi o primeiro feitio com mudas plantadas no Vale do Rio Ligeiro, reunindo 14 pessoas, em sua maioria vizinhos da região. A iniciativa veio de Kátia Zanini (mobilizadora do Centro de Vivências Vale do Ligeiro, que tem ervas plantadas, mas ainda pequenas) em parceria com Leandro Umman, que tem um plantio de 260 pés de erva-mate no espaço Alma-Viva. Os organizadores também já fizeram uma carijada em Minas Gerais. A família de Kátia Zanini, inclusive, também foi a responsável pela primeira carijada em que integrantes do Coletivo Catarse se fizeram presentes, em Sertão Santana, na primeira década dos anos 2000. Por último, mas não menos importante, a rede do carijo da Amizade realizou sua quarta(!) carijada de 2025. Com organização do Sítio da Amizade e parceiros junto à comunidade mbyá guarani da Tekoá Yvyty Porã (Serra Bonita), em Riozinho. Cerca de 20 pessoas trabalharam coletivamente no feitio de 50 kg, manejando o erval nativo da comunidade indígena. Os povos orginários, aliás, vêm tendo um forte protagonismo no feitio de erva-mate no Carijo no RS. Além da Yvyty Porã, a Tekoá Kaamirindy – também do povo mbyá guarani e localizada no município de Camaquã – produz carijadas regularmente para venda da erva-mate, gerando trabalho e renda para as famílias a partir desta planta de grande importância cultural e espiritual para os guarani. Recentemente, também a comunidade guarani da Tekoá Anhatenguá, na Lomba do Pinheiro em Porto Alegre, realizou sua primeira carijada com apoio do IECAM. E no norte do estado, em Erval Grande, a aldeia Ponkry Chaig (Pinheiro Preto), do povo Dofurêm Guaianá, também vem fazendo a produção de erva de carijo. A Seiva Rebelde, além de uma prática de resgate do Congon Guainá, também abastece o autoconsumo das famílias e a …

Um mundo em uma caixa

Entre os dias 10 e 16 de agosto, no Ponto de Cultura Vale Arvoredo, em Morro Reuter, aconteceu o retiro artístico RETIRAMBE – um encontro de imersão artística de Teatro Lambe Lambe. Durante os 7 dias, foram criadas histórias que coubessem em uma caixa, em que um espectador torna-se uma plateia inteira. A delicadeza de uma dramaturgia em miniatura contrasta com as potentes possibilidades que este tipo de linguagem poética pode atingir. O retiro teve condução de Denise Di Santos, considerada uma das cocriadoras do Lambe. Ao final, no sábado, uma apresentação coletiva, com “casa cheia” em cada espetáculo – mais de uma vez! – e a participação de Ubiratan Carlos Gomes, com sua viola caipira, trazendo trilha sonora ao vivo e contos de sua carreira como criador do grupo Anima Sonho de teatro de bonecos, juntamente a seu irmão Tiarajú Carlos Gomes. Registros por Têmis Nicolaidis, nesta visita que o Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre fez no dia 16.

“Cheiro de Enchente”, novo single da Diokane, verte a agonia da maior tragédia climática do RS

Por Homero Pivotto Jr. Em meio ao caos que se alastrou com a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024, um forte odor vindo do lodo e dos detritos, carregados de sedimentos variados – como animais mortos e esgoto –, deixou a maior tragédia climática do Estado ainda mais perturbadora. É esse o mote de “Cheiro de Enchente“, novo single da banda porto-alegrense Diokane. A composição é um relato do que se viu e sentiu durante a enxurrada de horror, com base, principalmente, no que foi testemunhado ou mostrado na imprensa em Porto Alegre e arredores. Um documentário/clipe com imagens da catástrofe e depoimentos de quem sofreu diretamente as consequências da inundação acompanha o lançamento. Até mesmo as cenas em que a banda aparece tocando tiveram como cenário um dos inúmeros locais alagados na capital gaúcha. Foto: Leandro Monks No documentário, os personagens que narram como foram impactados pelo dilúvio são familiares e amigos da banda – mostrando que vítimas da catástrofe estão por todas as bolhas. A amostragem, ainda que pequena, ilustra números assustadores sobre a magnitude do evento climático que não poupou gente nem bicho. Foram 478 dos 497 municípios gaúchos atingidos, conforme a Defesa Civil do RS. Houve impactos para cerca de 2,4 milhões de pessoas (entre as que precisaram deixar suas casas e as que tiveram interrupção de serviços), com mais de 180 mortos e 25 desaparecidos. Além disso, o governo do Estado estima cerca de 20 mil animais resgatados. As áreas mais afetadas incluem Vale do Taquari, Porto Alegre e Região Metropolitana. Na capital e cidades vizinhas, boa parte dos atingidos era gente pobre e/ou negra, conforme o Observatório das Metrópoles. Sobre a música, mas não só A composição foi gravada no Black Stork estúdio, com produção de Thiago Caurio (baterista da Atomic Elephant). Já a mixagem e a masterização ficaram sob responsabilidade de Renato Osório, guitarrista da Atomic Elephant e produtor que já trabalhou com Híbria, Distraught, Leviaethan entre outros. O vocalista da banda Pull The Trigger, Tiago “Taz” Freitas Severo, 44 anos, faz participação na faixa. Ele é morador da Vila Farrapos, Zona Norte de Porto Alegre, e perdeu praticamente tudo que tinha na residência em que morava com os pais e a filha, precisando sair resgatado por um barco. Taz canta junto o refrão: “O cheiro da enchente / mal-estar evidente / da náusea à dor / desamparo latente”. Descrever a percepção olfativa do que se sentiu durante e após a enchente é uma tarefa complexa. Para a presidente da Fundação Gaia, a bióloga Lara Lutzenberger (filha do ambientalista José Lutzenberger), houve um agravamento substancial do odor relacionado à catástrofe. A razão é a mistura tóxica e pestilenta com todo o tipo de lixo e materiais perigosos que as águas encontraram no caminho. “Na enchente dos anos 1940, não havia nada disso, e os danos se ‘limitaram’ ao alagamento, sem ampla contaminação associada. Os componentes orgânicos que se misturaram no coquetel do ano passado, que também foram mais abundantes que em outras épocas – incluindo esgoto por falta de redes de saneamento adequadas – proliferaram algas e bactérias em grande quantidade. Isso se revelou no mau cheiro” – elucida Lara. A fetidez cessou conforme as estruturas que resistiram às chuvas foram secando e sendo limpas, mas as marcas do pé-d’água descomunal permanecem. Não apenas nas paredes ainda encardidas com as indicações da altura em que a inundação chegou, como também na memória de quem sofreu com a força da natureza. Essas recordações estão registradas em “Cheiro de Enchente”. Para ilustrar o tamanho da catástrofe que veio do céu, “Cheiro de Enchente” chega acompanhada de um documentário produzido em parceiria com o Coletivo Catarse e ao final o desfecho é em formato de videoclipe. A produção audiovisual é dirigida pelo baixista Billy Valdez, cooperado do Coletivo Catarse, na fotografia, operação de câmera e assistência de direção de Leandro Monks. A obra apresenta depoimentos de vítimas da enxurrada, bem como cenas do cataclismo misturadas com takes da banda tocando.  As imagens do grupo ao vivo foram captadas no Áudio Porco, estúdio no bairro Cidade Baixa, região central de Porto Alegre. No local, o refluxo do esgoto e a água que o sistema de bombeamento não deu conta de escoar, fizeram com que o líquido empesteado chegasse a aproximadamente 1m20cm dentro do estabelecimento – que fica abaixo do nível da rua. O estrago obrigou o empreendimento a interromper os serviços por cerca de 60 dias e demandou investimento não previsto para reformar o mobiliário atingido. Testemunhos da destruição A operadora de OPLS Vanessa Giovagnoli dos Santos, 47 anos, moradora do Mathias Velho – periferia de Canoas e um dos pontos que mais sofreram com a tragédia em todo o RS –, relaciona o bodum ao luto: A casa em que ela ainda vive com a mãe – a pensionista Silvana Giovagnoli, 66 anos – e o filho Lucas Giovagnoli, 12, ficou submersa por cerca de seis metros, com praticamente tudo o que havia dentro inutilizado pelo encharcamento. Agora, a família busca deixar o imóvel em que residiu por boa parte da vida, com medo de passar pelo pesadelo outra vez.  “A gente continua traumatizada. É algo que não vai passar logo. Eu não consigo nem dormir quando tem barulho de chuva. Se for possível iremos para outro lugar, queremos sair daqui”, frisa Silvana. Perdas materiais também acometeram a secretária administrativa e coproprietária do InkPact Tattoo Gallery Carina Nascimento Giehl, 35 anos, e o tatuador Fernando Antônio “Tampa” Giehl, 40. O casal teve a casa em que morava, no bairro Fátima em Canoas, invadida por cerca de dois metros de água. O espaço profissional, no bairro São Geraldo (zona norte de POA) não foi poupado – ainda que com nível de alagamento menos elevado do que na residência. “Ficamos um mês fechado com água dentro e mais um mês de limpeza. Foram cerca de cinco ou seis lavagens para sair o cheiro, que só parou mesmo depois de lixarmos o piso umas três vezes”, recorda o artista, que saiu de Curitiba …

Um pouco de Nós

A Nós Companhia de Teatro é um rizoma gigante de pessoas, ideias, feitos e afetos que existe há 21 anos expressando arte através do drama, da comédia, da poesia. Celebrando esse longo caminho, conversamos com Everson Silva, um dos fundadores e diretores da companhia, para entender melhor a dimensão deste grupo que tem seus limites re-traçados a todo momento, a cada novo processo artístico. 1 – Fala um pouco sobre a tua trajetória de artista e o que te motiva a continuar fazendo arte? Sempre fui um artista autoral e independente, de formação pedagógica. Sempre trabalhei com uma característica de criação e produção em grupo, meus trabalhos se tornam um meio de relação externa com o meu interior. A cada obra desenvolvo e pesquiso uma linguagem, um método, uma relação a ser explorada.  Apesar de ser uma vida de grande trabalho e pouco recurso, a arte alimenta o meu ser criativo e a ferramenta teatro é um elo com a sociedade. Dentro do teatro me relaciono com as pessoas mais interessantes, desenvolvo arte, experimento coisas novas, crio, movimento o corpo e, por algum motivo, não consigo deixar de fazer. Já pensei em seguir outros rumos diversas vezes e por vários motivos, mas logo minha cabeça e corpo recebem um novo roteiro, uma nova ideia, um novo estímulo à criação da cena. Esses mundos me encantam, asim como os artistas da cena. Tenho 21 anos de dedicação à arte do teatro e nesses anos, 26 obras sendo dirigidas por mim. E assim vou indo… Entre caminhos… 2 – Sobre a Nós Companhia de Teatro. Como surge, quem faz e como se organiza para fazer acontecer? A Nós Companhia de Teatro surge a partir do momento que eu identifico um pulso por dirigir. Tipo, esse espetáculo precisa existir. E aí, a partir do momento em que esses espetáculos começam a tomar conta da minha cabeça, eu começo a tentar juntar amigos que topem essa ideia de montar esses espetáculos. E isso vai acontecendo. Aos poucos, claro, a Nós Companhia de Teatro tem 18 anos. Eu tenho 20, 21 anos de teatro. Eu entrei na UFRGS para fazer artes cênicas, eu fiz dois anos e não me formei, depois fiz pedagogia. Mas esse período todo de ficar fazendo teatro, que eu geralmente não conto na academia, ele começou a me buscar desse lugar de que eu não conseguia achar uma estrutura mais interessante. E aí eu comecei a criar espetáculos e as pessoas começaram a vir a montar comigo. Como é que ela se organiza hoje? Ela tem duas pessoas que são os gestores, que sou eu e a Raquel.  a Raquel Tessari foi a primeira atriz da companhia. Ela foi a primeira pessoa que me disse sim, que queria ser dirigida, que aceitou ser dirigida por mim. E hoje, na companhia, é a que mais fez espetáculos. E aí a partir disso eu e a Raquel, somos os gestores da companhia, no sentido de tudo que a Nós Companhia de Teatro precisa. Do currículo da Nós, das notas fiscais, CNPJ. O administrativo da Nós, quem faz somos nós. Mas aí a Nós se organiza através dos seus projetos. Então, cada espetáculo, tipo Nós Performance, Elas, Nós em Off, Oxitocina, cada espetáculo a gente pede uma pessoa para ser o produtor e esse produtor é o responsável administrativamente pelo projeto. Então, se ele precisa de currículo da companhia, ele pede para nós, para mim ou para a Raquel. Já, o currículo do projeto quem organiza é aquele produtor junto com o diretor do projeto específico. No caso do Oxitocina, o diretor sou eu e a produtora é a Silvana. Nós organizamos esse projeto em cima das diretrizes da companhia. Então, eu e a Raquel temos uma horizontalidade, que todo mundo pode somar, mas tem uma hierarquia sim, que a gente permite com que as pessoas organizem também a companhia. Mas, é a partir desse vínculo com os projetos que a nós se sustenta. Cada projeto ali quando está em temporada, ele dá 5% de recolha do seu líquido para a companhia. Aí a companhia tem um caixa e esse caixa da apoia qualquer necessidade de qualquer projeto. Tipo, o projeto precisa de sala para ensaiar. Pega daquele caixinha ali. Ah, o projeto vai precisar de panfleto para imprimir. Pega daquele caixinha. Porque sempre quando um produto está em temporada, volta 5% para aquele valor. É mais ou menos assim que a gente vai se organizando. Um dos nossos valores é sempre trabalhar com os profissionais que estão na companhia. Tipo, vamos gerar trabalho para nós mesmos. Então se eu posso ser ator e produtor, que eu seja os dois. Posso ser ator e figurinista? Quando na falta de alguma função, como agora no Oxitocina a gente teve algumas faltas, que não tinha esses profissionais, a gente convida amigos e pessoas de fora que já passaram pela nossa vida, para compor o espetáculo. O Oxitocina, Mulheres em Trama, com a Letícia Virtuoso e o Dança da Meia-Noite, e tem mais três projetos a vir aí, né? Que são: Amor, o Musical, o primeiro musical da companhia; Palavra, onde os atores só podem dizer o que quando eles abrem o livro e o que está escrito ali. Então tem esses projetos todos acontecendo dentro da companhia, que vieram aí depois da pandemia. A gente veio com Nós Performance depois da pandemia e aí todos esses projetos se abriram aí para acontecer. 3 – Só este ano a Nós ensaiou, divulgou e apresentou 3 espetáculos próprios em teatros importantes, se envolveu com montagens de outros grupos, além de estar com projetos em andamento para serem estreados ainda este ano. Como tu enxergas o envolvimento da Companhia, tendo esta atuação tão pulsante, numa cidade como Porto Alegre? Eu acho que a gente tem ainda um alcance pequeno dentro de Porto Alegre. Apesar de conseguir participar de editais importantes, de conseguir capitanear dinheiro com editais, não é sempre mesmo que acontece. Não é sempre mesmo. Embora a …

Trapos e Farrapos – Negrinho resgata ancestralidade

O grupo de teatro Trupi di Trapu está em cartaz com o espetáculo Trapos e Farrapos – Negrinho dentro das celebrações de seus 17 anos de trajetória. A peça infantojuvenil conta a lenda de Negrinho do Pastoreiro, bastante popular no folclore da Região Sul do Brasil – um conto clássico da oralidade cuja origem se dá no século XIX e é associada ao fim do período de escravidão no país. Esta é uma história sobre um menino escravizado que, após ser duramente castigado por seu patrão, recebe um milagre e passa a ser um protetor de objetos perdidos. Uma obra construída e contada de forma lúdica, em alguns momentos divertida, mesclando elementos e técnicas de teatro de sombras, bonecos, danças e cantos, com muito dinamismo, cores e figurinos bem trabalhados e detalhados. Ao mesmo tempo em que conta sobre a escravidão e a crueldade dos senhores de engenho, o espetáculo traz falas contemporâneas, trazendo reflexões sobre o racismo, a exploração do trabalho e abusos de poder por quem o detém – assuntos infelizmente muito presentes na sociedade atual. Outro ponto que chama atenção é que o espetáculo traz elementos da cultura afro para um papel de destaque, de grande presença na história, com o Negrinho seguidamente interagindo com Mãe Oxum – e ela atendendo a seus chamados, ou seja, uma quebra com a visão comumente explorada de pedidos de auxílio à Virgem Maria, por exemplo, claramente descolando-se, portanto, o enredo que envolve o menino da religião católica. Trapos e Farrapos – Negrinho prende a atenção de crianças e adultos, uma imersão cultural rica e divertida que segue em cartaz nos dias 9 e 10, 16 e 17 de agosto, aos sábados e domingos, na Sala Álvaro Moreyra, em Porto Alegre. Após, a peça segue para o Teatro Carlos Carvalho, na Casa de Cultura Mario Quintana, com apresentações marcadas para os dias 22, 23 e 24 de agosto. Segue as redes do grupo para mais informações e novidades. Te programa e vai prestigiar! A Trupi di Trapu e a cultura popular agradecem. – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – A cobertura deste evento integra o histórico apoio do Coletivo Catarse / Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre a este tipo de iniciativa cultural. Grande parte dos ensaios da peça ocorreram na Comuna do Arvoredo, na sede do Ponto. Texto e fotos: Billy ValdezEdição: Anahi Fros FICHA TÉCNICA:Autor: Anderson GonçalvesEncenação: Ajeff Ghenes, Alessandra Souza e YanniksonDireção Artística: Anderson GonçalvesDireção de sombras e figuras: Têmis NicolaidisDireção musical e trilha sonora: Alan BarcelosMúsica “Viajante dos Pampas”: letra de Lorena SanchezVoz em “Pastoreio de Oxum”: Marietti FialhoBonecos, cenário e adereços: Anderson Gonçalves, Mari Falcão e Ajeff GhenesMáscaras: Atelier Lu AntunesFigurinos: Mari Falcão e Ajeff GhenesIluminação: Vigo CigoliniProdução: Trupi di Trapu – Teatro de Bonecos

Saberes das ervas medicinais na Retomada Gah Ré

Na manhã ensolarada do último sábado, dia 26, Dia dos Avós, a Retomada Gah Ré realizou o Encontro de Ervas Medicinais. A comunidade, no Morro Santana, zona leste de Porto Alegre/RS, abriu suas portas para compartilhar com os fóg (não indígenas) um pouco dos saberes da medicina tradicional Kaingang. Depois de uma defumação com refej (erva nativa conhecida como macela, ou marcela, em português) para limpar as energias do ambiente, a cacica, avó e Kuja (curandeira/pajé) Iracema Gãh Té deu as boas vindas aos 30 participantes e explicou como seria a dinâmica do encontro. Kapri, filha da liderança, contextualizou a atividade, realizada em meio a um processo de reflorestamento na aldeia e valorização dos saberes originários de relação com a natureza. “Todo esse trabalho que a gente faz, é tudo pela mãe terra, que nos fortalece. Nós somos ligados a mãe terra”, concluiu Kapri. Depois da abertura e apresentação, os participantes foram divididos em dois grupos, um para buscar lenha na mata e outro para higienizar os ingredientes que seriam utilizados. Numa aula prática, Gãh Té ensinou o preparo de um xarope de sete plantas: bananinha-do-mato, cipó mil homens, erva cidreira, capim cidró, guaco, macela e espinheira santa. Ao final, o preparado foi coado e ainda misturado com mel. A Kuja explicou que o xarope é ideal para gripes e resfriados, principalmente aqueles que atacam o sistema respiratório, com tosse e catarro, ajudando também em casos de asma, bronquite, sinusite e rinite. A atividade fez parte do projeto Reflorestamento, resiliência climática e restauração do modo de vida Kaingangem um território em retomada em Porto Alegre – RS, apoiado pelo Fundo Casa Sociambiental por meio da Chamada Reconstruir RS de 2024. O projeto – fruto de uma parceria com a rede apoaidora da aldeia, a Teia dos Povos e o Coletivo Catarse, como organização parceira – vem fazendo o manejo de espécie invasora no território da comunidade, construindo um viveiro e reflorestando o local com espécies nativas. Em breve, mais atualizações. Texto: Bruno PedrottiImagens: Bruno Pedrotti e Luis Gustavo RuwerRevisão: Anahi Fros

Plantando e espraiando juçaras

Numa dessas andanças pela cidade de Porto Alegre, encontramos o Seu Ramão. Amante de uma boa prosa e dos bichos, ele nos contou de seu refúgio na natureza, onde cuida de um cavalo, algumas galinhas e pavões, um pequeno sítio em Glorinha. Se interessou pela história do Coletivo Catarse com a Palmeira Juçara (Euterpe edulis) e levou para o sítio dois pés dessa espécie fundamental para o ecossistema da Mata Atlântica. Vale dizer que o Coletivo Catarse acompanha há quase 15 anos a luta contra a extinção desta planta nativa tão apreciada por pessoas e animais da floresta. Nesse intervalo de tempo, já foram produzidos mais de 50 vídeos sobre a juçara, desde reportagens curtas até o documentário seriado “O ser Juçara”. Integrantes do Coletivo já atravessaram grande parte do território da Mata Atlântica, do Rio Grande do Sul até Rio de Janeiro e Minas Gerais, conhecendo e registrando as histórias dos povos que se relacionam com a palmeira. Mais do que apenas comunicar, nos tornamos um elo nesta rede, espalhando também sementes e mudas da juçara. Tudo começou quando, acompanhando a produção de polpa dos frutos da juçara no Litoral Norte gaúcho, recebemos dos produtores alguns sacos com sementes recém despolpadas. Ao longo de um dos planejamentos estratégicos do Coletivo, há oito anos, no sítio da família de uma das colegas, as mudas foram semeadas em meio a uma nesga de mata nativa remanescente em meio a lavouras de monocultivo. Na primavera de 2023, então, voltamos ao local e percebemos que as plantas haviam atingido um estágio de crescimento avançado e se encontravam muito próximas, necessitando de mais espaço para crescer de maneira saudável. Começou, então, um trabalho em várias etapas, retirando-se o excesso de mudas e distribuindo-as entre os parceiros – e verificando que aquelas mudas que foram deixadas na mata agora com espaço passaram a se desenvolver melhor em relação às que estavam no juçaral adensado. Ao longo dos dois últimos anos, foram entregues mudas para a FAUPOA, Retomada Gah Ré, Ponto de Cultura Vale do Arvoredo e tantos outros que fica até dificil recordar de todos. Sem falar no Seu Ramão, que, além de nos cativar com sua prosa boa, também nos inspirou a atualizar este histórico. A gente espera, em breve, ver os bichos e as plantas bem criados, Seu Ramão! Obrigado pela camaradagem! *Nas fotos, Ramão em frente à @comunadoarvoredo e seus pavões, em Glorinha. Também nossas mudas plantadas no Centro Histórico, na Zona Norte e Morro Santana, além do nosso viveiro de juçaras, nos fundos da sede.

Talk Exu chega à segunda edição dando foco aos três últimos filmes do Coletivo Catarse

Depois de um hiato de um ano, o talk show “Talk Exu” chega a seu segundo episódio – e com previsão de pelo menos outras três edições futuras. O programa, uma iniciativa do Coletivo Catarse/Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, ocorre a partir das 20h desta sexta-feira (11/7), em dia de Maria Maria Espaço Cultural, na Comuna do Arvoredo (Rua Cel. Fernando Machado, 464), Centro Histórico de Porto Alegre. O local será transformado em um estúdio para receber convidados e público (aberto e com acesso gratuito desde às 18h30), com o evento sendo transmitido ao vivo pelo canal no YouTube do Coletivo Catarse. No foco das conversas estarão as três últimas produções audiovisuais do Coletivo, todas lançadas na segunda quinzena de junho: os documentários “Nóg kirĩg ãg tĩ / Nós, Guardiões da Mata”, sobre a retomada Kaingang no Morro Santana, e “Cooperar é Resistir”, contando a história da PedalExpress, um coletivo de entregas que se utiliza de bicicletas em Porto Alegre; finalizando com o curta-metragem de ficção “Enquanto a Luz Não Chega”, com bate-papo sobre os desafios de uma produção que mescla o audiovisual e o teatro de sombras, com exibição completa do filme ao final – também como parte do circuito de lançamento do mesmo. As entrevistas sobre as produções serão intercaladas por intervenções musicais da banda “Expresso Livre”, com Jéssica Nucci no vocal, acompanhada dos violões de Vicente Guindani e Nil Tavares. O Talk Exu tem em 2025 a previsão de pelo menos quatro episódios, como parte do projeto “Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre – um ano de programação na Comuna do Arvoredo (e mais)”, que foi contemplado pelo Edital Sedac n° 25/2024 / Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – RS. No âmbito deste projeto, também estão previstas e já em execução pelo menos 40 atividades culturais diversas em coprodução com a Maria Maria Espaço Cultural até maio de 2026, buscando contemplar cerca de 100 artistas locais, além de oferecer, também em outros espaços, oficinas de teatro para crianças e adultos, uma atividade de carijada (produção artesanal de erva-mate), oficina de discotecagem/hip hop com DJ Piá, entre outras ações. Confira aqui como foi o primeiro episódio do Talk Exu. SINOPSES DOS FILMES Nóg kirĩg ãg tĩ / Nós, Guardiões da Mata Direção de Gustavo Ruwer e Iracema Gãh Té Sob a liderança da cacica Iracema Gãh Té, uma comunidade Kaingang retoma seu território ancestral no ponto mais alto de Porto Alegre. Enfrentando a ameaça de um grande empreendimento imobiliário, a comunidade desafia o abandono do estado e enfrenta uma poderosa família de banqueiros para defender as florestas e nascentes do Morro Santana. O lançamento oficial ocorre sábado, 12 de julho, às 19h, na Retomada Gãh Ré, Morro Santana (Porto Alegre – RS) Cooperar é resistir Direção coletiva entre a PedalExpress e o Coletivo Catarse O documentário conta a trajetória recente da PedalExpress e dos desafios enfrentados pelo coletivo de entregas de bicicleta nos últimos anos a partir do avanço das plataformas e da precarização do trabalho, lembrando ainda a resistência durante a pandemia e à enchente de 2024. O filme propõe uma reflexão sobre a importância do meio de transporte para a mobilidade urbana e aponta caminhos alternativos para a construção de um meio de subsistência sem exploração. O apoio à produção é da Labora – Fundo de Apoio ao Trabalho Digno. A pré-estreia ocorreu em 26 de junho, em evento fechado para os cooperados e ex-cooperados. Em breve, será divulgado o lançamento oficial. Enquanto a Luz Não Chega Direção e roteiro de Gustavo Türck e Têmis Nicolaidis e direção de arte de Alexandre Fávero, com Ana Delarte, Gustavo Cardoso e Anderson Gonçalves no elenco Curta-metragem de ficção que propõe uma reflexão sobre os impactos da tecnologia nas relações humanas. Do encontro do teatro de sombras e o audiovisual, surge uma história sobre desconexão e apatia e os caminhos que a escuridão aponta. Uma coprodução do Coletivo Catarse e Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre com a Cia Teatro Lumbra. A estreia ocorreu em 27 de junho, na Maria Maria Espaço Cultural, contando ainda com apresentações no dia 1º de julho para alunos da EMEF Nossa Senhora do Carmo, iniciativa em parceria com o Ponto de Cultura TV Restinga, e no Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, no bairro Cristal. No dia 3 de julho, foi a vez do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, no Centro Histórico de Porto Alegre, receber a exibição. Todas as atividades contando com acompanhamento de acessibilidade, acionando-se linguagem em libras quando necessário, tendo també sido finalizadas cópias com libras e audiodescrição. Trailer oficial: SERVIÇOO quê: Talk Exu #02 | Os filmes que lançamos no outono passadoTemática do programa: Bate-papo sobre os documentários “Nóg kirĩg ãg tĩ / Nós, Guardiões da Mata” e “Cooperar é Resistir” e o curta-metragem “Enquanto a Luz Não Chega”, intercalados por intervenções musicais da banda Expresso LivreQuando: 11 de julho, sexta-feiraHorário: 18h30 (espaço aberto) e 20h (inicia o talk show com live aberta no @coletivocatarse no YouTubeLocal: Maria Maria Espaço Cultural – Rua Cel. Fernando Machado, 464, Centro Histórico, Porto AlegreAberto ao público, com entrada gratuita